CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

20 de janeiro de 2011

A Rádio Patrulha e o Fusca

A solenidade hoje na Polícia Militar despertou atenção pelo inusitado. A inauguração de um Sedan Volkswagen, o prosaico Fusca, como um monumento à Rádio Patrulha. O veículo mais homenageado pelo mundo recebe agora do Comando do Policiamento da Área Oeste (CPA), situado no bairro da Compensa, novo registro.

Monumento ao Fusca da Rádio Patrulha, no CPA, em Manaus

O monumento pode ser visitado no quartel do CPA, antigo 5º Batalhão.

Coronel Fábio Pacheco
A memorável idéia e a realização do projeto pertencem ao tenente-coronel Fábio Pacheco, comandante desta unidade da PM. Oficial entusiasmado com a memória da corporação vem se empenhando em materializar alguns semelhantes planos.
Na ocasião, foram cumprimentados os ex-comandantes (apenas dois prestigiaram, coronel Fernando Oliveira e o autor desse post) e outros integrantes da extinta Rádio Patrulha. Esta unidade da PM operou entre 1972 e 1988. Vejamos alguns detalhes dessa presença.

A Polícia Militar do Amazonas (Pmam), com o advento de o Governo Militar (1964-1985) vinha prosperando. Ainda assim, seu efetivo na Capital cabia no quartel da Praça da Polícia, e seu melhor desempenho estava no policiamento a pé executado pelo Cosme e Damião. A capital amazonense, no entanto, crescia com velocidade espantosa devido a instalação da Zona Franca de Manaus. Em especial, o comércio da Zona Franca.

Em 1972, o comandante da PM, coronel Paulo Figueiredo, decidiu ampliar o serviço de policiamento. Havia necessidade de atendimento mais rápido, portanto, em veículo. A primeira operação foi realizada com picape Ford, onde na carroceria foram instalados bancos de madeira. Diante ao atual código de transito, aquilo era um atentado a segurança, não passaria em qualquer vistoria. Mas, era preciso operacionalizar o serviço.

A solução foi singular para montar o serviço de radio patrulhamento: a aquisição de prosaicos Fuscas, os quais, dotados de um rádio simples para comunicação com o Centro de Operações. Conduziam dois patrulheiros para dois turnos de serviço, com intervalo de seis horas. Ao menos, era essa a escala inicial.
Capitão Fernando Oliveira, na sede da extinta Rádio Patrulha, 1986
Ainda foi aquele comandante quem debuxou a “planta” do quartel. Localizada na avenida Duque de Caxias, em terreno do extinto Piquete de Cavalaria, ao lado da Maternidade Balbina Mestrinho. Concluídos esses preparativos, em junho de 1972, a Rádio Patrulha inaugurou o serviço. E foi um sucesso.
Surpreendeu a todos, porque atendia com uma presteza marcante. Não cabe aqui discutir os motivos, mas que todos temiam os comandados do capitão Fausto Ventura, seu primeiro comandante. Cinco anos depois, ganhou sede nova, agora pela rua Dr. Machado, onde hoje se aquartela o RAIO. Em 1978, tive o privilegio de comandar aquele pessoal.

A evolução da Cidade exigia cada vez mais e com rapidez maior e mais pronto policiamento. A corporação policial militar respondia como era capaz. Mas esse esforço, com novas unidades, com novos conceitos de segurança, com imposições federais, levou a mudanças. Até a Rádio Patrulha sentiu.
Em 24 de março de 1988, o major Wilde Bentes, comandante da Rádio Patrulha, encerrou a atividade daquele quartel, ainda que os Fuscas seguissem rodando.