CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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domingo, março 29, 2026

DOMINGO DE RAMOS

             Domingo de Ramos

29.03.2026

 

Símbolo do domingo - internet

Renato Mendonça

Esta liturgia de hoje abre o período que o mundo cristão chama de Semana Santa ou Semana Maior. A narrativa dos evangelistas nos convida à meditação, nos ensina a viver a mesma humildade, o mesmo amor e a mesma perseverança de Nosso Senhor Jesus. A entrada de Jesus Cristo em Jerusalém tem a simbologia do mistério divino, endossado como foi pressagiado no Antigo Testamento pelo profeta Zacarias sobre a vinda do Messias Salvador: “Regozija-te muito, filha de Sião; exulta, filha de Jerusalém; eis que vem a ti o teu Rei. Ele é justo e traz a salvação; ele é pobre e vem montado sobre um jumento, sobre um potrinho, filho de uma jumenta.” (Zc 9:9)

Observem que Jesus poderia ter escolhido várias formas para uma entrada triunfal na cidade, após um período de seis dias de meditação no Monte das Oliveiras. Ele preferiu a mais humilde, e talvez não fosse intencional chamar atenção da multidão; no entanto, ocorreu que seus seguidores e admiradores estendiam suas próprias vestes pelo caminho, enquanto outros cortavam ramos de árvores para lhe oferecer em tapete ou agitavam para anunciar o advento do Mestre. Foi uma coreografia por certo não idealizada, apenas improvisada, para preceder as palavras de fé e esperança entoadas pela multidão: “Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas alturas!”

Porém, o que nos deixa estupefatos, ou profundamente decepcionados, é que, uma semana após essa euforia, esse mesmo povo que o aclamou também o condenou... Será que foram essas mesmas pessoas que estavam na Assembleia do Sinédrio? Pertenciam à mesma casta social? Em uma análise coerente, permanecem muitas dúvidas...

Fazendo um exercício de lógica, podemos absorver dos relatos dos evangelhos sinóticos que havia razões apenas políticas para incriminá-lo, usando de argumentação leviana e mentirosa. Isso está explicitado no evangelho de Lucas: “Então toda a assembleia levantou-se e o levou a Pilatos. E começaram a acusá-lo, dizendo: ‘Encontramos este homem subvertendo a nossa nação. Ele proíbe o pagamento de impostos a César e se declara ele o próprio Cristo, um Rei’” (Lc 23: 1,2). Era uma falácia, pois Jesus, em um dos momentos em que foi induzido a cair numa cilada dos inimigos, falou sabiamente: “Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Mateus 22:21).  

Obviamente, não poderia estar presente naquele julgamento sumário a população pobre e carente, pessoas desassistidas que foram acalmadas espiritualmente com as diversas manifestações divinas de Jesus: as curas e os milagres realizados e testemunhados ao longo do seu ministério. Estavam ali os sacerdotes, os mestres da lei e os fariseus, em conluio com setores da elite judaica, alinhados com o governo de Roma. Como não havia registro escrito desse julgamento, tudo passou para a posteridade pela oralidade.

Jesus já vinha sendo monitorado há algum tempo por lacaios do império romano, e estes identificaram nele uma liderança popular capaz de concorrer com as autoridades de Roma; alguém que surgiu para libertar um povo oprimido, um enviado de Deus, capaz de mobilizar as forças divinas para se livrar da dominação estrangeira que oprimia o povo judeu naquela época. Por isso, consideravam-no um revolucionário e era necessário retirá-lo do convívio com a sociedade e condená-lo à morte.     

Jesus tinha consciência da sua missão final que ali se iniciava, e poderia evitar a situação cruel, mas para concretizar o projeto do Reino de Deus não deveria se opor, pelo contrário, faria a vontade do Pai. E o que se sabe é que Jesus não precisou rebater a violência com violência; nem mesmo condenou Judas, deixou que sua própria consciência o condenasse. Esperou que tudo se consumasse como um propósito divino.

A lei injusta e parcial usada para a manutenção do poder romano — que condenou um homem justo e maltratou sua dignidade — não foi capaz de evitar a vitória de uma crença, o surgimento de uma religião fervorosa, que tem como símbolo máximo a Cruz de Cristo.

Esperamos que o calvário e a crucificação de Jesus, paradoxalmente, consigam amenizar nossas dores; nos fortaleçam cada vez mais, para ajudarmos nossos irmãos que precisam de apoio ou socorro espiritual; ao mesmo tempo em que precisamos nos encaminhar para uma Boa Páscoa e para a ressurreição, que exige de nós um renascer a cada dia.

Além disso, precisamos nos abastecer da fé e da esperança, e nos convencer de que a morte foi vencida pelo Senhor da Vida!

         

 

domingo, dezembro 25, 2022

NATAL: COLECIONISMO

 Recordação de meus colecionismos: de Igrejas católicas e do Natal na filatelia, saudando a todos os visitantes desta postagem

Igrejas (acima) e Aerogramas 


segunda-feira, abril 13, 2020

EFEMÉRIDES AMAZONENSES

Há algum tempo, venho coletando dados sobre acontecimentos e fatos que respeitam ao Amazonas. Enquanto não efetuo uma publicação formal, vou divulgando-os neste espaço.

13 de abril


Catedral de Manaus
(1855) – Criada a Comarca Eclesiástica do Alto Amazonas, com vínculo ao bispado do Pará e dividida em seis distritos, que serviam de apoio às eleições. No ano seguinte, era dirigida pelo cônego Joaquim Gonçalves de Azevedo, e o primeiro distrito, pelo padre João Antonio da Silva, também vigário da freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Barra.

(1961) – Falece no Rio de Janeiro o compositor e violinista Elpídio Pereira, que ensinou música, e se apresentou em concerto na Manaus do início do século XX.

Chegado a Manaus em maio de 1902 fez vários concertos com obras suas, com orquestra e grupo de câmara, tendo tomado parte o maestro Joaquim Franco, os violinistas Lourival Muniz, Gentil Bittencourt, Armando Lameira, o violoncelista Cesare Vesce e muitos outros, quase todos ligados à Academia Amazonense de Belas Artes.
Elpidio Pereira
Elpídio Pereira partiu então para uma turnê a capitais de outros estados brasileiros, dentre eles Rio de Janeiro e São Paulo, divulgando as obras que compusera no gozo da bolsa de estudos que o Amazonas lhe proporcionara. Em 1906, no início da gestão de Antonio Constantino Nery e com a perspectiva de receber novo estipêndio para retornar a seus estudos na França, Elpídio Pereira retornou ao Amazonas e permaneceu mais 2 anos em Manaus.
Além de habituais concertos, inclusive na condição de organizador, redigiu as críticas operísticas para o jornal “A Platéa”, que com seus 14 números cobriu a temporada lírica de 1907. Utilizava o pseudônimo de Elpis, visto que chegou a se apresentar na Catedral em um concerto com os membros da Companhia Lírica Francesa deste ano, trazida por Joaquim Franco.
Ainda em 1907, no mês de maio, duas bandas militares e um coro infantil de mil vozes executaram o Hino Escolar do Amazonas, composto pelo maranhense.

Entretanto, mudanças no mando do governo estadual apagaram de vez as expectativas de Elpídio Pereira em receber nova subvenção do Amazonas. Ele ainda permaneceu em Manaus até abril de 1908, retirando-se depois para o Rio de Janeiro. Na capital carioca conseguiu uma bolsa do governo federal e retornou à França em 1913. Em 1921 obteve a nomeação de auxiliar do Consulado do Brasil, em Paris, de onde se aposentou em 1940, retornando definitivamente ao Rio de Janeiro, onde faleceu em 13 de abril de 1961.

sábado, julho 20, 2019

IGREJA CATÓLICA EM MANAUS: NOTAS

Capa do livro

Acabo de ler o livro Igreja de Manaus - porção da Igreja Universal: a Diocese de Manaus vivenciando a romanização (1892-1926), de Elisângela Maciel (Manaus: Valer, 2014). Para mim, que passei pelo Seminário São José local, serviu mais que uma grata revisão de meus conhecimentos. Pensava que sabia bastante acerca da matéria por ter sido seminarista e engolido livros e informações sobre a caminhada da Igreja. De ter sido abençoado (beijando o anel episcopal) por Dom Alberto Ramos e Dom João de Souza Lima. E outros benefícios ou castigos escolares.
O livro serviu, respeitável Mestra, para despertar em mim originais questões, pequenas dúvidas, e obrigar-me a buscar aclarações. Didático, o Igreja de Manaus foi exposto com disciplina, como convém à publicação universitária, portanto, capaz de ser entendido por qualquer seguidor da Igreja de Maria Imaculada.

Como de hábito, ao vasculhar pela internet a Biblioteca Nacional, encontrei um jornal sobre a posse do primeiro bispo do Amazonas. Nomeado de Amazonas Catholico, a edição especial e comemorativa em homenagem a D. José Lourenço da Costa Aguiar, Primeiro Bispo do Amazonas, circulou em 13 de junho de 1894. Nele se encontra a vasta programação elaborada para a recepção; dela, compartilho pequeno item, esclarecedor da maneira de como a cidade seria informada da chegada do navio Planeta, conduzindo o “preclaro Bispo Diocesano”.

Recorte do jornal, com a biografia do bispo na capa

Sinal da chegada
Logo que o telefone da ilha do Marapatá anunciar que — está à vista — o paquete do Loide Brasileiro, da ponte de ferro lançar-se-ão três foguetões, que estourando nos ares avisarão achar-se a bordo do Planeta o preclaro Bispo Diocesano.
Então fenderão os ares bastas girandolas de foguetes das praças dos Remédios, S. Sebastião e Sé, e a voz alegre dos sinos paroquiais ecoarão através dos espaços, repetindo aos povos, em sons festivais, a grande notícia — Ecce Sarcerdos magnus. Hosana in excelsis! [Eis o grande sacerdote. Hosana nas alturas!]

Outro recorte do periódico, com a programação

domingo, abril 21, 2019

DOMINGO DE PÁSCOA




Desde ontem reboam as aleluias da Ressurreição. Com as primeiras notas festivas do belíssimo cântico triunfal “Exsultet”, ondas de júbilo encheram o recinto sagrado de nossos templos. Com o canto solene do “Gloria”, bimbalharam os bronzes sonoros de nossas igrejas e retiniram longamente as campainhas, numa orquestração maravilhosa que traduziu bem o estremecimento de um túmulo e o despedaçamento de uma laje sepulcral. Era Cristo, o Vencedor da morte, que ressurgia glorioso e triunfante, alagando de luz a sepultura e aparecendo vivo, redivivo, majestoso e imortal, numa culminante fulguração de glória!
O celebrante das sagradas funções, depois dos primeiros epinícios, passada a primeira retumbância de júbilo, entoou pela primeira vez, solenemente, e repetiu por mais duas vezes, o festivo “ALLELUIA”, pomposo estribilho dos regozijos pascais.Aleluia! Aleluia! E se os bronzes das torres e as campainhas dos altares prorromperam em músicas de triunfo, não temos expressões para dizer das sinfonias de nossos corações, sinos que têm vida e emoção, a bimbalhar vitoriosamente nos altos campanários das inteligências e dos espíritos...
A Liturgia Católica tem isso de extraordinário: não recapitula fatos de dois mil anos, renova-os admiravelmente, como se produzidos pela vez primeira! Nós, sacerdotes e cristãos, no desenrolar de tão imponente e sugestivo das cerimônias, sentimos que somos Apóstolos e Discípulos, e que nos dizem respeito todas as cenas da vida, paixão, morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo! 
Como sinalizado, trata-se da abertura do artigo do falecido padre Nonato Pinheiro, circulado em A Gazeta (9 abril 1955), alegrando-se com a Páscoa do Senhor. Finaliza com a exortação:
Guardemos estas palavras proféticas de Ezequiel, e saibamos que só os lábios divinos de Jesus as podem proferir, como Senhor da Vida e Triunfador da morte: Eis que eu abrirei os vossos túmulos, e vos farei sair de vossos os sepulcros!... 

segunda-feira, dezembro 17, 2018

CARTÃO POSTAL (3)

NOVO GRUPO DE CARTÃO POSTAL DE MINHA COLEÇÃO,
AQUI UMA AMOSTRA DE IGREJAS DO PARANÁ (BRA)

(Títulos a partir de cima e da esquerda)

1. Catedral Nossa Senhora da Glória | 
Maringá - PR
2. Igreja Nossa Senhora do Rocio | Paranaguá - PR
3. Igreja Matriz de Cristo Rei | Campo do Tenente - PR
4. Igreja Imaculado Coração de Maria | Quedas do Iguaçu - PR
5. Basílica Nossa Senhora da Luz dos Pinhais | Curitiba - PR
6. Igreja Nossa Senhora Medianeira | Curitiba - PR


1. Igreja de São Benedito | Paranaguá - PR
2. Igreja de São João Batista | Bela Vista do Paraíso - PR
3. Igreja Nossa Senhora da Luz | Irati - PR
4. Basílica de Nossa Senhora da Luz | Curitiba - PR

quarta-feira, dezembro 12, 2018

O PADRE vs O SOLDADO (2)

NESTA SEGUNDA PARTE, 

DESCREVO O MOTIVO BÁSICO QUE LEVOU AO PUGILATO ENTRE ESSAS DUAS AUTORIDADES,  NA MANAUS DE 1933


Padre Luís França
Soldado Jasen
Aberto o devido inquérito policial, este rapidamente chegou ao judiciário, seja pela quantidade de infrações penais de então, seja para agradar ou atender a força da Igreja. Para defensor do acusado, o soldado do Exército Jasen Nascimento, foi constituído o causídico Henrique Rubim. É ele quem nos conta nas Alegações de Defesa a motivação da luta corporal.

Na Introdução de seu trabalho, Dr. Rubim assinala que o entrevero “não passou de um assunto puramente pessoal, regulado entre quem, por dignidade própria, tinha o direito de pedir satisfações, na desafronta do bom nome de um membro de sua família, e – referindo-se ao sacerdote – alguém que estava no dever de lhes dar”. Ou seja, o clérigo, “por (seu) flagrante desvio da conduta moral que lhe era imposta pelas vestes talares confiadas à sua guarda pela mesma Igreja”.

Trocando em miúdos, e para começar do começo: no ano anterior (1933), o genitor do Soldado Jasen (não identificado na peça judicial), proprietário do Sítio São José do Rio Vermelho, situado no Curari Grande, nas proximidades do Encontro das Águas, convidou ao padre Luís de França para uma desobriga na localidade, quando seria celebra missa na capela sob o amparo de São José existente naquele domínio. Outros atos religiosos eram esperados, em especial a celebração de casamentos.

No sítio, o reverendo foi recebido fidalgamente pelo patriarca, dos Nascimento, que o hospedou com as “honras devidas à sua autoridade espiritual”. Por óbvio, cercou-o de gentilezas e deferências cabíveis “no convívio e na intimidade afetuosa do seu modesto lar”. Ocorre que o casal Nascimento possuía várias jovens filhas, com “todo viço e frescor da mocidade”. Logo despertaram a atenção do visitante, que se fixou de imediato na de beleza mais atraente. Dr. Rubim, patrono do acusado, para melhor salientar a situação esdrúxula, compara a investida do vigário ao “venenoso olhar de ofídio na atração, irresistível, do passarinho saltitante e descuidoso.”

A família Nascimento residia em Manaus, frequentando a paróquia da Catedral de Manaus, onde o padre Luís França Tomé de Souza era vigário auxiliar. Esse contato permitiu ao sacerdote prosseguir na conquista da jovem, cujo nome foi omitido nas Alegações. Os termos são do defensor do acusado, delineando a atuação do padre-conquistador: “Untuoso, macio, veludoso no falar, cuidadosamente composto nos gestos e maneiras, foi ele, pouco a pouco, apertando o cerco que pusera à sua pretendida”. (...) A paquera era realizada “à vista de toda a gente, de modo a parecer que não havia maldade na palestra.” 

Logo, a comunidade paroquial e, pela expansão do falatório, a cidade tomaram conhecimento desse inditoso “namoro”, passando a indagar: “Dizem que o padre vai tirar a batina e casar-se!” — “Então, quando é o casamento do padre?” — “O namoro do padre já está na Polícia!”...

Claro que todo esse comentário deve ter reverberado na Manaus de pouco mais de 100 mil habitantes, alcançando a residência do soldado Jasen Nascimento. A situação agravou-se. Pois o sacerdote não se pronunciava a respeito do caso, seja para desmentir a maledicência, preferiu manter-se em guarda, e ainda, apostando no sucesso. Desse modo, alguém da família assumiu a iniciativa de tomar satisfações com o “namorado” da jovem. Esse membro da família foi seu irmão, o soldado Jasen Nascimento. Deu no que deu.

Adiante, na próxima postagem, direi o pouco que restou nos anais eclesiásticos sobre o padre Luís França, visto que subsídios sobre o soldado Jasen Nascimento são desconhecidos.

terça-feira, dezembro 11, 2018

CARTÃO POSTAL (2)

SEGUINDO COM A EXPOSIÇÃO
 DE CARTÃO POSTAL, CUJO TEMA É -
IGREJAS CATÓLICAS




quinta-feira, dezembro 06, 2018

O PADRE vs O SOLDADO (1)




Os personagens da peleja
No entardecer do dia 17 de agosto de 1933, a cidade foi invadida pela notícia de que o padre Luiz de França Thomé de Souza, vigário interino da Catedral, havia sido espancado pelo soldado 27º Batalhão de Caçadores, Jasen Marques do Nascimento. De fato, houve, sim, uma troca de bofetadas (porradas) entre os personagens. A cena do pugilato aconteceu “cerca das 19h30, próximo à Leitaria Amazonas”, situada na avenida Eduardo Ribeiro, certamente, naquele início de noite, repleta de frequentadores.

Para que não se imagine ser esta postagem um exercício literário, declaro que a narrativa deste fato e sua elevada repercussão foi retirada do opúsculo O Célebre Caso do Padre “versus” o Soldado (Manaus, 1934), que apresenta as razões de defesa de autoria de Henrique Rubim, advogado do militar. O mencionado documento encontra-se na biblioteca Mario Ypiranga, localizada no Centro Cultural Povos da Amazônia.

Prosseguindo. A cena deve ter sido hilária: de um lado, um sacerdote como praxe – de outrora – de batina preta; de outro, o soldado do Exército, de farda verde-oliva. A desavença foi levada à Delegacia Auxiliar da Polícia Civil, situada na rua Marechal Deodoro, pelo referido sacerdote que apresentou queixa contra o militar, alegando ter sido “agredido e espancado pela indicada praça”. Incontinenti, o delegado ordenou “a abertura de Inquérito Policial a respeito do ocorrido”.

No dia imediato, a Manaus “católica apostólica romana” estava alvoroçada. O sacerdote, vigário da igreja matriz devia ser defendido, desagravado e o quanto mais fosse imperioso. O agressor, punido com rigor pela afronta. Para tanto, as associações religiosas reuniram e se congregaram e saíram às ruas. Não somente esse segmento eclesial se moveu, também o clero estadual obviamente, estimulados pelo jornal de “pequeno formato, semanalmente distribuído nesta cidade como órgão da União de Moços Católicos de Manaus, com o sugestivo título de A Reacção.” Atitude mais exacerbada assumiu o próprio governo, pelos seus governantes, quando “entrou na briga”.   

Folha de rosto do opúsculo

Dirigiam o Estado, na condição de Interventor federal, Dr. Waldemar Pedrosa; de secretário-geral o Sr. Raymundo Nicolau da Silva. E de prefeito de Manaus, o Dr. Carvalho Leal.  Enfim, conduzia o bispado do Amazonas, dom Basílio Manoel Olímpio Pereira, da ordem franciscana, (1925-41).

Na praça General Osorio, onde em nossos dias funciona o Colégio Militar de Manaus, estava instalado o legendário 27º BC, sob o comando do tenente-coronel Mário Magalhães Cardoso Barata, onde servia o soldado nº 206 Jasen Nascimento, da 1ª Companhia.

Resta a pergunta: qual o motivo da ação dos contendores? Resposta, na próxima postagem.

segunda-feira, dezembro 03, 2018

CARTÃO POSTAL (1)


Com a exposição de selos, cujo tema é o NATAL, 

trago amostra da coleção de


Cartão Postal de igrejas católicas.




quarta-feira, dezembro 02, 2015

LIGA ELEITORAL CATÓLICA

Ao final da II Guerra, a movimentação política no Brasil agitava-se gravemente. Esse movimento, como sabemos, impulsionou a deposição do ditador Getúlio Vargas.
Dom João da Mata

A Igreja católica engajou-se na conjuntura e decidiu colaborar com a reorganização do país. Para isso, criou em nível nacional a Liga Eleitoral Católica (LEC), destinada a orientar os eleitores. Nada de candidatos da instituição, apesar de fervorosos e distinguidos católicos. Tanto aqui (os irmãos Ruy e André Araújo, para não entediar a relação) quanto pelo país, veja que a direção nacional cabia a Alceu Amoroso Lima.

Dom João da Mata, então bispo do Amazonas, reuniu sua grei e acatou a orientação da LEC brasileira. O resultado das providências do metropolita foi extraído de O Jornal, edição de 5 de agosto de 1945.

Liga Eleitoral Católica

Recorte do periódico

Às 17 horas de ontem, em sessão solene, no Salão de Atos do Colégio D. Bosco, em meio ao mais vibrante entusiasmo da numerosa assistência, foi oficialmente instalada entre nós a Liga Eleitoral Católica. 
Presentes membros do clero secular e regular, delegações da Ação Católica e de todas as associações religiosas da capital, fez o Sr. Bispo Diocesano leitura do seguinte telegrama, recebido do Rio:
Autorizados Exmo. Metropolita comunicamos vossencia instalação ontem LEC pt Gravidade momento vg responsabilidades católicos urgem trabalho intensivo alistamento orientação consciência eleitores pt Aguardamos indicação nomes constituição Juntas Regionais outras sedes episcopais Estado pt Respeitosos saudações (a) Hildebrando Acioli presidente vg Alceu Amoroso Lima secretário-geral pt" 
Obedecendo àquelas diretrizes indicara para ali os nomes dos membros da Junta Estadual: Presidente – Dr. Jatir Pucú de Aguiar, Secretário – Prof. Fuet Paulo Mourão, Tesoureiro – Sr. Antonio de Meneses Cunha. 
Recebeu o Dr. Jatir Pucú de Aguiar o seguinte telegrama que o credencia presidente da LEC e aprova os demais membros da Junta:Confirmamos nomeação pessoas indicadas autoridade episcopal Junta Estadual necessário intensificar alistamento inscrever LEC já alistados pedimos endereço essa Junta pt (a) Hildebrando Acioli vg presidente LEC, Alceu Amoroso Lima vg secretário pt 
Fez Dom João da Mata, a seguir, feliz explanação da finalidade da LEC, exortando os presentes ao dever cívico-religioso que, com a oração constitui a arma invencível contra o inimigo que se arregimenta. Ressaltou, mais uma vez, que a LEC não é partido político, não apresentando candidatos, pois sua missão é orientadora apenas do eleitorado católico. 
Sob aplausos gerais foi empossada a Junta Estadual, acima nomeada, sendo designadas como responsáveis pelo serviço da secretaria-geral, no Abrigo Redentor: Maria de Miranda Leão e Maria Júlia Lima. Foram, de início, criados 9 postos eleitorais, sendo 7 nas paróquias da Capital, 1 em Adrianópolis e o último no Círculo Operário. 
Nomeou o presidente da Junta Estadual as seguintes Juntas Paroquiais: 
Catedral: Moisés Lindoso [ordenado sacerdote em 1956], Maria Ruth Meneses e Aida Tapajós.
São Sebastião: Francisco de Oliveira Régis e Milton da Silva.
Remédios: Artur Virgílio Filho [pai do atual prefeito de Manaus], Eloisa Belfort dos Santos e Araci Montenegro.
Educandos: José Alencar, Rosa Castelo Branco de Alencar e João Martins de Araújo.
São Raimundo: Ismael Benigno [patrono do estádio da Colina], Pedro Bernardino de Sena e Raimundo Maia.
Santa Rita [Cachoeirinha]: Antonio Weimar Freitas, Jovino Ribeiro Neto e Francisco Cruz Silva.
Nossa Senhora Aparecida: Francisco Rebelo de Souza, Raimundo Ferreira Santiago e José Afonso [um dos dirigentes dos bombeiros voluntários].
Círculo Operário: José de Teixeira Pinto, Egídio Scardino e Jamaci Bentes de Souza [pai do escritor Marcio Souza].
 
Amanhã, às 17 horas, na sede do Abrigo Redentor, onde funciona o secretariado-geral, convocadas pela Junta Eleitoral, reunir-se-ão as Juntas Paroquiais.  

segunda-feira, novembro 09, 2015

CATÓLICOS vs BATISTAS EM MANAUS

Praça da Saudade, ano 1920
Em outubro de 1950, grande número de Católicos acossaram aos Batistas, que pretendiam celebrar um culto religioso na Praça da Saudade. Entre "mortos e feridos" salvaram-se todos, como explicita o Chefe de Polícia, então a maior autoridade de Segurança Pública.


POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DO AMAZONAS (*)

Fac-símile de parte da Publicação

NOTA OFICIAL

A respeito de um telegrama procedente do Rio, publicado na primeira página de O Jornal, de hoje, subordinado ao título - "Não nos deram garantias" - e com referência aos incidentes ocorridos à noite de sábado último, na Praça da Saudade, esta Chefia, na parte que lhe diz respeito, tem a esclarecer o seguinte: 
1 - Solicitada, no referido sábado pela manhã, por um cidadão pertencente à Igreja Batista, esta Chefia providenciou o policiamento da Praça da Saudade, com guardas do Corpo de Segurança Pública e soldados da Polícia Militar do Estado, inclusive uma patrulha de Cavalaria, a fim de que fosse impedida qualquer perturbação durante a realização de uma cerimônia religiosa. 
2 - Cerca das vinte horas do mesmo dia, informado por telefone de que estava ocorrendo sério tumulto na Praça da Saudade, o próprio Chefe de Polícia dirigiu-se incontinente para o local, tendo passado pelo Quartel da P.M.E. e pela Chefatura de Polícia, onde deu ordens para o envio imediato de reforços policiais para a referida praça. 
3 - Chegando à Praça da Saudade, verificou a existência de uma multidão de cerca de três mil pessoas, com uma tendência a avolumar-se, contando-se considerável número de menores, colegiais e mulheres, todos manifestando desagrado pela realização do culto religioso, motivada atitude, ao que consta, por um discurso proferido no dia anterior. 
4 - Embora reconhecendo o Direito de liberdade religiosa assegurado em nossa Constituição e a obrigação da sua garantia pelas autoridades, o Chefe de Polícia constatou, de pronto, uma impossibilidade de dispersar os elementos católicos, cuja concentração se fizera rápida e de improviso, sem a utilização de medidas extremas, o que era em absoluto desaconselhável, restando às autoridades policiais apenas garantir a vida e a retirada dos religiosos Batistas. 
5 - A Chefia de Polícia, porém, tomou imediatas providências para a segurança pessoal dos membros da Igreja Batista e guarda dos próprios templos protestantes da Cidade, postando sentinelas armadas, durante toda à noite de sábado, o mesmo fazendo para a realização do culto de domingo à noite na Igreja Batista do Alto Nazaré, por ordem do senhor Governador do Estado, atendendo à solicitação do Doutor Serra Lima, ficou protegido por vinte praças da P.M.E., sob o comando de um oficial, até o término do ofício religioso. 
6 - À Chefia de Polícia, pois, não cabe responsabilidade pelos lamentáveis ​​acontecimentos de sábado à noite, na Praça da Saudade, motivados pela eclosão inesperada de um movimento popular e que assumiu proporções que não permitiam a sua sufocação sem sérias consequências.

Gabinete da Chefia de Polícia do Estado, em 25 de outubro de 1950.
 
David Melo
Chefe de Polícia

(*) O Jornal, 26 de outubro 1950

domingo, julho 19, 2015

IGREJAS CATÓLICAS EM MANAUS

NOVA SÉRIE DE IGREJAS E CAPELAS DA CIDADE

Capela do Dom Bosco, hoje desaparecida. No mesmo lugar foi construída nova
com entrada pelo colégio.

Capela de São João Batista, existente no cemitério do
mesmo nome

Igreja de Nossa Senhora de Fátima, no bairro da
Praça 14 de Janeiro

Cartão Postal da igreja, existente nas proximidades do
Teatro Amazonas 

Matriz de Nossa Senhora da Conceição, quando de sua última reforma,
ano 2002

sábado, julho 18, 2015

POLÍTICA EM EDUCANDOS

Pe. Plácido
Em 1950, num comício no bairro de Educandos, então conhecido por Constantinópolis, ocorreu um desentendimento, semelhante a velha piada do bêbado que atazana o candidato. Nessa noite, a polícia interferiu, dando motivação a notícia fantasiosa que segue, sacada do melhor jornal da cidade.

Para melhor entender, nesse ano a disputa pelo governo do Estado era travada por Álvaro Maia, que afinal venceu, e Severiano Nunes. O tabloide, defensor de Maia, como facilmente se pode notar noticiou um episódio inverossímil.


4 TIROS DE FUZIL CONTRA O PEITO DE UM SACERDOTE (*)
O padre Antonio Plácido vítima dos udenistas

Caso dos mais revoltantes registrou-se à noite de domingo último, no populoso bairro de Constantinopolis, quando ali se realizava um minguado comício da União Democrática Nacional, facção político-partidária que já faliu completamente no seio acertado da opinião popular, pelas atitudes sórdidas e antidemocráticas de seus desenfreados líderes.
Horas tantas da noite daquele dia, o povo daquele laborioso bairro, que acompanha para toda o libertador Alvaro Maia, revoltando-se com os ataques indignos que os udenistas vinham lançando contra a Frente Libertadora, começou a vaiar os oradores da "eterna bandalheira" e a dar vivas estrondosas ao ínclito senador da libertação.
Como costumeiramente acontece, logo foi convocado a Polícia Civil do Estado que, cumprindo ordens absurdas de seus chefes, começou a ameaçar o povo, de baioneta calada, como se o povo ordeiro de Constantinopolis, fosse uma massa de criminosos vis e pestilentos.
Em dado momento, um pobre cidadão, velho já de idade, porém com liberdade de consciência, resolveu dar um viva ao senador Álvaro Maia e bastou isso para que os beleguins da Polícia, assalariado do governo nefando que infelizmente domina o Amazonas e o infelicita às raias do absurdo, desse ordens para que os seus subordinados agissem conte a o referido cidadão, silenciando-o de qualquer maneira.
Naturalmente procurando livrar-se da sanha iniseravel dos algozes da coletividade amazonense, torpes perseguidores e infelizes tripudiadores das liberdades públicas e individuais, o pobre ancião pediu ao socorro à alma boa e caridosa do padre Antonio Plácido, paróco da igreja de Constantinopolis.
Cumprindo um velho mandamento do Divino Mestre, padre Plácido, que nunca negou abrigo aliviador a quem quer que seja, recolheu na casa de Deus o referido cidadão, livrando-o assim da fúria desenfreada dos policiais, principalmente do indigno, nojento, maltrapilho, burro, ofensor da moral alheia, indivíduo que ja bateu em sua própria mãe, portanto, desclassificado, Geraldo Dias. Tudo parecia acalmar-se com a atitude generosa e humana do padre Plácido, quando os beleguins udenistas detonaram por 4 vezes os seus fuzis, sobre o benquisto sacerdote da Igreja de Cristo, num verdadeiro sacrilégio e num virulento ataque à própria Casa de Deus, já que mencionado sacerdote reside ali.
Felizmente nenhuma das balas atingiu o alvo desejado pelos da "eterna bandalheira". Felizmente aconteceu isso e o padre Placido esta para contar a verdade dos fatos, depois que pediu providências às autoridades federais.

(*) O Jornal, 12 de setembro de 1950