CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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domingo, dezembro 03, 2017

MANAUS: 341 ANOS


Os jornais circulados no domingo, 24 - destacaram variadas personagens e entidades para homenagear a cidade de Manaus. De fato, foi interessante, pois sempre há o que se ler.

Assim, tive ocasião para rever personagens bem distintos, mortos uns, vivos outros. Tomei ciência da origem de muitos dos que dirigem o Estado e outros departamentos.

Aprendi igualmente que muitas lojas e empresas estavam ali por questão de financiamento da campanha. Entenda bem: são os patrocinadores. Sem eles, não há salvação.

Li ensinamentos do pessoal do legislativo, de membros dos tribunais e da sociedade mais destacada. Mas, nada encontrei, uma linha sequer sobre duas entidades permanentes e institucionais. Bem mais antigas que o próprio Estado.

Falo das Polícias e dos Bombeiros.

As polícias civil e militar são entidades que antecederam o 5 de Setembro, pois foram instituídas antes da elevação do Amazonas à categoria de Província. Atravessaram o periódo provincial enfrentando lutas sangrentas, ora em defesa do poder constituído e da população, ora submetidos à política contra o povo.

Sei igualmente que poucos têm admiração pelos policiais, que o ibope desse contigente de homens e mulheres é insignificante. Por isso, o local que lhes cabe no jornal é sempre nas páginas internas, circunstanciados ao combate nem sempre eficiente ao crime.


Os bombeiros, no entanto, são bem conceituados. Possuem a melhor pontuação em termos de credibilidade, de crença em seus serviços. Nem assim foram lembrados no aniversário da capital baré. Não importa. Sempre que preciso, estas organizações mostram seu empenho.

Apesar desse pouco crédito jornalístico, o Amazonas confia na força e na elegância destes policiais e bombeiros.

segunda-feira, novembro 09, 2015

CATÓLICOS vs BATISTAS EM MANAUS

Praça da Saudade, ano 1920
Em outubro de 1950, grande número de Católicos acossaram aos Batistas, que pretendiam celebrar um culto religioso na Praça da Saudade. Entre "mortos e feridos" salvaram-se todos, como explicita o Chefe de Polícia, então a maior autoridade de Segurança Pública.


POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DO AMAZONAS (*)

Fac-símile de parte da Publicação

NOTA OFICIAL

A respeito de um telegrama procedente do Rio, publicado na primeira página de O Jornal, de hoje, subordinado ao título - "Não nos deram garantias" - e com referência aos incidentes ocorridos à noite de sábado último, na Praça da Saudade, esta Chefia, na parte que lhe diz respeito, tem a esclarecer o seguinte: 
1 - Solicitada, no referido sábado pela manhã, por um cidadão pertencente à Igreja Batista, esta Chefia providenciou o policiamento da Praça da Saudade, com guardas do Corpo de Segurança Pública e soldados da Polícia Militar do Estado, inclusive uma patrulha de Cavalaria, a fim de que fosse impedida qualquer perturbação durante a realização de uma cerimônia religiosa. 
2 - Cerca das vinte horas do mesmo dia, informado por telefone de que estava ocorrendo sério tumulto na Praça da Saudade, o próprio Chefe de Polícia dirigiu-se incontinente para o local, tendo passado pelo Quartel da P.M.E. e pela Chefatura de Polícia, onde deu ordens para o envio imediato de reforços policiais para a referida praça. 
3 - Chegando à Praça da Saudade, verificou a existência de uma multidão de cerca de três mil pessoas, com uma tendência a avolumar-se, contando-se considerável número de menores, colegiais e mulheres, todos manifestando desagrado pela realização do culto religioso, motivada atitude, ao que consta, por um discurso proferido no dia anterior. 
4 - Embora reconhecendo o Direito de liberdade religiosa assegurado em nossa Constituição e a obrigação da sua garantia pelas autoridades, o Chefe de Polícia constatou, de pronto, uma impossibilidade de dispersar os elementos católicos, cuja concentração se fizera rápida e de improviso, sem a utilização de medidas extremas, o que era em absoluto desaconselhável, restando às autoridades policiais apenas garantir a vida e a retirada dos religiosos Batistas. 
5 - A Chefia de Polícia, porém, tomou imediatas providências para a segurança pessoal dos membros da Igreja Batista e guarda dos próprios templos protestantes da Cidade, postando sentinelas armadas, durante toda à noite de sábado, o mesmo fazendo para a realização do culto de domingo à noite na Igreja Batista do Alto Nazaré, por ordem do senhor Governador do Estado, atendendo à solicitação do Doutor Serra Lima, ficou protegido por vinte praças da P.M.E., sob o comando de um oficial, até o término do ofício religioso. 
6 - À Chefia de Polícia, pois, não cabe responsabilidade pelos lamentáveis ​​acontecimentos de sábado à noite, na Praça da Saudade, motivados pela eclosão inesperada de um movimento popular e que assumiu proporções que não permitiam a sua sufocação sem sérias consequências.

Gabinete da Chefia de Polícia do Estado, em 25 de outubro de 1950.
 
David Melo
Chefe de Polícia

(*) O Jornal, 26 de outubro 1950

quinta-feira, abril 26, 2012

Polícia Civil do Amazonas

O relato abaixo pertence ao saudoso acadêmico Mavignier de Castro (1891-1970), que o produziu para seu livro Síntese histórica e sentimental da evolução de Manaus, publicado em Manaus, em 1948, com ilustração de Afranio Castro e capa de Branco Silva. O texto escrito, presumo, sem anotações prévias apenas com “sentimentos”, apresenta algumas distorções.
Por isso, acrescentei pequenas notas à fala do autor, a fim de atualizar e facilitar o entendimento. Há muito este “roteiro” deveria ter sido reeditado. Quem sabe possamos vê-lo em breve.

Um detalhe final, a Polícia Civil era dirigida pelo Chefe de Polícia, consoante menciona De Castro. Ainda alcancei esse personagem, que reunia forte domínio, pois se ligava ao governador e possuía as atribuições de prender, de investigar e, durante décadas, de dirigir a penitenciaria. Essa figura, que foi substituída pelo secretário de Segurança, deixou-nos muitos causos e incontáveis lembranças, nem sempre afortunadas.

Capa do livro, acervo da Academia
Amazonense de Letras

No espaço de um século a Polícia Civil ocupou três prédios em ruas diferentes.
A instalação da' Província, em 1852, a encontrou situada na, atual praça Pedro II em  um casarão assobradado que também servia de cadeia pública e delegacia, precisamente no local onde hoje se ergue o Palácio Rio Branco [atualmente, centro cultural].

Em 1875, não mais oferecendo segurança suas vetustas paredes, determinou o governo a transferência da Chefatura para a casa que ocupa atualmente a marcenaria Leo fazendo canto com a rua Dr. Moreira e a praça Roosevelt, antigo largo da Constituição [hoje, praça Heliodoro Balbi ou da Polícia].  

Muitos anos se passaram antes que a sede da Polícia Civil fosse instalada no amplo palacete em que ora funciona, a rua Marechal Deodoro. Em 1934, quando Chefe de Polícia o Dr. Rui Araújo, o prédio ficou acrescido por um andar permitindo melhor funcionamento à seção de datiloscopia.

Também na gestão do Dr. Sady Tapajós de Alencar [1940-41], a repartição policial recebeu notáveis melhoramentos, sendo adquirido o primeiro carro celular para transporte de presos.
Na administração governamental do Dr. Pedro Bacelar [1913-17] contava a cidade dois distritos policiais, cada um obedecendo a respectiva delegacia. A primeira funcionou no prédio à rua Joaquim Sarmento agora pertencente à Tipografia Fenix e a segunda, na' esquina da avenida Eduardo Ribeiro com a rua 10 de Julho.

Apesar de tecnicamente desaparelhada, não contando entre os seus investigadores nenhum detetive de curso especializado, a Polícia Civil de Manaus tem se distinguido inúmeras ocasiões ao demonstrar argúcia na pista de salteadores e bravura no capturar indivíduos facinorosos quase sempre foragidos de outros Estados.  

Quando chefiava a repartição o Dr. Marcionilio Lessa, no mês de fevereiro de 1934, em consequência de um conflito entre militares e elementos da Guarda Civil, o próprio da rua Marechal Deodoro foi invadido, desarmada a sua guarda e desacatados os comissários e escrivães de serviço que foram recolhidos à Penitenciaria do Estado. [A chefia de Lessa durou de 20.02 a 06.03.1935, que deve ter sido exonerado em decorrência desse conflito].

Anexa à Chefatura funciona a Comissária da Polícia do Porto. No prolongamento do mesmo prédio, mas de fachada para a rua Dr. Moreira [mais correto, rua Guilherme Moreira], tem o seu quartel a Guarda Civil [desativada no início do Governo Militar], montando um efetivo de sessenta homens. Sua fundação data de 1917.
Pelo Dr. Rui Araújo, em 1934, foi organizada a Guarda Noturna, a qual juntamente aos guardas civis vem prestando eficiente serviço no policiamento central e suburbano da capital.