CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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domingo, outubro 13, 2019

SEMINÁRIO SÃO JOSÉ (5)



Dom João da Matta
Dom João da Matta, 6º bispo do Amazonas (1941-48), encontrou fechado este estabelecimento de formação sacerdotal. Isolado há décadas. Tomou-se de brio e, em 1943, reabriu o seminário. Para tanto, cedeu a residencial episcopal, junto ao Colégio Dom Bosco, e entregou a direção aos padres Salesianos. Do outro lado da praça, estava o quartel do 27 BC (atual Colégio Militar).
Do seu pronunciamento efetuado na solenidade, o trecho seguinte:

Este Seminário é um quartel da Igreja a se defrontar com o quartel da Pátria. Ali se formam os soldados para a defesa da soberania da nação – aqui se formam os soldados do Evangelho para a defesa do patrimônio da fé, que nos legaram os nossos maiores. A cruz e a espada, no correr da nossa História, sempre estiveram entrelaçadas. Foi aos clarões do sol da eucaristia que, lá na gloriosa Bahia, a cintilar sobre a espada de Pedro Álvares Cabral e a cruz de frei Henrique de Coimbra, amanheceu para o mundo e para a história o gigante da América, o Brasil.

quinta-feira, maio 30, 2019

ARQUIDIOCESE DE MANAUS: NOTAS


O sexto bispo do Amazonas, dom João da Matta Andrade Amaral, que cuidou de seu rebanho entre 1941-48, deixou na cidade importantes marcas de seu pastoreio. 


Ao assumir, empenhou-se em restaurar a catedral de Nossa Senhora da Conceição; outra marca indelével: a recriação do Seminário São José, instalado na rua Emilio Moreira, praça 14 de Janeiro. Ainda outra baliza de seu apostolado, a Casa da Criança, na rua Ramos Ferreira.
Catedral de N. S. Conceição, Manaus
Foram construídos dois pavilhões no Seminário, o primeiro – dom Basílio – inaugurado em março de 1946. Ainda estão firmes, mas por óbvio modificados devido ao longo período de comodato com entidades de ensino: a Ufam e a Uninorte.

Dez anos depois, ingressei naquele estabelecimento de formação eclesiástica. Acerca da abertura desse ano letivo, dá-nos conta a publicação “Vida Católica”, circulada no Jornal do Commercio (23 fev. 1956).

No mês seguinte, 24 de março, dom João da Matta procedeu a sagração da igreja Nossa Senhora da Conceição como Catedral. No decurso das obras de restauro, foi encontrada “uma preciosa relíquia”, consoante noticia o extinto Diário da Tarde (18 mar. 1946). As duas publicações estão abaixo compartilhadas.

Jornal do Commercio, 23 fevereiro 1956
  
Uma antiga imagem de Nossa Senhora da Conceição vem de ser encontrada pela Diocese de Manaus. Trata-se da primeira imagem colocada na nossa igreja Catedral, contando assim cerca de 251 anos, estilo europeu e de traços belíssimos, devendo ter sido entronizada naquela matriz pelos padres Carmelitas, os primeiros missionários que trabalharam em Manaus.
Essa imagem é a que será carregada em procissão, durante as grandes solenidades do mês de março, constante da sagração da Catedral e inauguração do primeiro pavilhão do Seminário São José, de acordo com a vontade de dom João da Mata [bispo do Amazonas].

SEMINÁRIO SÃO JOSÉ
Hoje regressarão ao Seminário os alunos de Teologia e Filosofia, a fim de retomarem seus estudos e seus trabalhos em preparação para o sacerdócio. São três do curso filosófico, quatro do segundo ano de teologia, quatro do terceiro ano e um do quarto ano. O número de alunos do Seminário Menor atinge os cinquenta. 
A direção do Seminário está assim constituída:
Reitor — Mons. João Alves da Costa [vigário dos Remédios];
Prefeito de Estudos — Pe. Luiz Ruas;
Prefeito de disciplina do Menor e Ecônomo — Pe. Vicente Gonçalves de Albuquerque.
 As aulas, no Seminário, serão iniciadas no próximo dia primeiro de março.

quarta-feira, julho 11, 2018

HINOS EUCARÍSTICOS


O bispo do Amazonas, dom João da Matta, preparou o 1º Congresso Eucarístico de Manaus, em 1942. Dez anos depois, coube a dom Alberto Ramos, arcebispo do Amazonas, a organização do 2º Congresso. Entre outras provisões, havia o imperativo de um hino para cada encontro, servindo para conduzir, estimular os participantes.  
Dom Alberto Ramos
Conheci, porque cantei exaustivamente estes dois hinos, quando estudava no Seminário São José. Outro dia, eles vieram ao meu encontro, ao sacá-los do Jornal Cultura (novembro 1974), que anunciava novo Congresso Eucarístico.

Enquanto rememorava a música dos hinos, fui lendo os nomes dos responsáveis pelas obras. Então, lembrei-me de ter visto raramente padre Manuel de Albuquerque (1907-77), quando este circulava entre as cidades de Tefé (AM) e Santarém (PA). Respeitável poeta, produziu a letra do hino.

A música coube ao então padre Pedro Mottais, nascido na França, que ingressou no Amazonas pela cidade de Tefé (AM), onde certamente fez amizade com o autor da letra. Vindo para Manaus, governou a paróquia de Nossa Senhora dos Remédios e a reitoria do Seminário, ao receber a distinção honorifica de cônego. Participante da criação da Faculdade de Ciências Econômicas, instalada em 1958, foi seu primeiro diretor (1958-59). Possuía um automóvel, cujo ruído facilitava aos alunos do seminário saber quando o reitor se aproximava. Todavia, cônego Mottais “mudou-se de Manaus sem despedidas” para São Paulo. Há registros de que esteve servindo à Igreja em Jundiaí (SP), e que veio a falecer possivelmente em São Vicente (SP), já promovido a monsenhor.

Página do Jornal Cultura (novembro 1974)

A letra do hino do II Congresso pertence ao então clérigo Áureo Pereira de Araújo, que não estou bem certo, sigo averiguando, esteja vivendo em Belo Horizonte. Lembro-me dele, pois residia aos fundos do Seminário, pela rua Major Gabriel, onde ora encontra-se um anexo da Uninorte. Sei que ele frequentava o seminário fora de Manaus, penso que os dominicanos. Oxalá esteja vivo.

A música é de autoria do professor José Arnaud (1895-1978). Este maestro era tenente da reserva do Exército e havia dirigido a Banda de Música da Polícia Militar do Amazonas, entre 1945-48. Envolvido na recuperação da história dessa organização musical, recebi informações básicas sobre o compositor do hino de sua filha Lacy Arnaud Soares, nascida em Manaus, porém, residente no Rio de Janeiro, cujo filho David Arnaud Soares é médico cardiologista, em Manaus. Professor José Arnaud deixou boa quantidade de produção musical, infelizmente esquecidas.

quinta-feira, fevereiro 01, 2018

REDENTORISTAS EM MANAUS: 75 ANOS

Dom João da Matta
Os padres redentoristas desembarcaram em Manaus há 75 anos, convidados por Dom João da Mata, então bispo do Amazonas. Aconteceu em plena Segunda Guerra, em julho de 1943, quando assumiram a paróquia de Nossa Senhora Aparecida.  
O saudoso paroquiano Moacir Andrade, artista plástico de reconhecido valor internacional, celebrando o cinquentenário, contou os primeiros momentos dessa epopeia, em texto circulado em A Crítica (16 julho 1993).


Paróquia Nossa Senhora Aparecida dos Tocos –
50 anos de catequese

Era 1943, a segunda Grande Guerra que se instalou na Europa estava no auge de sua sangrenta escalada. As notícias que chegavam em Manaus através de "O Jornal" e "Diário da Tarde" eram mais dramáticas e estarrecedoras possíveis. Muitos navios mercantes brasileiros cheios de gente e carga preciosa, eram postos a pique em plena costa brasileira pelos submarinos alemães, entre eles, o "Baependi", da frota do Lóide Brasileiro, que levava para o Sul do País centenas de cidadãos amazonenses.
Nessa época, havia em Manaus muitos soldados americanos que vinham nos célebres aviões anfíbios "Catalina" buscar borracha para os Estados Unidos, cumprindo o pacto de esforço de Guerra, com seus escritórios da RDC instalados no Teatro Amazonas.

Moacir Andrade, em foto de jornal, autor do texto
Encarapitados nuns jipes pintados de cor verde garrafa, mastigando chicletes, vestidos com camisas de cores berrantes. Ninguém podia viajar nos bondes sem gravata e paletó, só era permitido fazê-lo, quando sentado ou em pé no último banco que ficava na traseira do veículo. Quando os soldados americanos chegaram aqui, invadiram Manaus com a moda das "camisas americanas". Enchiam os bancos dos bondes vestidos dessa maneira, determinando o fim da proibição aos amazonenses de viajar em mangas de camisa.

Nesse mesmo mês, a cidade recebeu uma porção de padres vestidos de branco, com um rosário enrolado à cintura com um grande crucifixo de madeira. Ficaram hospedados à rua 10 de Julho, ao lado da igreja, na residência dos padres Capuchinhos. Com as presenças desses missionários brancos, altos, de olhos azuis e gestos simpáticos, falando com dificuldade o português, as missas redobraram de presenças dos paroquianos, principalmente de mulheres jovens que queriam ver de perto os padres de batinas brancas. Depois vieram a saber que eram da irmandade dos padres Redentoristas dos Estados Unidos que vinham em missão religiosa, trazidos pela visão extraordinária do bispo Dom João da Mata Andrade e Amaral. Escolheram o bairro dos Tocos para instalarem a sua paróquia em Manaus.

O bispo Dom João da Mata — grande amigo meu, me foi apresentado pela minha madrinha Clotildes Pinheiro, numa missa das dez [horas] na Matriz de Nossa Senhora da Conceição, ocasião em que conheci o padre André Joerge, no dia 23 de junho de 1943 [mais correto, 23 julho].
Depois de algum tempo em Manaus, com a família Miranda Corrêa, uma das primeiras a somarem esforços para a instalação da paróquia, fizeram doação de um antigo prédio de residência na rua Comendador Alexandre Amorim, onde foi rezada a primeira missa e onde foi instalada provisoriamente a primeira igreja de Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Daí a mudança do nome de Tocos para Aparecida dos Tocos.
Depois do padre André, muitos outros vieram para Manaus e municípios do interior do Estado.

No bairro dos Tocos que antes tivera muitos no mês, alguns padres da Missão Redentorista dos Estados Unidos, trabalharam com o objetivo fundamental de instalar sua sede paroquial.
Pelo fato de ser uma comunidade muito antiga, o bairro dos Tocos era muito difícil de mudar seus hábitos e costumes, com famílias cheias de tradições.
Que vinham fazer aqui, aqueles padres estrangeiros, vestidos de branco com imenso crucifixo pendurado na ilharga, naquele bairro pacato e completamente esquecido de todo mundo? Seriam espiões? Qual a sua verdadeira missão? 

A primeira capela em honra de Nossa Senhora Aparecida que deu o nome ao bairro, nasceu naquele chalé, nas duas salas de frente. Finalmente, no histórico dia 30 de janeiro de 1944, foi fundada solene e oficialmente com uma missa rezada pelo então bispo de Manaus, Dom João da Mata Andrade e Amaral, padres André Joerge, João Mc Cormick, Frederico Stratman; Normando Muckermann, Bernardo Van Koomissen, irmão leigo Stanislau Dunn e padre Eugênio Oates, além de uma verdadeira multidão que encheu o espaço em derredor da igreja.

As torres da igreja de Aparecida,
 hoje envolvida pelos edifícios
A partir daí os abnegados redentoristas com o objetivo superior de executar seu programa de ação apostólica nessa região, iniciaram o verdadeiro trabalho de catequese no bairro. Depois de muito lavor pioneiro, vencendo inúmeras dificuldades, naturalmente com a ajuda de uma plêiade de jovens abnegados e entusiastas do bairro, as famílias da paróquia foram especialmente convidadas para assistirem ao memorável acontecimento espiritual.

Era 17 de outubro de 1944 o bairro finalmente ia ganhar a sua igreja de Nossa Senhora da Conceição Aparecida dos Tocos, cuja fundação naquela data solenemente marcada com uma missa especial, celebrada e presidida por Dom João da Mata Andrade e Amaral, bispo diocesano de Manaus.
Graças ao esforço hercúleo, permanente e do desprendimento dessa figura magnifica que foi o padre João Mc Cormick, primeiro vigário geral da paróquia, que após um ano de luta contínua e ininterrupta, criou a secção masculina do Apostolado da Oração que foi organizada, contando no início com reduzido número de associados e depois, de tal maneira aumentada que se transformou no que é hoje, depois de 50 anos de incessante trabalho apostólico.

Hoje, 50 anos passados daquele longínquo 1943, o bairro de Aparecida dos Tocos, agradecido, rende homenagem aos padres pioneiros, muitos dos quais já habitantes da grande luz, mas se fazendo presentes nos nossos corações pelo muito que fizeram em defesa da nossa fé, por certo estão junto ao Cristo que eles serviram com inteira fé cristã. Obrigado padres Redentoristas. Obrigado pelas suas presenças entre nós nesse meio século.

quinta-feira, novembro 30, 2017

PARÓQUIA DE EDUCANDOS (I)

Matriz de N. S. Perpétuo Socorro, c1947
Educandos, até então designado de Constantinópolis, tornou-se o primeiro bairro a ser constituído em paróquia, sob a proteção de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Visto que a ocupação católica da cidade partiu do Centro, onde surgiram as primeiras paróquias: Matriz, Remédios e São Sebastião.

Dom João da Mata, bispo do Amazonas entre 1941-47, foi o artífice deste predicado, entre tantas obras bem sucedidas de seu governo. A Casa da Criança é uma dessas que ainda segue aproveitada. Para estabelecer a paróquia educandense, o bispo aproveitou a ordenação do padre Antônio Plácido de Souza, em 1941.

Padre Antônio marcou o bairro de Educandos, pela sua capacidade de mestre de obras e produção de longo sermão nas missas dominicais. Capaz de respeitáveis empreendimentos, construiu a igreja que, obviamente modificada, ainda serve à comunidade. 

Dessa maneira, manteve-se à frente do paroquiato até sua morte em 1966, portanto, por exatos 25 anos. Em reconhecimento ao seu lavor, a cidade de Manaus marcou seu nome na ponte que liga o bairro ao Centro.

Um pouco mais dos primeiros passos da paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro retirei do Suplemento intitulado As festas jubilares, encartado em A Reação, extinto jornal católico, (1946).  

PARÓQUIA DE EDUCANDOS
Capa do Suplemento

Até 1941, o bairro operário de Educandos teve a sua vida religiosa ligada a da Paróquia dos Remédios, de que era Curato. Estendia-se, então, até ali, a jurisdição daquela Paróquia, atravessando o Igarapé do Educandos para do outro lado atingir a população operosa daquele extenso bairro.

A 16 de dezembro de 1941, no 1º ano de seu governo, D. João da Matta Andrade e Amaral, Bispo Diocesano, decretava a criação da Paróquia de N. S. do Perpétuo Socorro. Passava o antigo curato a constituir uma das paróquias da sede episcopal, tendo à sua frente, por provisão de 24 de dezembro do mesmo ano, como garantia de seu desenvolvimento, o Pe. Antônio Plácido de Sousa, sacerdote amazonense que, oriundo de família operária, se integraria ao meio para melhor desempenhar a sua tarefa de guia de almas. Fora feliz a escolha, ou antes, melhor e mais acertada não poderia ter sido.

Quem conheceu a pequena capelinha em ruínas e, mais tarde, viu surgir, no mesmo local, no alto, a ser divisada da cidade, a ampla e elegante matriz de N. S. do Perpétuo Socorro, com suas duas torres, toda em madeira, não pode deixar de erguer o seu voto de louvor a quem impulsionou essa transformação.

Hoje já está em andamento a construção da Matriz definitiva. A casa paroquial espaçosa, alta, descortinando lindo panorama da cidade de Manaus, já está concluída. Os braços da cruz e a capela-mor estão sendo agora erguidos.

Ali, os operários têm um exemplo no operário-chefe da turma: o Pe. Plácido, o vigário. O seu esforço é admirável. Auxiliado pela população traz, da “beira do rio”, as pedras que se empregam na construção. Fabrica ele próprio tijolos, trepa nos andaimes e, como um pedreiro qualquer, se dedica ao trabalho de dotar o bairro de Educandos de uma igreja ampla e moderna, que poderia figurar em qualquer capital. A despesa com a construção sobe a Cr$ 280.320,00.

OBRA SOCIAL - "CASA DO POBRE"
Na Semana da Pátria de 1943 foi aberta a “Casa do Pobre”, em Educandos. Ali funcionam, desde este tempo, sob a competente direção da Srta. Rosa Castelo Branco de Alencar, aulas regulares de Corte e Costura, Bordado a mão e à máquina e flores. Meninas e moças ali aprendem trabalhos manuais que constituirão um dote, tornando-as jovens prendadas. Isso muito pode contribuir para a economia de seu lar, sendo-lhes, futuramente, fonte de renda.

São as alunas em nº de 80. As aulas, inteiramente grátis e o material, as mais das vezes, fornecido pela diretoria da Sala de Costura. (segue)

quarta-feira, dezembro 02, 2015

LIGA ELEITORAL CATÓLICA

Ao final da II Guerra, a movimentação política no Brasil agitava-se gravemente. Esse movimento, como sabemos, impulsionou a deposição do ditador Getúlio Vargas.
Dom João da Mata

A Igreja católica engajou-se na conjuntura e decidiu colaborar com a reorganização do país. Para isso, criou em nível nacional a Liga Eleitoral Católica (LEC), destinada a orientar os eleitores. Nada de candidatos da instituição, apesar de fervorosos e distinguidos católicos. Tanto aqui (os irmãos Ruy e André Araújo, para não entediar a relação) quanto pelo país, veja que a direção nacional cabia a Alceu Amoroso Lima.

Dom João da Mata, então bispo do Amazonas, reuniu sua grei e acatou a orientação da LEC brasileira. O resultado das providências do metropolita foi extraído de O Jornal, edição de 5 de agosto de 1945.

Liga Eleitoral Católica

Recorte do periódico

Às 17 horas de ontem, em sessão solene, no Salão de Atos do Colégio D. Bosco, em meio ao mais vibrante entusiasmo da numerosa assistência, foi oficialmente instalada entre nós a Liga Eleitoral Católica. 
Presentes membros do clero secular e regular, delegações da Ação Católica e de todas as associações religiosas da capital, fez o Sr. Bispo Diocesano leitura do seguinte telegrama, recebido do Rio:
Autorizados Exmo. Metropolita comunicamos vossencia instalação ontem LEC pt Gravidade momento vg responsabilidades católicos urgem trabalho intensivo alistamento orientação consciência eleitores pt Aguardamos indicação nomes constituição Juntas Regionais outras sedes episcopais Estado pt Respeitosos saudações (a) Hildebrando Acioli presidente vg Alceu Amoroso Lima secretário-geral pt" 
Obedecendo àquelas diretrizes indicara para ali os nomes dos membros da Junta Estadual: Presidente – Dr. Jatir Pucú de Aguiar, Secretário – Prof. Fuet Paulo Mourão, Tesoureiro – Sr. Antonio de Meneses Cunha. 
Recebeu o Dr. Jatir Pucú de Aguiar o seguinte telegrama que o credencia presidente da LEC e aprova os demais membros da Junta:Confirmamos nomeação pessoas indicadas autoridade episcopal Junta Estadual necessário intensificar alistamento inscrever LEC já alistados pedimos endereço essa Junta pt (a) Hildebrando Acioli vg presidente LEC, Alceu Amoroso Lima vg secretário pt 
Fez Dom João da Mata, a seguir, feliz explanação da finalidade da LEC, exortando os presentes ao dever cívico-religioso que, com a oração constitui a arma invencível contra o inimigo que se arregimenta. Ressaltou, mais uma vez, que a LEC não é partido político, não apresentando candidatos, pois sua missão é orientadora apenas do eleitorado católico. 
Sob aplausos gerais foi empossada a Junta Estadual, acima nomeada, sendo designadas como responsáveis pelo serviço da secretaria-geral, no Abrigo Redentor: Maria de Miranda Leão e Maria Júlia Lima. Foram, de início, criados 9 postos eleitorais, sendo 7 nas paróquias da Capital, 1 em Adrianópolis e o último no Círculo Operário. 
Nomeou o presidente da Junta Estadual as seguintes Juntas Paroquiais: 
Catedral: Moisés Lindoso [ordenado sacerdote em 1956], Maria Ruth Meneses e Aida Tapajós.
São Sebastião: Francisco de Oliveira Régis e Milton da Silva.
Remédios: Artur Virgílio Filho [pai do atual prefeito de Manaus], Eloisa Belfort dos Santos e Araci Montenegro.
Educandos: José Alencar, Rosa Castelo Branco de Alencar e João Martins de Araújo.
São Raimundo: Ismael Benigno [patrono do estádio da Colina], Pedro Bernardino de Sena e Raimundo Maia.
Santa Rita [Cachoeirinha]: Antonio Weimar Freitas, Jovino Ribeiro Neto e Francisco Cruz Silva.
Nossa Senhora Aparecida: Francisco Rebelo de Souza, Raimundo Ferreira Santiago e José Afonso [um dos dirigentes dos bombeiros voluntários].
Círculo Operário: José de Teixeira Pinto, Egídio Scardino e Jamaci Bentes de Souza [pai do escritor Marcio Souza].
 
Amanhã, às 17 horas, na sede do Abrigo Redentor, onde funciona o secretariado-geral, convocadas pela Junta Eleitoral, reunir-se-ão as Juntas Paroquiais.  

sexta-feira, agosto 07, 2015

NOTAS PARA A HISTÓRIA DO AMAZONAS (3)

Padre Carlos Fluhr, que também foi vigário
da paróquia de São Raimundo
A história da Catedral de Manaus foi escrita pelo saudoso mestre Mário Ipyranga Monteiro. Outras publicações igualmente secundam esse trabalho. Aqui, recolhido de um vespertino local, reproduzo um texto somente como anotações sobre a igreja da protetora de Manaus - de Nossa Senhora da Conceição.
Sem identificação do articulista, o texto, que pensei ser do padre Nonato Pinheiro, traz duas incorreções: a data da criação da Diocese do Amazonas (1892) e a posse de seu primeiro bispo (1894).

Ao texto, recuperado do Diário da Tarde, circulado em 25 de março de 1946.


Nossa Catedral: Resenha Histórica

Fora a formação histórica da Vila da Barra do Rio Negro presidida por São José, pois o "fortim de São José", garantindo a soberania portuguesa, dera início, em 1669, à nova povoação. No mesmo ano, por aqui andam os padres Jesuítas. Passam-se 26 anos. Em dias de 1695, aqui chegam os padres Carmelitas e, "nas cercanias do fortim, aproveitando-lhe a sombra protetora" erguem logo, pequena e tosca, de madeira e palha, uma capela de Nossa Senhora da Conceição. A Virgem é, desde então, padroeira do nascente Lugar da Barra, hoje a nossa Manaus. Em 1781, já em ruinas, é a capela primitiva, levantada pelos carmelitas, derrubada. 
No ano seguinte, por ordem da Junta Governativa da Capitania, o comandante do fortim de São José, começa a reerguê-la. Manoel da Gama Lobo d'Almada, governador da Província, logo no inicio de gestão, resolve por abaixo a pequena igreja, por achar muito sem arte a construção em andamento, reedificando-a totalmente. 
É a nova matriz o centro da vida cívico-religiosa do Lugar da Barra. Nela se celebram cerimonias oficiais como, em 1822 e 1824, o juramento à Constituição elaborada pelas Cortes. O ato é realizado em presença de todas as autoridades e da Câmara de Serpa (Itacoatiara), que nele vem, especialmente, tomar parte. 
No tempo em que os ideais cabanos agitam a província toda, também, na Matriz, se canta solene Te Deum Laudamus. Em 1850, violento incêndio devora a igreja da Virgem da Conceição. Passa então a servir, provisoriamente, de Matriz, a pequena capela de Nossa Senhora dos Remédios. O nome de Manaus, pequeno e sugestivo, com o sabor de novidade para o resto do Brasil, legado que é de uma tribo guerreira amazônica, substitui o de Barra de São José do Rio Negro, em 1856. 
A cidade cresce. Dois anos mais tarde, a 23 de Julho de 1858, sendo presidente da Província o Dr. Francisco José Furtado, é lançada a 1ª pedra do atual templo de Nossa Senhora da Conceição. É vigário o padre João Antonio da Silva. Em 1862 (sic), criada por Leão XIII a diocese do Amazonas, pelo desmembramento da do Pará, é a igreja de Nossa Senhora da Conceição elevada à Catedral. 
Jubilosa, recebeu Manaus o seu 1º bispo, em 1864 (sic). D. José Lourenço toma posse, na nova Sé Catedral. 
A 29 de junho de 1875, benção litúrgica dos sinos que, até os nossos dias, conclamam os fieis à oração. No mesmo ano, de Lisboa, chegam: a capela-mor, três altares e o batistério, tudo esculpido em pedra de lioz. Imponentes nas suas linhas arquitetônicas — o monumento à padroeira já domina a pequena Manaus. 
Custeadas diretamente pela Província, as obras da Catedral orçam então em 752.213$836. Encarada, desde o seu início, pelos presidentes da Província, como a obra mais importante a realizar e, até aquela data, a única que, sob garantia de lei especial, fora avaliada em preço superior ao da renda anual da Província, o templo se torna, em breve, uma realidade digna dos maiores encômios se apresenta aos nossos olhos a tarefa desempenhada, com dedicação, pelo governo da Província, no período de 1858 até 1875, tudo envidando para dotar Manaus de uma bela Catedral. 
PASSA O TEMPLO POR REFORMAS 
Das reformas por que, no decurso dos anos, passa o templo da Imaculada Conceição, a principal a assinalar é a empreendida em 1915, pelo então vigário, cônego Bento da Cunha. Constitui-se para esse fim uma comissão encarregada de levar a termo o propósito de embelezar a Catedral. Eis a comissão: Dr. Jonatas Pedrosa, governador do Estado, desembargador Raimundo Perdigão, coronel Leopoldo de Matos e Drs. Aristides Rocha e Brestislau de Castro. Tem a Sé, àquela época, um forte protetor no benemérito comendador Joaquim Gonçalves de Araújo. 
Ao tempo de D. frei Basílio Olímpio Pereira, quando é vigário o padre Carlos Fluhr, são feitos pequenos melhoramentos. Em 1945 é ainda a nossa Catedral de uma pobreza extrema: paredes lisas e caiadas. D. João da Matta quer adorná-la internamente, preparando-a para a Sagração. Convoca o seu povo generoso. 
A nave central e a capela-mor são pintadas a óleo, decoradas com símbolos litúrgicos. Orçam as despesas de pintura e decoração em Cr$ 93.801,60. E' seu atual vigário o padre Luiz Machado.
SAGRAÇÃO DO TEMPLO 
Ontem, 24 de março de 1946, 251 anos decorridos sob o olhar vigilante de Nossa Senhora da Conceição, quer a Diocese, quer o povo amazonense, proclamam-lhe os louvores, tributando-lhe fervorosa ação de graça. Por iniciativa de D. João da Malta Andrade e Amaral, o templo da Virgem, Padroeira gloriosa do Estado, recebe nesse dia, a Sagração litúrgica, enriquecendo-se, desse modo, de singulares privilégios: D. Mario de Miranda Vilas-Boas, arcebispo metropolitano do Amazonas, é o oficiante. 
A Cidade da Virgem da Conceição, hoje ainda, como nos dias remotos de 1695, sente-se feliz em ter o trono de sua excelsa rainha assentado à frente da majestosa baía do Rio Negro, definitivo, sobranceiro, a irradiar o seu doce domínio pela vastidão verde da Planície, sobre as cidades e vilas, missões e tabas, igarapés e cachoeiras, florestas e rios. 
Manaus cristã, o cérebro do Amazonas, é uma dádiva de Nossa Senhora da Conceição, a vitoriosa, e por isso é a Cidade Sorriso, o jardim mariano, a capital mais acolhedora e simples do Brasil. Cosmopolita, cidade em miniatura, tem personalidade própria, é culta, é civilizada é, sobretudo, um grito de fé nos destinos da pátria, um grito vibrante de esperança para a igreja católica. 
PROCISSÃO DAS 7 PARÓQUIAS 
Encerrando as solenidades da Semana Sacerdotal, ontem, às 16 horas, partiu da Catedral, terminando na praça Antonio Bittencourt, a grande procissão em que tomaram parte as 7 paroquias da sede episcopal, com todos os colégios e associações religiosas. 
 D. JOÃO DA MATTA ANDRADE E AMARAL 
12 anos fez ontem que, das mãos de D. Sebastião Leme, no Santuário de Nossa Senhora Auxiliadora de Niterói, recebia D. João da Matta a plenitude do sacerdócio. Era sagrado bispo de Cajazeiras, cidade do sertão paraibano. Ali, durante menos de 7 anos, teve atuação inspirada. 
Pio XII quis transferi-lo para mais vasto cenário e, sob as luzes do Espirito Santo, designou-o para a longínqua Diocese de Manaus, no grande Amazonas. A data de eleição foi a de ontem, 24 de março de 1934. 
A 21 de Outubro de 1941, toma posse o 5º bispo de Manaus. E de então aos nossos dias o desvelado pastor tem vivido a palavra de ordem do mestre, que é o seu lema: Pasce agros meos! 
A capacidade de trabalhe e o grande sacrifício que exornam a figura do guia espiritual do Amazonas são notórios. ***





sábado, março 23, 2013

SEMINÁRIO SÃO JOSÉ: REABERTURA EM 1943

Dom João da Mata (1941-48)
Na terça-feira 19, a Igreja festejou o dia de São José Operário, reunindo significativo número de católicos. A solenidade contou com a direção do novo arcebispo de Manaus, Dom Sérgio Castriani. São José também é o padroeiro do Seminário local, instalado na Maromba. A caminhada desse estabelecimento de formação do clero já sofreu algumas interrupções. Todavia, pode contemplar alguma retomada emocionante, como a ocorrida em 1943.

Fundado em 1848, com a denominação de Seminário São José, pelo bispo do Pará, funcionou este até o início do século passado, quando teve suspensas suas atividades. Foi nessa conjuntura que o 6º bispo do Amazonas, Dom João da Mata Andrade e Amaral (1941-48), o encontrou ao assumir a diocese.
Não mediu esforços para superar esse obstáculo. Menos de dois anos depois de empossado, na festa do padroeiro da Casa, usando a residência episcopal e auxiliado pelos Salesianos, o bispo reabriu o Seminário, na praça General Osório (edifício demolido) confrontando com o atual Colégio Militar de Manaus. Uma nova interrupção das atividades aconteceria no final da década de 1960.
Dez anos adiante, a igreja do Amazonas começou a colher os frutos desse empreendimento, a partir de 1954 foram ordenados os padres Manoel Bessa; Luiz Ruas; Vicente Albuquerque; Jorge Normando, Moisés e Bernardes Lindoso; Onias Bento; Tiago Brás; Francisco Pinto; Juarez Maia. Um pouco mais a frente, os padres Sebastião Puga e Luís Souza.
Naquela tarde de março, há 70 anos, Dom João da Mata fez a festa, como descreve o matutino dos Archer Pinto:

Manchte de O Jornal, 19 de março de 1943
Estiveram presentes ao ato o Dr. Álvaro Maia, interventor federal; Dr. Leopoldo Péres, presidente do Departamento Administrativo do Estado; capitão Antero Azevedo, comandante do 27º BC; Dr. Ruy Araújo, secretário-geral do Estado; professor Antovila Vieira, prefeito municipal; desembargador Arthur Virgílio, vice-presidente do Tribunal de Apelação; Dr. André Araújo, juiz de Menores; Dr. Temistocles Gadelha, diretor do Departamento de Educação; o corpo consular e representantes das Forças Armadas dos Estados Unidos (?), pessoas gradas e famílias e o representante dos nossos diários (O Jornal e Diário da Tarde).

Após a chegada da procissão, que conduzia a imagem de São José, transladada da Catedral para o Seminário, acompanhada da banda de música da Força Policial, e que foi recebida estrondosa salva de palmas, as autoridades, que se encontravam no salão de espera do Seminário São José, foram convidadas a tomar lugar no palanque que se achava armado em frente ao referido estabelecimento de ensino religioso, e onde, a pedido do senhor bispo, o Dr. Álvaro Maia foi recebido com uma salva de palmas.
De uma das janelas do Seminário, Dom João da Mata Amaral pronunciou formosa oração, em que, mais uma vez, evidenciou os seus dotes invulgares de orador e sua sólida e brilhante cultura.


Numa quente tarde de outubro de 1941, tomava posse desta mimosa Diocese de Manaus. E a ideia primeira que me veio à mente foi um Congresso Eucarístico, ideia que, ao calor do calor do coração amazonense, logo se corporificou... Em junho do ano passado – a Igreja Católica viveu em Manaus – a sua hora meridiana. Mais do que uma visão de Tabor foi o Congresso Eucarístico um cântico de ressurreição.
Os raios do sol eucarístico polvilharam de ouro as aguas do Rio-mar – douraram as florestas, iluminaram os céus e as almas da Amazônia.

E nesta hora histórica, já as aguas do monarca dos rios começam a se coalhar de embarcações para a febre da batalha da borracha – as florestas estão vertendo o leite que irá talvez, nos planos divinos, salvar a civilização com o Cristo batizou o mundo há dois milênios – os céus se cruzam de aviões que abrem no espaço uma nova rota que fará de Manaus, uma das maiores e mais importantes capitais brasileiras, -- as almas se iluminam, com as claridades sobrenaturais da graça – os corações se povoam de fé intrépida...

E o velho Seminário São José, não resistindo por mais tempo  a esse grito de ressurreição, se levanta das suas gloriosas cinzas. É uma ressurreição que abraça a alma e o corpo do Amazonas.
Não foi em vão que nas noites memoráveis do Congresso apelamos para o Céu: a messe é grande -- o trigal já loureja, mas os operários são poucos. O céu ouviu o grito angustiante do nosso peito. Ali estão os jovens em cujos corações  primaveris o Senhor da messe lançou a semente da vocação. Eu os contemplo como alvoradas de padres, as esperanças da Igreja no Amazonas.

Este Seminário é um quartel da Igreja a se defrontar com o quartel da Pátria. Ali se formam os soldados para a defesa da soberania da nação – aqui se formam os soldados do Evangelho para a defesa do patrimônio da fé, que nos legaram os nossos maiores. A cruz e a espada, no correr da nossa História, sempre estiveram entrelaçadas. Foi aos clarões do sol da eucaristia que, lá na gloriosa Bahia, a cintilar sobre a espada de Pedro Álvares Cabral e a cruz de frei Henrique de Coimbra, amanheceu para o mundo e para a história o gigante da América, o Brasil.

Este Seminário sobre ser um templo de fé e saber será, também, uma escola de civismo. No seu salão principal, figurarão os retratos do Presidente da Republica e do interventor Federal, Dr. Álvaro Maia. De par com o cultivo da piedade e das letras crescerão no coração do jovem levita a flor do patriotismo e o culto aos grandes vultos da nacionalidade. O retrato do Dr. Álvaro Maia ali ficará como uma homenagem de gratidão da Diocese ao Governo e povo do Amazonas, por este clima de cordialidade que tem sempre existido entre o Bispo, o Governo e o povo querido deste privilegiado Estado.

Nem um só instante quero pensar que um dia venha a trancar novamente as suas portas o monumento que ora se ergue, sob as benções do povo. Repetir-se-ia a história de Agar, que fugiu para não ver morrer à fome o seu filho Ismael. Não sobreviverei a este dia. O Seminário não fechará. A mulher amazonense, cristã e heroica, estará sempre pronta a dar filhos para o altar da Pátria e o altar da Igreja. O Seminário não fechará porque, se for preciso, abrir-se-á mais um capítulo na história da proverbial generosidade do Governo e do povo do Amazonas.
O Seminário não morrerá jamais. Esta não é uma obra da vaidade do homem. Tem a marca divina. É um milagre do Coração Eucarístico de Jesus.

Salve, Seminário São José!

Em nome dos seminaristas, falou o aluno Geraldo Bessa, saudando as autoridades.

quinta-feira, novembro 01, 2012

PARÓQUIA DE EDUCANDOS

Pe. Plácido, no palanque da
igreja de madeira,
antes da atual, 1942
Este bairro marcou em diversas oportunidades e formas sua presença na evolução de Manaus: a denominação, proveniente da escola dos educandos artífices; a mudança de nome para Constantinópolis, que não colou; pela “estrada”, hoje avenida Leopoldo Peres, aberta pelos moradores; pela presença do padre Antônio Plácido e suas metáforas, nem sempre religiosas; pela exuberância da Baixa da Égua; pelo cine Vitória e outros canais de diversão, estes pouco condizentes com a tradicional família educandense, os “inferninhos”.

Dom João da Matta
Para lembrar a instalação da paróquia de Educandos, sob a proteção de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, e, óbvio, pequeno relato da história do bairro, reproduzo o texto encartado no Suplemento, comemorativo das festas jubilares da Diocese de Manaus, em 1946. Nesse ano e na vizinhança dessa igreja, eu nasci.

Até 1941, o bairro operário de Educandos teve a sua vida religiosa ligada à da paróquia dos Remédios, de que era curato. Estendia-se, então, até ali, a jurisdição daquela paróquia, atravessando o igarapé de Educandos para, do outro lado, atingir a população operosa daquele extenso bairro.

domingo, março 20, 2011

MEMORIAL AMAZONENSE (L)

Março, 20

Seminário São José (1946-1967)
1946 – Dom João da Matta, bispo do Amazonas, inaugura o primeiro pavilhão do Seminário de São José, construído à rua Emílio Moreira 601, na Praça 14. Ao assumir o bispado, empenhou-se ao extremo para reabrir o seminário, fechado desde o início do século. Para isso, em 1943, utilizando a residência episcopal situada ao lado do Colégio Dom Bosco, reiniciou a formação de sacerdotes. Em 1967, o seminário sofreu nova interrupção, e voltou a funcionar na Maromba. O prédio aqui anunciado serve hoje a Faculdade de Direito da Uninorte.

Dr. Ruy Lins, na Academia de
Letras do Amazonas
1979 – O saudoso economista Rui Alberto Costa Lins assume a Superintendência da Zona Franca de Manaus. Nasceu em Manaus (AM), graduado pela Faculdade de Ciências Econômicas (FCE) local, em 1966. Trata-se do primeiro amazonense a ocupar tão disputado cargo, como ainda ocorre nos dias atuais. Seu antecessor fora o Dr. Aloisio Monteiro Carneiro Campelo, que transmitiu o cargo no auditório “Gilberto Mendes de Azevedo”, da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam). Pertenceu a Academia Amazonense de Letras, entre outras sociedades.

2003 – Morreu em Manaus (AM), vítima de diabetes, o radialista José Maria Monteiro. Era natural de Alenquer (PA), mas se distinguiu aqui como radialista, primeiro na Rádio Difusora, em seguida na Baré. Em 1976, elegeu-se vereador pela extinta ARENA e conquistou a reeleição em 1980. Quatro anos depois alcançou a Assembléia Legislativa do Estado. Exerceu ainda os cargos de secretário de Estado da Administração e presidente da Fundação de Assuntos Fundiários (Fundac). No final dos anos 80, com o agravamento da doença, perdeu a visão.