CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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quinta-feira, junho 25, 2026

PMAM: DATA DE FUNDAÇÃO

A postagem reproduz o artigo do saudoso memorialista Genesino Braga (1906-88), circulado em 1965, saudando o aniversário da Polícia Militar do Amazonas (PMAM), que completava 89 anos. No ano seguinte, ingressei na PMAM; e muito pouco se sabia da história da corporação. Cinco anos depois, o mesmo Braga prefaciou – sem objeção – uma brochura produzida pelo falecido historiador Mário Ypiranga, modificando a data de inauguração da Força estadual para 1837, hoje com 189 anos. 

Recorte do artigo publicado no Jornal do Commercio,
02 maio 1965  

Um toque de clarim, em sopro de alvorada, saudará os oitenta e nove anos de nossa Polícia Militar. O três de maio, data em que se instalara em 1876, a heroica e invicta milícia de Cândido Mariano, é fausto e pompa no calendário histórico do Amazonas; é dia de gala para o orgulho cívico deste povo; é festa magna de tradição e de amor no coração da família amazonense.

Instituída pela lei 339, de 26 de abril de 1876, Guarda Policial fora o seu primeiro nome, assim batizando-a a Assembleia Provincial nos processados de sua oficial origem e assim fazendo-a chamar, naquele ato institutivo, por força de mando e autoridade, Antônio dos Passos Miranda, “bacharel formado em ciências jurídicas e sociais pala Faculdade de Direito do Recife e presidente da província do Amazonas”.

Uma semana decorrida de sua criação e já, a três de maio, a briosa Guarda Policial do Amazonas se instalava no quartel que lhe fora destinado: velha casa, arrendada “colocada na subida da praça da Imperatriz para a de Tenreiro Aranha, com entradas para o lado de uma e outra praça”. Seu primeiro comandante, o tenente reformado do Exército Severino Euzébio Cordeiro, no posto de major, e seu capitão-ajudante, o cidadão Marcelo José Pereira, desdobravam-se nas diligências rara compor o efetivo da tropa: 73 homens, com o major-comandante, o capitão-ajudante, um primeiro e um segundo sargentos, o furriel, seis cabos, dois cornetas e sessenta soldados a pé e montados. Mas, já no ano seguinte, com seu efetivo aumentado para 99 homens, e acrescida de um tenente, dois alferes, mais um segundo-sargento, mais dois cabos de esquadra e mais vinte soldados, para outro quartel a Guarda transferiu-se, desta vez na Praça D. Pedro Segundo, esquina com a Rua do Governador Vitório.

Batalhão, mesmo, nossa polícia militar só veio a ser em 1890, com o governador Augusto Ximeno de Villeroy, capitão de engenheiros, que, pelo decreto número 11, de 13 de janeiro, dissolveu a Guarda Policial e criou o Batalhão de Polícia do Amazonas, com um efetivo de quatrocentos homens, sob o comando de um tenente-coronel.

Sete anos depois, já alteada à categoria de Regimento, a brava milícia amazonense escreve a página mais épica da história militar do Amazonas. De Canudos, para onde seguira a quatro de agosto de 1897, o seu 1º Batalhão trouxera-lhe os troféus de guerra que o denodo e a bravura de seus soldados conquistaram no aceso de pelejas cruentíssimas, no auge das cargas do inimigo, sob os fogos cruzados da mais cerrada e desesperada fuzilaria.

Candido Mariano, o audaz e intrépido comandante desse pugno de bravos, —sem dúvida a figura mais alta de toda a história da Polícia Militar do Amazonas, — agiganta-se na campanha patriótica entre os mais denodados da brigada do general Sotero de Menezes e, no comando do ataque à última resistência de Canudos, conquista a praça rebelde, em feito definitivo para a vitória das armas legais: “Os jagunços, — relata o valoroso cabo de guerra, — vendo o ímpeto e a resolução com que avançaram os nossos soldados, que não se intimidavam com as suas balas, apesar de serem (estes) na sua maioria homens bisonhos e inexperientes de situação tão crítica, trataram de retirar-se apressadamente, entregando-nos a formidável posição que ocupavam, formada de trincheiras naturais sobre morros que ficavam a cavaleiro das mesmas posições”. E, mais adiante: “O Batalhão do Amazonas, tanto ou mais que nenhum outro concorreu brilhantemente para o êxito final, batendo- se abnegadamente e heroicamente, sem visar interesse de ordem alguma, e auxiliando por todos os modos o general em Chefe a debelar tão nefanda quanto desgraçada revolta”.

Quartel da PM, anos 1920

De regresso a Manaus, a 8 de novembro do mesmo ano, à frente do heroico Batalhão Amazonas desfalcado de seus mortos em combate, o bravo e altivo chefe militar recebera esta honrosa menção do comandante do Regimento da Força Pública do Amazonas, coronel Pedro Henriques Cordeiro Júnior: “Faço aqui especial menção do Cidadão Dr. Candido José Mariano, cmt do 1º Batalhão de Infantaria, que mais uma vez, honrando as tradições passadas, coroou de honras o nome do Soldado Brasileiro, verdadeiro defensor da Pátria e da República, concorrendo com o seu Batalhão para terminação da luta fratricida travada nos inóspitos sertões baianos”.

Diante de tão heroico passado, abrindo às gerações de hoje o relicário de seus mais nobres triunfos e as páginas de luta, de lealdade e de abnegação, escritas com o sangue e o suor de seus heróis, nossa altiva e intrépida Polícia Militar fará ressoarem, neste seu 89º aniversário, os toques marciais que anunciaram todas as vitórias da valorosa corporação, em toda a sua existência vivencial, em toda a grandeza de seus feitos excelsos. E que aquelas, manchas de sangue que ainda tingem a bandeira esfarrapada volvida com a tropa de Canudos, continue por muitos anos em relíquia, no quartel da Praça de Heliodoro Balbi mostrando aos maços, conterrâneos a mensagem de dor dos filhos desta terra que morreram pela pátria e deram a vida em holocausto à ordem, à tranquilidade e à pacificação da família brasileira.

quarta-feira, junho 17, 2026

É HOJE: OI-TEN-TA-NOS

Demorou, mas chegou! Hoje – 17 de junho, dia São Manoel, o filho do seu Manuel e dona Francisca, o Manoel Roberto Lima Mendonça abre sua década dos 80 anos. Imaginei realizar uma extraordinária e longa festa; levei o ano passado imaginando as tantas recordações, as tantas publicações a distribuir, e outro tanto de encontros com os meus espalhados pelo país. Todavia, nada aconteceu, a precariedade do patrocinador levou à falência meus projetos. Resta-me a promessa de realizar esses desejos no decorrer dos 80.

Aniversariante do dia

Preparei, para celebrar minhas 70 primaveras, um book que narra os acertos e os equívocos vividos ao longo desse período. O banner que ilustrou o festejo, e que ilustra esta postagem, segue comigo como recordação dessa caminhada. Falando de Copa do Mundo: aos 4 anos eu estava no Rio com meu pai, que havia aceitado trabalho na construção civil no entorno do Maracanã. Nem ele nem eu entramos no estádio. Logo a família regressou a Manaus.

Banner dos 70 anos

Anos depois, aos 10, ingressei no internato em colégio de padres. Quantas angústias trouxe o afastamento da família nessa idade. Aos 18, troquei a sotaina pelo uniforme verde oliva e, um ano mais, adotei o fardamento caqui do quartel da Praça da Polícia, onde servi por trinta anos até me aposentar no último posto.

No quartel desenvolvi afeição pela pesquisa histórica e, consequentemente, pela publicação dos estudos. Priorizei inicialmente os feitos da corporação, editando as obras Candido Mariano & Canudos (por ocasião do centenário de Canudos), Guarda Policial (1º volume) e Bombeiros do Amazonas: retrospectiva, considerada meu melhor trabalho. 

Aniversariante multifacetado

Recebi dois prêmios pelas publicações sobre Adolpho Lisboa (Concultura) e Genesino Braga (Academia Amazonense de Letras). Simultaneamente, divulguei produções literárias do padre-poeta L. Ruas e do multiartista Anísio Mello. Sem esquecer Entre duas viagens, a biografia de meu genitor. Ah, e dirijo o Blog do coronel Roberto, desde 2010. 

Minha descendência já alcança as bisnetas, residentes em Brasília, e os filhos vieram de três casamentos que, sabe Deus, me abonaram saúde em geral para alcançar este nível da vida. Meus efusivos agradecimentos a quantos – indistintamente – contribuíram com esta conquista.

Deo gratias (Graças a Deus). 

 

segunda-feira, junho 16, 2025

CÂNDIDO MARIANO: PATRONO DA ROCAM

 Volto a operar nos arquivos da corporação policial militar em busca de  embasamentos para sua história. Assim, revirando meus arquivos, encontrei a peça que vai postada, de autoria do jornalista Evaldo Ferreira, que a elaborou para o jornal Amazonas em Tempo (23 maio 2010), sobre Cândido Mariano, contando com auxílio. 

Amazonas em Tempo, 23 maio 2010

sábado, março 25, 2023

POEMAS PARA O SÁBADO

 São da lavra do poeta Carlos Farias Ouro de Carvalho (1930-97) os poemas que compõem esta postagem, ambos circulados no Jornal do Commercio. Poema homenageia ao saudoso desembargador André Araújo; o Conto ao soldado cego Euclides dos Santos, me faz lembrar a campanha de Canudos  (1897) enfrentada pela corporação militar estadual.


Jornal do Commercio, 14 março 1956
 

Jornal do Commercio, 27 maio 1955


terça-feira, fevereiro 14, 2023

AMAZONINO MENDES (1939-2023)

Morto o cacique eirunepeense neste domingo (12), os amigos e admiradores despejaram nas redes sociais todos os tipos de encômios. Ele bem merece! Também vou entrar nesta linha, apenas lembrando alguns fatos pessoais, dos quais estive próximo ao falecido administrador. 

Governador AM, à direita (claro)

Antes, um detalhe histórico: Hoje em dia somente um preso político dos tempos do governo militar de 1964 encontra-se vivo para contar a história: o nonagenário Arlindo Porto. AM (Amazonino Mendes) era outro que passou pelo cárcere do 27 BC, hoje 1º BIS, na estrada de São Jorge. Ainda em novembro passado, pesquisando nos arquivos daquela OM (organização militar), vi a relação dos “comunistas” detidos no livro do oficial de dia. Outro seu parceiro não olvidei, o padre Luiz Ruas (autor do poema Aparição do Clown).

Travei o primeiro contato com o AM, quando este foi nomeado prefeito de Manaus, por vontade do governador Mestrinho, de cuja Casa Militar eu era major subchefe, em 1983. Na oportunidade, uma invasão se apossava das terras junto ao igarapé do Crespo. O prefeito AM montou uma força-tarefa para equacionar o desastre fundiário. Fui indicado pelo governador para integrar esta comissão. Assim, estive em algumas reuniões, mas logo percebi que o prefeito não estava interessado em obstar seus futuros eleitores. Tanto que a invasão se concretizou. 

Em 1997, no centenário da Campanha de Canudos, da qual a força policial do Amazonas participou, editei o livro Candido Mariano & Canudos, cuja impressão foi encargo da EDUA (Editora da Universidade do Amazonas). Para maior brilhantismo da festa que –em recordação de Canudos– anualmente a PMAM realiza, sugeri ao comandante-geral uma gradação da Medalha comemorativa e os nomes, um elenco enorme de nomes para ser agraciados. O coronel comandante foi ao governador AM, que simplesmente mandou a relação dos indicados para o lixo e, de próprio punho, escolheu uma dúzia de “amigos do rei” para a premiação.

Indignado, escrevi uma malcriação a respeito da solução governamental e a remeti à seção Cartas, de A Crítica, que a publicou. E fiz mais, de teimosice, não compareci à solenidade alusiva na Praça da Polícia.

Enfim, quando fui agraciado com a Medalha Tiradentes da PM estadual, tive a ventura de recebê-la das mãos do governador Amazonino Mendes, em seu segundo mandato (1995-98). Desde então, eu virei seu fã.

Como aprendi no seminário: Requiescat in pace, AM.

sexta-feira, dezembro 02, 2022

BENCHIMOL: CANUDOS E O ACRE

 

Ainda me impressiono com textos sobre a tragédia canudense (1897), que atraiu a Força Policial amazonense para aquela luta fratricida. Estudando o episódio, cheguei a Sena Madureira (AC), que foi inaugurado com a presença de Candido José Mariano, condutor da tropa contra os conselheiristas, e o segundo prefeito daquele município (1905-10).

Hoje esbarrei com este trecho do falecido mestre Samuel Benchimol, componente de seu livro O Romanceiro da batalha da borracha, inserido no Amazônia: um pouco-antes e além-depois (1977), que bastante me comoveu. Detalhe importante: a ilustração do livro foi feita pelo saudoso artista Jorge Palheta.

Dedico esta postagem ao Isaac Melo, pela dedicação aos estudos da Amazônia. 

Capa do livro de Benchimol

(...) Um dos cortes psicológicos predominantes no perfil do sertanejo feito imigrante é o destino. À primeira vista parecerá que esta expressão não possui valor; mas, analisando bem, poderemos apanhar o profundo interesse sociológico que ela contém. Todo imigrante tem um destino. E acredita nele. Existe em função dele e não gosta de contrariá-lo. "Ninguém esbarra o meu destino. Eu vou para o Acre". A frequência com que eu ouvi dizer — "o meu destino é o Acre" — fez-me pensar até na existência de uma espécie de messianismo sertanejo. Gostam de ver até onde o destino será capaz de conduzi-los. Deixam-se levar por ele: "Eu tomei o bonde errado, agora vou até o fim da linha. Eu sigo para o Acre mesmo".

A carga psicológica do destino talvez seja uma sobrevivência mística do sertão. Mística e beata. Uma espécie de sebastianismo messiânico, crendo, em vez do rei ou do Messias, no ouro-negro. O Acre tem alguma coisa de Juazeiro e Canudos.

Canudos na ilustração de
Palheta

De Plácido de Castra fizeram um arremedo de Antônio Conselheiro e Padre Cícero. Repare-se, por exemplo, neste veterano da guerra do Acre, Sérgio Bernardo Pinto: "Eu tenho honra em ser veterano do Acre. Lutei com Plácido de Castro. Aquilo é que era homem de verdade". Envolveram-lhe em lendas, até deram-lhe uma aparência sobrenatural, quase divina: "A palavra dele era um tiro, parecia que ele tinha um imã dado pela providência, para cativar a gente". Ele me disse que Plácido, ao morrer, mandou arrancar o coração para fazer presente à sua noiva...

O Conselheiro era a mesma coisa. A sua palavra também era um evangelho. Contagiava delírio na multidão beata. O Acre, assim, tem de Juazeiro a fé no destino. O misticismo da riqueza, a esperança de enricar, é uma tradução material da fé e do fanatismo. A seringa é a versão do milagre. Em vez da reza, o tiro; da promessa, a pontaria. De Canudos ele tem a reação violenta, audaciosa e única.

Plácido tinha, para isso, alguma coisa de bárbaro, pelo menos assim esse cearense o interpreta: "Era um homem como poucos, assisti ele mandar uma sentinela abrir a sua própria cova porque deixara passar um boliviano pelo seu posto..." O Acre também veio do "tirocínio brutal da fome, da sede, das fadigas, das angústias recalcadas, das misérias fundas".

Por isso ele deve ser estudado em função desse misticismo econômico que até hoje ainda não passou. "O Acre vai ser a nossa salvação" — "eu vou ser feliz no Acre". "Aquilo é uma terra santa", disse-me Sérgio Bernardo Pinto. O imigrante, portanto, não largou essa fé no destino, ainda continua, dizendo: "O meu destino é o Acre. Não quero contrariar o meu destino". Uma modalidade de fatalismo aplicado na Amazônia. Não se pense que o sertanejo tenha entre nós abandonado os seus caracteres conhecidos. Quando surge uma oportunidade, estes aparecem à tona. O Acre é um desses casos. (...)

A ressureição sertaneja acudindo à desilusão do cearense cansado. A procura do tempo perdido. O arrependimento de uma vida atribulada. A volta ao campo de onde partira. A roça, o galinheiro, o curral. A sua história termina assim: — "Minha mulher morreu no Acre. Minha filha casou-se aqui. Eu estou só. Vou ver se o Acre dá jeito. Se não der, não importa. Eu vim para enterrar os meus ossos nos barrancos do Acre". A terra prometida irrompe, afinal, na psicologia do seu destino: "O Acre é uma terra santa". 

quarta-feira, novembro 23, 2022

PMAM: ORGANIZAÇÃO POLICIAL MILITAR (OPM)

 O desastre financeiro causado ao Amazonas com o declínio da borracha, levou de roldão as instituições estaduais. No seio delas, a Polícia Militar do Estado. Em meado do século passado, a força estadual instalada no quartel da Praça da Polícia, dispunha de cerca de trezentos homens, correspondente ao de um batalhão militar.

Antigo quartel da Polícia Militar na Praça
da Polícia, hoje Palacete Provincial

Com fundamento nesse número, em 3 de maio de 1965, o governador Arthur Reis (1964-67) baixou ato denominando ao efetivo de “Batalhão Amazonas”, para louvar seus feitos gloriosos às margens do rio Vaza Barris, quando da campanha de Canudos, “nos ínvios sertões baianos”.

O decreto 188/65 finca de forma indelével um marco na evolução da PMAM, pois em sequência vieram outros atos normativos ora criando, ora ampliando, ora extinguindo as Organizações Policia Militares (OPM). Compete lembrar que um mês antes, por disposição interna (BI 80/65), foi criado o Centro de Instrução Militar (CIM), e extinto em 1972.

Quadro alusivo a campanha de Canudos,
existente na entrada do Palacete Provincial

O presente capítulo da história da força militar estadual começa com esta datação, e segue até a publicação do decreto 2426/1972, outro dispositivo renovador da atuação da corporação. Uma das mudanças mais aclamadas pela cidade foi a incorporação do serviço de contra incêndios, até então sob a administração municipal.

 

Nomenclatura                                                                    ano de criação

 

·      Centro de Instrução Militar (CIM)                                                1965

·      1º Batalhão de Polícia Militar (1º BPM)                                        1965

·      Chefia do Estado Maior Geral (Ch EMG)                                      1969

·      2º Batalhão de Polícia Militar (2º BPM)                                        1970

·      Batalhão de Policiamento Especial (BPE)                                     1970

·      Corpo de Bombeiros (CB)                                                           1972

·      Companhia de Rádio Patrulha (Cia R P)                                      1972

·      Companhia de Trânsito (Cia Tran)                                               1972

·      Companhia de Polícia Rodoviária (Cia P Rdv)                              1972

·      Companhia do Comando Geral (Cia CG)                                      1972

Capacetes utilizados pelo Corpo de Bombeiros/PMAM


quinta-feira, maio 20, 2021

CANUDOS: UM NOBRE COMBATENTE

A crônica de Robério Braga neste último final de semana, em A Crítica, trouxe a nossa ciência as ações produzidas em prol do desenvolvimento do Amazonas por Ephigênio Salles. Uma das ações foi a participação dele contra os conselheiristas (1897), tema de minha predileção. 

Recorte de A Crítica, 15/16 maio 2021

Dentre os muitos embates levados a cabo no Arraial de Canudos, nos anos primeiros da República brasileira, por extremo equívoco do governo que se instalava e que mancharam a nossa história com a grave nódoa de luta entre irmãos, um deles teve a participação de forças da polícia amazonense, partida de Manaus com salva de tiros, bandeira estadual recém-lançada, armas e munições, a qual foi ao encontro de forças federais destinadas a derrubar a resistência de Antonio Conselheiro, tal como sucedeu.

Sob o comando do coronel Bento Thomás Gonçalves e do major Lídio Porto, dentre tantos militares, um brasileiro das Minas Gerais formou na linha de frente. Anos mais tarde, ainda jovem, sediado em Manaus, faria longa e proveitosa carreira política e na imprensa diária como repórter e diretor de jornal.

Apaixonando-se pelo Amazonas e crendo firmemente em futuro glorioso que sempre era anunciado por entre toques firmes de trombetas, esse rapaz alto e elegante se aventurou em outro embate, tomando armas para combater na guerra do Acre, integrando uma expedição que, composta por inexperientes, mas bravos soldados, de tão frágil e apressada foi chamada de "expedição dos poetas" porque reunia mais intelectuais, políticos e jornalistas do que combatentes experimentados nessas agruras sangrentas.

Pelo seu passado ou por sua firmeza e teimosia em defesa das terras amazonenses ameaçadas por interesse estrangeiro, ele assumiu o importante posto de capitão-assistente do comando das nossas forças, sob as ordens de Orlando Corrêa Lopes e em par com João Barreto de Menezes, Trajano Chacon, Pery Delmare, Manoel Domingos Gomes, José Maria dos Santos, dentre outros que retomaram felizes pelo dever cumprido, mas sem conseguir assegurar nosso patrimônio fundiário e altamente produtivo.

Ephigenio Salles

Depois, sem apartar-se do Amazonas, cursou direito na Faculdade Nacional do Rio de Janeiro, e, retornando a Manaus, em 1910 estava novamente de arma em punho na defesa da legalidade e em favor do governo de Antonio Bittencourt contra o bombardeio levado a efeito por navios da Marinha do Brasil, por ordens de Pinheiro Machado. Na ocasião esteve sob o comando do coronel Pedro José de Souza perfilado com Adriano Jorge, Júlio Pedrosa Filho, Pedro Guabiraba e outros.

Em 1917, mais uma vez, armou-se sem capa e sem espada, mas com arma pesada, para defender a posse de Pedro de Alcântara Bacellar, governador eleito, ameaçada pelo intenso provocado por opositores, numa intentona que foi difícil de vencer e assustou a cidade durante horas.

Contador do foro, por concurso, diretor do jornal "O Diário do Amazonas", deputado federal em vários mandatos a partir de 1911 e até 1925, secretário da Câmara Federal e membro da Comissão de Instrução Pública, terminou eleito governador do Estado em 1925. Em 1929 chegou ao Senado da República em cujo mandato foi alcançado pela revolução getulista e por esta levado à Junta de Sanções - o tribunal revolucionário - no qual foi absolvido por sentença prolatada por J. J. Seabra, mas, mesmo assim, não deixou de ser perseguido pelas forças simpáticas ao tenentismo e a Getúlio Vargas, e foi obrigado, por suas convicções e espírito de sobrevivência, a aderir à revolução constitucionalista de 1932, inclusive, com sistema de rádio comunicação próprio, armado em sua residência de forma clandestina. Pouco depois, foi chamado para deputado constituinte federal em 1934, por Minas Gerais.

O combatente em Canudos, como visto, lutou em muitas batalhas em defesa do desenvolvimento do Amazonas, mas seu busto, erguido em praça pública na avenida que leva seu nome, foi furtado pouco anos depois de sua inauguração, e seu nome é constantemente usado de forma torta em desrespeito à sua memória: Ephigênio Ferreira de Salles.

quarta-feira, fevereiro 24, 2021

CAMPANHA DE CANUDOS

 Ao elaborar a segunda edição do livro ESTADO DO AMAZONAS EM VERBETES (Manaus: Novo Tempo, 2002), o professor doutor Francisco Jorge dos Santos, da Ufam, um dos autores, convidou-me para escrever o verbete sobre a campanha de Canudos. A obra da SEDUC destinava-se aos estudantes do Ensino Fundamental, daí meu cuidado ao resumir esse episódio ligado, por meio transverso, ao Amazonas.


 GUERRA DE CANUDOS

Um telegrama para o governador do Amazonas, Fileto Pires Ferreira, resumindo a derrota da 3ª Expedição contra Canudos e a morte de seu comandante, coronel Moreira César, trouxe preocupação. Aliás, o desastre repercutiu em todo país. Por isso, em todos os Estados, inclusive o do Amazonas, houve promessa de ajuda militar para acabar a luta na Bahia. Foi assim que o nosso Estado, muito distante do local da disputa, se empenhou na guerra de Canudos.

Afinal, que guerra foi essa? Vamos aos fatos, começando por Canudos e seu fundador. No final do século XIX, entre 1895 e 1897, existiu uma cidade com o nome de Canudos. Seu fundador foi Antônio "Conselheiro", que preferia chamar o lugar de Belo Monte. O "Conselheiro", na verdade, era o cearense Antônio Vicente Mendes Maciel, nascido em Quixeramobim, em 1830. A cidade estava instalada à margem do rio Vaza-Barris, na província, hoje o conhecido estado da Bahia. Situada no sertão mais agreste, perto da fronteira do estado de Sergipe, porém, distante das duas capitais.

Por esta simples razão, imagine, como era difícil chegar a esse lugarejo!

Os caminhos eram muitos em direção a Canudos, percorridos quase sempre a pé, porque o sertanejo não dispunha de transporte, e era costume. Nesta época, o hábito de caminhar pelas cidades, fez de "Conselheiro" um homem bastante conhecido. Também colaborou para aumentar reconhecimento, a maneira como se vestia um camisolão de cor azul, que lhe alcançava os pés, e tendo a mão um bastão. Destacava-se por sua longa barba branca, e um aspecto um pouco doentio, ou como se diz em nossos dias, "aparecia" com destaque na multidão.

Em 13 de maio de 1888, foi extinta a escravidão negra no Brasil. A Lei Aurea, da princesa Isabel, concedia aos negros total liberdade. A lei parece não ter "pegado", pois em nossos dias ainda se afirma que os negros sofrem discriminação. Então, podemos pensar nas dificuldades após o 13 de maio, como, sem a mão-de-obra escrava, o esvaziamento das fazendas. A situação crítica da população negra da Bahia, então em bom número, fez esta se encaminhar para as terras de Canudos, esperando ali encontrar conforto.

Os proprietários, à frente o barão de Geremoabo, também políticos, reclamaram da situação ao governador, Luís Viana. Entendiam que a atuação de "Conselheiro", em Canudos, prejudicava a administração estadual. Daí as providências tomadas pelo governo da Bahia para encerrar a questão.
A primeira iniciativa do governador foi religiosa, conversando com o bispo da Bahia. Dois frades capuchinhos seguiram para Canudos, com a missão de pregar uma "missão" (uma série de exercícios religiosos em determinado período), com o fim de chamar os "pecadores" para a obediência das leis estaduais. Apesar dos esforços dos religiosos, não deu certo a pregação.
O governo então recorreu aos militares.

Em novembro de 1896, saiu a 1ª Expedição, uma tropa do Exército de cerca de 80 soldados, sob o comando do tenente Pires Ferreira. Foi um fracasso. A derrota dos militares fortaleceu o conceito de "Conselheiro". Com isto, outros mais sertanejos se dirigiram para Canudos. Já em dezembro, seguiu a 2ª Expedição, sob o comando do major Febronio de Brito, levando cerca de 600 soldados. De novo, o pessoal do Exército perdeu, porque eram enormes as dificuldades da marcha entre Salvador, a capital baiana, e o sertão onde se encontrava Canudos.
O governador do Brasil, em abril de 1897, organizou a 3ª Expedição contra Canudos, sob o comando do coronel Moreira César. Levou cerca de 1200 soldados e armas diversas, e marchou quase sem parar de Salvador até Canudos. No arraial, o comandante, mesmo cansado, decidiu enfrentar os conselheiristas e para mostrar disposição na luta, decidiu avançar à frente. Nesta ocasião, foi ferido grave com dois tiros. Com a morte do comandante, houve uma tremenda confusão entre soldados. A tropa, com receio dos "jagunços" (apelido dado ao pessoal de Canudos), fugiu desesperada. No caminho, muitos e muitos soldados morreram.
Com mais este desastre, em junho de 1987, o governo chama o general Arthur Oscar para o comando da 4ª Expedição. Depois dos primeiros combates, a tropa federal quase fracassa. No país todo, houve preocupação. Quando os jornais divulgaram as notícias, de todo o país se ofereceu ajuda.
Do Amazonas, o estado mais distante da Bahia, seguiu um batalhão da Polícia Militar, com 245 policiais e 24 oficiais. Viajou de Manaus, em 4 de agosto de 1897, sob o comando de tenente-coronel PM (tenente EB) Cândido José Mariano, e permaneceu em Canudos até o final da luta.
A viagem de navio até Salvador durou dias. Até Canudos, parte da viagem acontecia de trem, com 12 horas de viagem até Queimadas. Daí em diante, somente a pé. De Queimadas até Monte Santo, mais dois dias. Até Canudos, mais três dias. Como era difícil encontrar água e alimentos, os soldados sofriam bastante para chegar à cidadela de "Conselheiro". Muitos não aguentavam, morreriam de doenças infecciosas, como aconteceu com o capitão Floresta, enterrado em Monte Santo. Este foi o duro caminho percorrido pela tropa da Amazonas.
E, por que razão os policiais amazonenses seguiram para a guerra de Canudos? o fator mais evidente foi a capacidade financeira do Estado. Neste
período, o Amazonas arrecadava muito dinheiro com a exploração da borracha. Assim, foi possível pagar a despesa de tantos soldados, enquanto defendiam a ordem. Também, este benefício permitiu a construção de muitos edifícios em Manaus, sendo o Teatro Amazonas o mais simbólico.
Em 5 de outubro de 1897 acabou Canudos. Os soldados vencedores procuram pelo beato, mas apenas descobrem seu corpo. "Conselheiro" havia falecido em 22 de setembro sem ver o triste final de seu Belo Monte. Para sempre Canudos!

MRLM

quarta-feira, novembro 25, 2020

PMAM: ALMANAQUE DE OFICIAIS - 1967

 Há nas corporações militares um documento intitulado Almanaque, onde são lançados dos integrantes seus dados funcionais. A Polícia Militar do Amazonas (PMAM) cumpria este procedimento, até que o tempo passando, o volume de policiais se avolumando, a informática assessorando, não mais permitiram a inclusão de dados históricos.
Capa do 
Almanaque

Talvez tenha sido o último a circular com vasto material histórico, o Almanaque para 1967. Nele se encontra a relação dos governadores amazonenses, a galeria dos comandantes-gerais e o Relatório de Cândido Mariano, divulgado em 1897, enfocando a Campanha de Canudos. Há nele, afinal, os TRAÇOS HISTÓRICOS. O texto vai aqui compartilhado, porém, em cor vermelha anotei alguns reparos sobre esta publicação.  


TRAÇOS HISTÓRICOS DA POLÍCIA MILITAR DO AMAZONAS

Quando mais intenso se fazia o movimento colonizador na Província Imperial do Amazonas, Estevão José Ferraz, então deputado, sentindo necessidade de proteger os núcleos que se tornavam dia após dia mais populosos, apresentou à Câmara Provincial o projeto de criação da Guarda Policial, constituída por 74 homens.
Sancionada a lei, em 26 de abril de 1876, foi designado para comandá-la, em 1° de maio do mesmo ano, o major da Guarda Nacional, Severino Eusébio Cordeiro. De conformidade com o decreto de sua criação, a milícia do Amazonas recebia do erário imperial 30% das suas despesas.

Nota: 1) Até o ano de 1972, a Polícia Militar do Amazonas havia “nascido” em 3 de maio de 1876, conforme acima. Em trabalho histórico, ficou provado que a PMAM fora criada em 4 de abril de 1837, que segue festejada. 2) Severino Cordeiro era 1º tenente reformado do Exército, não pertenceu a Guarda Nacional. Identificado como major, por ser o posto do comandante.

Proclamada a República, passou a Guarda Policial a servir ao regime recém instituído, sem que qualquer quebra de disciplina ou manifestação exterior de outra espécie, fizesse acreditá-la corrompida pela política. Continuou assim a Milícia Amazonense, a enriquecer suas tradições mantendo precisamente a 4 de agosto de 1897, o 1° Batalhão da então Força Pública do Amazonas, constituído por 249 praças e 24 oficiais, embarcou com destino à Bahia, a fim de tomar parte nas operações que se realizavam em Canudos, contra os rebeldes de Antônio Conselheiro.

Nota: o 1º batalhão de infantaria pertencia ao Regimento Militar do Estado, essa a denominação da Força Estadual entre 1897-1907.

Tão eficiente foi a colaboração dessa tropa na manutenção da ordem além das fronteiras de seu Estado, que ainda hoje pode ostentar, para orgulho dos homens da gleba, tinta pelo sangue e esfarrapada pelos impactos recebidos, a Bandeira Nacional que conduziu, quando fazia a vanguarda das forças que penetraram em igreja nova, último reduto dos fanáticos de Canudos.

Nota: a questão das bandeiras sempre foi discutível, aquela esfarrapada usada durante o conflito foi, de fato, entregue à tropa diante do governador, quando da partida. Aquela bordada a ouro, na verdade nada de ouro, foi confeccionada pelas esposas dos oficiais combatentes, em Manaus, enquanto aguardavam o desfecho da luta.

Coroa de louros oferta do governo do Pará 

Regressando ao seu Estado, posteriormente recebeu aquele Batalhão, como prêmio pela conduta mantida, rica bandeira bordada a ouro, oferta da mulher baiana. Não menos significativa foi a homenagem prestada pelo povo paraense aos 47 irmãos da Milícia Baré mortos nas caatingas baianas: a oferenda de magnífica coroa de louros fundida em ouro. Comandou a Força Pública, na campanha em referência, o tenente-coronel Cândido José Mariano.

Notas: o governo do Pará ofereceu uma coroa de louros fundida em prata. As bandeiras e a coroa estão no Museu Tiradentes. Candido Mariano era 1º tenente do Exército, apenas foi comissionado tenente-coronel PM para o comando do batalhão.

Atingiu a Corporação, em 1912, o apogeu, ostentando então o seu maior efetivo, 1.463 homens. Durante o ano de 1917, o decreto 1.237, aprovou o acordo com o Governo Federal, arregimentando a Força Pública do Amazonas, como reserva do Exército Nacional.
Vários festejos marcaram em 1926 a passagem do seu cinquentenário.

Nota: como me referi acima, esta corporação foi criada em 1876, daí os festejos de 1926. O Diário Oficial publicou um retrospecto pela data.

Convulsionado o país pela revolução de 1930, foi a Força Policial do Amazonas dissolvida. Em conformidade com o decreto n° 99, foi reorganizada em 20 de abril de 1936.

Nota: há 90 anos, em 29 de novembro de 1930, ocorreu a desativação. E levou mais de cinco anos para o retorno ao trabalho.


No decorrer da guerra contra as potências do Eixo, colaborou na Batalha da Produção; auxiliou a construção de hospedaria para imigrantes; policiou e organizou o transporte dos chamados "soldados
da borracha", e finalmente trabalhou nos serviços de estivas do porto de Manaus, durante três anos, empenhada no descongestionamento do tráfego fluvial, assegurando o abastecimento da hileia.

Nota: além da cooperação acima enumerada, cooperou na construção do edifício do Instituto de Educação do Amazonas, a fim ter liberado seu quartel das normalistas, que o utilizavam há dez anos.

Atualmente [1967] a Polícia Militar do Amazonas tem 823 homens em seu efetivo e desempenha a sua função normal, garantia da ordem pública e defesa das instituições em vigência na terra de Ajuricaba.

terça-feira, outubro 06, 2020

FOLHINHA DE OUTUBRO

 

Para nosso conhecimento e devida lembrança, relembro alguns fatos ocorridos no início do mês de outubro. Realce para a posse de Getúlio Vargas no Governo Federal, há 90 anos! E o encerramento da campanha de Canudos; além da criação da paróquia de São Francisco.
 

3 de outubro

1894 – É instalado em Manaus um centro de atendimento a alienados, consoante a Lei 65, sancionada pelo governador Eduardo G. Ribeiro. Recebeu o nome de Hospício Eduardo Ribeiro, localizado à margem esquerda do rio Negro, na foz do igarapé da Cachoeira Grande. Em 1898, foi transferido para a Chácara Cruzeiro, na rua Ramos Ferreira. Em 1926, recebeu o nome de Colônia de Alienados Eduardo Ribeiro. Enfim, por força do Decreto 6.472, tomou a denominação atual – Centro Psiquiátrico Eduardo Ribeiro. (Dados da Revista da Universidade, ano 1997).

1930 – Vitoriosa a revolução, assumiu em caráter ditatorial a presidência do Brasil, Getúlio Vargas. Em Manaus, uma Junta Governativa, composta do coronel Pedro Henriques Cordeiro Júnior e dos drs. José Alves de Souza Brasil e Francisco Pereira da Silva, substitui ao governador Dorval Pires Porto. Esta Junta dirige o Estado até a posse de Floriano da Silva Machado (tenente do Exército), em novembro, o qual logo seria substituído pelo interventor Álvaro Maia.

1936 – Consoante a Lei 124, a Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais, agora com a denominação de Faculdade de Direito do Amazonas, foi encampada completamente pelo Estado.

Atual igreja de São Francisco de Assis,
no bairro de mesmo nome

4 de outubro

Dia de São Francisco

1956 – Criada a paróquia de São Francisco de Assis, no bairro do mesmo nome, por disposição de dom Alberto G. Ramos, e tendo como primeiro pároco, o padre Manoel Bessa Filho. Bessa, depois de se desobrigar do sacerdócio, ingressou na Magistratura e, em nossos dias, segue devidamente aposentado.

 

5 de outubro

1897 – Encerramento da Campanha de Canudos, com a destruição do povoado de Belo Monte, como a nominava o Conselheiro, ou, como ficou mais conhecido, Canudos. Vitoriosa a tropa governamental, dois dias depois o batalhão amazonense teve autorização para regressar, via Salvador, tendo desembarcado em Manaus somente em 8 de novembro.

1942 – Instituído, por força do Decreto-Lei 4.791, sancionado por Getúlio Vargas, o Cruzeiro, o novo padrão monetário do país, em substituição ao imperial réis.

1989 – Promulgada a atual Constituição Amazonense, pela Assembleia Legislativa do Estado, sob a presidência do deputado Átila Lins de Albuquerque. A elaboração da Carta contou com a participação popular, e teve na presidência da Comissão Constitucional, o deputado Josué Cláudio de Souza Filho e, como Relator-Geral, o deputado Eduardo Braga.

 

6 outubro

1872 – Fundação, em Manaus, da primeira Loja maçônica – Esperança e Porvir, com sede na rua Bernardo Ramos, ainda existente. O ato foi presidido pelo coronel Tiburcio Ferreira de Souza. O primeiro venerável foi o brigadeiro João do Rego Barros Falcão, comandante das Armas da Província.

2002 - Realizadas as eleições para escolha de governador e deputados do Estado, sendo eleito, em primeiro turno, para governador Carlos Eduardo Souza Braga, do Partido Popular Socialista (PPS).

segunda-feira, agosto 24, 2020

CARTA RECEBIDA

 Quando buscava subsídios para completar meu Candido Mariano & Canudos (Edua, 1997) consultei ao saudoso mestre José Calasans (1915-2001), de quem recebi a carta aqui compartilhada:

 


Salvador, 14 de setembro de 1996

 

Prezado coronel Roberto

Recebi o Relatório do Candido Mariano, com suas anotações, muito uteis ao entendimento do texto.

Permito-me fazer duas observações:

Nota 4. O marechal Machado Bittencourt não faleceu no dia da sua chegada ao Rio. A 5 de novembro, por ocasião do desembarque do general João da Silva Barbosa é que ocorreu o atentado contra o presidente Prudente de Moraes, em cuja defesa o ministro da Guerra foi ferido e morto.

Nota 10. O verdadeiro nome é José de Siqueira Menezes, embora, frequentemente os livros registrem José Siqueira de Menezes. Seria bom dizer: “governou seu Estado em duas ocasiões”, porque foi presidente eleito apenas uma vez, tendo na outra passado alguns dias, fazendo parte de uma junta provisória.

Parece-me que o meu caro coronel, além das notas esclarecedoras, deveria escrever um prefácio explicando o motivo da reedição. Escolha em 97, uma data amazonense para o lançamento do trabalho. Sua Polícia bem merece a homenagem.

Abraço cordial do amigo

José Calasans