CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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segunda-feira, julho 26, 2021

BATEDORES DA PMAM (1)

Um dos pilares da atuação do policiamento praticado pelo Batalhão de Policiamento de Trânsito (BPTran) da PMAM, é o emprego de Batedores. Constituem-se de treinados motociclistas, que são empregados em diversas intervenções.

O atual comandante do BPTran – coronel Marcos Encarnação – vem se empenhando em resgatar a evolução deste serviço, afixando em sala especial os registros alcançados. Tendo me convidado para o trabalho de pesquisa, venho cuidando da primeira questão que me assediou: quem foram os primeiros e que veículos utilizavam.

Motocicleta Norton 1960 ES2 500cc

A postagem de hoje comprova quanto fui beneficiado com o acervo acumulado. Nele esbarrei com a foto do governador Gilberto Mestrinho (1959-63), comboiado por um batedor. Prontamente reconheci o piloto da moto: o subtenente Raimundo Nonato Bento da Silva (irmão do padre Onias Bento que, após renunciar ao sacerdócio, foi secretário de Fazenda do governador José Lindoso), conhecido por sua estatura avantajada e por ser o chefe da alfaiataria da PM. Era, como se vê, polivalente!

Governador Mestrinho e o batedor -
subtenente Nonato Bento (1962)


Adiante deparei com outra foto, na qual o governador Plínio Coelho (1963-64), em carro oficial, era seguido por um batedor da PM. O registro, todavia, retirado de jornal não me permitiu identificar o condutor da motocicleta. Prossigo consultando aos ‘mais velhos” do quartel da Praça da Polícia, a fim de identificar este e outros, os primeiros batedores da corporação.

Governador Plínio Coelho, no carro oficial, na Semana da 
Pátria, com o batedor da PM não identificado (1963)

Então, surgiu outra dúvida: que tipo de motocicletas eram essas? Posto o problema a um velho camarada, o coronel Osório Fonseca me confirmou que se tratava da marca Norton, há tempos desaparecida. Outro colega, coronel Alfaia Filho, confirmou a marca e me proporcionou uma lição sobre a potência da referida moto. Em consulta ao Google, recolhi a foto que ilustra a postagem, pois creio que as Norton poderiam ser o modelo 1960 ES2 de 500cc.

E, por que 1960? Voltemos ao quartel da Praça da Polícia. Ao assumir o governo, Mestrinho nomeou ao Dr. Assis Peixoto (invocando sua condição de oficial R/2, formado em 1942) para o comando da Força Estadual, que exerceu entre 1959-62. De escasso conhecimento militar, Peixoto foi um excelente administrador: entre suas realizações, acredito que fez o governo adquirir essas duas máquinas, portanto, as primeiras utilizadas na Força. Entretanto, coronel Alfaia, incluído na Polícia Militar em 1967, lembra que alcançou as Norton já em indisponibilidade. Diante desta informação: ou as motos foram sucateadas em poucos anos, ou foram adquiridas já bem usadas.

A história dos Batedores vai prosseguir.

segunda-feira, junho 28, 2021

ASSIS PEIXOTO: CIVIL COMANDANTE DA PMAM

 SECRETARIA DO INTERIOR E JUSTIÇA

EXPEDIENTE DO DIA 19|09|61

DECRETO

O PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA, no exercício do cargo de GOVERNADOR DO ESTADO DO AMAZONAS, resolve

NOMEAR:

de acordo com o art. 15, item I, da Lei nº 494, de 16 de dezembro de 1949, o 2º Tenente R/2 do Exército Nacional, FRANCISCO DE ASSIS ALBUQUERQUE PEIXOTO, Procurador da Fazenda Pública da Procuradoria Jurídica e Fazendária do Estado, para exercer, em comissão, o cargo de Comandante da Polícia Militar do Estado, Padrão CC-1, nos termos do Decreto nº 13, de 21 de fevereiro de 1959. 

Fragmento do Diário Oficial

Este decreto tornou-se incompreensível. Explico: apesar de “nomear” o favorecido, os arquivos da Polícia Militar do Estado registram que naquela data ocorreu, ao contrário, a demissão do coronel Assis Peixoto, realizada pelo governador interino. Ao reassumir o posto, o governador Mestrinho manteve o comandante no devido ordenamento. Já escrevi sobre este imbróglio em dois posts, concluindo que ocorreu uma briga política-policial.

 

Todavia, o exposto decreto lido em nossos dias revela algumas incongruências: curiosamente foi assinado pelo governador em exercício, então o presidente da Assembleia Legislativa, Josué Claudio de Souza; assegura que nomeia ao 2º tenente R/2 do Exército. De fato, Assis Peixoto, como restou conhecido na crônica manauara, havia concluído o NPOR realizado em Manaus por ocasião da II Guerra, portanto, às vésperas de completar 20 anos da formatura. Essa trivial patente serviu unicamente como “cortina de fumaça” para ludibriar a Força, posto que Peixoto era um Civil bem caracterizado, como vê-se apontado no próprio edito.

Outra questão: o decreto não estabeleceu o posto do comandante, pode ter sido corrigido em edição posterior do Diário. De qualquer modo, Assis Peixoto foi tratado por coronel, tendo permanecido no comando por mais de dois anos e foi, para gáudio dos aquartelados na Praça da Polícia, um excelente chefe.

Enfim, a legislação empregada para esta finalidade servia exclusivamente aos funcionários civis. Os funcionários militares estaduais possuíam uma minguada legislação. De maneira que o decreto 494 aludido foi, na corporação de Assis Peixoto, empregado para acertos nem sempre “republicanos”.

Em síntese, o Dr. Assis Peixoto exerceu o comando da PMAM. De certo, o único paisano.

segunda-feira, abril 15, 2019

PMAM - HÁ SESSENTA ANOS


No Amazonas, o ano político de 1959 começou com a posse do novo governador – Gilberto Mestrinho de Medeiros Raposo, jovem, aos 27 anos, eleito na esteira da administração de Plínio Coelho (PTB).

Mestrinho, 1959

À época, a posse ocorria em 31 de janeiro, data que aliás havia crismado a uma rua na subida do Morro da Liberdade (atual rua Custódio Carneiro de Lima).

Ao assumir, o “professor” Mestrinho, como era então carinhosamente tratado, designou para a chefia da Casa Militar ao tenente-coronel Neper da Silveira Alencar e, para subchefia, ao do mesmo posto Pedro Américo Cardoso. A gestão destes, porém, foi encerrada em 12 de maio seguinte, quando Mestrinho efetuou a primeira lambança para acolher amigos.

Nesta última data, GM nomeou para a chefia ao capitão médico do EB David Luigi Farini, após comissioná-lo no posto de tenente-coronel da PMAM. E, para a subchefia, indicou o tenente-coronel PM Alcimar Guimarães Pinheiro.

Na transição do governo, a PMAM estava sob o comando do major EB Cleto Veras. Com três semanas no Governo, Mestrinho praticou a segunda lambança, ao baixar o decreto nº 13, de 21 de fevereiro, estabelecendo novas regras para a nomeação do comandante da PMAM. Não deve ter agradado à caserna, pois, dia 23, assume o comando interino o tenente-coronel PM Carlos Palma Lima (filho de Vivaldo Lima, o patrono do extinto Vivaldão). Vamos à leitura do edito governamental:

Decreto n° 13, de 21 de fevereiro de 1959.
Subordina o Comando da Polícia Militar ao Governador do Estado, conferindo-lhe as honras de Secretário de Estado.
Considerando que o Comando da Polícia Militar deve ficar diretamente subordinado à Chefia do Poder Executivo, cujo titular é constitucionalmente o Comandante desta Corporação;
Considerando a necessidade de se dar ao Comandante da Polícia Militar uma posição hierárquica que lhe ofereça o destaque preciso de representante do Comando Governamental;
Considerando que o Comando da Polícia Militar deve ser sempre de absoluta confiança do Governador do Estado, quer o escolhido seja militar ou civil;
Considerando que não deve haver distinção entre militar e civil no provimento de cargos de absoluta confiança do Governador do Estado, podendo as funções de comando de corporações militares serem exercidas com brilhantismo por civis, segundo o exemplo histórico de Pandiá Calogeras.  
Art. 1º - O Comandante da Polícia Militar do Estado fica diretamente subordinado ao Gabinete do Governador do Estado e só por delegação escrita do Chefe do Executivo poderá receber ordens do Senhor Secretário do Interior e Justiça.
Art. 2º - O Comandante da Polícia Militar do Estado perceberá padrão CC-1 e terá as honras de Secretário de Estado, sendo comissionado sempre no posto de Coronel, conquanto perceba os vencimentos do padrão pré-referido. 
Art. 3º - O Comando da Polícia Militar será exercido por pessoa de inteira confiança do Governador do Estado, quer seja militar, quer seja civil.  
Gilberto Mestrinho de Medeiros Raposo - Governador do Estado  
Coronel Assis Peixoto
Consoante autorizava o Art. 3º, o escolhido foi o Dr. Francisco de Assis Albuquerque Peixoto, bacharel pela Faculdade de Direito do Amazonas em 1949, advogado militante, todavia, possuidor de um cacoete militar: concluíra o NPOR em 1944, a primeira turma em Manaus, por exigência da Segunda Guerra. Assim, em 7 de março, assumiu o comando o coronel Assis Peixoto e o deixou em 17 de abril de 1962. Diante desse fenômeno, denominei este ordenamento de Lei Assis Peixoto, pois, até o presente nenhum outro teve esse privilégio.

Contudo, foi um administrador competente, tendo remoçado as instalações do centenário quartel; com dependências onde recebia com dignidade as autoridades mais graduadas do Estado; e, modernizado a cozinha do quartel da Praça que, até então, usava um fogão a lenha. Para saber mais, veja a postagem de 08/08/2018.
Encerrando o ano, em 28 de dezembro, a Lei nº 72, estabelece o efetivo da PMAM para o ano seguinte em 512 homens.

Quartel da Praça da Polícia, anos 1980


quinta-feira, agosto 02, 2018

COMANDANTE-GERAL PMAM



Coronel Assis Peixoto
A nomeação de comandante da Polícia Militar do Amazonas é de competência do governador do Estado, salvo no período do Governo Militar, quando somente oficiais do Exército assumiram o cargo. 

O governador Gilberto Mestrinho, em seu primeiro governo (1959-63), nomeou para aquela função ao Dr. Francisco de Assis Albuquerque Peixoto, advogado militante do Foro local. A nomeação, segundo comentam as escadas do antigo Quartel da Praça da Polícia, foi motivada pela amizade e pela “velha” espada guardada pelo certificado pelo NPOR (Núcleo de Preparação de Oficiais do Exército) Assis Peixoto. Como a conclusão do curso ocorrera em 1944, à época da investidura na função de coronel comandante, Assis Peixoto estava próximo de festejar vinte anos de oficial R/2.

Quando comandante, em 18 de setembro de 1961, o coronel Assis Peixoto foi demitido “a pedido” pelo governador interino, Josué Claudio de Souza, presidente da Assembleia Legislativa. Sobre essa decisão, somente há referência em Boletim Interno, nada em Diário Oficial, como seja a indicação do respectivo decreto. Estranho, no mínimo.

Quatro dias depois, retornando o governador titular, o ex-comandante voltou ao posto e ao cargo. Com um detalhe, a nomeação era contada a partir de 19 de setembro, ou seja, a contar do dia imediato da exoneração. Como se vê, briga de políticos, cuja versão escutei um dia, porém, juro que o tempo me fez olvidar por inteiro. E a maioria daqueles que poderiam acrescentar alguma versão ao fato já “deram baixa”. Tento sinalizar com o coronel Pedro Lustosa, que, na condição de tenente, assistiu esse entrave político-policial.

Fragmento das alterações do coronel Assis Peixoto

A foto reproduz parte dos registros administrativos pertencentes ao coronel Assis Peixoto, intitulados de “Alterações”, comum aos policiais de todas as categorias. Como se pode observar, eram produzidas em letras cursivas, por elementos de melhor caligrafia. A caneta era de pena e a tinta Parker, encontrada em vidro personalizado. Sim, era empregado o mata-borrão, a fim de reparar qualquer excesso de tinta. Os livros pertencem ao acervo do Museu Tiradentes.  

domingo, março 10, 2013

NPOR – TURMA 1966


Em 10 de março  – Ocorreu no quartel do 27º BC (atual 1º BIS) a formatura da 1ª turma do renovado NPOR (Núcleo de Preparação de Oficiais da Reserva). Parte dos 17 concludentes dessa Turma Ajuricaba ingressou na Polícia Militar do Amazonas, os hoje coronéis da reserva Osório Fonseca Neto, Amilcar da Silva Ferreira, Ruy Freire de Carvalho, Odacy de Lima Okada e Manoel Roberto Lima Mendonça (autor deste post) e Ilmar dos Santos Faria, que morreu em 1999. Outros três experimentaram a então farda caqui da corporação estadual, porém a deixaram em pouco tempo. São eles: Antônio Germano Gadelha; Carlos Salustiano Coelho e Hélio dos Santos Graça.

Foto oficial com alunos, comandantes e auxiliares, em
frente ao comando do 1º BIS
Quando me refiro à renovação do NPOR, torna-se necessário explicar que ocorreu uma etapa deste curso em Manaus, durante a II Guerra Mundial. No biênio 1942-43, o mesmo 27º BC preparou a pioneira, vastíssima turma de jovens, visando apoiar obviamente o esforço de guerra em que se metera o Brasil. Preparou 100 (isso mesmo, uma centena) oficiais da reserva, e com isso envolveu filhos das famílias mais distintas da cidade. Acredito que, dos mais conhecidos, o último destes oficiais R/2 a morrer foi o doutor Samuel Benchimol, em 2002.

É praxe militar dar números aos integrantes de curso; assim foi efetivado com a turma do NPOR da II Guerra. Em decorrência dessa providência, os componentes do novo curso também foram designados por números e na ordem alfabética, começando pelo Al (aluno)101 Amilcar da Silva Ferreira. Porque me chamo Manoel Roberto, tomei o número 111. Já o Renato de Azevedo Tribuzy, doutor em Matemática da Ufam, respondia pelo número 113.

Da turma pioneira, três concludentes passaram pela Polícia Militar do Amazonas.  Nessa ordem: Omar Gomes da Silveira, que foi incluído como tenente em fevereiro de 1947. Quando tenente-coronel, Omar assumiu o comando-geral da Força Policial (de novembro 1967 a março 1968), no interregno entre oficiais do Exército, como era praxe no Governo Militar. Depois veio Alcimar Guimarães Pinheiro, falecido coronel. Incluído na corporação em Bastante conhecido no bairro da Praça 14 e no Palácio Rio Negro, aonde serviu na Casa Militar dos governadores Arthur Reis e Danilo Areosa. Graduou-se em 1961 na Faculdade de Direito do Amazonas.
O terceiro foi Francisco de Assis Albuquerque Peixoto, na condição de coronel comandante da Polícia Militar, nomeado pelo governador Gilberto Mestrinho, em 1959. Tornou-se o último paisano a dirigir esta instituição militar. Já postei algumas informações sobre o comando do coronel Assis Peixoto, especialmente ressaltando a reforma e o embelezamento que empreendeu no quartel da Praça da Polícia. Cabe-lhe a primazia de matricular três alunos na Escola de Formação de Oficiais da Guanabara, constituindo a primeira turma. Seu comando durou até 1963.
A turma que hoje completa 47 anos de conclusão do NPOR, apesar do pequeno número de concludentes, nunca mais se encontrou. Semana passada, ensaiei com outro colega um movimento para que isso ocorresse. Não ocorreu. Talvez o cinquentenário, que se aproxima, seja a última oportunidade.

quarta-feira, fevereiro 01, 2012

CORONEL CARNEIRO: NOVENTANOS

Carneiro, em festas

Lamento registrar que meu amigo Francisco Carneiro da Silva, o coronel Carneiro, está sem condições de abraçar os familiares e amigos que hoje brindam seu aniversário. Nem de conhecer este registro fraternal. Segue amparado pelos seus mais próximos e, uma vez ou outra, lembrado pelos colegas da Polícia Militar do Amazonas.


Conheci o Carneiro quando este, no final da década de 1960, foi reincorporado a PM, depois de absolvido pela Justiça amazonense. Ele havia sido punido pelo Governo Militar, em 1964. Era então entusiasmado capitão, que se fez amigo dos jovens tenentes, entre os quais me incluía, admitidos na PM no biênio 1966-67.

Em Fortaleza, Roberto (à esq) e Carneiro (à dir.), demais
colegas do CAO/1972 
Adiante, em 1972, tive o privilégio de seguir com ele para Fortaleza, onde na PM do Ceará enfrentamos o Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais. Foi um ano de convivência entre nossas famílias e a praia de Iracema. E os livros, claro. Consolidamos a amizade e, a partir dai, pude testemunhar sua vocação pelo serviço policial e sua dedicação à família, apesar dos percalços domésticos.


Coronel Carneiro deve ser lembrado na Polícia Militar por alguns motivos, saliento um: trata-se de um policial que incorporou como soldado e, vencendo empecilhos de diversas ordens, alcançou o oficialato e, mais que isso, passou para a reserva (aposentou-se, no jargão civil) no topo da carreira.

Delegado de Parintins

Relembro dois fatos que ele me narrou: a ida à então Capital Federal, em 1952, para um curso nos Bombeiros. Era ele sargento e aproveitou o entusiasmo dos governantes em qualificar os integrantes dos Bombeiros Municipais de nossa capital. Não lhe foi prazerosa a estadia, pois, mesmo apoiado pelos colegas de curso, os vencimentos devidos em Manaus chegavam com muito atraso em seu bolso. Em razão disso, ao lado de um companheiro, fez publicar em O Jornal, de Manaus, sua queixa. Resultado: tão logo retornou a Manaus, foi preso disciplinarmente.


Em 1959, o saudoso governador Mestrinho nomeou, “coronel comandante da Polícia Militar do Amazonas”, ao Dr. Assis Peixoto. Peixoto fez do tenente Carneiro seu ajudante de ordens. Nessa condição, viajaram a Porto Alegre (RS) para um encontro com a cúpula das PMs do Brasil. A foto que ilustra esta postagem mostra, além dos citados amazonenses, o então governador gaúcho, Leonel Brizola.

Gov. Leonel Brizola (à esq.), Carneiro (centro)
e Assis Peixoto (à dir.), em Porto Alegre
Depois do curso em Fortaleza, Carneiro seguiu conquistando as promoções devidas e cumprindo as tarefas da caserna. No entanto, o inexorável tempo de deixar o “quartel do coronel Neper Alencar” chegou. Ainda assim, o tenente-coronel Carneiro relutou, seguindo até os derradeiros momentos, o quartel era sua paixão. Tanto que na reserva, ainda aceitou cargos administrativos relacionados com sua especialidade.


A corporação policial militar não possui esta informação, talvez a Amazonprev possa comprovar: Carneiro, possivelmente, seja o oficial mais idoso. Se não, é o segundo. Por isso e pelas tantas que não pude relatar, voltei hoje para abraçá-lo, torcendo pela sua penosa saúde. Coisa de amigo.

sexta-feira, março 11, 2011

NÚCLEO DE PREPARAÇÃO DE OFICIAIS DA RESERVA (NPOR)

Em Manaus, os primeiros oficiais da reserva, R/2 no jargão militar, despontaram no período da Segunda Guerra, basicamente por imperativo de defesa nacional. Foram realizadas apenas duas turmas, quando foram diplomados cem alunos. Após esse esforço, o NPOR foi suspenso.

Um dos promovidos a aspirante oficial foi Francisco Assis Peixoto que, no governo de Gilberto Mestrinho (1959-63) comandou a Polícia Militar. Na verdade, o Dr. Assis Peixoto era formado em direito e exercia com brilhantismo a profissão. Foi um civil na direção desta corporação.

Somente no ano de 1965 foi reiniciado o NPOR, funcionando no então 27º BC (hoje 1º BIS) localizado no bairro de São Jorge, sob o comando do tenente-coronel Alípio Carvalho. O curso foi aberto para vinte candidatos, com exigência do ensino médio completo. Depois de aprovados nos testes de saúde e de outras aptidões, o curso foi realizado. Entre os instrutores, destaque para o tenente Waldir Belisário, o Besouchet. ano passado, o hoje general Belisário visitou os velhos camaradas. O encontro ocorreu na churrascaria.

Parte da Turma Ajuricaba. Ten Belisário (à esq.), alunos
Okada, Roberto, Waldir, Cohen e Ilmar
Os óbices foram muitos, certamente por se tratar do primeiro curso da nova etapa. As instalações eram improvisadas e, entre outras curiosidades, os exercícios de tiro e manobras foram realizados em terreno particular do comandante do Batalhão.

A turma NPOR 1966 em "guerra" de futsal
Da turma inicial, três se “perderam” pelo trajeto, por questão disciplinar e por insuficiência intelectual. Dessa maneira, em 11 de março de 1966, dezessete alunos constituindo a Turma Ajuricaba receberam a espada em solenidade realizada no pátio do Batalhão Amazonas. À noite, foi realizado o baile de gala no Ideal Clube.

Diploma do autor, que não passou do 9º  lugar na turma
General Belisário e coronel Osório (à dir) 
Há 45 anos – Amilcar Ferreira; Antonio Marinho; Renato Tribuzy; Osório Fonseca; Carlos Coelho; Ilmar Faria; Germano Gadelha; Antonino Bacellar, Ruy Freire, Odaci Okada, João Lopes, Pericles Brandt, Mario Verçosa, Helio Santos, Waldir Silva, Salomão Cohen; Roberto Mendonça (perdão pelos lapsos, por isso, indico alguns colegas apenas pelo nome de guerra), estes jovens saíram do quartel para escrever, de alguma forma, páginas de boas pelejas. Sucesso, mais sucesso a todos.

segunda-feira, julho 05, 2010

POLÍCIA MILITAR DO AMAZONAS (XVI)

  • 1º Batalhão de Polícia Militar – 1º BPM
“Batalhão Amazonas”
Quartel do 1º BPM, 1975

O 1º Batalhão de Polícia Militar, criado em 1965, desapareceu em 2008, levado pela evolução do tipo e a disposição tática de dispositivos de policiamento.


Um detalhe precisa ser esclarecido. Quando da campanha de Canudos, o Amazonas remeteu contra os conselheiristas o 1º Batalhão de Infantaria do Regimento Militar. Regimento era a denominação da Polícia Militar, porque obedecia a estrutura da Força Terrestre.
Com o declínio da borracha, que levou o Estado à quase falência, a Polícia acompanhou. De Regimento foi reduzido a Batalhão e, com o passar dos anos, modificou-se de tal ordem que, na metade do século passado, era um agrupamento de policiais.

Quartel do 1º BPM, 1975
O governador Arthur Reis (1964-67) deu partida a renovação da Polícia Militar. Em 3 de maio de 1965, aniversário da PMAM, denominou ao efetivo desta, com aproximadamente 300 policiais, de Batalhão Amazonas. Em 1970, foi criado o 2º BPM, com a denominação de Cândido Mariano. Em decorrência deste ato, o Batalhão Amazonas passou a ser o Primeiro.
Assim, pois, não há relação entre os mencionados batalhões. O 1º de infantaria, que combateu em Canudos, desapareceu na década de 1910, e o 1º de polícia, estabelecido em Petrópolis, prosperou até 2008.


Pequena memória do seu primeiro comandante.

Coronel Flavio, 2010
Flávio Augusto da Silva Rebello nasceu em Manaus, em 25 jan. 1936. No Rio de Janeiro concluiu o curso de infantaria do Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR), da 1ª RM/RJ. Após o estágio no 17º RI, em Cruz Alta (RS), e, regressando a Manaus, foi incluído na PMAM em 19 out. 1960, no governo de Gilberto Mestrinho (1959-1963), e do comandante da PMAM, coronel Assis Peixoto.

Durante anos, esteve em atividades de direção e controle do trânsito da Capital, quando essa repartição ocupava o prédio fronteiro ao Quartel da Praça da Polícia, na rua José Paranaguá. Transferido o Departamento de Trânsito (Detran) para a atual sede, ali funcionou uma agência do BEA e hoje pertence a uma empresa de importação. Rebello, ao tempo em que Assis Peixoto governou o então Território Federal de Roraima (1963), participou desse governo.


Coronel Flavio encontra-se enraizado, fundamentado na história do 1º Batalhão de Polícia Militar (BPM). Não apenas pela primazia de ter sido seu primeiro comandante, mas pelo grave cumprimento da missão de estabelecer o “Batalhão Amazonas”, no quartel de Petrópolis. Unidade que ali desembarcou em 7 novembro 1971, e acolá permaneceu por mais de tres décadas.


É conhecida a destinação deste aquartelamento, que foi construído para abrigar o efetivo da PMAM, então concentrado na Praça da Polícia. A idealização do complexo policial pertence à genialidade de Severiano Porto. Em nossos dias, muito, muito desfigurado. No entanto, a decisão do coronel Paulo Figueiredo, então comandante geral, de deslocar apenas o 1º Batalhão para aquele quartel, deu início à expansão da Polícia Militar.

A presença do batalhão no bairro de Petrópolis possui alguns valores. O próprio ofício policial e, mais, o mérito inquestionável de sobreviver em um quartel digno pela arquitetura, mas cercado por vielas mal cuidadas, com pouco transporte e nenhuma comunicação, sequer telefone. Tudo isso mudou, hoje o bairro apresenta-se urbanizado e devidamente ocupado.
E o quartel acolhe o comando geral da corporação.


O coronel Flavio Rebello, antes de passar a reserva, exerceu a chefia do Estado Maior, em duas ocasiões. Hoje, cuida com devoção dos netos e bisnetos.

Comandantes desta unidade policial até o ano 2000
tenente-coronel Flávio Augusto da Silva Rebello 20/04/1971
tenente-coronel Helcio Rodrigues Motta 05/02/1973
tenente-coronel Pedro Rodrigues Lustosa (foto)29/06/1976
tenente-coronel Amilcar da Silva Ferreira 06/03/1979
tenente-coronel Ruy Freire de Carvalho 06/04/1981
tenente-coronel Ilmar dos Santos Faria 20/10/1982
tenente-coronel Mael Rodrigues de Sá 24/06/1983
tenente-coronel Edson de Lima Matias 31/01/1984
tenente-coronel Fausto Seffair Ventura 24/02/1984
tenente-coronel Alfredo Assante Dias 01/07/1984
tenente-coronel Edval Correa da Fonseca 14/02/1985
tenente-coronel Odorico Alfaia Filho 01/07/1985
tenente-coronel Antônio Ferreira Lima 20/02/1986
tenente-coronel Edmilson da Silva Nascimento 24/04/1986
tenente-coronel Edson de Lima Matias 14/04/1987
tenente-coronel Raimundo Carlos Daniel Mar 17/03/1988
tenente-coronel José Cabral Jafra 19/01/1990
major Moacir da Fonseca Carioca 22/06/1990
tenente-coronel Antônio Ferreira Lima 14/01/1991
tenente-coronel Antônio Alfredo Rego da Matta 16/07/1991
tenente-coronel Raimundo Pereira da Encarnação 06/02/1992
tenente-coronel Roosevelt Jobim 27/10/1992
tenente-coronel Luís Gonzaga Rodrigues Oliveira 03/02/1994
tenente-coronel Nestor Arnaud Rodrigues 10/01/1995
tenente-coronel Alcy Costa Sampaio 09/06/1995
tenente-coronel Adson José Costa Silva 05/02/1996
tenente-coronel Mário Cauper Monteiro 02/10/1996
tenente-coronel Fernando Antônio Andrade de Oliveira 14/04/1997
major Wilson Martins de Araújo 10/10/1997
tenente-coronel James Pedrosa Castelo Branco 16/12/1997
tenente-coronel José Alves de Lima 05/01/1999
major José de Arimatheia Moura e Silva 08/03/1999
major Julio César Lemos de Almeida 14/10/1999
major Elielcio George Catete Chaves (Interino)
tenente-coronel João de Souza Pessoa 18/05/2000

terça-feira, maio 18, 2010

MEMORIAL AMAZONENSE (XXI)

Maio, 19


1880 – Assume o comando da Guarda Policial do Amazonas(hoje Polícia Militar), João José de Aguiar. Embora fosse civil, foi comissionado no posto de major. Assim, pois, constitui o primeiro paisano a exercer o mencionado cargo. A se julgar pelo lapso de tempo exercido, apenas 67 dias!, parece ter sido uma calamidade. Outra explicação para o desastre oferece o presidente da Província, Sátiro de Oliveira Dias, que preferiu aproveitar o capitão Aristides Augusto Cezar Pires.


Apenas outro civil comandou a PM. O fato aconteceu na década de 1950, escolhido pelo governador Gilberto Mestrinho (1959-1962). Falo de Francisco de Assis Albuquerque Peixoto, graduado coronel para o cargo que exerceu de março 1959 a abril 1962. Assis Peixoto era graduado pela Faculdade de Direito do Amazonas e, quando requisitado pelo governo, exercia a advocacia. Apesar de pouca habilidade com as normas militares, realizou excelente trabalho administrativo, renovando o aquartelamento. O serviço do rancho passou a utilizar o fogão à gás em substituição ao de lenha, que era colhida pelos praças no distante Tarumã.


1958 – Ocorre a instalação do Banco do Estado do Amazonas (BEA), na avenida Sete de Setembro, no edifício onde por décadas funcionou o Diário Oficial, ao fundo da Biblioteca Pública. Embora tivesse sido criado (Lei nº 92/1956) e fundado pelo governador Plínio Coelho, em 6 de abril de 1957, coube ao seu sucessor, Gilberto Mestrinho, efetuar a instalação. Tanta demora se deveu a espera pela autorização da Superintendência da Moeda e do Crédito (Sumoc), órgão do Banco do Brasil.

A primeira diretoria estava composta de Jacob Sabbá, Samuel Benchimol, José Ribeiro Soares e Jorge Assad Aucar.
Fotos de O Amazonas em três momentos, de Etelvina Garcia, 2010.  


2005 – O escritor Demosthenes Ribeiro Carminé assume a Cadeira 17, de Francisco de Castro, na Academia Amazonense de Letras. O discurso de recepção foi proferido pelo acadêmico Armando Andrade de Menezes.