CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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domingo, janeiro 05, 2020

ÀS COMPRAS COM NOVOS CARTÕES

Aproveitei o domingo para estrear os "novos" cartões, com as novas regras de cobrança. Não houve quem aceitasse...



terça-feira, dezembro 17, 2019

BEA: BANCO DO ESTADO DO AMAZONAS


O BEA (Banco do Estado do Amazonas) desapareceu no início deste século, quando foi incorporado pelo Bradesco. Todavia, cumpriu sua destinação ao tempo que os Estados possuíam sua Casa Bancária, pouquíssimos ainda a mantém. Voltando ao BEA. Ele chegou distante, tanto que fundou uma agência no então estado da Guanabara, em nossos dias Rio de Janeiro.
Quem nos oferece um descorado registro desse avanço é Armando Segadilha, de certo um funcionário do banco. Em texto publicado no Jornal do Commercio (9 novembro 1969). 
Recorte do mencionado jornal
Não é possível negar a feliz iniciativa do nosso Governo, criando aqui na Guanabara uma filial do Banco do Estado do Amazonas. Entidade creditícia que em pouco tempo já está com sua condição firmada em todos os setores deste Estado, pelo acerto, zelo e probidade dos seus dirigentes, tendo à frente o senhor Raimundo Carvalho de Viveiros, gerente, Otaviano Gonçalves Cardoso Neto, subgerente, Cesar Gondim Pereira, tesoureiro, Maria do Perpétuo Socorro Freire Cardoso, chefe de Serviço, Marcondes da Silva Zany, subchefe de Serviço, e todos os demais funcionários, que com dedicação e fidalguia de trato atendem todos quantos necessitam dos serviços do nosso Banco.
Verificar a plenitude do progresso do Banco do Estado do Amazonas na Guanabara, onde proliferam bancos de todos os Estados do Brasil e porque não dizer do Mundo inteiro, é ter a afirmação da segurança e equilíbrio nas operações efetuadas, cujo lema é: atender bem para bem servir. A expansão do movimento bancário é a prova provada, da confiança que o povo já adquiriu com a lisura e idoneidade de suas transações.
E mais ainda, a agência do Banco do Estado do Amazonas na Guanabara, como atestado positivo da sua grande atuação, conseguiu nos Estados Unidos da América, com banqueiros alemães, um empréstimo de Dez Milhões de Dólares, a fim de que o DERAM [Departamento de Estradas de Rodagem do Amazonas] possa dar execução aos seus programas rodoviários, concretizando as metas traçadas, que se transformarão em realidade para benefício geral de todo o gigante Amazonas.
Parabéns ao Governo do Amazonas, à direção e demais funcionários da nossa Agência no Estado da Guanabara. 
Rio de Janeiro, 5 de novembro de 1969

terça-feira, setembro 03, 2019

DANILO'S NIGHT CLUB

Há cerca de dois anos, escrevendo sobre minha experiência com os médicos oftalmologistas, não encontrei na memória o nome de um night club, de minha prioridade. Todavia, que relação houve entre esses pontos tão diversos? Explico: descobri minha grave deficiência ocular tardiamente, por isso, uso óculos de forma contínua.
Jornal do Commercio, 17 agosto 1970
Aqui entra a diversão noturna que, na década de 1970 e seguinte, quando eu era assíduo frequentador da boate Danilo´s, situada na rua Silva Ramos, em frente ao edifício da direção-geral do BEA (Banco do Estado do Amazonas), ora Bradesco, nela me aconteceu um “acidente”.

A dança havia evoluído, apartando os casais; a música mais eclética, revelação de novos roqueiros, obrigava a exercitação de braços e pernas, cada dançarino ao seu estilo. Para cumprir esse ritual, e porque dançava mal, eu retirava os óculos e os metia na camisa enfiada “por dentro”, na expressão de então, da calça.
Certa madrugada, ao final do “embalo de sábado à noite”, passo a mão pela camisa em busca dos óculos, cadê o “para-brisas”? A camisa aberta por fora da calça prenunciava o desastre: as lentes caíram ao chão e foram moídas por sapatos bem polidos. Ainda tive o desplante de procurá-lo.

Esse causo voltou-me à lembrança ao catar esse recorte no Jornal do Commercio (17 de agosto de 1970), às vésperas do cinquentenário... Faz tempo, capitão Danilo’s, assim eu fui alcunhado. 
 
Jornal do Commercio, 17 agosto 1970
Já vão longe os tempos das carruagens, quando era chique desfilar pelas ruas de Manaus, num carro puxado a cavalo, com um cocheiro devidamente uniformizado. Também do passado, embora um pouco recente, os bondes da antiga Manáos Tramways, quando os casais, românticos ou não, no fim da tarde ou nas noites de calor, davam suas voltas pelas ruas da Manaus.
O tempo, na sua marcha destruidora e construtiva, deixou lembranças para nossos avós e pais, que ainda se recordam dos tempos das carruagens e dos bondes. Três décadas depois, Manaus tomou roupagem nova. Principalmente a partir do final da década dos 60. Hoje, cerca de 15 mil veículos, entre automóveis, motocicletas, lambretas etc., deixam perturbados os sonos provincianos, ainda não acostumados ou resistindo a aceitar uma nova Manaus: trepidante, agitada, com gente diferente, falando uma linguagem também diferente e com roupas tidas esquisitas.Se Manaus mudou durante o dia, também a vida noturna assumiu novas dimensões, com o surgimento de novas casas de diversão, inteiramente contidas no contexto do embalo “kente” e ao gosto da época agressiva e violenta que vivemos: com guerrilhas urbanas e suburbanas, sequestros nos céus e na terra, assaltos em bancos e nos bolsos populares. 
Manaus-70 é assim: com minissaia, máxi e mídi, não querendo ficar enquadrada e nem pra trás. É uma cidade pra frente, atualizada na moda e no papo, com gente querendo mais gente, porque no fim das contas o que falta na Amazônia é gente mesmo.
Manaus-70. Madrugada quente ou fria. Com boates e inferninhos. Mocidade agitada e estudiosa. Conflitos de gerações e entrechoques preconceitos.
Manaus-70 é tudo isto e mais. “Danilo’s”, o night club das noites embaladas e uma imagem bonita e expressiva da Manaus moderna e sem provincianismo e preconceitos desusados. Pra frente, Manaus!'

sábado, maio 11, 2019

NOVEMBRO DE 1963


A Gazeta, 9 novembro
O jornal A Gazeta do período despertou-me algumas reminiscências: uma, a construção do edifício Lobras, no cruzamento das avenidas Sete de Setembro com Eduardo Ribeiro. A edificação empolgava, fora construída segundo as normas da ocasião (se é que existiam normas ou fossem satisfeitas). Nele funcionou no mezanino uma lanchonete top, onde a turma pegava uma “merenda” habitual: sanduíche de queijo coalho e guaraná.
Dez anos depois, quando o Estado encampou o serviço de extinção de incêndios, o Corpo de Bombeiros vistoriou o prédio, estava eu presente como subcomandante desta corporação. A decepção foi grande, pois, internamente era um desastre. Escadas, corredores estreitos, e a ausência de recursos contra o fogo.
Estou certo de que foi melhorado, não apenas a fachada. Em nossos dias abriga, no térreo, a conhecida loja Marisa – de artigos femininos. Compartilho a legenda da foto:

O GIGANTE DA AVENIDA 
A loja surgiu bem modesta, como disciplinava o figurino da época. Vaio como loja do “nada além”, com título bem provinciano de “4.900” (sic), ou o “Bazar das Novidades”. Instalou-se ali onde depois foi a Rianil, a Sul América construiu prédio novo, e o Banco do Brasil se encontra, agora, num provisório sem duração conhecida: na avenida Sete com a Praça 15.
Acompanhou o crescimento da cidade, participou de seus maus momentos. Foi feliz. Progrediu. Hoje está fazendo prédio novo, num dos pontos mais bonitos da cidade. Vai perdendo aos poucos o nome de “4.400”. Arranjou título pomposo de “Lojas Brasileiras de Preço Limitado”. Pelo tamanho do edifício, imagina-se o limite da loja. De preço, nada sabemos.
 
A Gazeta, 11 novembro

A segunda recordação – o governador era Plínio Ramos Coelho (1920-2001), empossado em janeiro daquele ano. Não completou, porém, seu segundo mandato, pois foi atingido por ato do Governo Militar, em junho de 1964. 


A Gazeta, 26 setembro
A terceira, no primeiro exercício governamental (1955-59), Plínio Coelho criou o Banco do Estado do Amazonas (BEA). A fundação desta empresa bancária ocorreu em dezembro de 1956, ocupando o prédio localizado à avenida Sete de Setembro, aos fundos da Biblioteca Pública. Este imóvel já servira à fundação da Imprensa Oficial (1893).  Hoje, no local, bastante modificada funciona uma agência do Bradesco, que incorporou o BEA, em janeiro de 2002. 
O anúncio do BEA foi produzido pela Realart.

terça-feira, maio 18, 2010

MEMORIAL AMAZONENSE (XXI)

Maio, 19


1880 – Assume o comando da Guarda Policial do Amazonas(hoje Polícia Militar), João José de Aguiar. Embora fosse civil, foi comissionado no posto de major. Assim, pois, constitui o primeiro paisano a exercer o mencionado cargo. A se julgar pelo lapso de tempo exercido, apenas 67 dias!, parece ter sido uma calamidade. Outra explicação para o desastre oferece o presidente da Província, Sátiro de Oliveira Dias, que preferiu aproveitar o capitão Aristides Augusto Cezar Pires.


Apenas outro civil comandou a PM. O fato aconteceu na década de 1950, escolhido pelo governador Gilberto Mestrinho (1959-1962). Falo de Francisco de Assis Albuquerque Peixoto, graduado coronel para o cargo que exerceu de março 1959 a abril 1962. Assis Peixoto era graduado pela Faculdade de Direito do Amazonas e, quando requisitado pelo governo, exercia a advocacia. Apesar de pouca habilidade com as normas militares, realizou excelente trabalho administrativo, renovando o aquartelamento. O serviço do rancho passou a utilizar o fogão à gás em substituição ao de lenha, que era colhida pelos praças no distante Tarumã.


1958 – Ocorre a instalação do Banco do Estado do Amazonas (BEA), na avenida Sete de Setembro, no edifício onde por décadas funcionou o Diário Oficial, ao fundo da Biblioteca Pública. Embora tivesse sido criado (Lei nº 92/1956) e fundado pelo governador Plínio Coelho, em 6 de abril de 1957, coube ao seu sucessor, Gilberto Mestrinho, efetuar a instalação. Tanta demora se deveu a espera pela autorização da Superintendência da Moeda e do Crédito (Sumoc), órgão do Banco do Brasil.

A primeira diretoria estava composta de Jacob Sabbá, Samuel Benchimol, José Ribeiro Soares e Jorge Assad Aucar.
Fotos de O Amazonas em três momentos, de Etelvina Garcia, 2010.  


2005 – O escritor Demosthenes Ribeiro Carminé assume a Cadeira 17, de Francisco de Castro, na Academia Amazonense de Letras. O discurso de recepção foi proferido pelo acadêmico Armando Andrade de Menezes.