CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

Mostrando postagens com marcador Flavio Rebello. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Flavio Rebello. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, novembro 07, 2019

POSSE DO QUARTEL EM PETRÓPOLIS



Agora, abrigando o comando-geral da Polícia Militar do Amazonas e outros tantos departamentos e diretorias, este quartel foi ocupado em 7 de novembro de 1971. São passados 38 anos, desde que o saudoso tenente-coronel Flavio Augusto Rebello e o major Mael Rodrigues de Sá, comandante e subcomandante, pela ordem, do 1º Batalhão de Polícia Militar (BPM), desembarcaram naquele bairro.

Na reserva, coronel Flavio
Aquela OPM possuía cerca de trezentos homens, portanto, era um diminuto efetivo para tão enorme edificação. Viaturas reduzidas, com destaque para o caminhão de transporte de tropa, apelidado de “espinha de peixe”, devido sua extravagante construção.
O bairro sem estrutura, apenas uma linha de ônibus para atender a população e os bravos policiais. A comunicação era realizada por telefone fixo e um primitivo rádio Motorola.

Havia espaço para tudo, inclusive o campo de futebol, ainda agora utilizado, bem elástico. E foram se chegando as Unidades criadas à época, lembro da Companhia de Guardas, do Centro de Formação de Praças, Banda de Música, mais adiante, o Canil. Até que ocorreu a transferência do Comando-Geral para o local que lhe havia sido destinado. Aconteceu em 2002, porém, não se encontra bem instalado, pois a quantidade de “penduricalhos” lhe tira o brilho e a dignidade.

Enfim, esta obra saiu da prancheta do arquiteto Severiano Mário Porto.


domingo, março 31, 2019

PMAM: HÁ 50 ANOS

Ao tempo, em 1969, a força policial era conhecida por Polícia Militar do Estado do Amazonas (PMEA) e estava subordinada à secretaria do Interior e Justiça. Não havia, pois, a secretaria de Segurança, e o efetivo desta corporação ainda não alcançara o milésimo homem (sim, a Polícia Feminina ainda estava em planejamento).

Era governador do Estado, Danilo Areosa, e comandante-geral, coronel Maury Silva.

Flavio Augusto Rebello
A postagem é uma transcrição de uma coluna sobre militares, circulada aos domingos em O Jornal, esta de 12 de outubro de 1969. Nela se observa a promoção do primeiro coronel na ativa, até então, este posto estava reservado para o pessoal inativo. O saudoso coronel Neper da Silveira Alencar, muitíssimo conhecido na cidade foi o contemplado, era o mais antigo. Outro detalhe: o saudoso colega Aurefredo pousuía um nome fora do comum, quase sempre era registrado como "Alfredo", como aconteceu nesta publicação.

Recorte do mencionado jornal

PROMOÇÕES NA PMEA:

Na Pasta da Justiça, o governador Danilo Areosa assinou as promoções que se seguem, na Polícia Militar do Estado: por antiguidade — ao posto de 1º tenente, os 2° tenentes Odorico Alfaia Filho e Alfredo Assante Dias; ao posto de capitão, os 1º tenentes Manoel Roberto Lima Mendonça e Odacy de Lima Okada; ao posto de major, os capitães Pedro Câmara e Hilário Motta Ardaya (intendente) e ao posto de tenente-coronel o major Flávio Augusto da Silva Rebello.
Pedro Câmara

Por merecimento, ao posto de 1° tenente, os 2º tenentes Alfredo (sic) Melo de Souza, Fausto Sefair Ventura e Romeu Pimenta de Medeiros Filho; ao posto de capitão, os 1º tenentes Osório Fonseca Neto e Ruy Freire de Carvalho; ao posto de major, o capitão Laurindo Lopes de Souza e ao posto de coronel, o tenente-coronel Neper da Silveira Alencar.


Também na pasta do Interior e Justiça o governador Danilo Areosa assinou decretos exonerando Guilherme Teixeira de Moraes, 3º sargento reformado da PME, do cargo, em comissão, de delegado-geral de Polícia do município do Juruá e nomeando para o referido cargo Nazareno Alves da Costa, inspetor do DESP. 


sexta-feira, julho 06, 2018

CORONEL PM FLÁVIO REBELLO (1936-2018)

Coronel Flávio Rebello
O velho coronel vinha travando uma luta desigual para manter a saúde, porém, ontem não resistiu. Encerrou o bom combate. Hoje os familiares, os amigos e os companheiros de farda estiveram presentes para as despedidas. Neste dia, marcado pelo futebol mundial, em que o Brasil decide sua progressão. Por isso, o sepultamento ficou para depois da partida, e, como o esquife estava marcado pela bandeira da “Estrela Solitária”, registro que o futebol nacional foi derrotado.
Já escrevi alguns posts sobre o coronel Flavio, estando espalhados neste Blog. Entretanto, vou expandir as anotações, as de motu proprio, e para atender uma solicitação de seu sobrinho, o amigo coronel PM Eber Rebello.

Flávio Augusto da Silva Rebello nasceu em Manaus, em 25 de janeiro de 1936, ao falecer, ontem, era o oficial mais idoso da corporação. Sua vida profissional começou no Rio de Janeiro, em 1957, onde concluiu o curso de infantaria do Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR), da 1ª RM/RJ. O estágio obrigatório foi realizado no 17º Regimento de Infantaria, em Cruz Alta (RS). Tão pronto regressou à Manaus, foi incluído na Polícia Militar do Estado, no posto de 2º tenente, em 19 de outubro de 1960. Em decisão do governador do Estado, o professor Gilberto Mestrinho (1959-1963), e apoio do comandante da PMAM, o coronel Assis Peixoto. 

Em outubro de 1965 alcançou o posto de capitão, passando a exercer atividades de direção e controle do trânsito da Capital, com tal intensidade que sobreveio-lhe o codinome de “capitão seta”. Na ocasião, essa repartição ocupava um prédio fronteiro ao Quartel da Praça da Polícia, na rua José Paranaguá com avenida Floriano Peixoto. Somente para os mais jovens: transferido o Departamento de Trânsito (Detran) para outra sede, ali funcionou uma agência do BEA e hoje pertence a uma empresa de importação.
Outro detalhe de sua funcionalidade, ao tempo em que o Dr. Assis Peixoto governou o então Território Federal de Roraima (1963), Rebello, ainda tenente, integrou esse governo.

Os cursos exigidos pela caserna foram realizados todos no estado da Guanabara, ora Rio de Janeiro. Dessa maneira: na Polícia Militar, concluiu os Cursos de Aperfeiçoamento de Oficiais e o Superior de Polícia (1967), e, no Exército, o de Técnica de Ensino (1969).
Alcançou, então, o posto de tenente-coronel em setembro de 1969, coincidindo com uma reorganização no comando da Polícia Militar, por determinação da IGPM (Inspetoria-Geral das Polícias Militares), a criação da chefia do Estado-Maior. Esta função foi exercida por ele em duas oportunidades: em 1970, em substituição ao coronel Neper Alencar e, entre 1973-76, quando foi promovido ao último posto.
  
Quartel em Petrópolis, 1975
Não obstante, o nome deste oficial encontra-se enraizado, fundamentado na história do 1º Batalhão de Polícia Militar (BPM). Não apenas pela primazia de ter sido o primeiro comandante (1971-73), mas pelo judicioso cumprimento da missão de estabelecer o “Batalhão Amazonas” no quartel do distante bairro de Petrópolis, em instalação. Foi esta OPM que inaugurou aquele próprio estadual em 7 de novembro de 1971.
A idealização do complexo policial pertence à genialidade de Severiano Porto, construído para abrigar o efetivo da PMAM, então concentrado na Praça da Polícia. Próximo de celebrar o cinquentenário, o edifício apresenta-se muito, muito desfigurado, em parte pela transferência do Comando-Geral e outros organismos policiais, e de vários efetivos.
A decisão do coronel Paulo Figueiredo, então comandante-geral, de deslocar apenas o 1º Batalhão para aquele quartel, deu início à expansão da Polícia Militar. Assim, pode-se afirmar que a presença do batalhão no bairro de Petrópolis possui relevantes valores, a cada ano mais elevados.
Teve o mérito inquestionável de sobreviver num quartel digno pela arquitetura, porém cercado de vielas mal cuidadas, com pouco transporte e nenhuma comunicação, sequer telefone. Tudo isso mudou, hoje o bairro apresenta-se urbanizado e devidamente ocupado.
O velório do coronel Flávio Rebello foi realizado na funerária Almir Neves, da avenida Joaquim Nabuco. O sepultamento ocorreu no cemitério São João Batista. RIP

domingo, janeiro 28, 2018

OFICIAIS DA PMAM

Almoço dos "cardeais" Alfaia, Nogueira e Orleilson, a partir da esquerda


Governado Henoch Reis em festa natalina, no Rio Negro Clube,
vendo-se Claumendes, Homero e Assante - 1974

Mesma festa natalina, Romeu Medeiros (esq.) e Odorico Alfaia

Tenente Antonia Arlene, comandante da Polícia Feminina - 1982

Copiada do Jornal do Commercio, setembro 1972

sexta-feira, janeiro 19, 2018

PMAM NA IMPRENSA

Coronel Flavio Rebello,
ex-chefe do EMG
Durante anos, o matutino A Crítica, na edição dominical, publicava uma coluna com notícias das Forças Armadas e da Polícia Militar do Estado (o Corpo de Bombeiros integrava a PMAM). O responsável pela redação era o jornalista Rubilar Santos que, na condição de fotógrafo, era empregado na Assembleia Legislativa e cuidava no periódico do arquivo das imagens. Há pouco deixou o jornal, todavia continua na Assembleia.
Oriundo de Belém do Pará, aqui chegou após concluir lá o CPOR e vir prestar o estágio em Manaus. Ingressando na redação do Calderaro, construiu farta amizade com oficiais da PMAM, por isso, sua capacidade em obter informações autênticas. Também desfrutei da amizade do Rubilar, quando pude vasculhar o arquivo do mencionado jornal.
Esta postagem compartilha a edição de 4 de julho de 1976. 



ASSESSOR POLICIAL
Por Decreto Governamental de 11 de junho de 1976, o Exmo. Sr. Governador do Estado do Amazonas colocou à disposição da Secretaria de Estado de Segurança Pública, como Assessor Policial, o coronel PM Flávio Augusto da Silva Rebello (foto), que exercia na Polícia Militar as funções de Chefe do Estado-Maior Geral.

CHEFE DO ESTADO-MAIOR
Por ato do Sr. Comandante-Geral da PMAM, foi nomeado para as funções de Chefe do Estado-Maior Geral da Corporação o tenente-coronel PM Hélcio Rodrigues Motta, que comandava o 1º BPM. O TC PM Hélcio possui os seguintes cursos: Escola de Formação de Oficiais e Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais, na Polícia Militar da Guanabara; Curso Superior de Polícia, na Academia de Polícia Federal, em Brasília; Estágio de Informações, no Centro de Estudos de Pessoal do Exército. É acadêmico do Curso de Estudos Sociais.

COMANDANTE DO 1º BPM
Major PM Mael Rodrigues de Sá passa a responder pelo comando do 1º BPM. O major PM Sá possui os seguintes cursos: Curso de Preparação de Oficiais da Reserva do Exército, NPOR/66; Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais na Academia de Polícia Militar-SP; de Guerra na Selva, no COSAC. Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito da UA.

CLUBE DOS OFICIAIS
Clube dos Oficiais da Policia Militar ofereceu ontem um churrasco regado a Chopp da Brahma, aos seus associados, em sua sede no Aleixo. É a nova diretoria do COPMAM que, com a colaboração de todos os oficiais da PMAM, está impulsionando o Clube, a fim de proporcionar a todos mais uma opção para o sadio entretenimento e lazer.

CENTENÁRIO
Corpo de Bombeiros da PMAM comemorará no próximo dia 11 de julho, 100 anos de atividade em prol do Amazonas. O major PM Ilmar [dos Santos Faria], comandante do CB, já está distribuindo a programação, que está de fato compatível com a grandiosidade da data.

DIA DO BOMBEIRO
Corpo de Bombeiros da PMAM comemorou com bastante simplicidade o Dia Nacional do Bombeiro, com formatura geral e leitura da Ordem do Dia do comandante do Corpo. A solenidade foi presidida pelo Sr. Comandante-Geral da PM, coronel Mário Perelló Ossuosky.

SOLDADOS
Em solenidade realizada no Quartel do 1º BPM, na última terça-feira, onde aquela tradicional OPM da PMAM, entregou a coletividade mais 121 soldados PM. Da programação constou — Formatura Geral, competições esportivas, churrasco de congraçamento e, à noite, foi oferecido um Baile aos familiares dos novos PM, no salão de baile do 1º BPM.

JOGOS UNIVERSITÁRIOS

O aspirante a oficial Ary [Renato] do Comando Geral estará seguindo junto com a Delegação Universitária Amazonense, a fim de disputar os Jogos Universitários que se realizarão, de 17 a 29 do corrente, em Belo Horizonte.

terça-feira, setembro 15, 2015

NOTAS PARA A HISTÓRIA DA PMAM


Na Semana da Pátria de 1970, o governador do Estado, Danilo Areosa, inaugurou um pavilhão do futuro quartel da Polícia Militar do Amazonas (PMAM). O projeto de Severiano Mário Porto destinava-se a aquartelar o efetivo da PMAM, que se premia no quartel da Praça da Polícia. Ou seja, ali no bairro de Petrópolis, o governo construía o quartel do Comando Geral.

Tal não aconteceu, pois, no ano seguinte, apenas o 1º Batalhão de Polícia Militar, sob o comando do então tenente-coronel Flávio Rebello, ocupou aquele imenso quartel. Devido a sua ampla estrutura, abrigou várias unidades menores.

O comando-geral da Força Estadual somente transferiu-se para aquele endereço mais de 30 anos depois. Em 2002. Lastimável que tenha conduzido diversas organizações para suas dependências, tornando o espaço acanhado e disputado pelos ocupantes.
Recorte do Jornal do Commercio, 6 set. 1970

Governo inaugura quartel da PME

O dia de ontem foi duplamente festivo para a Polícia Militar do Amazonas. Foram inauguradas as instalações de seu Centro de Instrução e Treinamento e o seu novo quartel general em Petrópolis. Na oportunidade também várias personalidades foram agraciadas com as medalhas Tiradentes e Cidade de Manaus.

O Governador passou revista às tropas no novo Centro de Instrução, na rua Dr. Machado, ao lado [ao fundo] da Maternidade Ana Nery, e deu por inauguradas as novas instalações, havendo em seguida uma demonstração das práticas desportivas daquela agremiação, com ênfase em judô, que agradou a grande maioria dos presentes.

Pouco depois, se fez a entrega das medalhas aos cidadãos que com elas foram distinguidos pelo Governo do Estado.


Condecorações
As medalhas entregues foram de dois tipos. Primeira, a medalha Cidade de Manaus, que se destina a cidadãos cuja atuação em quaisquer dos setores da vida humana tenham se destacado na cidade de Manaus. A outra condecoração se destina a personalidades que, com sua atuação, tenham contribuído com relevantes serviços com a Polícia Militar do Amazonas.

Com a Medalha Cidade de Manaus foram agraciados os senhores Érico de Carvalho, presidente da [extinta] Varig; Jorge Augusto de Souza Baird; Francisco Monteiro de Paula [secretário de Fazenda]; Aderson Dutra, Stepheson Vieira Medeiros e Agesilau Araújo. Todas foram entregues pelo governador do Estado.

Já os que receberam a medalha Tiradentes tiveram paraninfo individual. Os agraciados foram: Paulo Pinto Nery – paraninfo Amaury Silva; Mário Jorge Fonseca Hermes [capitão dos Portos] – paraninfo cel. Arídio Brasil; Paulo Figueiredo de Andrade Oliveira [tenente-coronel comandante do 1º BIS] – paraninfo José Lopes; cel. Jorge Teixeira [diretor do Colégio Militar de Manaus] – paraninfo Deputado Miranda Leão; Alberto Rocha – paraninfo governador Danilo Areosa.

Terminada a aposição das condecorações, os presentes se dirigiram às novas instalações da PM, no bairro de Petrópolis.

O governador inaugurou o pavilhão lá existente e prometeu que entregaria em dezembro os outros quatro pavilhões que formarão o Quartel General da Polícia Militar do Amazonas. O pavilhão tem linhas discretas, modernas, e foi feito para alojar 150 homens.

Depois dos discursos de praxe foi servido um coquetel aos presentes.


(*) Jornal do Commercio, 6 de setembro de 1970

segunda-feira, novembro 07, 2011

1º BATALHÃO, EM PETRÓPOLIS: 40 ANOS (2/4)


Quartel do 1º Batalhão, Petrópolis, 1975
Desde 8 de novembro de 1971, a Polícia Militar do Amazonas encontra-se no bairro de Petrópolis, com o aquartelamento do 1º Batalhão de Polícia Militar (BPM). Nessa data, esta unidade, com o efetivo de aproximadamente 400 homens (as mulheres somente ingressariam na PM em 1980), ocupou o enorme quartel destinado a abrigar todo o efetivo desta corporação.


Eram três enormes prédios (para a época), o do comando, com tantas e um enorme corredor, que mais parecia um hotel ou hospital, e mais dois para as companhias, sem esquecer o corpo da guarda, onde se encontrava o famigerado xadrez. Todos eles dispondo de venezianas de madeira; armários de madeira nos alojamentos; travessas adequadas a armação de redes, isso mesmo, com essas medidas Dr. Severiano Porto pensava em arejar os espaços. Hoje, as venezianas quase desapareceram, pois a refrigeração do ambiente obrigou a substituição.
Coronel Flávio Augusto
Ainda existe a caixa elevada e a cisterna, que supriam a deficiência do abastecimento de água na cidade. Somente muito depois, foi construído um galpão, que se transformou em garagem e serve em nossos dias para outros fins. Não posso esquecer a quadra esportiva, onde muito futebol-de-salão foi disputado, nem semi-oficial campo de futebol, onde por ocasião das olimpíadas policiais as disputas ferviam.  


Coube ao tenente-coronel Flávio Augusto da Silva Rebello, comandante do batalhão desde abril, efetuar a transferência. Dois outros auxiliares do coronel Flavio são aqui lembrados: major Manoel Gouveia dos Santos Freire e o capitão Mael Rodrigues de Sá, coincidência, estes dois eram conhecidos pelo último sobrenome.
Na manhã dessa data, no quartel da praça da Polícia, o batalhão tomou seu escasso mobiliário, enfiou-o em um caminhão e fez a mudança. Desembarcou, então, no outro lado da cidade, para encontrar unicamente a edificação, não havia telefone (a comunicação era feita pelo rádio), pouco transporte, mas muita determinação em superar os embaraços.

Tenentes-Coronéis
Helcio Motta e
Lustosa, e major Freire
(a partir da esq.)

Dois anos depois, em fevereiro, assumia o comando da organização, o tenente-coronel Hélcio Rodrigues Motta (1973-1976), nele permanecendo por três anos. Coronel Hélcio, oficial graduado na escola da PM da Guanabara, soube conduzir, ainda que com sua conversa algumas vezes prolixa, a tropa. Conseguiu superar alguns entraves, tanto os policiais como os da administração municipal. Enfim, como se diz na caserna, assentou alguns tijolos na construção do batalhão.

Foi para esse comando que, em 1974, eu fui transferido. Ainda major, prestei os encargos próprios do meu posto, ali permanecendo até 1977, quando fui designado para o comando da Rádio Patrulha, então ocupando o aquartelamento da rua Dr. Machado, atrás da Maternidade Ana Nery, agora Balbina Mestrinho.
As aperturas que o batalhão enfrentava eram desafiadoras, por isso, atraía poucos militares para o serviço de policiamento da cidade, que lhe cabia. Assim, era considerado um local de “castigo”. Os faltosos, os transgressores da disciplina eram comumente transferidos para aquela unidade. Foi o que aconteceu comigo, ao fracassar no comando do Corpo de Bombeiros.


Quadra de esportes em funcionamento (acima) e os
soldados-especialistas na ampliação do quartel, no
comando do coronel Lustosa (abaixo)
Em 1976 (29 jun.), assume o comando do 1º BPM o tenente-coronel Pedro Rodrigues Lustosa, no dia de São Pedro e de seu natalício. Na direção, permaneceu por três anos. Conhecido por sua disciplina e organização, além de sua paixão pelo São Raimundo EC, do qual foi jogador e treinador, coronel Lustosa renovou o aquartelamento e enquadrou no melhor sentido os policiais do 1º BPM. (segue)
 

segunda-feira, julho 05, 2010

POLÍCIA MILITAR DO AMAZONAS (XVI)

  • 1º Batalhão de Polícia Militar – 1º BPM
“Batalhão Amazonas”
Quartel do 1º BPM, 1975

O 1º Batalhão de Polícia Militar, criado em 1965, desapareceu em 2008, levado pela evolução do tipo e a disposição tática de dispositivos de policiamento.


Um detalhe precisa ser esclarecido. Quando da campanha de Canudos, o Amazonas remeteu contra os conselheiristas o 1º Batalhão de Infantaria do Regimento Militar. Regimento era a denominação da Polícia Militar, porque obedecia a estrutura da Força Terrestre.
Com o declínio da borracha, que levou o Estado à quase falência, a Polícia acompanhou. De Regimento foi reduzido a Batalhão e, com o passar dos anos, modificou-se de tal ordem que, na metade do século passado, era um agrupamento de policiais.

Quartel do 1º BPM, 1975
O governador Arthur Reis (1964-67) deu partida a renovação da Polícia Militar. Em 3 de maio de 1965, aniversário da PMAM, denominou ao efetivo desta, com aproximadamente 300 policiais, de Batalhão Amazonas. Em 1970, foi criado o 2º BPM, com a denominação de Cândido Mariano. Em decorrência deste ato, o Batalhão Amazonas passou a ser o Primeiro.
Assim, pois, não há relação entre os mencionados batalhões. O 1º de infantaria, que combateu em Canudos, desapareceu na década de 1910, e o 1º de polícia, estabelecido em Petrópolis, prosperou até 2008.


Pequena memória do seu primeiro comandante.

Coronel Flavio, 2010
Flávio Augusto da Silva Rebello nasceu em Manaus, em 25 jan. 1936. No Rio de Janeiro concluiu o curso de infantaria do Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR), da 1ª RM/RJ. Após o estágio no 17º RI, em Cruz Alta (RS), e, regressando a Manaus, foi incluído na PMAM em 19 out. 1960, no governo de Gilberto Mestrinho (1959-1963), e do comandante da PMAM, coronel Assis Peixoto.

Durante anos, esteve em atividades de direção e controle do trânsito da Capital, quando essa repartição ocupava o prédio fronteiro ao Quartel da Praça da Polícia, na rua José Paranaguá. Transferido o Departamento de Trânsito (Detran) para a atual sede, ali funcionou uma agência do BEA e hoje pertence a uma empresa de importação. Rebello, ao tempo em que Assis Peixoto governou o então Território Federal de Roraima (1963), participou desse governo.


Coronel Flavio encontra-se enraizado, fundamentado na história do 1º Batalhão de Polícia Militar (BPM). Não apenas pela primazia de ter sido seu primeiro comandante, mas pelo grave cumprimento da missão de estabelecer o “Batalhão Amazonas”, no quartel de Petrópolis. Unidade que ali desembarcou em 7 novembro 1971, e acolá permaneceu por mais de tres décadas.


É conhecida a destinação deste aquartelamento, que foi construído para abrigar o efetivo da PMAM, então concentrado na Praça da Polícia. A idealização do complexo policial pertence à genialidade de Severiano Porto. Em nossos dias, muito, muito desfigurado. No entanto, a decisão do coronel Paulo Figueiredo, então comandante geral, de deslocar apenas o 1º Batalhão para aquele quartel, deu início à expansão da Polícia Militar.

A presença do batalhão no bairro de Petrópolis possui alguns valores. O próprio ofício policial e, mais, o mérito inquestionável de sobreviver em um quartel digno pela arquitetura, mas cercado por vielas mal cuidadas, com pouco transporte e nenhuma comunicação, sequer telefone. Tudo isso mudou, hoje o bairro apresenta-se urbanizado e devidamente ocupado.
E o quartel acolhe o comando geral da corporação.


O coronel Flavio Rebello, antes de passar a reserva, exerceu a chefia do Estado Maior, em duas ocasiões. Hoje, cuida com devoção dos netos e bisnetos.

Comandantes desta unidade policial até o ano 2000
tenente-coronel Flávio Augusto da Silva Rebello 20/04/1971
tenente-coronel Helcio Rodrigues Motta 05/02/1973
tenente-coronel Pedro Rodrigues Lustosa (foto)29/06/1976
tenente-coronel Amilcar da Silva Ferreira 06/03/1979
tenente-coronel Ruy Freire de Carvalho 06/04/1981
tenente-coronel Ilmar dos Santos Faria 20/10/1982
tenente-coronel Mael Rodrigues de Sá 24/06/1983
tenente-coronel Edson de Lima Matias 31/01/1984
tenente-coronel Fausto Seffair Ventura 24/02/1984
tenente-coronel Alfredo Assante Dias 01/07/1984
tenente-coronel Edval Correa da Fonseca 14/02/1985
tenente-coronel Odorico Alfaia Filho 01/07/1985
tenente-coronel Antônio Ferreira Lima 20/02/1986
tenente-coronel Edmilson da Silva Nascimento 24/04/1986
tenente-coronel Edson de Lima Matias 14/04/1987
tenente-coronel Raimundo Carlos Daniel Mar 17/03/1988
tenente-coronel José Cabral Jafra 19/01/1990
major Moacir da Fonseca Carioca 22/06/1990
tenente-coronel Antônio Ferreira Lima 14/01/1991
tenente-coronel Antônio Alfredo Rego da Matta 16/07/1991
tenente-coronel Raimundo Pereira da Encarnação 06/02/1992
tenente-coronel Roosevelt Jobim 27/10/1992
tenente-coronel Luís Gonzaga Rodrigues Oliveira 03/02/1994
tenente-coronel Nestor Arnaud Rodrigues 10/01/1995
tenente-coronel Alcy Costa Sampaio 09/06/1995
tenente-coronel Adson José Costa Silva 05/02/1996
tenente-coronel Mário Cauper Monteiro 02/10/1996
tenente-coronel Fernando Antônio Andrade de Oliveira 14/04/1997
major Wilson Martins de Araújo 10/10/1997
tenente-coronel James Pedrosa Castelo Branco 16/12/1997
tenente-coronel José Alves de Lima 05/01/1999
major José de Arimatheia Moura e Silva 08/03/1999
major Julio César Lemos de Almeida 14/10/1999
major Elielcio George Catete Chaves (Interino)
tenente-coronel João de Souza Pessoa 18/05/2000