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sexta-feira, setembro 11, 2026

CORONEL PM ILMAR FARIA (1946-1999)

 Ao vasculhar os periódicos na Biblioteca Pública local, identifiquei duas postagens sobre meu saudoso colega da Polícia Militar do Estado. Chegamos juntos; Ilmar rapidamente se sobressaiu por sua atuação junto às autoridades, além de outros atributos (entre eles, esportivo) que o fizeram respeitado pela sociedade. Ainda como major, foi Diretor-Geral do DETRAN, em 1978, quando transferiu o encargo ao Dr. Luiz Verçosa. Uma semana antes de deixar esse cargo, compareceu à cerimonia de inauguração da "mini-rodoviária", instalada pelo prefeito Jorge Teixeira. Fica a curiosidade: alguém sabe qual o destino dessa mini-rodoviária?

Foto circulada no Jornal do Commercio,
11 junho 1978 (Ilmar, primeiro à direita)

Prefeito inaugurou ontem o moderno terminal rodoviário

 O prefeito Jorge Teixeira inaugurou ontem às 11 horas, o mini-terminal rodoviário de Manaus, preenchendo dessa forma uma lacuna no setor do transporto urbano, haja visto que a estação que funcionava no Edifício Alex, na rua Itamaracá, não esteva atendendo de uma maneira apropriada a população.

O mini-terminal provisório foi construído em tempo recorde (2 meses), e a Prefeitura investiu uma verba de 900 mil cruzeiros, a fim de que as pessoas que viajam para as outras capitais do país, ou mesmo para os municípios próximos da capital, tenham mais conforto na compra das passagens.

O edifício na Rua Nhamundá, ao lado do mercado Maximino Correa, este terminal funcionará somente enquanto não é concluída a obra da Estação Rodoviária Modelo, que ficará sediada na bola do bairro do Aleixo. Segundo o prefeito Jorge Teixeira serão gastos aproximadamente 14 milhões de cruzeiros na nova estação que será construída com convênio junto ao DERAM e o DNER, e os trabalhos começarão a partir da primeira quinzena de julho.

Por outro lado, Jorge Teixeira anunciou para agosto, o início das obras do Terminal Hidroviário. O projeto foi encaminhado ontem à tardo ao DNER, e a verba a ser investida no mesmo está em torno de 110 milhões de cruzeiros. Tão logo seja concluído os trabalhos na Estação Modelo do Aleixo, o mini-terminal será aproveitado como departamento de limpeza do bairro da Praça 14 de Janeiro e adjacências. Cada uma das empresas concessionárias das linhas rodoviárias existentes possuirão um guichê próprio, ao contrário da estação anterior, quando apenas um era utilizado por todas as empresas.

Com essa inauguração, o prefeito Jorge Teixeira dá continuidade ao seu plano de ação, desta feita para a área de transportes, de modo a beneficiar a população que há muito reclamava uma estação rodoviária mais condigna para a cidade. 

Foto do Jornal do Commércio, 18 junho 1978
(Ilmar, ao centro, cumprimenta o governador)

Verçosa no Detran ameaça acabar “indústria da multa”

Prometendo acabar com a “indústria de multa”, o bacharel Luiz Verçosa assumiu o DETRAN (Departamento Estadual de Trânsito), em substituição ao major Ilmar Faria, que volta à ativa da Polícia Militar do Estado. Verçosa, ao ser empossado no cargo pelo governador Henoch Reis (foto), em Palácio Rio Negro, prometeu dar continuidade ao trabalho que vinha sendo desenvolvido pelo major Ilmar Faria, naturalmente com algumas inovações. O governador HR destacou o desempenho do major Faria à frente do DETRAN e desejou sucesso a Verçosa na direção do órgão.

 


sábado, fevereiro 20, 2016

CORONEL ILMAR FARIA (1946-99)


A partir da esquerda, Roberto, autor do post, Romeu Medeiros,
comandante da PMAM, e Ilmar Faria,
em Fortaleza, em 1989
Guardava este texto para homenagear ao saudoso colega de farda caqui, da Polícia Militar do Amazonas, Ilmar Faria, quando anteontem desapareceu de nosso convívio outro companheiro, coronel Edson de Lima Matias. Possuidor de portentosa cabeça e farta cabeleira, autêntico cabeção, que aquele não perdoou com sua capacidade inventiva, a de espalhar apelidos por onde passava. Creio que sua inspiração faz jus a um catálogo. 

Eu conheci seus feitos nas hostes militares, todavia, desconhecia a gênese de sua verve, que o texto de Ribamar Bessa (publicado em 3 de janeiro, no Diário do Amazonas) esclarece. Não perdoava ninguém. Por onde passou, nos cursos policiais, na administração estadual, sempre que possível marcava os colegas com sua inspiração.

No próximo mês, a turma Ajuricaba, do Núcleo de Preparação de Oficiais da Reserva (NPOR), completa meio século de formatura, solenidade celebrada no pátio do 27 BC (hoje 1º BIS). O baile aconteceu nos salões do Ideal Clube, ali onde o Ilmar Faria dançava e dublava os rocks, a sensação que invadia a cidade, e conquistava os jovens. E éramos todos jovens, lembra Bessa; todos “brasas”, cantava RC.

Eu participo dessa Turma, vindo do Seminário São José, ao lado do Ilmar, do Osório, do Amilcar, relembrando alguns alunos do Colégio Estadual do Amazonas. A festa do cinquentenário já começou com uma atração brasiliense, a presença do colega Waldir Ferreira, vai prosseguir para bem marcar a efeméride.

À brilhante crônica de José Ribamar Bessa:

O Quinto Mosqueteiro da Amazônia
Sempre soubemos que os três mosqueteiros do romance de Alexandre Dumas eram, na realidade, quatro. O que ninguém sabia, mas agora eu conto, é como que havia mais um, vindo da Amazônia, que só foi anunciado ao mundo em 1963: Olha o quinto Mosqueteiro!!! 
O grito ecoou na escadaria do Colégio Estadual do Amazonas, em Manaus, e rolou degraus abaixo até o portão onde eu estava e me atingiu como um soco no peito. Lá em cima, esgrimindo uma espada imaginária, Ilmar Faria, o temível criador de apelidos, apontava para mim, que me tornara o centro das atenções, salientando que a manga comprida da minha camisa era igual à de um espadachim. O quinto mosqueteiro era eu. Ilmar acertara, mesmo sem saber de onde viera aquela manga folgada de guarda do rei da França. 
A camisa viera de um beco lá do bairro Aparecida, onde uma vizinha solidária, ao saber que eu faltara à aula por não ter farda, deu a minha mãe uma camisa velha de seu sobrinho. Sendo o defunto bem maior, dona Elisa teve que reciclá-Ia, de noite, às pressas, à luz de lamparina, numa máquina Singer. Com a vista cansada, inverteu a manga direita, costurando-a com a carcela pra cima. De manhã, já não havia tempo de desfazer o erro. Vesti assim mesmo, abotoei o punho e girei o tecido, botando a abertura pra baixo, o que formou uma manga bufante, cheia de rugas em volta do braço. 
Lendo Camões 
Embombachado, sai para a escola, onde ganhei aquele apelido cruel, mas tão engraçado que meio século depois insisto em recordá-lo. Com isso, perco o amigo, mas não a piada, com um agravante: o amigo perdido, neste caso, sou eu, o melhor amigo de mim mesmo. Hoje seria bullying, mas foi brincadeira tão efêmera que só durou “o espaço de uma manhã”. 
Coronel Ilmar Faria, 
Outros apelidos inventados por Ilmar sobreviveram mais tempo, como os dos bedéis “Pierre Pirrocá” e “Bunda-de-Aço”, ou o da professora de Filosofia, Lindalva Mota, alcunhada de “Por-conseguinte-então” ou “Silogismo”. Era a cara dela. Professor da mesma disciplina, cônego Walter, cujas aulas nos levavam a crer que "Filosofia é a ciência com a qual ou sem a qual a gente fica tal e qual", ficou sendo “Vavá Tal-e-Qual”. 
Todos os colegas tinham apelido. Um deles surgiu em aula memorável de Literatura Portuguesa do professor e poeta Farias de Carvalho. Aula é um modo de dizer. Ele não dava aula. Declamava. Era ator performático, usava todos os recursos corporais, as bochechas infladas, as mãos fartas, o olhar penetrante, o riso sardônico. Parecia Orson Welles, no físico e no espírito: charmoso e provocador, obeso, corpulento, carismático.
Nesse dia em que ditava um ponto sobre Os Lusíadas, Farias estava com a macaca solta. Burlesco e farsante, declamava "as armas e os barões assinalados", enquanto nós copiávamos o que ele falava: “Os Lusíadas”, a epopeia de uma raça, poema épico humanista, com dez cantos, 1.102 estrofes num total de 8.816 versos decassílabos... 
Foi interrompido por um colega:
-- Desculpa, professor, mas o senhor já leu TUDO ISSO?
-- Eu vou lá perder o meu tempo com uma meeeeerda deeesta - vociferou Farias, advertindo que não era para copiar aquela frase. Fechou parêntese e com voz impostada cheia de teatralidade continuou:
-- Luiz Vaz de Camões, gênio lusitano, relata o assassinato de Inês de Castro, episódio que simboliza a força do amor e a dor da morte. Com um olho só, via mais longe do que qualquer homem do seu tempo. 
Na sequência, revelou que Camões perdera o olho direito numa batalha. A aula não havia terminado e um papelzinho já circulava de uma carteira à outra, batizando de Camões nosso colega Flávio Farias, que era cego de um olho. Aí foi bullying mesmo. 
Três Farias 
Eram três Farias do Curso Clássico agora em outras órbitas. O primeiro a se despedir foi Carlos Farias Ouro de Carvalho (1930-1997), que nos deixou vários livros de poemas, entre os quais Pássaro de cinza (1957) e Cartilha do bem amar com lições de bem sofrer (1965). Hoje empresta seu nome a uma Escola Municipal de Manaus situada no Monte das Oliveiras.
O segundo foi Ilmar Faria (1946-1999), que morreu como coronel. Depois de ser Oficial da Reserva (NPOR), ingressou na Policia Militar. Tentou carreira política como candidato a vereador. Perdeu. Desistiu. Foi Secretário de Segurança Pública. O governo do Estado construiu quadra esportiva na Manaus Moderna e deu o nome do coronel a ela [hoje, no local, encontra-se a 24ª DIP]. 
O terceiro foi Flávio Farias (1946-2015) falecido recentemente numa sexta-feira, 13 de março. Cursou jornalismo, em São Paulo, trabalhou em vários jornais de Manaus e foi professor do Curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Amazonas. 
Lembrei dos três Farias, porque voltando de Brasília, há duas semanas, sentou-se ao meu lado no avião um jovem que era a cara do Ilmar. Quase pergunto se ele ainda dançava e dublava os sucessos da época, especialmente Jorge Ben, Chubby Checker, Ray Charles e os Beatles, que cantávamos em sala de aula, quando faltava um professor. 
Há meio século, em dezembro de 1965, éramos todos jovens e concluíamos o Curso Clássico no Colégio Estadual do Amazonas. Depois de convivência diária de três anos, nossos destinos ali se separaram, cada um tomou seu rumo. Quantos ainda estão vivos? A contagem do tempo na passagem de ano remete ao Ocaso, de Farias de Carvalho: 
Meus mortos hão de vir no fim da tarde.
 Aguçai vossos dentes, cães do tempo,
vamos comer a morte no crepúsculo".

segunda-feira, setembro 28, 2015

NOTAS PARA A HISTÓRIA DA PMAM (2)


Coronel Lucy entrega prêmio a Waldir
Garcia, ao fundo, coronel Câmara.
Jornal A Crítica, 12 março 1975
Em março de 1975, José Bernardino Lindoso tomou posse no Governo Estadual, sequenciando a Henoch da Silva Reis. Para compor seu secretariado, escolheu a Waldir Garcia para a Secretaria de Educação e Cultura. 
Exercendo a função de Juiz Auditor Militar, funcionando na Polícia Militar do Amazonas (PMAM), Garcia possuía experiência na área, pois fora professor e diretor da então Escola Técnica de Manaus. já havia publicado um livro em que deixa bem patenteado seu trabalho como mestre de sala de aula.

A corporação da Praça da Polícia organizou, para tanto, uma manifestação a fim de expressar o apreço e a admiração com que se despedia desse magistrado. À despedida, compareceu o comandante-geral, coronel Lucy Coutinho de Castro, acompanhado do coronel Pedro Câmara e demais oficiais e outros servidores daquela repartição. 

O registro abaixo, pertence ao jornal A Crítica, de 16 março, mostra (na fileira de cima, a partir da esquerda) os oficiais: Manoel Freire, Nathan Lamego, Romeu Medeiros, Ilmar Faria, Nestor Arnaud, Silva Santos, (?), Celio Silva e Franz Alcantara.  
(Na fileira de baixo) Ivens Carreira, Gonzaga Pinheiro, Simonetti Filho, Pedro Câmara, Waldir Garcia (homenageado), Gebes Medeiros, Edval Fonseca, Osias Lopes, Cavalcanti Campos e Ruy Freire.






quarta-feira, junho 17, 2015

ROBERTÃO 69

A partir de hoje, curto meu ano 69. Ingressei na Polícia Militar do Amazonas em 1966, ao lado de meia dúzia de colegas do NPOR. Às vésperas da criação da Zona Franca de Manaus, portanto. A esse tempo, o atual campeonato nacional era conhecido por Roberto Gomes Pedrosa, após a ampliação do Torneio Rio-São Paulo. Com essa ampliação o torneio passou a ser conhecido por Robertão. Estávamos no ano de 1969.

Um dos saudosos colegas da PMAM, o então tenente Ilmar Faria, aproveitou a deixa e passou a me alcunhar de Robertão 69. Mal completara eu as duas primeiras dezenas de vida, por isso, quê pensar com relação a esse número fatídico? Nada me levava a acreditar que pudesse desfrutar de seu encanto ou de enfrentar o estigma que o cerca. Mas o tempo passou. Velozmente, diria.

Aqui e ali, um colega me relembrava essa charada. E eu relembrava os amigos e colegas policiais, as façanhas e as lambanças que a idade e o posto me permitiam ou não. Relembrava em especial ao coronel Ilmar Faria, da mesma idade, mais novo que eu, apenas uma semana. Dito isso, quero agradecer sensibilizados aos que me conduziram – no lar, nos colégios e no quartel. Grato aos filhos e aos netos. E, por que olvidar as esposas? Beijo a todos indistintamente e repito o poeta: Eu não vivo só / só vivo em boa companhia.




Algumas boas lembranças do autor nesses 69 anos

domingo, março 10, 2013

NPOR – TURMA 1966


Em 10 de março  – Ocorreu no quartel do 27º BC (atual 1º BIS) a formatura da 1ª turma do renovado NPOR (Núcleo de Preparação de Oficiais da Reserva). Parte dos 17 concludentes dessa Turma Ajuricaba ingressou na Polícia Militar do Amazonas, os hoje coronéis da reserva Osório Fonseca Neto, Amilcar da Silva Ferreira, Ruy Freire de Carvalho, Odacy de Lima Okada e Manoel Roberto Lima Mendonça (autor deste post) e Ilmar dos Santos Faria, que morreu em 1999. Outros três experimentaram a então farda caqui da corporação estadual, porém a deixaram em pouco tempo. São eles: Antônio Germano Gadelha; Carlos Salustiano Coelho e Hélio dos Santos Graça.

Foto oficial com alunos, comandantes e auxiliares, em
frente ao comando do 1º BIS
Quando me refiro à renovação do NPOR, torna-se necessário explicar que ocorreu uma etapa deste curso em Manaus, durante a II Guerra Mundial. No biênio 1942-43, o mesmo 27º BC preparou a pioneira, vastíssima turma de jovens, visando apoiar obviamente o esforço de guerra em que se metera o Brasil. Preparou 100 (isso mesmo, uma centena) oficiais da reserva, e com isso envolveu filhos das famílias mais distintas da cidade. Acredito que, dos mais conhecidos, o último destes oficiais R/2 a morrer foi o doutor Samuel Benchimol, em 2002.

É praxe militar dar números aos integrantes de curso; assim foi efetivado com a turma do NPOR da II Guerra. Em decorrência dessa providência, os componentes do novo curso também foram designados por números e na ordem alfabética, começando pelo Al (aluno)101 Amilcar da Silva Ferreira. Porque me chamo Manoel Roberto, tomei o número 111. Já o Renato de Azevedo Tribuzy, doutor em Matemática da Ufam, respondia pelo número 113.

Da turma pioneira, três concludentes passaram pela Polícia Militar do Amazonas.  Nessa ordem: Omar Gomes da Silveira, que foi incluído como tenente em fevereiro de 1947. Quando tenente-coronel, Omar assumiu o comando-geral da Força Policial (de novembro 1967 a março 1968), no interregno entre oficiais do Exército, como era praxe no Governo Militar. Depois veio Alcimar Guimarães Pinheiro, falecido coronel. Incluído na corporação em Bastante conhecido no bairro da Praça 14 e no Palácio Rio Negro, aonde serviu na Casa Militar dos governadores Arthur Reis e Danilo Areosa. Graduou-se em 1961 na Faculdade de Direito do Amazonas.
O terceiro foi Francisco de Assis Albuquerque Peixoto, na condição de coronel comandante da Polícia Militar, nomeado pelo governador Gilberto Mestrinho, em 1959. Tornou-se o último paisano a dirigir esta instituição militar. Já postei algumas informações sobre o comando do coronel Assis Peixoto, especialmente ressaltando a reforma e o embelezamento que empreendeu no quartel da Praça da Polícia. Cabe-lhe a primazia de matricular três alunos na Escola de Formação de Oficiais da Guanabara, constituindo a primeira turma. Seu comando durou até 1963.
A turma que hoje completa 47 anos de conclusão do NPOR, apesar do pequeno número de concludentes, nunca mais se encontrou. Semana passada, ensaiei com outro colega um movimento para que isso ocorresse. Não ocorreu. Talvez o cinquentenário, que se aproxima, seja a última oportunidade.