CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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sábado, maio 04, 2024

PREFEITO DE MANAUS: 1924

A duração do mandato deste Prefeito foi muitíssima curta, durou de 16 de fevereiro a 1º de abril de 1924, sem que eu conheça a motivação. Trata-se de Francisco das Chagas Aguiar, integrante do PRC (Partido Republicano Conservador), que enfrentou os "maus governantes" no tumultuado ano de 1924, marcado pela Rebelião das forças federais, cognominada de Ribeiro Junior (tenente EB),que foi  empossado no Poder Executivo, após defenestrado o titular Cezar do Rego Monteiro.
A postagem reproduz a lembrança ao falecido prefeito de Manaus, efetivada na revista Redempção, circulada em novembro de 1932.  
Francisco das Chagas Aguiar
revista Redempção
Dr. Francisco das Chagas Aguiar, o prefeito de Manaus durante a revolução [Ribeiro Junior] de [julho] 1924. Era realmente um amazônida — ninguém melhor definiu o neologismo de Álvaro Maia. O estomago, que lhe deu grandes aflições, nunca teve influência sobre a sua consciência, sempre rebelada contra os maus administradores da sua terra.

Foi um valor, feito aqui mesmo. Grande professor de topografia, mineralogia e geologia e autor aplaudido de vários trabalhos científicos, entre os quais se destacam ATLAS CELESTE AGUIAR, LUNÁRIO PERPÉTUO e os DISCOS HEMEREOLÓGICOS.

Pela Escola Agronômica de Manaus mereceu um prêmio de viagem à América do Norte. A Exposição do Centenário deu-lhe uma medalha de ouro, em virtude de um trabalho seu sobre astronomia. Nessa época, lá na metrópole [Rio de Janeiro], numa polemica pelas colunas de A Noite venceu o sábio Henrique Morize [francês, engenheiro industrial, 1860-1930].

Morreu, com 34 anos, respeitável e respeitado.

PS. Acrescentei entre colchetes algumas informações que julguei conveniente para melhor entendimento.


 


terça-feira, fevereiro 14, 2023

AMAZONINO MENDES (1939-2023)

Morto o cacique eirunepeense neste domingo (12), os amigos e admiradores despejaram nas redes sociais todos os tipos de encômios. Ele bem merece! Também vou entrar nesta linha, apenas lembrando alguns fatos pessoais, dos quais estive próximo ao falecido administrador. 

Governador AM, à direita (claro)

Antes, um detalhe histórico: Hoje em dia somente um preso político dos tempos do governo militar de 1964 encontra-se vivo para contar a história: o nonagenário Arlindo Porto. AM (Amazonino Mendes) era outro que passou pelo cárcere do 27 BC, hoje 1º BIS, na estrada de São Jorge. Ainda em novembro passado, pesquisando nos arquivos daquela OM (organização militar), vi a relação dos “comunistas” detidos no livro do oficial de dia. Outro seu parceiro não olvidei, o padre Luiz Ruas (autor do poema Aparição do Clown).

Travei o primeiro contato com o AM, quando este foi nomeado prefeito de Manaus, por vontade do governador Mestrinho, de cuja Casa Militar eu era major subchefe, em 1983. Na oportunidade, uma invasão se apossava das terras junto ao igarapé do Crespo. O prefeito AM montou uma força-tarefa para equacionar o desastre fundiário. Fui indicado pelo governador para integrar esta comissão. Assim, estive em algumas reuniões, mas logo percebi que o prefeito não estava interessado em obstar seus futuros eleitores. Tanto que a invasão se concretizou. 

Em 1997, no centenário da Campanha de Canudos, da qual a força policial do Amazonas participou, editei o livro Candido Mariano & Canudos, cuja impressão foi encargo da EDUA (Editora da Universidade do Amazonas). Para maior brilhantismo da festa que –em recordação de Canudos– anualmente a PMAM realiza, sugeri ao comandante-geral uma gradação da Medalha comemorativa e os nomes, um elenco enorme de nomes para ser agraciados. O coronel comandante foi ao governador AM, que simplesmente mandou a relação dos indicados para o lixo e, de próprio punho, escolheu uma dúzia de “amigos do rei” para a premiação.

Indignado, escrevi uma malcriação a respeito da solução governamental e a remeti à seção Cartas, de A Crítica, que a publicou. E fiz mais, de teimosice, não compareci à solenidade alusiva na Praça da Polícia.

Enfim, quando fui agraciado com a Medalha Tiradentes da PM estadual, tive a ventura de recebê-la das mãos do governador Amazonino Mendes, em seu segundo mandato (1995-98). Desde então, eu virei seu fã.

Como aprendi no seminário: Requiescat in pace, AM.

segunda-feira, janeiro 24, 2022

MONUMENTOS PASSADOS

 A postagem reproduz duas páginas da revista manaus... manaus (1975), que homenageou o prefeito Jorge Teixeira, por ocasião de sua retirada da prefeitura da capital amazonense,

A primeira, assinala a reinauguração do estádio da Colina, então intitulado de Ismael Benigno. A segunda, reproduz a primitiva estação rodoviária de Manaus, instalada na Praça 14 de Janeiro, no local onde funcionou um mercado.

Na foto acima, vê-se o prefeito Teixeira
cumprimentando ao Ismael benigno, e
devidamente camuflado pelo chapéu o 
governador Henoch Reis



Em verdade, a mini-rodoviária, vendo-se ao fundo a cúpula da igreja de NS de Fátima


quinta-feira, janeiro 13, 2022

MANAUS DO PREFEITO TEIXEIRA

Esta postagem, extraída da revista manaus... manaus, publicada pela editora Umberto Calderaro Ltda., em 1979, relembra duas marcantes obras do prefeito Jorge Teixeira (1975-79): a ponte de Educandos e a avenida Djalma Batista. Quando daqui ele foi removido, assumiu o governo do Território Federal de Rondônia, depois Estado, ainda na gestão do Teixeirão (como era conhecido). 



terça-feira, janeiro 04, 2022

PREFEITO JORGE TEIXEIRA (1975-79)

 Ao final do seu governo na capital amazonense, o prefeito Jorge Teixeira (Teixeirão) ganhou da editora Umberto Calderaro uma homenagem. O resumo da administração de 4 Anos foi exposto na revista manaus... manaus (1979). Este exemplar (foto) me chegou às mãos pela amizade do Jorge Bargas, funcionário da Prefeitura de Manaus por largos anos.

A edição contém farto material sobre o inesquecível alcaide, pena que os responsáveis tenham esquecido de legendar a maioria das fotos. Todavia, os manauaras mais idosos podem muito bem suprir essa falha, ou estudiosos com o Ed Lincon.



A identificação das fotos deixo para trabalho dos moradores da capital amazonense. E para que eu não cometa algum desastre.

sexta-feira, março 12, 2021

PREFEITO DE MANAUS

Aproxima-se o centenário do movimento militar que deixou marca patenteada em Manaus. Refiro-me à Rebelião de Ribeiro Junior, que era tenente do Exército, movimento que alguns intitulam “revolução”, e que ocorreu em julho de 1924. Durou pouco mais de um mês. Sua detonação se deu na esteira da agitação nacional intitulada de tenentismo.

A chefia da rebelião afastou o governador interino, Turiano Chaves Meira, pois o titular – Cesar do Rego Monteiro – encontrava-se em Paris (FRA), em tratamento de saúde. Ribeiro Junior assumiu o governo e nomeou Prefeito de Manaus ao Dr. Francisco das Chagas Aguiar.

O chefe do Executivo já foi estudado com justeza, monumentalizado convenientemente; mas ora encontra-se num blecaute. De outro lado, o prefeito pouco foi mencionado. Por isso, estou compartilhando pequenos detalhes e a foto de nosso Prefeito, encontrados na revista Redempção (novembro 1932). 

Francisco Aguiar 

 Dr. Francisco das Chagas Aguiar, o prefeito de Manaus, durante a revolução de 1924. Era realmente um amazônida - ninguém melhor definiu o neologismo de Álvaro Maia. O estomago, que lhe deu grandes aflições, nunca teve influência sobre a sua consciência, sempre rebelada contra os maus administradores da sua terra.

FOI um valor, feito aqui mesmo. Grande professor de topografia, mineralogia e geologia e autor aplaudido de vários trabalhos científicos, entre os quais se destacam Atlas Celeste Aguiar, Lunário Perpétuo, e os Discos Hemerológicos. Pela Escola Agronômica de Manaus, mereceu um prêmio de viagem à América do Norte.

Recorte da revista Redempção

A Exposição do Centenário deu-lhe urna medalha de ouro, em virtude de um trabalho seu sobre astronomia. Nessa época, lá na metrópole, numa polemica pelas colunas de A Noite venceu o sábio Henrique Moritze.

Morreu, com 34 anos, respeitável e respeitado.

sexta-feira, janeiro 01, 2021

1º JANEIRO

Vou elencar algumas datas “redondas”, como costumam denominar os historiadores e seus discípulos, que ocorrem neste ano de 2021. Valho-me da sinopse que realizei, quando intentei escrever as efemérides amazonenses. Quanta pretensão, mas vai indo.

Nesta primeira etapa, vou relembrar os governantes que assumiram no primeiro dia do ano. Convém salientar que a posse de governador, no início da República, foi estabelecida pela Constituição para o dia 23 de julho. Adiante, a data recuou para o dia 31de janeiro, até que em novo recuo é realizada hoje, como acontece com o prefeito David Almeida.


Amazonino Mendes e David Almeida, prefeitos de Manaus
   

1913 – Toma posse no governo do Estado, Jonathas de Freitas Pedrosa, médico nascido na Bahia.

1917 – Empossado no governo de Estado, Pedro de Alcantara Bacellar, outro médico, outro baiano seguidamente na sede governamental.

1921 – Toma posse na chefia do Poder Executivo, o bacharel César do Rego Monteiro, nascido no Piauí, graduado pela Faculdade de Direito do Recife, desembargador do TJA e seu presidente. Seu período governamental foi encurtado pela Rebelião de Ribeiro Júnior (23|07|1924).

1926 – Tomam posse no governo do Estado, Efigênio Salles, natural de Minas Gerais, e, na prefeitura da Capital, o dr.  José Francisco de Araújo Lima.

1930 – Empossado na chefia do Poder Executivo, o doutor Dorval Pires Porto, nascido no Rio Grande do Sul, tendo sido prefeito e deputado federal.

1999 – Posse de Amazonino Armando Mendes, governador reeleito.

2003 e 2007 – Posse de Carlos Eduardo de Souza Braga, no posto de governador do Estado.

 

terça-feira, novembro 24, 2020

CARTA AO NOVO PREFEITO

 A eleição do próximo domingo, com a vitória de David Almeida, me leva a reproduzir a seguinte carta. Espero a atenção do Almeida, ou melhor, que atenda ao patrimônio da cidade, visto que a situação mostrada, como diz minha madrinha, parte o coração. 

Após a utilização pelos Bombeiros, serviu a
Fundação Joaquim Nabuco (foto)


Senhor Prefeito 

David Almeida

As imagens que ilustram esta missiva, demonstram a incúria da Prefeitura diante da ruína de um monumento da cidade. Tem mais, escancara o desleixo com a segurança de transeuntes, pois a qualquer momento a “coisa” que parece um tapume pode desabar sobre alguém. Asseguro-lhe que já desabou em três ocasiões, e, em cada uma delas, os funcionários da Comuna fizeram o malefício de reduzir e de tornar inseguro o tapume.

Conheço este edifício de duas maneiras: a primeira, quando em 1973 a Polícia Militar do Amazonas tomou o encargo de combater os incêndios e outros desastres correlatos. Eu estava presente. Foi ali que se reiniciou o Corpo de Bombeiros que, em nossos dias, do alto de Petrópolis, sob nova direção, zela muito bem pela Cidade.

A segunda experiência com a edificação ocorreu quando pesquisei sua presença na avenida Sete de Setembro para o livro Bombeiros do Amazonas, de minha autoria. Portanto, este local serve como manto sagrado para tantos Bombeiros Militares, em especial àqueles que estiveram sob o controle da Prefeitura de Manaus. Posto que empenharam a saúde, diria até a vida, para salvaguardar a população.

Por isso, senhor Prefeito, tome este empenho: repare o Quartel dos Bombeiros, a marca que ele alcançar, será a marca de sua administração. Ou então, demolindo-o, o Senhor evita a dor impetuosa que atinge àqueles que o fizeram funcionar, como o subscritor que apela para seus propósitos de candidato.

    Cordialmente

            Roberto Mendonça


Perigosa situação atual.