CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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segunda-feira, março 25, 2024

ANIVERSÁRIO DO IGHA

 Aniversaria nesta data o IGHA (Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas), comemorando 107 anos de existência, posto que criado em 1917. A data é sempre festejada, quase sempre aproveitada para homenagear beneméritos, empossar novos acadêmicos, enfim, congratular-se e fixar rumos para o novo ano. Assim aconteceu há 30 anos, quando em sessão solene, sob a presidência do comendador Junot Carlos Frederico (falecido em 2002), a agremiação outorgou o título de Sócio Benemérito ao governador Amazonino Armando Mendes (1939-2023). Na mesma sessão de 1994, o Instituto acolheu com o título de Sócio Efetivo ao historiador e cineasta Luís Maximino de Miranda Correa (1935-2019), que ainda foi acolhido na Academia Amazonense de Letras em 2003, para ocupar a Cadeira 37. 

Salão de Honra do Instituto, destacando a cadeira presidencial

sábado, fevereiro 19, 2022

MÚSICOS AMAZONENSES

 Ainda do livro Música e Músicos do Pará, de Vicente Salles, recolho algumas anotações acerca de personalidades bem conhecidas em nosso Estado. Alguns aqui nascidos, como as famílias Tenreiro Aranha e Maximino Correa. 

Capa do livro

ARANHA, Bento de Figueiredo Tenreiro

Jornalista, escritor e político. Nascido em exerceu atividades políticas e administrativas em Manaus. Deputado provincial no Amazonas. Publicou em Belém, em 1895, duas composições: a valsa Recordação e a polca Alzira. Pai dos musicistas Josefina Tenreiro Aranha de Castro, João Batista Tenreiro Aranha e Maria Amanda Tenreiro Aranha, nascidos em Manaus. (Morto em Belém, jan. 1919)

ARANHA, João Batista Tenreiro, 1865-1954

Oficial da Marinha de Guerra e compositor diletante. Filho de Bento Tenreiro Aranha e de Josefina de Freitas Tenreiro Aranha, nasceu em Manaus/AM, em 1865, e faleceu em São Paulo em 1954. Foi engenheiro naval e capitão de fragata. Estudou música em Manaus, Belém e no Rio de Janeiro.

ARANHA, Maria Amanda Tenreiro, 1886-1907

Pianista, contralto e compositora. Filha de Bento Tenreiro Aranha e de Josefina de Freitas Tenreiro Aranha, nasceu em Manaus/AM, a 18 de março de 1886 e morreu em Belém a 23 de novembro de 1907.

Estudou no Instituto Carlos Gomes, de Belém, além do piano, canto e harpa, passando pelas classes de Meneleu Campos, Virginia Sinay Bloch e Esmeralda Cervantes. Compôs peças para piano, entre as quais foram impressas as valsas Helena (1906) e Nuit heureuse (publicada também em 1906 com o pseudoanônimo E. Feuillet) e o shot Sursum Corda (Corações aos céus, 1906).

ARANHA CASTRO, Josefina Tenreiro, 1880

Pianista e professora. Nasceu em Manaus/AM, a 10 de julho de 1880. Veio pequena para Belém, aqui fazendo os estudos de piano. Aluna do Instituto Carlos Gomes, diplomada em 1902. Transferindo-se depois para o Sul do país, viveu muitos anos em Lavras/MG, tendo sido diretora do Conservatório de Música local. Atualmente vive no Rio de Janeiro.

Fragmento do livro

CORRÊA, Eunice, 1909

Pianista e recitalista. Filha do Dr. Maximino Corrêa, nasceu em Belém, em 1909. Iniciou os estudos de piano com a professora Celeste Cordeiro de Oliveira. Mudando-se para Manaus, teve como professora a pianista Tatá Level. Em 1922, foi para o Rio de Janeiro, passando então a estudar com Charley Lachmund. Deu seu primeiro recital, no Rio de Janeiro, em 1923, no salão Leopoldo Miguez do então Instituto Nacional de Música, iniciando série de apresentações públicas que realizou em várias capitais brasileiras.

sábado, agosto 10, 2019

LUIZ MAXIMINO DE MIRANDA CORREA NETO (1933-2019)


A Academia Amazonense de Letras acaba de empossar o sucedâneo na Cadeira 30, todavia, faltam preencher duas vagas. Vagas pelas mortes do poeta Jorge Tufic e, em 10 de julho passado, do escritor Luiz Maximino de Miranda Correa Neto.  

Maximino Correa Neto
Como indica o sobrenome, era neto de Maximino Correa, cuja família implantou no início do século passado a Cervejaria Miranda Correa, e cujo símbolo - uma torre, ainda se destaca na paisagem da cidade, em particular no bairro de Aparecida. A derradeira marca é o edifício crismado com o sobrenome familiar, no alto da avenida Eduardo Ribeiro.
O império financeiro derreteu, de sorte que em duas oportunidades que conversei com o Neto, isto ocorreu no Conjunto Jardim Primavera. Retirei-me dessas palestras, efetivadas em busca de seu voto para minha pretensão de ingressar na Academia, pensando no jovem que desfrutara da cidade de Paris, mas que estava recolhido à uma residência no extremo da outrora “Paris dos Trópicos”. Li seus livros e ouvi de seu fiel amigo Geraldo dos Anjos relatos auspiciosos da sua atuação.
A morte de Maximino Correa Neto aconteceu em Caxias do Sul (RS), por isso o título do panfleto que a fidelidade de Geraldo dos Anjos o fez difundir, o qual abaixo compartilho:

Recorte do panfleto subscrito pelo Geraldo dos Anjos

Ontem, 10 de julho, data histórica pela libertação dos escravos no Amazonas, foi para nós uma data triste, pois nosso particular Amigo LUIZ MAXIMINO DE MIRANDA CORREA NETO passou para a eternidade. Nascido em família católica, pautou sua vida dentro dos ensinamentos de Cristo, e foi devoto de Nossa Senhora de Nazaré.
Escritor, historiador, cineasta, um verdadeiro homem de letras e ações. Muito jovem foi estudar no tradicional colégio São José (Rio de Janeiro), onde estudavam os filhos de famílias aristocráticas e tradicionais do país. O estudo superior fez em Paris onde conquistou amizade com os grandes escritores e cineastas europeus, assim como com membros das casas imperiais da Europa, as quais teve o privilégio de frequentá-las em eventos culturais e sociais.
A convite do governador Arthur Reis, seu amigo particular, volta ao Amazonas para fazer parte de seu governo [1964-67], quando foi responsável pela criação do DEPRO (Departamento de Turismo e Promoções do Estado do Amazonas), o primeiro órgão de turismo do Estado. Foi também seu primeiro presidente, divulgando o Amazonas para o país e o mundo através do filme “Amazonas... Amazonas...”, de autoria de seu amigo Glauber Rocha, foi também responsável por levar ao mundo as cores da arte amazônica do também acadêmico Moacir Couto de Andrade.
Luiz foi amigo de Arthur Reis, Gilberto Freyre, Leandro Tocantins, Roberta Camila Imbiriba Salgado, Severiano e Gilda Porto, Joaquim Marinho, Jaime de Araújo Covas e tantos outros que tiveram o privilégio de sua amizade e carinho.
Maximino pertenceu ao quadro da Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA), do Ministério das Relações Exteriores, sendo o último presidente da Fundação Cultural do Amazonas no governo de Amazonino Mendes, que ao extinguir-se, transformou em subsecretaria de Cultura do Amazonas, ligada a Secretaria de Educação do Amazonas. Presidiu o Conselho Estadual de Cultura do Amazonas, responsável pela implantação do Instituto Superior de Estudos da Amazônia (ISEA), sendo seu primeiro coordenador.
Foi membro efetivo do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), da Academia Amazonense de Letras, da União Brasileira dos Escritores do Amazonas (UBE-AM). Autor de vários livros, artigos de jornais e filmes, Maximino desenvolveu trabalhos com excepcional talento.
Esta é uma síntese da vida e da obra desta luz brilhante que tive o prazer de ser amigo.
Homenagem do Acadêmico e amigo
José Geraldo Xavier dos Anjos

terça-feira, agosto 06, 2019

EDIFICAÇÕES EM MANAUS

Há 50 anos, com a instalação da Zona Franca, a cidade vê retomar o ciclo das edificações. Postagem com texto e fotos do Jornal do Commercio, em agosto de 1969 

Jornal do Commercio, 02 agosto 1969

Nasce Mais Um
Neste amplo terreno, situado na rua Saldanha Marinho, serão levantadas duas grandiosas obras: à esquerda, a Escola do SESC-SENAC, e à direita, o Edifício “Alfredo Cunha”, de dez pavimentos. O edifício, constituído de dois, um para a [rua] Saldanha Marinho; outro só de escritórios, de frente para a rua Barroso, — será o primeiro da nossa capital dotado de uma galeria de lojas, com acesso para as duas artérias antes referidas.
O lançamento do “Alfredo Cunha” ocorrerá ainda este mês, em data a ser previamente marcada.

Anotação pessoal
Exatos 50 anos nos separam desta foto, porém era dessa maneira que acontecia a construção.  Era “na marra”, para lembrar um esquecido caboquês. Observe que não há tapume para proteção de transeuntes ou de operários; operários trabalhando sem proteção individual e, melhor notando, vê-se um, somente de calção; a caçamba da empresa Oliva lembra a tragédia que abateu os proprietários, mortos por um familiar; enfim, talvez pelo entusiasmo da iniciante Zona Franca, tudo era permitido. Avaliei melhor este edifício, já em atividade, ao visitar o escritório do advogado Amazonilo Castro. E, entrando pela rua Barroso, quando visitei o consultório do dentista Sady  e o escritório de advocacia de Tude Moutinho.


Acima, vê-se um folder de lançamento do Edifício Maximino Correa, construído ali no alto da avenida Eduardo Ribeiro. A família destruiu o palacete para erguer este arranha-céu. Já contei esse detalhe, mas vou repetir:  era comandante do Corpo de Bombeiros, em 1974, quando fui alcançado em minha residência, creio que era sábado, para assinar o termo de vistoria (ou coisa parecida) elaborado pelos Bombeiros. Além do poder da família em âmbito local, o então ministro do Interior (general Albuquerque Lima) era casado com uma Maximino Correa. Que poderia fazer, pois, um “ilustre desconhecido” major-comandante?  Não pestanejei, confesso, “se é para o bem da cidade”, subscrevi o termo. E o edifício, desprovido de encanto, e mais, intruso no visual para quem desejasse fotografar o Teatro Amazonas, prossegue seu rumo num Centro Histórico cada vez mais degradado.