CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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quarta-feira, julho 08, 2026

MAROMBA - SEMINÁRIO SÃO JOSÉ

 Há 50 anos, a arquidiocese de Manaus adquiriu o espaço de terras denominado de Maromba, no governo de Dom João de Souza Lima, que servia até então para encontro de formação de pessoal das várias secretarias e outros órgãos oficiais. 
Hoje, abriga os alunos do Seminário São José. 
Nesta postagem transcrevo o artigo de Helen Veras para o Jornal do Commercio, edição de 25 de julho de 1976, relacionado as primeiras operações realizadas no Centro e sua importância para o futuro.


Recorte do Jornal do Commercio,
25 julho 1976

A cinco quilômetros da cidade, situado dentro de uma grande área verde, quase exótica, está o Centro de Treinamento Maromba. Seu terreno foi adquirido pela Arquidiocese de Manaus e mede 285 metros de frente por 225 de fundos. Tem em volta um bosque convidativo para momentos agradáveis de lazer. Lá se reúnem renomados técnicos durante a realização de seminários e cursos promovidos pela SUDAM, ACAR-Amazonas, Mobral, Icoti, CEAG-AM, Codeama e outros órgãos governamentais. Foi na Maromba que se hospedou a seleção brasileira de futebol e seus grandes craques, como Pelé, deixando sua assinatura no livro história do Centro. Além de funcionar como instrumento de prepararão de recursos humanos, o Maromba tem sido lugar escolhido para a tomada de decisão, inclusive políticos (foi lá que o Sr. João Walter escolheu seu secretariado), encontros internacionais, irradiando novos horizontes para o desenvolvimento da região.

O Centro Maromba tem como finalidades básicas desenvolver uma política de treinamento adequado ao processo de desenvolvimento da região, manter cursos de treinamento de caráter geral ou especializado, visando a habilitação de profissionais ligados às atividades de desenvolvimento da região e de líderes rurais para o efetivo engajamento desse processo desenvolvimentista e ainda possibilitar a realização  de encontros, seminários e convenções que congreguem organização de pessoas atuantes na região e promover atividades que possibilitem integração efetiva de esforços entre os entidades interessadas.

ACARIQUARA

O Centro possui uma arquitetura onde se sobressai a madeira regional, como a acariquara, emprestando ao local aspectos tipicamente regionais. Formado por três grandes pavilhões ligados entre si, englobando os serviços de cozinha, copa, bar, secretaria e administração, o centro dispõe atualmente de 32 apartamentos, um amplo salão de refeitório, três salas de visitas, salão para biblioteca e um grande dormitório comum. O prédio tem capacidade para hospedar 33 pessoas em quartos ou apartamentos individuais e cerca de 100 pessoas no dormitório.

ATIVIDADES

Até 5 de junho deste ano, o Centro foi utilizado para a realização dos seguintes cursos e encontros: Encontro de Catequistas (CRB), Curso Integrado para Orientação Educacional e Supervisão Pedagógica (Ceteam) e centro de Técnicos da Embrapa (Embrapa), Treinamento de Liderança Cristã (Arquidiocese de Manaus), Curso de Catequistas (Paróquia Nossa Senhora de Nazaré) e Centro de Espiritualidade (Ivete Ibiapina), Curso do ACAR (ACAR-AM), Encontro do Mobral Estadual (Mobral), Curso de cooperativismo (ACAR-Amazonas), Curso da Cosama, Curso de Crédito Rural (ACAR-AM), Encontro de Cooperativismo da Embrater, Administração  de Fundos Federais e Tributação (Icoti), Curso do ACAR-Amazonas, Curso de Fertilizantes (ACAR-AM), Secretaria de Saúde, Administração de Pessoal e Material (Icoti), Sistema de Produção (ACAR), Treinamento de Liderança Cristã (Arquidiocese), Seminário de Coordenadores (SUDAM), Encontro da Embrapa (Embrapa) e Oração do Espírito Santo (Arquidiocese).

 Outros encontros e reuniões estão programados até dezembro. As atividades previstas são: Curso de Elaboração Orçamentaria, Curso de Sistema de Produção de Pimenta do Reino, Encontro de Oração, Encontro Regional de Agentes de Mobilização, Curso de Administração de Cooperativa, Cursilho de Cristandade, Movimento de Educação de Base, Administração de Escritório de Extensão Rural, Cursilho de Dirigentes Setoriais de Manaus, Congresso Salesiano, Treinamento de Liderança Cristã, Treinamento de Geração Dinâmica, Encontro dos Delegados do Amazonas, Encontro Regional da CNBB, Administração de Projetos Agrícolas e Congresso Bandeirante.

IDEALIZADOR

D. João de Sousa Lima, arcebispo metropolitano de Manaus, um dos idealizadores do Centro, o primeiro do Norte do Brasil, acredita que os objetivos do Centro estão sendo atingidos plenamente. D. João acha que a arquidiocese de Manaus, com esse empreendimento, deu sua contribuição marcante para a formação e aperfeiçoamento da mão-de-obra qualificada como fator de fundamental significação para a concretização plena do desenvolvimento do Amazonas. O secretário-executivo do Centro José Amarilis Castelo Branco, afirma que o Centro não pertence somente à arquidiocese, mas ao Amazonas, dando sua contribuição para o desenvolvimento dos nossos recursos humanos.

Amarilis procura conciliar os interesses de todos os órgãos, dando sempre um “jeitinho”, permitindo a realização de todos os curses e treinamentos. Para atender à crescente demanda de reservas, o Centro vem se expandindo, invadindo a selva, onde vem sendo construído mais um moderno pavilhão. Mas acentua que a área verde não será destruída, irá aproveitá-la para a construção de um bosque com as características regionais, inclusive espécies da nossa fauna e flora. Ninguém pode negar a real importância da Maromba. E dele o Amazonas receberá muitos benefícios e valiosas contribuições que somarão pontos positivos em favor do bem comum traduzidos pela consecução de melhores dias para a nossa comunidade. 


domingo, setembro 01, 2024

ARLINDO PORTO (1929-2024)

Aos 95 anos, morreu Arlindo Augusto dos Santos Porto, nome augusto bastante glorificado na cidade de Manaus, onde participou e presidiu com brilhantismo cargos políticos, administrativos e de agremiações culturais. Travei adequada amizade com este mestre ao ingressar no IGHA (Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas), e, com mais intensidade, quando ele passou a presidir o Instituto. A Casa de Bernardo Ramos estava deteriorada, reclamando ampla reforma que, afinal, ocorreu em seu mandato. 

 
Arlindo Porto

Sempre com um sorriso disponível, foi um homem continuamente disposto a descrever suas peripécias, seja onde for. Daí me vem à memória o fato ocorrido no velório do saudoso Mário Ypiranga Monteiro, na Funerária Almir Neves, situada na rua Monsenhor Coutinho. Sentado ao lado de Arlindo, não me contive ao final do causo por ele contado. Fui às gargalhadas e, quando me dei conta da situação de acolhimento, saí às pressas do recinto.

O site da Academia Amazonense de Letras publicou uma postagem subscrita pelo acadêmico Robério Braga, que ilustra com mais atributos, ainda que resumidamente, a trajetória de Arlindo Porto.

Desejo enfatizar que Arlindo foi o derradeiro remanescente dos presos políticos ao tempo do Governo ou da Ditadura Militar (como queira), recolhidos ao quartel do 27º BC, hoje 1º BIS, localizado no bairro de São Jorge. O penúltimo foi Amazonino Armando Mendes (governador do Estado). Outro augusto preso foi Luiz Augusto de Lima Ruas, sacerdote comunista.   

Para encerrar minha homenagem ao Arlindo, vem-me ao pensamento outro fato, que ele me narrou umas vezes. Certo dia, o bispo do Amazonas – dom João de Souza Lima, foi visitar o padre Luiz Ruas no presídio militar. Obviamente, ao redor dos encarcerados. Conversa vai e vem, Arlindo teve a ideia de escrever uma carta à família, a fim de serenar sua casa, para tanto solicitou ao prelado que servisse de correio. Dom João prontamente aquiesceu, fazendo uma visita à residência do remetente. Arlindo não deixou de ser espiritualista, todavia morreu penhorado ao pastor amazonense.

Enfim, Arlindo Porto, ad immortalitatem!

sexta-feira, fevereiro 09, 2024

CONTO DO VIGÁRIO

Dom João, ao lado do
governador Mestrinho, 
na inauguração da
Maternidade
 Se em nossos dias as falcatruas, quase sempre realizadas pelos meios eletrônicos,  nos angustiam, a leitura desta crônica talvez nos ensine algo. O autor, Ildefonso Pinheiro, comerciante abastado e homem crente na palavra do outro, conta-nos dois “contos do vigário” que sofreu. Na Manaus de 1970, quando todos se conheciam. Curioso: um dos “contos” utilizou o nome do arcebispo de então – dom João Souza Lima.

 Manaus, cidade pacata, está atualmente cheia de vigaristas e chantagistas que, com truques premeditados assaltam as pessoas marcadas com os seus laços bem armados. As suas armadilhas não podem falhar porque são feitas com bases seguras. Somente os Santos podem escapar.

Estou falando desta maneira porque tive o despreza de receber telefonemas como passo a descrever: Sr. Ildefonso, aqui fala o Dr. Roberto Farias, do Banco de Sangue do Hospital Ana Nery, que se encontra com um caso sério e urgente a resolver, sobre a vida da Sra. Maria de Lourdes de Oliveira que se encontra hospitalizada na Maternidade “Ana Nery” (hoje Balbina Mestrinho).

Sr. Ildefonso, para atender esta causa precisamos de um litro de sangue e aqui no hospital não o temos. Há, sim, no Hospital São José e custa a quantia de cento e trinta cruzeiros novos. Gostaria que o Sr. viesse até aqui ao hospital para ver a miséria que está reinando nesta casa de saúde. Quem me indicou foi o Dr. Gesta, dizendo-me sue o Sr. não se negaria a socorrer-nos neste caso melindroso, que pela urgência exige a colaboração de pessoas bem formadas e que tenha a noção da dor do seu semelhante.

Dez minutos mais tarde, novo telefonema de aflição:

Sr. Ildefonso, o sangue de que lhe havia falado, só tem em medida de dois litros. Estamos à procura do Fernando Monteiro que não está sendo encontrado para nos dar os outros cento e trinta cruzeiros novos, para que assim possamos comprar os dois litros de sangue. Será que o Sr. pode mandar os duzentos e sessenta cruzeiros novos? que logo que encontrarmos o Fernando lhe devolveremos

Diante de tal exposição, respondi-lhe que mandassem buscar duzentos e cinquenta cruzeiros novos. Ele respondeu-me que estava bem, pois, os dez cruzeiros, eles arranjariam. Poucos minutos depois, chegou um mensageiro ao meu estabelecimento, com um recibo cujo teor é o seguinte:

Recebi da Firma Ferragens Pinheiro, na pessoa do Sr. Ildefonso Pinheiro, a importância de duzentos e cinquenta cruzeiros novos, para pagamento de 2 litros de sangue “O” positivo como patrocínio a Sr. Maria de Lourdes de Oliveira, que se encontra hospitalizada na Maternidade “Ana Nery”. Manaus, 7 de janeiro de 1970

Roberto Farias Filho – Chefe do Banco de Sangue.

Meia hora depois, novo telefonema:

Sr. Ildefonso, aqui fala o arcebispo João de Souza Lima, do hospital “Ana Nery” onde estou assistindo cenas verdadeiramente dramáticas e contristadoras para os que se reverenciam diante da dor alheia. Existem aqui casos que precisam ser resolvidos urgentemente e que exigem a colaboração minha e de todos aqueles que têm o espírito voltado para o amor ao próximo. O que estou vendo aqui, obrigaram-me a recorrer a pessoas amigas como o meu nobre amigo. Os casos que estou vendo precisam ser resolvidos imediatamente, porque são criaturas que estão em risco de perderem a vida, por falta de sangue e alguns remédios. Preciso urgente de trezentos e noventa cruzeiros novos.

Diante de tal exposição feita por S. Exa. D. João de Sousa Lima, arcebispo metropolitano de Manaus, prontifiquei-me imediatamente dizendo que mandasse buscar quinhentos cruzeiros novos, invés de trezentos e noventa cruzeiros novos, para atender mais alguém que precisasse de tal colaboração.

Em poucos minutos, chegou ao meu balcão um novo emissário para receber a encomenda do Sr. Arcebispo. No dia seguinte, fiquei ciente de que o Sr. Arcebispo Não me havia telefonado e de que, também, fora burlado por esses salteadores, que precisam ser desmascarados para que esses planos diabólicos não continuem a envolver nomes de pessoas dignas em roubos e falsificações.

É assim que estamos vivendo, caros amigos, sofrendo as astúcias de vigaristas que vivem a planejar assaltos sobre aqueles que pensam no bem-estar dos seus semelhantes e têm a noção do sofrimento dos que vivem a carpir a vida na fome e na nudez.

Aos meus amigos vigaristas, uma pequena advertência. Diz o velho adagio popular: “O cântaro tanto vai à fonte, até um dia que lá fica”. 

quarta-feira, abril 28, 2021

CENTENÁRIO & OUTRAS DATAS

 Uma breve revisão no calendário me permitiu observar algumas datas bem representativas, “redondas”, abrindo com o centenário de nascimento de Áureo Nonato, idades que ocorreram no corrente mês de abril.

Aureo Nonato (ao microfone)
 

Há 100 anos:

Dia 1º – Nasceu no bairro de São Raimundo, em Manaus, Áureo Nonato dos Santos, filho de Antônio e Virgília Nonato dos Santos. Foi estudante do Grupo Escolar Olavo Bilac, instalado no mesmo bairro. A continuação dos estudos realizou no Rio de Janeiro e iniciou-se no jornalismo em São Paulo, escrevendo para o jornal A Noite. Viveu grande parte de sua existência no Sul do país, trabalhando em teatro e jornalismo.

Estreou na literatura com o livro Os Bucheiros: um memorial da infância (1983), seguiu com Porto das catraias: um memorial da juventude (1987) e Pitombas & Biribas (1993), todos sobre a temática do bairro de nascimento. Eleito para a Academia Amazonense de Letras, assumiu a Cadeira 17, em dezembro de 1993. Faleceu em Manaus, em 2004.

 

Há 60 anos:

Dia 6 – Inauguração da linha aérea Rio/Manaus, em voo de 12h, alcançando Manaus no mesmo dia, com escalas em Belo Horizonte (MG), Anápolis (GO), Carolina (MA) e Santarém (PA), pelo Loide Aéreo Nacional.

Há 50 anos:

Dia 18 – Criada a paróquia de Santo Antônio, no bairro de mesmo nome, desmembrada da paróquia de São Raimundo, sendo seu primeiro pároco o padre João de Vries.

Dom João (à esq.) ao lado do governador
Mestrinho, na inauguração da Maternidade
Balbina Mestrinho (1959)

 

Há 40 anos:

Dia 25 – Por renúncia ao cargo eclesiástico, retirou-se para Salvador (BA) dom João de Souza Lima, arcebispo metropolitano de Manaus, nascido em Tacaratu (PE). Entre outras dignidades, era sócio efetivo e benemérito do IGHA, ocupante da cadeira 24, cujo patrono é frei Gaspar de Madre de Deus. Terminou seus dias no Conventos dos Monges Cistercienses, em Jequitibá (BA), em 1984.


Quartel do 2º Batalhão PM

 

Há 30 anos:

Dia 30 – Inauguração do quartel do 2º BPM (Batalhão de Polícia Militar), denominado Candido Mariano, na cidade de Itacoatiara (AM), em local doado pela Prefeitura local, conforme a Lei 1, de 23|02|1978. Era seu comandante o tenente-coronel Ilmar dos Santos Faria.   

domingo, setembro 22, 2019

AVIAQUÁRIO DE MANAUS


PARQUE INFANTIL INAUGURADO


Jornal do Commércio, 24 dezembro 1963
Nas fotos, em cima, um aspecto do ato inauguratório do Parque Infantil Dom João de Souza Lima, no antigo Aviaquario Municipal. O arcebispo metropolitano quando falava enaltecendo a obra do prefeito Josué Claudio de Souza, que também aparece no clichê [à direita]. Em baixo, a garotada de Manaus banhando-se na piscina do Parque Infantil inaugurado.


Nota: O espaço semicircular existente entre as escadarias da Matriz de Nossa |Senhora da Conceição, hoje desocupado, já serviu para alguns empreendimentos do governo municipal. Recordo-me do aviaquário, de fato havia uns exemplares de nossa fauna nas gaiolas e peixes nos aquários.
Em seguida, veio o parque infantil com piscina, que acredito teve pouca duração, como foi o governo de Josué Claudio na Prefeitura. Em seguida, a igreja assumiu a administração e foi paulatinamente desativando as atrações. Enfim, ao tempo do padre Luiz Souza, servia como setor de depósito e secretária. Como lembrei, em nossos dias aguarda a próxima atração.
Ainda sobre a foto, junto ao arcebispo, à esquerda, o jornalista João Bosco Ramos de Lima que, ingressando na política, faleceu ocupando uma vaga do Senado Federal. E atrás, de perfil, o cônego Walter Nogueira.

segunda-feira, novembro 05, 2018

TRISAVÓ DO ARCEBISPO

Mais uma página do saudoso padre Nonato Pinheiro que, no Amazonas, foi membro da Academia de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico. 
A postagem foi recolhida do Jornal do Commercio,                                                          (edição de 14 de março de 1969). 








Causa-me admiração e tristeza a indiferença que muitas pessoas votam às fontes de onde promanaram. Ignoram a própria genealogia e são de todo em todo incapazes de saber quais os elos que as vinculam aos membros de sua parentela. Essa ignorância chega, não raro, às raias do inconcebível e do estarrecimento.
Sempre me entusiasmou a investigação da minha árvore genealógica, e estou em condições de afirmar que, entre os meus parentes, tanto da “gens paterna” como da “gens materna”, poucos poderão ombrear comigo no conhecimento de nossas famílias. Dos meus quatro troncos, dois avôs e duas avós, só conheci meu avô materno e minha avó paterna. Mas para compensar as lacunas, privei da intimidade de duas tias-avós, irmãs de meu avô paterno e também de três irmãos de minha avó materna, dois irmãos e uma irmã. Foi o bastante para diplomar-me no conhecimento das minhas origens.
Conheci na intimidade (como ambas me queriam!) duas irmãs de meu avô paterno: Elvira de Paula Gonçalves e Francisca Xavier de Paula. Verificando em mim acentuado interesse no estudo genealógico da família, puseram-me a par de grandes informações.
Tia Elvira morava em sua residência própria, na confluência da rua de Monsenhor Coutinho com a Avenida de Epaminondas. Parteira eximia, exercia a profissão sobretudo no seio da colónia sírio-libanesa. Além de tia de meu pai, foi uma espécie de segunda mãe. Meu pai, em solteiro, residia em sua casa primitiva, na rua do Major Gabriel. Era para mim um prazer visitar minha tia Elvira. Frequentemente almoçava com ela, e após a refeição, no pavimento térreo, armava-me a rede para a sesta e ficávamos a conversar longamente.
Cada vez mais queria bem a minha tia e muita a admirava. Com emoção tomei conhecimento da honestidade intransigente com que exercia sua profissão. Mais de uma vez me confiou: “Raimundo, tua tia, já recebeu, inúmeras vezes, ofertas pingues, tentadoras, para provocar abortos. Meu filho, estas mãos estão limpas, nunca polui minha consciência com essa ignominia!” Essa minha saudosa tia foi uma das fontes principais de que dispus, para conhecer um pouco a minha família paterna. Meu avô era seu irmão predileto, talvez por ser o caçula.
A outra tia-avó era tia Chiquinha, Francisca Xavier de Paula. Enquanto posso depor, pelo que me foi dado observar e ouvir de outros parentes, conservou sua virgindade até à morte. Nos últimos anos de vida, dividia seus dias cm os parentes, passando meses na casa de um, meses na casa de outro. Quando ia para casa, tinha atenções particulares, de verdadeira ternura, para com o sobrinho padre. Cuidava do meu quarto, de minha roupa, espanava os meus livros. E à noite, depois de servir um chá ou um gostosíssimo mingau de caridade aos alunos internos de minha mãe, que lhe chamavam (essa construção é mais vernácula do que “a chamavam”) tia Chiquinha, ia para o meu quarto. Sentava-se numa cadeira de embalo, e punha-se a conversar longamente, caindo quase sempre a conversa sobre membros e tradições da família.  Eu, deitado sobre a cama, ouvia com prazer a prosa atraente de minha querida tia
Outro parente meu, que me foi fonte preciosa de informações acerca de nossa família foi o saudoso despachante Carlos Gonçalves Filho, a quem chamávamos Carlinhos, na intimidade. Devo, ainda, grandes e seguros informes sobre nossa genealogia à prima Judite Paula de Castro, ora residente na Guanabara.
Foi com viva emoção que conheci no Maranhão o genitor de minha mãe, já entrado em anos. Minha mãe era-lhe a filha mais dileta. Foi comovente o primeiro abraço entre o avô e o neto, já de tonsura aberta. Minha avó já não existia, mas lhe conheci dois irmãos e uma irmã. Um deles foi magistrado em São Luís: Desembargador Joaquim Teixeira Júnior, que desempenhou mais de uma vez as funções de presidente do Tribunal de Justiça. Sucedeu-lhe na vaga o Desembargador Nicolau Dino de Castro e Costa, irmão do nosso bom amigo jornalista Herculano de Castro Costa, de saudosa memória.
Gosto dos estudos de genealogia, que se ocupa da origem das famílias. Nossa língua oferece-nos copioso vocabulário genealógico: raça, raiz, tronco, ascendência, estirpe, linhagem progênie, prosápia.  Acompanho com interesse as publicações do Instituto Genealógico Brasileiro: Revista Genealógica Brasileira; Anuário Genealógico Brasileiro; Biblioteca Genealógica Brasileira; Índices Genealógicos Brasileiros; Revista Genealógica Latina; Anuário Genealógico Latino e Biblioteca Genealógica Latina.
Estive um dia destes no Arcebispado, para dois dedos de prosa com o apostólico arcebispo Dom João de Souza Lima. Apesar de assoberbado de tarefas pastorais, encontra sempre um tempinho para suas leituras, sobretudo dos livros que lhe enviam. Conhecendo meus pendores para os estudos genealógicos, passou-me às mãos dois exemplares da plaqueta Ensaio Genealógico, interessante e bem documentado estudo sobre a progênie da família Novaes, feito pela professora Stelia Margarida Novaes, de parceria com o Dr. Severino de Novaes e Silva (Tipografia Marista, Recife, Pernambuco, 60 pp.)

No estudo da família Novaes, os autores põem em erguido relevo a figura extraordinária de Veronica Gomes Lima, “senhora de inexcedível caridade e de provada coragem” (p.41). era trisavó de nosso arcebispo. Citando-lhe o ramo ancestral, lá figura o nosso eminente metropolita: “o ilustre antíste D. João de Souza Lima – Arcebispo de Manaus, capital do Amazonas. (p.45)
Dona Verônica era senhora de muita coragem e bravura. Um dia prendem-lhe o marido, por questões políticas. Joaquim Barbosa, mais conhecido pela alcunha de coronel Quinzeiro, ficou detido na residência de Antonio Cavalcanti, primo de Dona Verônica. Que fez a valente senhora? Armou 60 homens e marchou à frente deles para libertar o esposo. Antonio Cavalcanti treme em face da notícia. Conhecia a tempera de aço da prima. Apressou-se em mandar-lhe um emissário com a informação do relaxamento da prisão do coronel.
Dono Verônica exige a libertação imediata e incondicional do marido, o qual é posto em liberdade, um tanto abatido em razão do jejum a que voluntariamente se submetera, em sinal de protesto. Mulher valente, a trisavó do Arcebispo. Tacaratu [PE] e outros rincões do Leão do Norte até hoje guardam os rasgos varonis dessa matrona respeitável, que se impunha pela caridade e pela coragem indomável!
Pediu-me Dom João que entregasse um exemplar do Ensaio Genealógico à direção da Biblioteca Pública do Amazonas e o outro à diretoria do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas. A plaqueta honra a dinastia dos Novaes, antiquíssima família ibérica, que em Portugal surgiu com a própria formação histórica do país, com Dom Afonso Henriques. (...)

domingo, outubro 23, 2016

DISCURSO DE POSSE (2)

Quadro da Princesa Isabel,
do acervo IGHA
Terceira parte do meu discurso de posse ao ingressar no Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, em 4 de novembro de 1994.

DE ONDE VENHO E PARA ONDE VOU

Venho do Seminário São José, quando ainda situado na rua Emílio Moreira, nº 6
01, bairro da Praça 14 de Janeiro, onde obtive consolidada formação humanista e religiosa. Desta, resulta meus intensos agradecimentos à Deus por este ato de bondade de Vossas Excelências, que me consentiu ocupar a Cadeira 24, patronada por Frei Gaspar da Madre de Deus.

Do meu antecessor, Dom João de Souza Lima, tive o privilégio de, na condição de seminarista menor, acolitá-lo nas solenes festas religiosas em nossa secular Catedral e outros templos, como na sagração da Igreja de São José Operário, dos padres salesianos, no entroncamento das ruas Visconde de Porto Alegre com Ramos Ferreira.

Aproximo-me deste sodalício, vindo do Quartel da antiga Praça da Constituição, local onde se perfilou em 8 de novembro de 1897, o 1º Batalhão do Regimento Militar do Estado, comandado pelo tenente-coronel Candido José Mariano, combatente distinguido na Campanha de Canudos, cujo centenário já estremece a Nação por força da obra imortal de Euclides da Cunha - Os Sertões.

Acerca do comandante Candido Mariano, venho arregimentando recursos para muito breve editar uma biografia do herói de muitas campanhas, além de participante da fundação de Sena Madureira, no estado do Acre.

Procedo ainda do outrora quartel do Canto do Quintela, onde se aprestava o Corpo de Bombeiros de Manaus. Em nossos dias, transmudado em sede do Museu do Homem do Norte. Oh! tempos difíceis, tempos heroicos. Melhor dizer, tempos oportunos para que os bombeiros demonstrassem toda a dedicação pela Cidade e o desprendimento para enfrentar o perigo. Ali compreendi os objetivos primordiais deste serviço, aprendi a servir com devotamento, acreditando que cada singela tarefa, executada por um simples camarada, traz benefício coletivo. Assimilei, senhor comandante do Corpo de Bombeiros, que o heroísmo escolta cada comboio, em cada chamada, a mais rotineira possível.

Ingresso na Casa de Bernardo Ramos com modesto trabalho literário dado a lume, todo ele volvido à divulgação da história da Polícia Militar do Amazonas, instituição criada ainda no período imperial que, desde 4 de abril de 1837, presta segurança à sociedade amazonense. Corporação, entretanto, que foi capaz de abrigar homens de diversas virtudes. Os fatos revolucionários, dos quais teve participação coerente, talvez prestem às reminiscências uma revelação com tal miopia, com certa visão disforme.

A instituição da segurança estadual abrigou alguns membros deste sodalício: Ramayana de Chevalier, coronel médico, escritor de méritos, jornalista de nome nacional; Octavio Sarmento, tenente-coronel comandante interino em 1920, fundador e membro da Academia Amazonense de Letras; Álvaro Botelho Maia que, ao regressar a Manaus, graduado em Direito, exerceu a função de Juiz Auditor de Guerra, com o posto de capitão, e cuja biografia dispensa maiores comentários; Djalma Batista, intelectual de nomeada, serviu temporariamente no posto de capitão médico da Policia Militar, quando do comando do coronel Gentil João Barbato (1941-45); Gonzaga Tavares Pinheiro, aposentado coronel, que em 1932, ainda capitão, era prefeito nomeado de Itacoatiara, onde protagonizou a célebre disputa contra as forças rebeldes vindas de Óbidos (PA), pugna conhecida nos compêndios regionais como "Batalha Naval de Itacoatiara"; Djalma Vieira Passos, oficial superior da PMAM, igualmente intelectual de recursos, com várias publicações editadas e comprovado efetivo desempenho seja na Assembleia Legislativa do Estado seja na Câmara Baixa do país.

Assumo a Poltrona 24 rememorando a escola inspiradora de meu hábito pelos livros - o Seminário São José de Manaus, orientado pelos padres diocesanos, enquanto lá estudei. Homenageio a este estabelecimento, recordando dois de seus Reitores: ao Padre Jorge de Andrade Normando, de tradicional família amazonense, que vive atualmente em Belém do Pará, servindo a comunidade, como auxiliar da paróquia de Santo Antonio de Lisboa. É-me igualmente justo recordar ao padre Antonio Juarez de Moura Maia, na condição de ecônomo por longos anos, a quem devo inúmeras provas de amizade, capazes de me conduzir pelas sendas da cidadania e da dignidade. Reverencio a este aqui e agora, na pessoa de seu representante, o tenente-coronel Raimundo Pereira da Encarnação, por esta oração. A propósito, padre Juarez Maia acaba de ser agraciado com o título de Cidadão Honorário de Porto Alegre, cidade onde reside e exerce seu múnus sacerdotal.

Quero assumir neste instante solene um compromisso para com a Casa de Ensino mais antiga do Estado, o Seminário São José. À proximidade de seu sesquicentenário, porquanto fundado pelo bispo do Pará - Dom José Afonso de Moraes Torres, em 18 de maio de 1848. Neste estabelecimento, entre 1956 e 1965, tive o ensejo de caminhar pelas letras e pelos clássicos nacionais, igualmente pelo verbo do autor de Aparição do Clown, padre Luiz Ruas, poeta laureado que, vitimado por acidente vascular cerebral, se conforta com as orações de seus ex-discípulos e fieis paroquianos, como agora em que aproveito para rogar ao Altíssimo por sua recuperação.

Escrever a História do Seminário São José constitui-se, pois, um compromisso sagrado que estabeleço com a arquidiocese de Manaus, no instante em que assumo a Poltrona 24, ontem ocupada por Dom João de Souza Lima, a quem solicito o devido entusiasmo para meu melhor desempenho. Que Deus, igualmente, me ilumine!

APELO

Suplico aos presentes para que não se assustem com o estado das instalações, nem imaginem descaso para com a edificação, pois, conheço a dedicação do Senhor Presidente e do Secretário-Geral, Dr. Gera1do dos Anjos, na busca incessante por uma solução para o problema. Apelo, enfim, às autoridades: concedam uma, mais uma ajuda a este Instituto. Para que sirva assim de atração aos jovens estudantes da cidade de Manaus, cuja presença efetiva possibilite a renovação de seus quadros.

AGRADECIMENTOS

Enfim, senhores acadêmicos, meu sincero agradecimento pela acolhida singela a este garimpeiro dos arquivos regionais, que opera com a sofreguidão de quem parece ter partido com atraso. Sou grato particularmente ao autor de Gazeta do Purus que, ao relatar a fundação e o fausto da “Princesinha do Iaco”, me ensinou a admirá-la e me fez aprofundar nos encantos acreanos. Ao Dr. Antonio Loureiro, a minha continência regulamentar.

Na pessoa do comandante-geral – sou reconhecido à Polícia Militar do Amazonas, fonte de inspiração e tema de meus relatos, cuja saga, cuja história prometo divulgar. Este será meu propósito na Casa de Bernardo Ramos. Que todos saibam que, onde se encontrar um policial militar, no ponto mais isolado do território amazonense, ali certamente se escreve um conto de heroísmo e abnegação.

O derradeiro agradecimento (pela ordem de nobreza) vai para o peruano de Caballococha - Manuel Mendonça Malafaya, fundador da dinastia proletário dos Mendonça. Vindo de Iquitos para Manaus, sabe Deus como!, acreditando topar com o Eldorado, serviu por décadas na firma J. G. Araújo & Cia. Ltda. Apenas alfabetizado, confiou-me que a educação sempre foi o caminho altaneiro para o sucesso. Em razão dessa premissa, obrigou-me a estudar com afinco, prometendo por prêmio a vitória como a que acabo de alcançar. A ele dedico com ardor filial esta noite.

Repito como ocorria, ao final de cada discurso no Seminário São José:
Deo gratias (graças a Deus)!

Manaus, 4 de novembro de 1994.

Roberto Mendonça
 

sexta-feira, outubro 21, 2016

DISCURSO DE POSSE (1)

Como praxe, no IGHA, elaborei o discurso de posse, que aqui vai publicado.


DO SODALÍCIO E DO ÚLTIMO OCUPANTE DA CADEIRA

Para aqueles que nesta solenidade são neófitos, registro um pouco do caminho histórico percorrido por este sodalício. Desejo salientar que foi com estímulo e coragem que varões distintos e ilustres fundaram o Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, a 25 de março de 1917, quando na governança estadual o Dr. Pedro de Alcântara Bacelar (1913-17), o qual, num gesto digno de reconhecimento e gratidão por todas as gerações, concedeu a Casa de Bernardo Ramos, consoante o Decreto nº 1.191, de 18 de abri1 de 1917, o usufruto do imóvel que ainda agora serve de sede a este colegiado.

Sinto-me de alguma maneira abençoado ao assumir a Poltrona cujo meu antecessor foi o segundo Arcebispo do Amazonas - Dom João de Souza Lima.
Concluído o curso primário em sua cidade natal, João viajou para Recife a fim de cursar humanidades, curso que foi realizado no edifício que hoje abriga o Colégio Estadual de Pernambuco. Aos vinte anos, acolhendo o chamamento divino para o sacerdócio, matriculou-se no célebre Seminário de Olinda. Todavia, para concluir os estudos teológicos, foi transferido para o Seminário Central de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul. Enfim, recebeu a ordenação sacerdotal – “sacerdos in aeternum”, na cidade de Pesqueira (PE), em 12 de novembro de 1939.

Dez anos depois, em 14 de maio de 1949, foi eleito pelo papa Pio XII bispo auxiliar de Diamantina (MG), tendo assumido suas funções pastorais em 6 de novembro daquele ano. Nessa cidade, terra natal do presidente Juscelino Kubitscheck, Dom João travaria conhecimento com a eminente personalidade, de quem se tornaria amigo.

Em 9 de fevereiro de 1955, foi transferido para a diocese de Nazaré da Mata (PE), onde se manteve como bispo diocesano até 16 de janeiro de 1958, data de sua promoção a arcebispo do Amazonas. No dia 24 de maio, festa de Nossa Senhora Auxiliadora e, naquele ano, véspera da solenidade de Pentecostes, tomava posse na Catedral de Manaus, como o 2º arcebispo, sucedendo a Dom Alberto Gaudêncio Ramos, que foi membro deste Instituto.

A extensão desta arquidiocese, que compreendia todo o território amazonense, levou Dom João a pleitear junto à Santa Sé a criação de Prelazias. Seu empenho foi acolhido, tendo o Vaticano determinado a instalação das Prelazias de Humaitá, em 16 de junho de 1961, e as de Itacoatiara, Coari e Borba, em 12 de julho de 1962. Em nossos dias, a arquidiocese se restringe à capital do Estado e a pequena zona interiorana, permitindo ao metropolita intensificar as tarefas pastorais.

Em seu governo arquidiocesano, Dom João adquiriu a Rádio Rio Mar, propendendo com a aquisição melhor e mais amplamente divulgar a doutrina e os atos religiosos, alcançando as regiões mais distantes de seu território pastoral. Coube a este Prelado a instalação do Centro Maromba, destinado a promoção de eventos coletivos, ali onde hoje funciona o Seminário São José. Compete-lhe, todavia, a sombria imputação do fechamento do Seminário São José, situado à rua Emilio Moreira, causado pelo arrefecimento de vocações sacerdotais e de forte crise na Igreja.

Por cerca de 23 anos, Dom João dirigiu a arquidiocese de Manaus, tendo renunciado em 25 de abril de 1981, quando se transferiu para Salvador (BA), onde faleceu no Hospital Espanhol, em 1º de outubro de 1984.

Competentíssimo orador desta agremiação, padre Raimundo Nonato Pinheiro registrou, ao proferir o discurso de recepção deste pontífice, em sua posse na Cadeira de Frei Madre de Deus.
Em vossa eleição, guiou-nos o alto quilate que vos caracteriza a inteligência, aberta a todas as ondulações da luz, e a cultura, opulentada nas tradicionais e ubertosas tetas dos estudos clássicos, que, digam lá o que disserem, continuam a ser os alicerces insubstituíveis de toda grande e verdadeira cultura.
Como quer que seja, como premiar-vos os talentos, quis o Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas glorificar a Igreja, de que sois pontífice; essa Igreja-Mãe, essa Igreja maternal, que parturejou a civilização cristã, criadora e inspiradora de tantos e repetidos benefícios que a humanidade vem usufruindo há vinte séculos de História!

Registro, finalmente, os merecidos títulos recebidos pelo 2º arcebispo do Amazonas: Cidadão do Amazonas, nos termos da Lei nº 32, de 26 de setembro de 1961, e Cidadão Honorário de Manaus, consoante a Lei nº 969, de 30 de julho de 1970. (segue)