CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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sábado, setembro 21, 2024

CMA: INSTALAÇÃO EM MANAUS

A instalação do CMA (Comando Militar da Amazônia) em Manaus, oriundo de Belém do Pará, motivou esplendido júbilo nesta capital. A imprensa, como para registrar este sentimento, produziu páginas de louvores. O Jornal, um dos periódicos em circulação, editou uma página dando as boas-vindas a este grande comando das Forças Terrestres, ainda em nossos dias disciplinado a atuação verde-oliva na Amazônia. José Feitosa subscreveu a matéria pautada na edição de 3 de julho de 1969, aqui parcialmente compartilhada.

 


PARA se contar em minúcias a história do Exército na Amazônia Ocidental será necessário retroceder nos anos, até os tempos mais remotos da nossa era, quando da descoberta e daí partir para o crescente movimento feito na região, procurando desenvolvê-la e fazê-la notada por todo o resto do país e do Mundo, (...) 


NÃO É COMO ATUALMENTE —O Grupamento de Elementos de Fronteiras que conhecemos hoje não nasceu viçosa como hoje é, e sim, foi fruto de um intrincado processo evolutivo que tem suas raízes no estabelecimento dos primeiros fortes portugueses, que no século XVII tomaram posse da terra para a Coroa Lusitana. Dalí, até os nossos dias, mesmo encontrando os mais sérios obstáculos em sua caminhada os valentes soldados sempre se mantiveram firmes no Amazonas, procurando dar tudo de si para o desenvolvimento dessa área.

Os maiores obstáculos encontrados pelos primeiros militares que se fixaram no Amazonas, foram as distâncias, a falta de recursos de entidades oficiais, e principalmente as dificuldades criadas pelo próprio meio ambiente, as quais não permitiam um método normal de vida dos mesmos. (..) 

27º COLABOROU DECIVAMENTE —Vale ressaltar que para a formação dos pelotões de fronteiras, as sementes foram tiradas do 27º Batalhão de Caçadores, entre os anos de 1920 até 1942, quando aquela corporação colaborou decisivamente para manter sempre firmes os pelotões de fronteiras que vigiavam as áreas divisórias em nosso território mantendo sempre presente a Bandeira Brasileira no meio da verdejante floresta amazónica. Sacrifício e Tenacidade nunca faltaram aos gloriosos soldados daqueles tempos, para a manutenção dos contingentes destinados à segurança da área mesmo levando em conta as adversidades do meio ambiente, e só graças a essa tenacidade pudemos chegar aos nossos dias caminhando a passos largos para a efetiva ocupação de toda a Amazônia Ocidental conforme os planos estabelecidos pelo Governo Revolucionário. 

O COMANDO DE FRONTEIRAS —Só no ano de 1948, considerando uma serie de fatos, entre os quais o vulto das experiencias e das distâncias para a manutenção do comando, rasolveu.se finalmente criar o Comando de Elementos de Fronteiras (CEF), ficando o seu comando atribuído a um major. Foi o primeiro comandante do Comando de Elementos de Fronteira o major Mattoso Maia que ao assumir o posto procurou imediatamente pôr em franco funcionamento todo o dispositivo militar necessário a uma franca ocupação da área obtendo pleno e absoluto sucesso em sua missão, começando daí uma nova era de progresso para a região, justamente porque, com a criação do Comando de Elementos de Fronteira, novas oportunidades de civilização foram abertas e novos métodos de trabalho puderam ser empregados em virtude da maior atenção dispensada pelas autoridades competentes a toda a região.

O principal objetivo do Comando de Elementos de Fronteira, segundo está expresso na Portaria Ministerial que o criou, era de "proporcionar aos elementos destacados em guarnições longínquas e desprotegidas de recursos, objetiva e pronta assistência, e de coordenar suas atividades". Essa Portaria só se objetivou em abril de 1949.

Nessa época, voltavam à discussão antigas e sopitadas aspirações estranhas aos nossos interesses que sob forma "Altruísta", desejando torna-la útil a Humanidade "com fome de espaço e de alimentos'', de nações superlotadas e famintas, se propunham à Internacionalização da Hileia Amazônica.

Em virtude disso, o EME, juntamente com os demais órgãos responsáveis pela segurança da Nação, recebeu incumbência de estudar um equipamento mais adequado à Amazônia, atenta as suas possibilidades. Postas mãos à obra, pelo Exército, foi criada uma Comissão Militar de Estudos (CME). Em virtude desses estudos e de medidas governamentais vieram para a Amazônia vários órgãos que deram início realmente a uma nova política de valorização da Amazônia, (...) mas que agora, graças à fibra e tenacidade do soldado do glorioso Exercito Brasileiro, já estão praticamente controladas e dando oportunidade a que comecemos a trilhar os verdadeiros caminhos de glória que sempre almejamos (...).

Hoje, quando se celebra a solenidade de instalação do Comando Militar da Amazônia em Manaus, em solenidade que será realizada às 16 horas na Praça General Osório, sob a presidência do ministro do Exército, general Aurelio Lyra Tavares, os brasileiros do Amazonas estão ainda mais certos e convictos de que os esforços feitos pelos nossos antepassados e pelos componentes do Exército dos nossos dias não foram em vãos (...).


quarta-feira, julho 17, 2024

CMA: INSTALAÇÃO EM MANAUS

Em 4 de julho (data nacional norte americana), marca a posse do CMA (Comando Militar da Amazônia) em Manaus. Aconteceu há 55 anos, em 1969, quando foi extinto o GEF (Grupamento de Elementos de Fronteira), em prol desta nova grande unidade das Forças Terrestres. Dias depois ocorreu a solenidade de posse do primeiro comandante: general Rodrigo Otavio Jordão Ramos, singularmente conhecido por RO.

Manaus, 4 de julho de 1969

domingo, junho 25, 2023

AMAZONAS: EXEMPLARES DA FAUNA

 

Urubu-rei e Gavião
Garças | Arara | Gavião-pombo | Martim-pescador |
Jaçanâ (sentido horário)
Araras | Papagaios | Socozinho (todos: trabalho de Gunter Engel)





quinta-feira, fevereiro 16, 2023

YANOMAMI - PALAVRA DE MESTRE

 Ainda muito se fala da situação dos ianomâmi, das operações sobre o garimpo ilegal, por isso estou compartilhando parte do artigo publicado por Cristovam Buarque (professor emérito da UnB), no jornal Correio Brasiliense (7 fev. 2023), tratando do episódio sobre o aspecto do genocídio.

 

Recorte do título do mencionado artigo

(...) Os genocídios têm nomes diferentes, provocam mortes em números diferentes, sob formas diferentes, mas têm as mesmas causas — arrogância da civilização ocidental, ganância de lucro dos investidores, voracidade de consumo pelos ricos, racismo e supremacia dos brancos sobre as outras raças e, a maior de todas, a indiferença dos que assistem e se beneficiam de seus resultados, por Zyklon B, por mercúrio ou pela corrupção nas prioridades.

Os alemães foram coniventes com o genocídio de judeus, os brasileiros são coniventes com os genocídios dos índios, dos escravos, dos analfabetos e dos sem-escola de qualidade. Todos coniventes, mas alguns culpados e diretamente responsáveis. É preciso dar nomes aos genocídios e apontar os nomes dos genocidas.

Na Alemanha, os responsáveis pelos crimes dos nazistas se suicidaram ou foram levados ao Tribunal de Nuremberg, onde foram condenados à morte ou a longos períodos na prisão. Precisamos recusar a banalidade do mal e despertar contra todos os genocídios brasileiros, escondidos sob outros nomes, cometidos por todos que sonham com o progresso que elimina índios, usa escravos ou concentra educação para manter a desigualdade social. Mas também levarmos aos tribunais aqueles que no Brasil demonstraram, por palavras ou atos, responsabilidade com o específico genocídio contra o povo ianomâmi.

sábado, julho 23, 2022

POEMA CINQUENTENÁRIO, QUASE ANÔNIMO

O poema que compõe esta postagem foi compartilhado de O Jornal, edição de 27 de janeiro de 1963, por dois motivos: a assinatura autoral me leva a crer que se trata de um graduado da Polícia Militar do Amazonas, sem que possa comprovar. Somente levado pela memória. O segundo motivo: a natureza amazônica como tema foi escrito em Camará (sic), que segundo anotações da internet pode se tratar de um igarapé afluente do rio Negro, nas proximidades de Manaus.

Qualquer que seja a identificação do autor e o local de inspiração deste cinquentenário poema, acredito que agradará aos amantes desta arte.

 


O fanal sidéreo apaga-se na lonjura

E o poeta assiste recolher-se a natura.

Enquanto o seu peito de melancolia extravasa,

Traz o sopro das vespertinas aragens,

O aroma dos prazeres de outras paragens,

E o forasteiro sente saudade de casa. 

A tarde em harmonia expira calmamente,

Na vastidão do céu iluminado vagamente,

Já não passa mais uma andorinha;

O mundo parece que vai se trancando

E as lembranças uma por uma vêm chegando

Com a noite sombria que se avizinha. 

Os passarinhos já não gorjeiam mais,

Cantam as aves agoureiras e noturnais,

Enchendo de pavor a solidão imensurável;

As brumas misteriosas da noite escura,

Chocam-se e confundem-se com a verdura

Da selva imensamente impenetrável. 

E ante o aspecto taciturno da floresta densa,

Que cobre da gleba extensão imensa,

Por onde o rio desliza, espuma e serpenteia,

Nesta hora infinita da nostalgia

Em que ele tem de aspiração a alma cheia. 

 

Foto de Gunter Engel

 Ó bendita solidão, templo da reminiscência,

Onde a saudade ante às ruinas da ausência

Vem ajoelhar-se grave e compassivamente;

Enquanto o poeta levanta-se para saudar

A primeira estrela diamantina que brilha

Na tristeza firmamental do sol poente. 

Onde o pensamento para o pretérito (...)

E o coração hipersensibilizado,

Pelo silêncio nostálgico da soledade;

Sentimos perto alguém que está ausente,

E parece-nos estarmos frente a frente

Com os nossos velhos sonhos de felicidade.  

Foto de Gunter Engel

Tudo é vazio e desolado nesta solidão,

Onde o homem ensimesmado na contemplação

Do Amazonas apoteótico e majestoso,

Logo se vê cercado por duas grandezas

Distante dos encantos de todas as belezas;

A mata virgem — o Rio Mar tredo e caudaloso. 

Camará, 12 de agosto de 1962


quarta-feira, agosto 25, 2021

SAMUEL BENCHIMOL NA "MANCHETE"

 Entrevistado para a edição especial sobre a Amazonia, divulgada pela extinta revista Manchete (setembro de 1989), o saudoso amazonólogo Samuel Benchimol (1923-2002) deixou registrado os pensamentos aqui compartilhados, bem como sua bem expressiva foto. 
 

Detalhe da capa da revista

"Para conhecer a Amazônia é necessário pisar no seu chão. Mergulhar no rio Amazonas, andar pela mata e chegar à essência. Ela entra em você e toma conta de tudo" – ensina um caboclo ribeirinho em Óbidos, no Pará.

Nada deve ser feito sem humildade, sem um trabalho de observação e pesquisa, repensando até o conceito da ecologia em seu mais puro significado. Afinal, existe o homem – protagonista, réu e vítima do processo de ocupação daquele território. Trata-se de uma tarefa multidisciplinar, que exige a estreita cooperação entre a comunidade científica e os detentores do poder político.

Residente em Manaus, [Samuel] Benchimol concorda que o nível de desmatamento alcançado em Rondônia, norte de Mato Grosso, Tocantins, Maranhão, sul do Pará, e em menor escala no Acre e mínimo no Amazonas, é preocupante. "Mas não a ponto de se profetizar a destruição total da floresta amazônica no espaço de duas décadas, conforme a previsão de muitos ecólogos, climatologistas e políticos alarmistas" – ressalta.

Samuel Benchimol, no registro da revista Manchete

A perspectiva apocalíptica toma forma, porém, quando a área desflorestada é comparada com a superfície de pequenos países europeus (Holanda, Bélgica, Suíça, Dinamarca) ou com a de médios (França, Alemanha, Itália). Na ótica desses países, o quadro torna-se literalmente devastador.

Em outra dimensão - que estimula o desperdício —, o Brasil sequer chegou a uma conclusão da abrangência territorial da floresta amazônica.

Clara Pandolfo ("Amazônia Brasileira e suas Potencialidades", Belém: 1979) a estende por 260 milhões de hectares. Os botânicos Murça Pires, do Museu Goeldi, e William Rodrigues, do Instituto [Nacional] de Pesquisas Amazônicas (INPA), avaliam essa cobertura vegetal em 350 milhões de hectares. O inventário geobotânico do IBGE aponta para 538 milhões de hectares. Tomando como referência os 251.429 quilômetros quadrados desmatados, detectados pelo Instituto [Nacional] de Pesquisas Espaciais (INPE), podem-se fazer várias leituras em termos percentuais.