CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

30 de outubro de 2015

IGREJA DE SANTO ANTONIO DE BORBA

Registro minhas homenagens aos amigos Marius Bell e Otávio de Borba, com a reprodução do folheto Histórico da Igreja de Santo Antonio de Borba. Este folheto, sem identificação expressa de autor, foi serviço da Imprensa Oficial, em Manaus, deduzindo-se da sigla D.I.O. 1946 existente na capa.
Foto montagem da Igreja e a estátua do padroeiro 

A reprodução será feita em capítulos. Desde já, porém, concito o secretário de Cultura de Borba a reproduzir este folheto. Obviamente que após os reparos necessários e, se for plausível, acrescido da nova fase da história eclesiástica borbense.

No entanto, ao final do texto, encontra-se a assinatura do então padre Bento José de Souza, que foi vigário dessa paroquia. Assim pela datação e pelo texto final, creio que lhe cabe a autoria: “Confiando na Divina Providência e na proteção de Santo Antonio. Todos têm como certo que nas festas bicentenárias de 1955 e 56, Borba possuirá a mais bela igreja do interior do Amazonas.”

De fato, em junho de 1956, o arcebispo do Amazonas, dom Alberto Ramos, presidiu as solenidades em Borba. Para abrilhantar as celebrações levou os seminaristas e alguns padres. No círculo desses candidatos ao sacerdócio, eu estava presente. Devo acrescentar que conheci o cônego Bento desde essa data até seu falecimento.

Antes da transcrição, um pouco sobre este saudoso sacerdote. Bento nasceu em 2 de maio de 1890, em Cairu-BA (município-arquipélago, formado por 26 ilhas, possui a Igreja e Convento de Santo Antonio, construído a partir de 1653).

Recebeu a ordenação sacerdotal, em Salvador, a 30 de novembro de 1914. Foi cumprir seu ministério em Itajuípe (BA), onde construiu a Igreja do Sagrado Coração e conquistou o povo. Tanto que seus restos mortais foram, por exigência dos itajuipenses, transladados para esta igreja.
 
Recorte do Jornal do Commercio, 31 outubro 1971

Vindo para o Amazonas, acredito que no governo eclesiástico de Dom Basílio Pereira (1925-41) igualmente baiano, foi nomeado vigário das paróquias de Maués e de Borba em 1936. Como seria penoso para um sacerdote cuidar de duas comunidades em municípios tão distantes, em distâncias amazônicas. Dessa maneira, Pe. Bento atendeu aos católicos de Maués por dois anos, para prosseguir apenas na paróquia de Borba.
Daí a explicação para este folheto e as mencionadas festas jubilares.

Manteve sua vida religiosa em Borba, onde também construiu a igreja em homenagem ao padroeiro, hoje elevada ao grau de Santuário. Hoje, devidamente embelezado com a imagem de Santo Antonio de Borba, um elevado labor artístico de Marius Bell.

Cônego Bento retirou-se de Borba para Manaus já adoentado, onde faleceu em 1965, aos 75 anos.

26 de outubro de 2015

SERGIO LUIZ PEREIRA (1966-2015)

Sérgio Luiz Pereira
Faleceu ontem, em pleno domingo de bastante chuva, chuva que parecia lamentar a partida de nosso amigo. Serginho, como nos acostumamos a tratá-lo, saiu de cena sem alarde, sem atender ao nosso insistente apelo para que nos acompanhasse por mais anos. Não deu ou não foi possível. Morreu às vésperas de seu cinquentenário.

Funcionário da Editora Valer há quinze anos, onde servia como Revisor de talento e competência. Nesse labor, teve a oportunidade auxiliar a revolução editorial que a Valer executou em nossa cidade, assegurou o editor Tenório Telles. Assim, por sua apreciação técnica passaram inúmeros livros, tanto os clássicos reeditados quanto os livros de escritores amazonenses e de outras procedências.

Sonetista de qualidade, produziu dois livros: Cordas da liraSopros do oboé. Preparava um terceiro, já em fase de editoração, que os amigos já se comprometem em lançar logo que possível.

Bjarne Furtado
De outro modo, era vice-dirigente de uma associação litero-musical-etílica, que responde pelo dialético nome de Chá do Armando, e que se reúne toda sexta-feira, após o expediente. Ou seja, desde o começo da noite até o encerramento das lembranças e lambanças, ou que as altercações e as criações artísticas se esgotem, por parte dos presentes. Serginho era o termômetro desse pessoal, pois sabia conduzir a entidade com sorriso espontâneo e uma estimulante dose de Red. 

Três músicos desse pessoal, sob a direção do violinista Bjarne Furtado, reuniram forças para, executando o Carinhoso e outros temas de prazer do falecido, promover uma despedida repleta de soluços entre a plateia. Nessa oportunidade, o Cauã (foto), filho do falecido, achegou-se ao caixão e parecia dialogar com o pai. Que terão conversado?

No final desta tarde, os "chazistas", os amigos e os parentes o levaram para o Campo Santo. No cemitério Nossa Senhora Aparecida, popularmente do Tarumã. A partir de hoje, é naquele local que ele vai -- ao som do oboé -- nos aguardar.  
Até a eternidade, amigo Sérgio Luiz Pereira.

25 de outubro de 2015

PONTE DE EDUCANDOS

Lembro o aniversário de Manaus tão brilhantemente festejado com outro aniversário. Este, totalmente esquecido: dia 19 passado a Ponte Cônego Antonio Placido completou 40 ANOS
Bastante conhecida  pela ligação que permite entre o bairro de Educandos e o Centro da cidade.

Recorte do jornal A Notícia, 19 outubro 1975


Ponte Cônego Antonio Placido, após concluída
A Crítica, 20 outubro 1975
Recorte de A Crítica, 27 outubro 1975



24 de outubro de 2015

CLUBE DA MADRUGADA DE BRASÍLIA

Acervo do IGHA
Quase um decênio depois de sua criação, o Clube da Madrugada assistiu à instalação, em 1963, de um grêmio semelhante, inclusive na nomenclatura: Clube da Madrugada de Brasília. 
Em 1969, o clube brasiliense visitou Manaus, tendo sido acolhido por seu congênere em sessão especial no Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA).


A saudação - texto abaixo - aos membros do CM de Brasília, em sessão solene realizada a 16 de julho, coube ao orador sênior, o saudoso padre Raimundo Nonato Pinheiro. 


Saudação Ao Clube da Madrugada (*)

Padre Nonato Pinheiro
O Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas vive hoje uma de suas noites de mais rútilo esplendor, acolhendo em seu grêmio uma luzida caravana de intelectuais de Brasília, componentes do CLUBE DA MADRUGADA, que já constitui sem favor uma afirmação de pujança mental na vida literária, artística e cultural da capital da República. 
Conduzidos por esse DÍNAMO FEITO HOMEM que é o vosso operoso presidente, nosso confrade Miguel Lúcio Cruz e Silva, que nesta Casa mantém a poltrona de Bruno de Menezes nimbada de permanente claridade, vindes ao Amazonas, às terras lendárias das florestas virgens e das águas grandes, onde as árvores gigantescas rivalizam com as montanhas altaneiras, e os rios de águas negras ou barrentas desdenham dos mares verdes e dos oceanos azuis, vindes ao Amazonas para um amplexo de cativante simpatia entre a vossa e a nossa intelectualidade. 
Pe. Nonato (foto de 1958)
Se esta Casa dispusesse de sinos como as Catedrais góticas, opulentas de carrilhões e de vitrais multicoloridos, que aprisionam, no dizer de Edmond Joly, o azul do céu e o sangue do sol, estariam eles bimbalhando festivamente para receber tão ilustre comitiva, que nos traz a flor cultural da capital do país, portando sua mais nobre e requintada porção, já que o império da inteligência e do espírito inapelavelmente constitui a primazia dos povos! 
De há muito, senhores caravaneiros da cultura de Brasília, já tínhamos notícia da opulência de vosso grêmio, que reúne figuras as mais representativas nas letras, nas ciências e nas artes, brilhando com luz própria na poesia, no canto, na música, na pintura, no folclore na antropologia e demais ciências sociais, enfim, nos vários departamentos do pensamento e do espírito humano. 
Citar nomes seria incorrer no risco das omissões, que sempre ferem, ainda que involuntárias. Mas não seria inoportuno declinar nomes já consagrados em vossa agremiação literária e artística, entre os quais avultam o professor Emanuel Coelho, diretor de orquestra, e compositor, cantor e musicista Paulo Burgos, as poetisas Maria Valéria e Maria Aldina Furtado, a professora Magda França, o folclorista João Artur, o seresteiro Zezinho do Violão, os cantores Fernando Lopes e José Lourenço, a pintora e antropóloga Efy de Paula Moreira, conferencista desta noite, e esse admirável poeta Lenine Fiúza, cuja obra I Suma Poética, no próprio dia de vossa chegada, armou para mim um ágape das mais finas emoções, poeta admirável, que fez de Brasília o seu "convento azul' , e em cujas mãos em concha sua cabeça cismadora se demuda em pérola!... 
Ponto alto deste sarau de inteligência e cultura, será a conferência da professora Efy de Paula Moreira sobre a cultura maia, que floresceu no iucatão mexicano, na Guatemala e Honduras.  Não podia a douta conferencista escolher tema mais sugestivo do que os Malas, povos que habitaram a América Central na época pré-colombiana ou pré-hispânica, cuja cultura, graças à arqueologia e às investigações etnológicas e etnográficas realizadas pelos antropólogos, já nos brilha com luz mais intensa, deixando-nos ver e entrever os traços de sua inteligência nas suas inscrições lapidares, na cerâmica, na arquitetura, na medicina e na literatura, da qual fez valioso estudo Demétrio Sodi, estudando-a em três excelentes capítulos: literatura maia do iucatão; literatura maia de Chiapas e literatura maia da Guatemala. 
Lembro-me de ter lido em Morley que o culto dos ancestrais constituía entre os maias a característica básica de sua religião. As cabeças das pessoas ilustres e importantes eram preservadas para adoração. Esse culto dos ancestrais, senhora professora Efy de Paula Moreira, também é característico dos que compõem o cardinalato deste colendo templo cultural, que é o Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, onde praticamos com os varões egrégios do passado e investigamos as civilizações que nos antecederam. 
Vinde dar-nos vossa preleção magnífica, com a qual dignificareis a um tempo vossa luzida embaixada e este sodalício, que faz timbre de receber em alto estilo, com as magnificências do mérito as inteligências privilegiadas e as culturas polimorfas, cujas fontes muita vez entram pelas madrugadas, debruçando-se sobre os livros, pendentes de sono e de fadiga!... 
O Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, senhores embaixadores e embaixatrizes da intelectualidade de Brasília, vos recebe em festa, trazendo cada sócio o coração no rosto. Homens e mulheres de espírito, não podeis restringir vossa excursão a Manaus aos passeios, aos banquetes e à contemplação da natureza extasiante, onde, no dizer de um amazonólogo, impera o deus da POLICROMIA, escapo da mitologia grega. Tínheis que procurar uma elevação, o cimo para uma ascensão, porque é nos alcantis que pousam as águias, cujo olhar de fogo, na formosa expressão de Victor Hugo, troca raios com os raios do sol!... 
Sentis que desceis do planalto de Brasília para a planície amazônica. E nós, em contrapartida, ao calor e à irradiação de vossa alta embaixada, sentimos que subimos da planície para um planalto: o planalto da inteligência, o altiplano da cultura, em cujos cimos aureolados de claridades comovidamente vos abraçamos para o ósculo da fraternidade, neste dia memorável, que não supúnhamos ser para os nossos dias, dia excepcional nunca dantes imaginado por Colombo, Gama, Cabral ou Santos Dumont, em que o homem zarpou do planeta pela primeira vez, com destino a plagas extraterrenas, numa incrível demonstração de superinteligência, como se tocado fora de uma força sobre-humana e divina! 

Saudando-vos com emoção, agradeço em nome do IGHA esta hora de claridade e encantamento!
(*) Transcrito de Jornal, de 20 de julho de 1969  

23 de outubro de 2015

CLUBE DA MADRUGADA: NOTA

Recorte de O Jornal, 20 julho 1969
Quase um decênio depois da criação do Clube da Madrugada (novembro 1954), a instituição deu cria. Em Brasília foi instituído um grêmio bastante semelhante, inclusive na nomenclatura. Em julho de 1969, o clube brasiliense visitou Manaus, tendo sido acolhido pelo congênere local.

Para registrar esse intercambio e a satisfação da visita, o Suplemento CM, encartado em O Jornal, publicou um editorial saudando os visitantes.


Clube da Madrugada de Brasília
promove encontro com suas origens,
em Manaus


Cerca de 53 membros do Clube da Madrugada de Brasília, sob a presidência do nosso confrade Miguel Cruz, visitam Manaus e tomam conhecimento das nossas paisagens e da vida cultural e artística da cidade. 
É nosso desejo saudar, nesta Página, os companheiros de Brasília, cujo desempenho maior não se concentra apenas nos terrenos da arte e da literatura, mas também nos da música erudita e popular, num conjunto harmonioso de vocações que se entrelaçam e vencem a barreira do indiferentismo e da insensibilidade mais purificada.
Os nossos companheiros de Brasília completam a beleza arquitetônica da Nova Capital brasileira com seus cânticos de amor e alma, que vestem de luz e céu os altos pilares de cimento, refletidos num dança rígida de progresso na superfície do lago artificial.
 
Eles cantam, descrevem e pintam o que faltava em Brasília, para que ela sentisse a presença integral dos aedos que habitam entre os seus edifícios e avenidas.
Os renomes que integram a comitiva do CM-Distrito Federal nos trazem a mensagem de solidariedade que promove os ânimos arrefecidos e chama outra vez os companheiros de Manaus para o intercâmbio de valores e o diálogo construtivo, que sempre foram a base de nossa sobrevivência cultural agora mergulhados naquela fase malsã de hibernação, por fatores adversos que motivam, de tempos em tempos, o aparente desaparecimento ou a dispersão dos grupos de vanguarda.
 
Simples aparência no entanto. Porque aí estão os mais novos, os revisionistas e os continuadores de nosso movimento, quer sejam daqui, quer sejam de outros Estados. 
Em Brasília, o Cube da Madrugada completa seis anos de atividades, e cada vez mais cresce, se agiganta e unifica, dando-nos a poesia de um Lenine Fiuza, as composições e interpretações pianísticas de Maria Valeria e Paulo de Burgos, a voz de José Lourenço, o violão de Zezinho, a
declamação de Maria Aldina Furtado, a cultura de Edy Moreira, o violino mágico do maestro Emanuel Coelho e a paternal lideran
ça de Miguel Cruz e Silva (*), que mantém o Clube dinâmico e criador, divulgando as coisas do Amazonas.
 
Capa do livro
É indiscutível por conseguinte, a justiça de nossa homenagem e o abraço que sela, daqui por diante, a aliança clubista entre Manaus e Brasília. A árvore permanece de pé. E a flor e o fruto rebrotam de suas raízes para a beleza de suas copas altas, ao sol de um mundo novo.


(*) Miguel Cruz e Silva publicou Niterói 400 anos (1973) e Guerra de conquista da Amazônia (1989), ambos os livros podem ser encontrados no conhecido site estantevirtual.com.br

21 de outubro de 2015

"APUNTES" PARA A HISTÓRIA DE MANAUS (2)

As fotos abaixo foram registradas em 1953, pouco antes da grandiosa enchente do século passado. Efetuadas quando o autor, o saudoso geógrafo paulista Aziz Nacib Ab'Saber esteve na capital amazonense para, obviamente, estudar a geografia local.

As legendas também lhe pertencem. Todavia, como ele não identificou os locais, tomo a iniciativa de enxergar ambas as fotos mostrando o barranco e as "palafitas" do bairro de Educandos.


Aspecto do "front" da falésia fluvial de Manaus (margem esquerda do Rio Negro).  

A fotografia focaliza uma espécie de ligeiro colo no topo da barreira fluvial de Manaus. Trata-se de um verdadeiro vale suspenso que segue a inclinação suave do reverso do tabuleiro e que foi destruído gradualmente das cabeceiras para jusante, à medida que o recuo da falésia se processou.Sobre esse pequeno acidente geomórfico, assim se referiu Pierre Gourou (1949, p. 381): "Pouco acima de Manaus, ou melhor, a algumas centenas de metros a montante de São Raimundo, observamos um fato curioso: um vale seco nasce sobre o alto da falésia da margem esquerda do rio Negro, com declive para o norte, afastando-se do rio. É uma espécie de valleuse mas invertida, pois enquanto nas "valleuses" as altitudes do vale suspenso diminuem em direção à falésia e ao mar, o declive do vale suspenso de São Raimundo tem um sentido oposto, afastando-se do rio; contudo, este vale provocou um abaixamento na borda da falésia."Na realidade, trata-se-de uma falsa valleuse, num arremedo local e ilusório daquele curioso tipo de vales suspensos da beirada superior das falésias calcáreas. Trata-se de um ótimo índice para evidenciar o extraordinário recuo do paredão da falésia, determinado pela ação de solapamento lateral do volumoso e oscilante rio Negro, na zona próxima de sua confluência com o Solimões.O perfil transversal do vale suspenso retratado demonstra que a antiga plataforma interfluvial, que separava o rio Negro do vale dos igarapés manauenses, foi solapada em mais de 2 ou 3 km para no-nordeste; daí o fato de pequenos vales de riachos afluentes dos igarapés terem restado secos e suspensos no reverso da barreira fluvial, demonstrando que o recuo homogêneo do paredão de erosão fluvial ultrapassou o divisor d'águas local da drenagem antiga.Pierre Gourou analisa bem o problema, esquecendo-se tão somente de anotar o papel das gigantescas oscilações do nível do rio Negro, que ampliam razoavelmente a capacidade da erosão fluvial lateral, e a natureza relativamente friável dos depósitos arenosos pliocênicos do tabuleiro de Manaus, extremamente sensíveis ao solapamento fluvial marginal.
Enquanto a escultura pluvial e secundariamente fluvial das camadas sub-horizontais arenosas do tabuleiro se faz através um modelado suave e tabuliforme, devido à porosidade elevada das formações sedimentares regionais, o entalhamento fluvial lateral, ligado à correnteza maciça e oscilante do rio Negro, contrasta sobremaneira com a morfologia do modelado continental.Alinhadas na praia de estiagem da base do Paredão fluvial situam-se centenas de habitações palafíticas, que durante alguns meses ficam inteiramente à seco e durante os meses das cheias restam isoladas pelas águas, tendo como quintal o talude íngreme da falésia fluvial. No reverso do Paredão abrupto, iniciam-se os quarteirões compactos dos bairros modestos da cidade de Manaus, os quais constituem um dos blocos residenciais do organismo, separados do centro da cidade pela trama dos igarapés.



Pormenores dos "chalés" palafíticos da praia de Manaus  
Trata-se de habitações construídas sobre delgadas e resistentes estacas. Na frente das habitações, a altura das estacas varia entre 2,5 e 3,5m, enquanto, que se reduz para 0,50 a 1,5m nos fundos das mesmas.
Os chalés palafíticos têm a melhor aparência possível na categoria de casas de madeiras ribeirinhas, tanto no que se refere às linhas simples e agradáveis de sua fachada, quanto, ao seu arranjo e higiene interior e estado de conservação geral.
Trata-se mesmo de um pitoresco conjunto de construções de madeiras, excepcionalmente bem construídas e limpas. O espaçamento lateral que as separa é da ordem de 2 a 3m. Algumas dessas moradias pertencem a famílias de pescadores ou trabalhadores do rio ou dos cais, enquanto um grande número delas é ocupada pelo pequeno comércio de interesse da zona ribeirinha: mercearias, armazéns, botequins e rústicos restaurantes eventuais. Em muitos pontos, o paredão da falésia que dá para os fundos das habitações apresenta íngremes trilhas de acesso ao alto reverso da barreira fluvial, onde existem outros tantos bairros pobres ou modestos da cidade de Manaus.
Exceção feita da ausência da base palafítica, as moradias dos altos pouco diferem das que situam na praia, quer pelo material de construção, como pelo arranjo, limpeza e boa aparência. Durante as grandes cheias, o nível das águas sobe até próximo à base dos "chalés" palafíticos: por essa época, canoas e pequenos barcos podem aportar em qualquer uma das habitações, que temporariamente ficam transformadas em verdadeiros cais domésticos. 

20 de outubro de 2015

DIA DO POETA

Luiz Bacellar
Em homenagem ao Dia do Poeta, transcrevo um trabalho do saudoso poeta Luiz Bacellar, publicado há 50 anos. Observo dois detalhes interessantes: o poema foi escrito em espanhol e segue inédito em livro.

Com esta lembrança, parabenizo aos demais cultores desta Arte.


A TI

(Del Poema de Amor Mayor)

Luiz Bacellar (*)


A ti, perversa, lirial perversa,
Ya que siempre me tientas con tu carne
De nardo y sol.
Y con el cálido
Y rubio terciopelo de tus brazos
Siempre me tientas.
Con el durazno dulce de tu boca
Siempre me tientas.
!Oh carne de ámbar y oro
Perfumada!
Sólo puedo dejar que las abejas
Alborotadas de mis claros besos
Como un panal
De adoración
Vuelen zumbando em torno de tu frente
Cual resplandor
Delante de tus párpados
Y nada más...

Mi carne quiere más
Y todavia
?qué más quiere mi alma?

(*) O Jornal – 21 março 1965


 
A TI 
(Do poema de amor maior)
Luiz Bacellar 
Tradução: Roberto Mendonça 
  
A Ti, perversa, lirial perversa, 
Já que sempre me tentas com tua carne 
De perfume e sol. 
E com o louro veludo de teus braços 
Me tentas. 
E com o pêssego doce de tua boca  
Sempre me tentas. 
Oh! Carne de âmbar e ouro 
Perfumada! 
Somente posso deixar que as abelhas, 
Abarrotadas de meus claros beijos, 
Como um favo 
De adoração, 
Voem zumbindo em torno de tua fronte, 
Qual resplendor 
Diante de tuas pálpebras 
E nada mais...  
Minha carne quer mais  
E, todavia, 
Que mais quer minha alma? 

O Jornal – 21 março 1965

"APUNTES" PARA A HISTÓRIA DE MANAUS

Coincidência: em janeiro de 1953, na antevéspera da maior enchente amazônica, o professor Aziz Nacib Ab'Saber (1924-2012), da então Associação de Geógrafos do Brasil e professor universitário em São Paulo, visita Manaus. Em companhia de mais dois colegas, estuda a constituição dos acidentes fluviais encontrados nesta cidade.


O resultado desse estudo, reproduzido abaixo, foi publicado no Boletim Paulista de Geografia nº 14, de julho de 1953, quando o fenômeno da enchente amazônica começava a desanuviar. O comentário sobre a foto exposta pertence ao saudoso geógrafo – Professor Emérito da USP.
  


Capa da separata do Boletim
NA REGIÃO DE MANAUS

Em janeiro de 1953, o prof. Aziz Nacib Ab’Saber, sócio efetivo da A.G.B., professor de Geografia Física da Faculdade de Filosofia "Sedes Sapientae" e assistente da cadeira de Geografia do Brasil da Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo, teve oportunidade de visitar a cidade de Manaus, fazendo observações e colhendo fotografias de interesse geográfico, que aqui aparecem devidamente comentadas. 
Duas experiências de grande significação geográfica estão reservadas ao pesquisador que tem a felicidade de entrar em contato com as paisagens físicas e humanas da região de Manaus. 
A primeira diz respeito ao esquema do mundo físico regional, no qual se destacam alguns elementos importantes, tais como: a topografia do tabuleiro terciário de Manaus, espécie de baixo planalto arenoso tabuliforme, esculpido nos arenitos da formação Manaus, réplica geológica e geomórfica dos tabuleiros da formação das Barreiras do Nordeste; a presença do flutuante Rio Negro, cuja amplitude de oscilação de nível em Manaus já alcançou a cota de 7,61m, por volta de 1922; a existência de uma alta e extensa "barreira" fluvial na margem esquerda do Rio Negro, verdadeiro paredão de solapamento lateral situado na margem de ataque do grande rio; o quadro geográfico e hidrológico da zona de confluência entre o Negro e o Solimões, guardando ensinamentos dos mais interessantes sobre os fenômenos naturais que se passam num ponto de encontro das águas de um grande rio "branco" com um grande rio "negro"; a trama dos igarapés que seccionam fundo a beirada das falésias fluviais do tabuleiro terciário e que constituem um elemento importante do sítio urbano de Manaus, segundo a observação criteriosa de Pierre Gourou (1949, p.392); a floresta da terra firme e das terras baixas alagáveis e a vegetação de gramíneas das várzeas e margens de lagoas e paranás; o labirinto hidrográfico das planícies de inundação do Solimões, em contraste extraordinário com os sulcos discretos da drenagem dendrítico-retangular (Sternberg, 1950) dos tabuleiros terciários ; enfim, entre outros, os problemas da fertilidade relativa das aluviões modernas da ilha do Careiro, em face do solo arenoso e pobre do tabuleiro terciário de Manaus. 
Mas há um segundo grupo de fatos importantes, que diz respeito sobretudo ao trabalho do homem nesse pequeno recanto da surpreendente Hileia: uma, grande cidade comercial do Norte do Brasil e das terras baixas centro-equatoriais da América do Sul; o maior porto tipicamente fluvial do país; o ponto terminal da navegação atlântica de grande calado que remonta o Amazonas e uma etapa importante para toda a navegação da Amazônia Ocidental a mais significativa e permanente experiência da conquista do homem em face do meio físico, no desmesurado interior da Amazônia Brasileira; enfim, uma cidade que, além de apresentar uma posição geográfica excepcional na hinterlândia amazonense, possui, também, um quadro de sítio urbano dos mais interessantes e inesperados dentre as grandes cidades brasileiras. 
Para muitos desses fatos, ora enumerados, o geógrafo Pierre Gourou voltou suas vistas, de maneira inédita, pondo em equação os aspectos geográficos essenciais em suas Observações geográficas na Amazônia (1949), no meio das quais há um belo sumário dos fatos principais do relevo, estrutura e solos regionais. 
De nossa parte, teceremos apenas alguns comentários em torno de uma série de fotografias tomadas na região de Manaus, em janeiro do corrente ano, quando visitamos a região na companhia dos Profs. Ary França e Wladimir Besnard, e por especial gentileza dos aviadores da FAB [Força Aérea Brasileira], capitães França e Tapié.

REFERÊNCIAS:
GOUROU, Pierre (1949) — Observações geográficas na Amazônia (Primeira parte) — Revista Brasileira de Geografia, ano XI, julho-setembro 1949, nº 3, pp. 355-408. Rio de Janeiro.

STERNBERG, Hilgard O'Reilly (1950) – Vales tectônicos na planície amazônica? Revista Brasileira de Geografia, ano XII, outubro-dezembro 1950, nº 4, pp. 511-534. Rio de Janeiro 


O rio Negro frente a Manaus, num período de estiagem moderada.

Extensos comboios de barcos e canoas constituem as cenas mais pitorescas da movimentação humana do rio Negro, na região de Manaus. Às primeiras horas da tarde, os barcos que vieram abastecer a cidade com produtos da região (peixes, frutas, cereais, verduras, drogas e toda a sorte de produtos alimentícios), voltam para as zonas rurais ribeirinhas, rebocados por uma pequena lancha a motor.
A maior parte das barcaças e canoas proveem da ilha do Careiro e adjacentes (Cambixe, Terra Nova e Caldeirão). O extenso comboio já em "alto rio” recebe as embarcações retardatárias, que procuram encaixar-se em lugar apropriado, segundo o seu tamanho. Não raro: alguns desses comboios chegam a somar 50, 60 e, até mesmo, uma centena de canoas.
O rio Negro, no lugar onde foi tornada a fotografia possui aproximadamente 2.300m de largura. 

18 de outubro de 2015

CALENDÁRIO DE LUIZ BACELLAR

O finado poeta Luiz Bacellar teve versos de seu livro Sol de Feira aproveitados pela Suframa para um calendário. Aconteceu em 1982.







17 de outubro de 2015

CHEFE DE POLÍCIA (5)

Recorte do jornal
Figura excepcional criada nos primórdios do governo imperial, o Chefe de Polícia atravessou longo período da República, até ser atingido em definitivo pelo Governo Militar (1964-85). Corresponderia hoje ao Secretário de Segurança.
O texto abaixo, extraído de matutino local, divulga o falecimento do Dr. Oliveira Lima, no exercício da chefia de Polícia. No vasto número de ocupantes desse cargo, trata-se do único a falecer na atividade.  

Dr. Antonio Cavalcante de Oliveira Lima (*)

Rodeado do carinho de sua família e assistido por pessoas de suas relações de amizade, faleceu, ontem, às 14 horas, em sua residência, à avenida Joaquim Nabuco, 580, o dr. Antonio Cavalcante de Oliveira Lima, Chefe de Polícia do Estado, em comissão, e figura das mais destacadas da sociedade amazonense. Vitimou-o rápida e atroz enfermidade, que zombou impunemente de todos os recursos da ciência, aplicados por seus médicos assistentes.
Nascera o dr. Antonio Cavalcante de Oliveira Lima a 1º de outubro de 1888, no estado da Paraíba, descendendo de uma das mais antigas famílias paraibanas. Bacharel em ciências jurídicas e sociais, iniciou seu curso na Faculdade de Direito do Recife, vindo a terminá-los, brilhantemente, na Faculdade de Direito do Amazonas.
Residindo, desde sua juventude, nesta capital, aqui constituiu família, sendo casado, em segundas núpcias, com a senhora d. Dalila Barros Cavalcante de Oliveira Lima, filha do dr. Virgílio de Barros, subprocurador fiscal da Fazenda Pública.
Deixa o saudoso extinto, de seu primeiro consórcio, os seguintes filhos: senhores José, Antonio e Manoel de Oliveira Lima, e senhora Suzana Cavalcante de Oliveira Lima Medina, esposa do dr. Álvaro Medina, residente em Bogotá, Colômbia. De seu segundo matrimonio ficaram dois filhos menores: Paulo e Mirza.
O dr. Oliveira Lima, que era um exemplar chefe de família e correto funcionário estadual, exerceu diversas funções públicas das mais espinhosas, nas quais pôs em relevo a sua lealdade aos poderes constituídos, tendo também militado no fórum local, sempre estimado por seus princípios morais e elevados dotes de espírito.Iniciou o dr. Oliveira Lima sua carreira pública na Polícia Civil, como escrivão, passando depois a inspetor da Polícia do Porto, tendo desempenhado, em diversas oportunidades, o cargo de delegado auxiliar, achando-se no exercício do cargo de Chefe de Polícia há mais de um ano, tendo o seu desaparecimento consternado todas as classes sociais da capital.
O dr. Ruy Araújo, interventor federal, em exercício, determinou que os funerais do dr. Antonio Oliveira Lima fossem feitos por conta dos cofres públicos, em homenagem aos leais e valorosos serviços prestados ao Amazonas por aquele auxiliar da administração, mandando, também, o chefe interino do governo amazonense que fosse encerrado, ontem, o expediente das repartições públicas estaduais, em sinal de sincero pesar.
O sepultamento do dr. Antonio Cavalcante de Oliveira Lima realiza-se hoje, ás 9 horas, saindo o féretro da casa enlutada.A fim de que o funcionalismo possa prestar a sua homenagem de saudade ao dr. Oliveira Lima, tomando parte no ato de seu enterramento, será facultado o ponto no primeiro expediente de hoje.
 A Manaus Tramways and Light porá 2 bondes à disposição das pessoas que quiserem acompanhar o enterro do dr. Oliveira Lima, associando-se, desse modo, as manifestações póstumas que serão prestadas ao ex-Chefe de Polícia.

(*) Jornal do Commercio, 27 nov. 1942

11 de outubro de 2015

DIA DAS CRIANÇAS

Em Homenagem ao Dia das Crianças
As crianças do casal Manuel e Francisca Mendonça, nascidas em Manaus. Em fotos elaboradas aos seis meses e no mesmo estúdio.  


Roberto Mendonça, dezembro. 1946

Henrique Mendonça, dezembro. 1948

Renato Mendonça - janeiro. 1952

10 de outubro de 2015

PMAM - COSME E DAMIÃO

Recorte de jornal A Crítica
De fato, aconteceu uma renovação a implantação do policiamento a pé, em dupla, conhecido por Cosme e Damião. Foi implantado na Capital estadual, quando do governo de Plínio Ramos Coelho (1955-59) e, sendo comandante da Polícia Militar do Amazonas, o tenente-coronel Cleto Veras.

A pequena tropa estava constituída de policiais escolhidos pela presença física e pelo treinamento. As duplas, que circulavam pelo Centro, ampliavam a segurança dos moradores, moradores que constituíam a classe dirigente do Estado.

Afonso de Carvalho, autor da crônica, integrava a família de André Araújo, cuja filha Ritta Araújo, hoje dirige o matutino A Crítica. Todos eram moradores da rua Tapajós, nas proximidades da igreja de São Sebastião e do Teatro Amazonas.

Os Cosme e Damião foram empregados pela PMAM por anos, até 1972, quando a Rádio Patrulha rouba-lhes essa primazia. A partir desse ano, Manaus passou a ser vigiada pelo policiamento motorizado.    

Cosme e Damião: Bons Amigos (*)

Crônica de Afonso de Carvalho

DOU NOTÍCIAS ao leitor do funcionamento dos Cosme-e-Damião nesta cidade. Mais de uma vintena dos simpáticos policiais já se acham em função em nossas ruas e praças, as mãos para trás, sérios, compenetrados do seu papel, com a missão precípua de manter a boa ordem, proteger os velhos, as crianças e as árvores, satisfazendo, assim, um justo anseio da boa gente manauense, que há tempos implorava segurança e tranquilidade, sem que ninguém a ouvisse nem de tal tomasse conhecimento.
Os Cosme-e-Damião já chegaram, porém, e chegaram em boa hora. Eles devem conhecer, nas maiores minúcias, as responsabilidades do seu posto, responsabilidades que são grandes, de todas as horas, de todos os minutos. Manaus vinha sendo, lamentavelmente, uma cidade sem proteção, uma cidade, por assim dizer, entregue aos maus elementos, que lhe destruíam as belezas ainda restantes, seus monumentos, seus jardins, suas árvores, suas instalações elétricas e telefônicas e até a propriedade particular se sentia abandonada, porque as autoridades não davam nenhuma atenção a um problema tão importante, como é esse, assistindo, a tudo, impassíveis e indiferentes como se não fosse sua obrigação zelar por aquilo que foi construído com o dinheiro do povo, arrancado, Deus sabe, a tão duras penas. 
Dupla de Cosme e Damião
Tínhamos uma Guarda Civil e tínhamos (ou temos) uma Guarda de Parques e Jardins, esta última sob a responsabilidade da Prefeitura Municipal — mas infelizmente esses órgãos não preenchiam suas finalidades por motivos bem fáceis de imaginar. Agora vem de ser criada a organização dos Cosme-e-Damião nos moldes da que existe na capital da República e outros centros adiantados do País. Os Cosme-e-Damião são cavalheiros que de nós merecem toda a consideração. 
Devemos prestigiá-los, estimulando-os na sua ação, pois eles vieram para, como dissemos, manter a ordem na cidade, corrigindo os malfeitos (que são muitos entre nós), pondo freio igualmente à molecagem destruidora e vieram também para proteger os pequeninos, os fracos e os indefesos — que são, no caso, as crianças, os velhos, as árvores, os passarinhos, que enfeitam e dão vida aos nossos pobres jardins. 
Dizem que, por enquanto, os simpáticos policiais de mãos-atrás-das-costas só estão agindo nas horas silenciosas da noite. Seu número ainda é pequeno e isso se explica pelo fato do trabalho de seleção dos seus membros ser bastante rigoroso. Cosme ou Damião só pode ser quem tenha um caráter à prova de fogo, quem possua bons sentimentos no coração, quem conheça deveres cívicos e possua, outro tanto, boa fortaleza física, calma, ponderação e coragem. Esses são os homens, leitor, que agora nos estão protegendo. Faço votos para que eles obtenham prestígio no seio da população da cidade. 
Que cada um de nós, de hoje por diante, tenha um sono mais tranquilo e uma existência mais segura, só em pensar que ali na esquina existe um homem fardado que lhe garanta a vida, a propriedade, o bom silêncio, a tranquilidade tão necessária que todos almejam. 
Cosme-e-Damião são policiais de elite, todos fiquem certos dessa verdade. São homens educados, cavalheiros, com uma missão consciente e uma vontade firme a executar. Deixo a eles, aqui, a minha mensagem de solidariedade e o meu pedido bem compreensível e modesto: não esqueçam a minha rua, a rua Tapajós. Ela é uma rua como as outras, abandonada, triste, terrivelmente escura e necessita da proteção de vocês, bons amigos que chegaram. Nas noites escuras gostarei de ouvir seus trinados e suas passadas cadenciadas pelo calçamento em frente à minha casa. Dormirei assim mais contente, terei mais confiança no dia de amanhã. 
Salve, pois, os Cosme-e-Damião.
(*) A Crítica, 28 de agosto de 1956