CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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terça-feira, dezembro 05, 2017

OKADA: HIDEOMI E ODACY


A dupla Roberto e Okada, em 2011
Encontrei Odacy no início do nosso Serviço Militar, em 1965, portanto, já dobrado o cabo do cinquentenário desta e de outras efemérides. Assim foi com o Núcleo de Preparação de Oficiais da Reserva, no antigo 27 BC; com nosso ingresso na Polícia Militar do Estado, em 1966; e no Curso de Armamento (eu) e de Moto-mecanização (ele), na extinta Escola de Material Bélico (EsMB), no ano seguinte.

A formatura militar impõe certo bullyng aos de metro e sessenta, meu caso e dele. Porém essa “discriminação” com os baixinhos nos aproximou imensamente, pois éramos os cerra-fila, junto com o Ruy Freire. Cujo trio ingressou na PMAM e hoje desfruta da benevolência do Estado, ultrapassados os “setentanos”.

Há exatos cinquenta anos estava com o Odacy no Rio, encerrando os cursos na EsMB, ao final de um ano na (então) Cidade Maravilhosa. De regresso, estivemos sempre próximos, com a cidade de Manaus como menagem, pois a Polícia Militar ao tempo não dispunha de grandes efetivos no Interior. Creio que ele esteve como Delegado de Polícia em Parintins, na ilharga de Maués, de onde era originário, filho de Hideomi Okada.

Elaborei este resumo não para homenagear o Odacy, mas seu pai – Hideomi Okada, posto que este, em 5 de dezembro de 1975, recebeu uma condecoração do Império Japonês pelos serviços prestados no Amazonas. Tive pouco contato com o agraciado, sabia de suas conquistas e feitos pela fala mansa e despretensiosa do filho. Pouco o encontrei. Talvez por isso, guardei de seu Hideomi uma estranha imagem: ele montado a cavalo em Manaus.

Para encerrar, informo que a postagem abaixo foi sacada do extinto matutino A Notícia, da mesma data, esperando que ela chegue ao amigo Odacy, que hospitalizado intenta superar mais outra adversidade. Saúde, Kokada!

CONDECORAÇÃO
O Imperador Hiroito, do Japão, concedeu a Hideomi Okada, residente em Manaus, a comenda "Sexto Grau da Ordem do Tesouro Sagrado", por serviços relevantes de natureza
 
A Notícia, 5.XII.1975
 social. A cerimônia da entrega da condecoração acontecerá hoje, às 10 horas, na residência oficial do Cônsul do Japão.
O agraciado nasceu em 1896, na província de Yamaguchi, e é pai da Dra. Massue Okada, professora Carna Okada, Major PM Odaci Okada e Dr. Orlando Okada, este recentemente formado pela Universidade do Amazonas.

OS SERVIÇOS
Hideomi Okada chegou a Maués (AM) em 1930, onde, a par de serviços odontológicos, trabalhou na erradicação da malária. Em 1933 exerceu a direção da Associação Japonêsa de Maués. Em 1958, atendendo convite da Prefeitura de Parintins, mudou-se para o citado município, onde, juntamente com a filha Massue Okada, prestou assistência odontológica à comunidade municipal.
Registro na sepultura

Em 1960 mudou-se para Manaus, ajudando, naquela época, a JAMIC na organização da Casa do Estudante Nissei, principalmente com o seu trabalho e exemplo junto aos pais, mostrando-lhes a importância da educação dos filhos a fim de que pudessem participar e se Integrar na comunidade brasileira. 

sexta-feira, outubro 30, 2015

IGREJA DE SANTO ANTONIO DE BORBA

Registro minhas homenagens aos amigos Marius Bell e Otávio de Borba, com a reprodução do folheto Histórico da Igreja de Santo Antonio de Borba. Este folheto, sem identificação expressa de autor, foi serviço da Imprensa Oficial, em Manaus, deduzindo-se da sigla D.I.O. 1946 existente na capa.
Foto montagem da Igreja e a estátua do padroeiro 

A reprodução será feita em capítulos. Desde já, porém, concito o secretário de Cultura de Borba a reproduzir este folheto. Obviamente que após os reparos necessários e, se for plausível, acrescido da nova fase da história eclesiástica borbense.

No entanto, ao final do texto, encontra-se a assinatura do então padre Bento José de Souza, que foi vigário dessa paroquia. Assim pela datação e pelo texto final, creio que lhe cabe a autoria: “Confiando na Divina Providência e na proteção de Santo Antonio. Todos têm como certo que nas festas bicentenárias de 1955 e 56, Borba possuirá a mais bela igreja do interior do Amazonas.”

De fato, em junho de 1956, o arcebispo do Amazonas, dom Alberto Ramos, presidiu as solenidades em Borba. Para abrilhantar as celebrações levou os seminaristas e alguns padres. No círculo desses candidatos ao sacerdócio, eu estava presente. Devo acrescentar que conheci o cônego Bento desde essa data até seu falecimento.

Antes da transcrição, um pouco sobre este saudoso sacerdote. Bento nasceu em 2 de maio de 1890, em Cairu-BA (município-arquipélago, formado por 26 ilhas, possui a Igreja e Convento de Santo Antonio, construído a partir de 1653).

Recebeu a ordenação sacerdotal, em Salvador, a 30 de novembro de 1914. Foi cumprir seu ministério em Itajuípe (BA), onde construiu a Igreja do Sagrado Coração e conquistou o povo. Tanto que seus restos mortais foram, por exigência dos itajuipenses, transladados para esta igreja.
 
Recorte do Jornal do Commercio, 31 outubro 1971

Vindo para o Amazonas, acredito que no governo eclesiástico de Dom Basílio Pereira (1925-41) igualmente baiano, foi nomeado vigário das paróquias de Maués e de Borba em 1936. Como seria penoso para um sacerdote cuidar de duas comunidades em municípios tão distantes, em distâncias amazônicas. Dessa maneira, Pe. Bento atendeu aos católicos de Maués por dois anos, para prosseguir apenas na paróquia de Borba.
Daí a explicação para este folheto e as mencionadas festas jubilares.

Manteve sua vida religiosa em Borba, onde também construiu a igreja em homenagem ao padroeiro, hoje elevada ao grau de Santuário. Hoje, devidamente embelezado com a imagem de Santo Antonio de Borba, um elevado labor artístico de Marius Bell.

Cônego Bento retirou-se de Borba para Manaus já adoentado, onde faleceu em 1965, aos 75 anos.