CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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quarta-feira, setembro 30, 2026

MEUS OITENTANOS (19)

         FASCÍCULO 19

     

Comecei o ano de 1980 com a casa do Conjunto Tiradentes repleta. Havia deixado a amada CVC em Curitiba, portanto, estava “solteiro”; motivo pelo qual abriguei meus pais e quatro irmãos em dois quartos e um amplo quintal, onde logo meu pai construiu um chapéu de palha para o conforto na área. Esse condomínio encontrava-se nos arrabaldes da cidade, ligado ao centro pela estrada do Aleixo, hoje avenida Cosme Ferreira. Sem comércio de qualquer natureza, o abastecimento de urgência era realizado no incipiente bairro do Coroado, somente alcançado de carro. A casa encontrava-se situada na esquina da Rua das Orquídeas com a Avenida das Flores, dispondo de ampla área verde.

Residência no conjunto Tiradentes

Todavia, minha primeira tarefa no Ano Novo foi buscar o Chevette em Porto Velho. Avisado pelo sogro, convidei a amiga Maria Olinda e pegamos o ônibus de volta àquela cidade; a movimentação foi semelhante à viagem de vinda. A viagem chegou na madrugada em Porto Velho e tratei prontamente de receber o carro, coberto de poeira — não foi surpresa; assustei-me quando vi o porta-malas aberto: a tranca havia sido danificada pelos solavancos da estrada e, ao abrir o carro, um forte odor de bebida alcoólica impregnava o interior. Esclareço que os mesmos solavancos romperam as embalagens das garrafas e até danificaram a caixa de ferramentas do mano Luiz. Fora isso, tudo estava conforme. Sabendo que a balsa no Careiro interrompe o serviço às seis da tarde, apertei o acelerador, tendo parado em um ou dois igarapés para me refrescar e trocar uns afagos com a carona. Cheguei à balsa a tempo e, assim, consegui dormir em casa.

Aquele ano passou nessa conjuntura, meu pai buscando reparar a casa do Morro da Liberdade, e os irmãos estudando com embaraços, devido ao transporte. Ainda assim, Luiz e Ricardo conseguiram aprovação no Senai, e Jorge empregou-se no Posto Sete. Antes que eu me esqueça: Jorge dormia na sala, por isso pedia a ele que me abrisse a porta quando eu chegava à noite, depois da faculdade e do rolê. Não havia maneira; quando eu batia na janela envidraçada, já ouvia a chiadeira dos chinelos do velho. Abria a porta e me acolhia com a mesma admoestação: “Você não vai trabalhar amanhã?”; recolhia-me à rede e roncava até de manhã. Outra: certa manhã, passando na esquina, um jovem com sua mochila solicitou-me uma carona; era hábito esse apoio pela precariedade de transporte. Ao passar pelo Coroado, o carona pediu que parasse e desceu, agradecendo. No outro dia, o vizinho me perguntou se havia dado carona a alguém. “Sim”, confirmei. “Onde ele ficou?” E, sem captar qualquer dano, informei: “na entrada do Coroado”. Então, o vizinho me contou que sua casa fora furtada naquela noite; daí conclui-se: o policial ajudou o bandido a fugir.

Algumas recordações do bairro Tiradentes que, como assegurei, havia sido implantado em região de mata, tendo por limite um igarapé; com a presença dos manos, as primas passaram a visitá-los com frequência e, quase sempre, a visitação se estendia até aquele curso d'água. A localização permitia frequentes chamegos e o avanço dos botos sobre o cardume, sem implicações. Outra: à época, eu fumava. Diversas vezes fiquei à noite sem esse veneno, porque não havia ao redor onde comprar. Em certa ocasião, postei-me à porta, esperando a passagem da patrulha de policiais; com ela, puxei uma conversa de “bêbado”, até perguntar se algum deles fumava. De pronto, um deles confirmou de quem pedi um cigarro. Este tentou me passar a carteira, que recusei. Fiz bem, pois, ao acender o cigarro ofertado, percebi que era de terceira linha, um “quebra peito”. Terceira: os filhos Roberto e Eduardo passavam comigo o final de semana e, aproveitando as ruas largas e enladeiradas, desfrutavam do único par de patins. Num sábado, ao retornar para casa, fui surpreendido pelo Robertinho, que, de patins, tentou pegar carona agarrando-se à janela do carro; não conseguiu, caindo ao solo. Em baixa velocidade, de pronto parei e corri para ver o acidentado. Nada demais, pois o garoto caiu com a mão espalmada e o pneu evitou mal maior.

Brasão do Corpo de Bombeiros da PMAM

Ao retornar à atividade policial, fui designado para servir no Corpo de Bombeiros, de onde fora afastado há seis anos; na ocasião, abrigado no novo aquartelamento da rua Codajás, em Petrópolis. Encontrei a boa acolhida dos colegas: Odacy Okada, comandante, e Cavalcanti Campos, no Centro de Atividades Técnicas (CAT). A hierarquia permitiu que fosse nomeado subcomandante, e tratei de buscar uniforme e capacete próprios do serviço. Logo, tomei conhecimento da reviravolta que o IPM “montado” dois anos antes na Rádio Patrulha encontrava-se na Auditoria, com meu pescoço à prova. Na época, bastava que o policial respondesse a um inquérito — como acusado — para, na condição de sub judice, ser excluído de lista de promoção. Essa adversidade logo me alcançou, quando assisti a diversas ultrapassagens ou “cangalhas”, no linguajar da caserna, de subalternos. Apesar disso, o prejuízo seria recompensado três anos depois, ao servir no Palácio Rio Negro.

Carteira estudantil da Faculdade de Educação

O curso técnico que frequentei propiciou que, em março, passasse a integrar a “Comissão de revisão de currículos e formulação de propostas de cursos de formação e aperfeiçoamento de praças”; a despeito do extenso título, ignoro a minha contribuição. Ainda naquele mês, foi criado o pelotão feminino, representando a quebra do machismo na corporação. A fim de capacitar o pessoal, foi instaurado o CFS feminino e, no quadro de instrutores, fui convocado para ensinar a disciplina “Metodologia do Ensino”. A matéria estava bem viva, mas achei estranho ensinar pela primeira vez mulheres; como deveria tratá-las, da mesma forma que os colegas homens? Outro pormenor me incomodava: de que maneira atuar durante a aula ao ver aqueles corpos jovens, por vezes chegando ainda com o short de educação física delineando o sexo? Mantive-me bem longe dos impulsos; após o curso, houve um namoro inconsequente com as primeiras oficiais. Antes do encerramento do curso, ocorrido no final do ano, em agosto, fui substituído no ensino da disciplina.

segunda-feira, junho 26, 2023

OS PEREIRA LIMA DO ANVERES

 Dias passados a família conheceu a morte da prima Shirley Melo Lima, e mais recente a grave situação de saúde dos primos Luís Jorge e Manuel "Bala". Diante dos fatos, reabri meu baú de anotações para efetuar ligeiro recenseamento dos primos vivos. Encontrei ainda 22 Lima descendentes do saudoso casal Vicente e Adelaide Pereira Lima, que foi morador do lago do Anveres (ontem Careiro, hoje do Castanho).

Casal Pereira Lima

 

ORDEM CRONOLÓGICA

 

1935 | Aluizio Barbosa Lima | Manaus

1943 | Maria Adelaide de Souza

1945 | Luís Jorge Lima de Carvalho | 9 abril

1946 | Manoel Roberto Lima Mendonça | 17 junho

1947 | Arnaldo Barbosa de Lima | 20 maio

   Maria de Nazaré Lima da Silva | 30 agosto

         1948 | Henrique Antonio Lima Mendonça | 13 junho

1949 | Carlos Alberto Melo Lima        

   Ivo Manoel Barbosa Lima | 19 maio

   Manuel (Bala) Lima Filho | 31 outubro

1951 | Pedro Renato Lima Mendonça | 29 junho

   Sebastião Nogueira Lima | 22 setembro

   Jacira Lima Taveira | 26 setembro

1953 | Sonia Lima Baima  

   Gelson Garcia Lima | 26 outubro

1954 | Joaquim Hélio Barboza Lima |16 novembro

1956 | Maria Iracema Barboza Lima | 1º junho

1957 | Suderly de Mello Lima

1958 | José Garcia Lima | 10 outubro

1961 | Cilene Melo Lima

1963 | Edilson Melo Lima

1967 | Fernando Melo Lima   

Lago do Anveres


sábado, maio 28, 2022

JESUS MENINO

 A postagem pertence ao Renato Mendonça, meu irmão, que a escreveu no dia consagrado a Nossa Senhora Auxiliadora. Nesta data, abraço com veneração pelo natalício o amigo fraterno Paulo Vital e a filha Sofia Mendonça.

 24 MAIO 2022

Passei pelo menino e me dirigi à entrada da Padaria, tinha o propósito apenas de me abastecer do pão nosso de cada dia. Eu sou um habitué daquele estabelecimento comercial, mas nunca o tinha visto antes. Dois passos adiante, não consegui seguir em frente. O olhar do menino me chamou. Voltei lentamente e, numa rápida reflexão, vi que aquele menino se parecia comigo. Tinha entre oito e dez anos, moreno, cabelos negros, olhar vivo e uma compleição física franzina. Estava agachado segurando pela boca um saco preto, desses que se usa para o lixo, com algumas coisas dentro.

Grupo de meninos observados no Careiro

Não me pediu nada, apesar de eu lhe ter dedicado atenção. Olhei nos seus olhos e perguntei docemente: “o que está fazendo aí, garoto?” Não era uma pergunta desproposital, afinal ele não me parecia um pedinte, ou pelo menos não deixava transparecer pelo olhar cristalino que emitia. No entanto, era um olhar inquisidor, que me cobrava atitude humana enquanto eu abordava a minha consciência. “Estou catando latinhas e garrafas pet...”, me respondeu calmamente. “Entendi... o pessoal, quando saí, te entrega?”, falei uma obviedade, me aproximando mais um pouco do menino. “Sim...”, foi a resposta lacônica que me deu, sem demonstrar ansiedade, nem mesmo me perguntou se eu ia consumir alguma coisa que lhe fosse resultar num produto reciclável. Fiquei ainda uns dois ou três segundos olhando o garoto. Ele me transmitiu uma certa paz! Não que eu estivesse com falta dela, mas era uma paz diferente, avassaladora, que me envolvia como se um manto estivesse me cobrindo e me protegendo do frio da insensatez. Fiquei imaginando os discípulos recebendo o Espírito Santo, será que teve esse poder de seduzir e inebriar com a força da fé e da solidariedade? E no caso deles, ainda ficaram dotados de sabedoria plena conforme lhes foi ensinada por Jesus.

Entrei no estabelecimento consumindo esses pensamentos. Planejando uma maneira de ajudá-lo sem o constranger. Eu não ia comprar nada que pudesse lhe render uma embalagem usada. Também diagnostiquei que qualquer reciclável que lhe desse seria muito pouco, algo muito menor que uma esmola. Isso, sim, seria um despropósito com o ser humano. Essas migalhas não dignificam ninguém, pelo contrário, subestimam. A sociedade humana precisa ser mais justa. Mas, para mudar os conceitos e os costumes há um enorme caminho a ser seguido, desde a mais tenra idade. Há uma necessidade urgente de se diminuir o fosso social que separa os ricos dos pobres, ou da classe média dos miseráveis. Intui que aquele menino, que me cativou com seu olhar emblemático, está na idade ideal para o aprendizado. Pode aprender com essas adversidades, com as dificuldades da vida para ser tornar um cidadão. É difícil, mas não impossível.

Resignado, ele não parecia sofrer com a situação econômica que vivia; parecia que estava apenas carregando sua pequena cruz... Não conjecturei mais nada, estava na hora de pagar pelo pão. Antes, porém, me penitenciei por não ter lhe comprado algo para comer. No mesmo momento, minha consciência me absolveu: “ele não parece estar faminto, está ali com outra finalidade...” Botei a mão na carteira e separei cinco reais. Minha consciência me sacudiu de novo: “não acha pouco?”. Realmente, se julguei que as latinhas era uma miséria, um acinte à dignidade humana, por que não lhe dar algo mais?

Saí dali com a alma engrandecida carregando o meu corpo mais leve. Fui em direção ao garoto, mas ele não estava mais lá. Apenas o saco preto estava depositado na calçada. Girei o olhar e não o achei por perto, saí, caminhei pela calçada para um lado e para o outro e não o vi. Fui até um lugar onde se vendia frango e refrigerante, e nada. O menino sumiu. No sentido de esperar ele retornar, fui até um caixa eletrônico e saquei vinte reais. Eu queria doar um valor maior que os cinco que havia pensado anteriormente, e a minha consciência me condenou.

Voltei ao menino e ele ainda não estava lá. Estranhei o fato porque o saco preto estava no mesmo lugar, na calçada, na mesma posição. Abaixei-me e abri o saco. Apenas umas poucas latinhas e duas ou três garrafas pets de água mineral de meio litro. De novo, discerni: por que ele não levou o saco para onde ele foi? Ou será que deixou ali no intuito de alguém, conhecendo sua missão, ir depositando as latas no saco? Não, isso não é comum, respondi a mim mesmo.

Raciocinei que ele voltaria, em algum momento voltaria. Coloquei uma nota de vinte reais dentro do saco e fechei-o com um laço. Na certa, quando ele encontrasse não ficaria constrangido, não estaria vendo o rosto do benfeitor. Saí como se estivesse carregando a pomba da paz no ombro. Enquanto caminhava de volta, minha consciência me garantia que era Jesus que estivera ali, transfigurado naquele menino, para ver a minha reação e testar a amplitude do meu comportamento humano. Não basta apenas doar aquilo que nos sobra, doar as migalhas que caem da nossa mesa — é preciso repartir o pão! Há sempre um sinal de Deus em cada episódio que vivemos nesta vida afora, e devemos aproveitar para ser essencialmente humanos.

Jesus ressuscita em nossa vida quando nos distraímos entre as leviandades da sociedade. Devemos deixar fluir de dentro de nós o verdadeiro amor ao próximo. Sempre que houver uma chance, usar a chave do seu coração para abri-lo de dentro para fora. Principalmente, quando nos deparamos com um olhar infantil puro, imaculado, que cobra de nossa consciência atitudes humanas.

sábado, maio 29, 2021

ALMIR DINIZ DE CARVALHO (2)

A lembrança do poeta Almir Diniz, ontem falecido aos 91 anos, segue intenso e categórico. Desejo lembrá-lo por esta semana, ele merece, e para seguir este ritual, compartilho o Artigo do advogado Júlio Antonio Lopes, hoje circulado na edição de A Crítica. 


Faleceu ontem o jornalista, escritor e poeta Almir Diniz de Carvalho, membro, dentre outras instituições culturais do estado e do país, da Academia Amazonense de Letras (AAL), do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação dos Escritores do Amazonas (ASSEAM); da qual, inclusive, foi presidente. Diniz nasceu em 6 de novembro de 1929. Contava, portanto, com 91 anos, muito bem vividos. Ele foi prefeito e fundador do município do Careiro da Várzea. Era também advogado, inscrito na OAB/AM sob n° 266.

Eu estreitei meus laços com ele durante a gestão do nosso amigo comum Armando Andrade de Menezes na presidência da AAL, entre 2014 e 2015, quando, invariavelmente os dois, que coisa notável, ambos já em idade avançada, davam expediente diário na sede do Silogeu, para a qual, aliás, Diniz foi eleito em 24 de setembro de 1999, assumindo a cadeira de n° 5, cujo patrono era Araújo Filho, antes era Martins Jr, sucedendo a Paulo Pinto Nery.

Como ele próprio descreve no fantástico "Acadêmicos Imortais do Amazonas - Dicionário biográfico", de sua autoria, assumiu a titularidade em 24|09|1999, saudado pelo acadêmico José Braga, durante a gestão de Max Carphentier.

Como jornalista Almir Diniz foi agraciado com vários prêmios, inclusive, com dois Prêmios Esso de Reportagem, nos anos de 1956 e 1957. O Esso era uma espécie de Óscar do jornalismo brasileiro. Ele trabalhou nos jornais Folha do Povo, O Combate, A CRÍTICA, O Jornal, e, também, no Diário da Tarde.

Escreveu os seguintes livros de crônicas, contos e poesias: Encontros com a natureza, Caminhos da Alma, Andanças poéticas, Os deuses, O elogio do caboclo, Plumas humanas, Algemas de ternura, O império das águas, Minha roça de urtigas, Floradas do corpo, O pitoresco e o hilariante na Imprensa, Paiol de lembranças, Nos remansos da saudade, Sob a concha da Panacaria, O capineiro, Agenda literária do Amazonas, além do Dicionário biográfico, já mencionada. Era um dos próceres do famoso Chá do Armando.

Almir Diniz

Num de nossos encontros pela manhã, na sede da Academia, a meu pedido, pude ouvi-lo declamar algumas de suas poesias. Uma delas, a que mais encantou e enterneceu o coração, a que considero uma das mais belas de toda a literatura brasileira, chama-se "O JARDIM DA MINHA MÃE", que gravei no meu celular e disponibilizei na época na minha página de Facebook, e ontem repostei, porquanto foi um momento mágico e único que merecia e que merece ser compartilhado, melhor dizendo, merece ser eternizado.

A propósito, o movimento Manaus+Verde, que propugna pela rearborização de nossa cidade, fundado pela minha filha Laís, editou o poema e o distribuiu nas escolas e nos eventos ambientais, em parceria, também, com a ASSEAM. Diniz, no poema, fala da saudade de sua mãe Lídia, que cultivava aquele cantinho do céu em sua casa. Revisitando o espaço encantado e sentindo-se incapaz de cuidá-lo com o mesmo zelo, mas cheio de amor, resolve, afirma em seus versos, refazer o pomar, onde sua mãe ia orar, depois de saudar seu jardim...

Descanse em paz, amigo e irmão. Sentiremos a sua falta, mas somos gratos a Deus por ter compartilhado a luz de sua existência.  

sexta-feira, maio 28, 2021

ALMIR DINIZ DE CARVALHO (1929-HOJE)

Esta última sexta-feira de maio levou para o infinito o poeta e prosador Almir Diniz de Carvalho. Nascido no Careiro em novembro de 1929, onde foi o primeiro prefeito quando este município recebeu a emancipação. Seu currículo é extenso e respeitável, tanto no trabalho como jornalista, como prosador e poeta, como intelectual ocupante de Cadeiras nos principais sodalícios do Amazonas. 

Almir Diniz, 1958

A pandemia nos afastou danosamente, ainda efetuamos um reencontro dos integrantes do Chá do Armando, para lembrar o amigo que nos irmanou e nos precedeu com o sinal da amizade e da festividade. Almir o agora o encontra, para uma renovada conversa.

Como despedida de Almir Diniz, que tanto me ensinou a ler e apreciar os bons costumes interioranos, transcrevo um texto de L. Ruas, o padre-poeta, igualmente levado de nosso convívio. As "Palavras à árvore morta" foram escritas em A Crítica, edição de 19 de setembro de 1957.

E o fícus desprovido da inadvertência da mocidade, o fícus, abalado por tantos males, não resistiu à notícia. Sentiu que a seiva estacava dentro de seu tronco calejado pelas pedras duras do calçamento, sentiu que alguma coisa estava se rompendo e... com estalo de dor, tombou, abraçando a sua rua, acariciado pelo vento que, absolutamente, não compreendia a razão do colapso.

Mas, assim mesmo, chorava.   

Almir Diniz (ao fundo) observa o autor da postagem

terça-feira, abril 25, 2017

CENTENÁRIO DE FRANCISCA LIMA

Francisca Lima, aos 25 anos
Em homenagem ao centenário de nascimento de Francisca Lima Mendonça, minha saudosa mãe, publico uma série de notas para contar sua curta existência.


No próximo dia 28, completaria seu centenário de nascimento Francisca Pereira Lima, a qual, casada com Manoel Mendonça, tomou este sobrenome. Nascida em 1917, viveu muito pouco, apenas 35 anos, quando foi vitimada por uma tuberculose. Francisca ou Chicuta foi minha mãe.

Nasceu no Anveres, um pedaço de terra e muitas águas, hoje integrante do município do Careiro da Várzea, e morreu no bairro de Educandos, quando este era conhecido por Constantinópolis, morando ao lado do Cine Vitória, em construção.

Seus pais vieram do Ceará, atraídos pela riqueza da borracha, ao final do século XIX. Seu pai Vicente, estando viúvo, casou-se com a jovem Adelaide, de cujo enlace nasceram oito filhos, sendo Francisca a caçula.

A proximidade da capital atraía os moradores das cercanias. Para isso, os careirenses utilizavam o barco Xiborena para, no reboque, alcançar a cidade. E assim, entre tantas travessias do rio Negro, os Lima foram ficando. Em especial, as mulheres (Raimunda, Maria e Francisca).

Morto seu Vicente, a viúva tomou conta da propriedade familiar, até que grave enfermidade a obrigou dona Adelaide a se mudar para a rua Jonatas Pedrosa. Neste endereço, teve a companhia da filha mais nova, que se tornou a cuidadora da mãe. Morta Adelaide, em 1940, Francisca já com 23 anos foi à luta, em busca do sustento.

Encontrou emprego como balconista na Fábrica Bijou, que funcionou na avenida Sete de Setembro, em frente à Praça da Polícia. No local, encontrou-se com Manuel Mendonça, subgerente da Casa, oriundo do Peru e ainda solteiro.


Conversa vai e vem, engataram o namoro. No estágio seguinte, estavam noivos, porém a família da noiva não aceitava o pretendente. Tentando consertar a questão, Manuel afasta-se de Manaus, aventurando-se em um seringal, movimentado por ocasião da II Guerra. Deu-se mal e, dessa maneira, retornou para a amada. (segue)

Mendoza, assinava Mendonça quando do casamento com Francisca


terça-feira, setembro 27, 2016

AMAZONAS, 1970

O AMAZONAS É ASSIM (*)
Capa da publicação

Vegetação

A ocorrência de uma densa cobertura florestal é o aspecto mais característico da Amazônia. Pelos limites exteriores da selva correm os limites da região natural. A mata amazônica, denominada "hileia" (Hyloea) por Humboldt, é a mais vasta floresta equatorial do mundo.

Vista de um avião, sua paisagem é de incrível monotonia. As copas das árvores, que se sucedem contínuas e de altura irregular, lembram a superfície de um colossal tapete verde-escuro, esponjoso, estendido até o horizonte, em todas as direções. Rasgões relativamente estreitos deixam apenas passar os rios, únicos caminhos por onde o homem pode esgueirar-se até o interior daquela compacta massa vegetal.

Vista desde o chão, porém, a uniformidade cede lugar a uma extrema variedade. Conforme o sítio em que se encontra, a floresta amazônica se subdivide em: mata de igapó, mata de várzea — que R. Rodrigues Lima ainda reparte em mata de várzea baixa e de várzea alta — e mata de terra firme. Cada uma delas tem um conjunto de plantas típicas, mas muitas espécies existem que crescem em várias formações.

Assim, a mata de igapó é muito rica em palmeiras, especialmente o jupati e o açaí; na mata da várzea vicejam em grande número a seringueira e a sumaúma, e a castanha-do-pará ergue-se dominadora em imensas extensões de mata de terra firme.
Quando uma estrada corta a mata virgem de terra firme – como a Manaus-Itacoatinga (sic), a Belém-Brasília ou a Brasília-Acre – pode-se observar com clareza a estrutura da hileia, a luta por um lugar ao sol e a adaptação dos indivíduos ao meio.

Os gigantes da mata são as árvores emergentes, com 35 metros ou mais de altura, que expandem suas copas por cima das demais, aqui e acolá, como ilhas num oceano revolto. Este oceano de verdura é formado pela abóbada foliar, entre 20 e 35 metros, onde, ao contrário, as copas das árvores se comprimem, alongando-se na direção vertical, em disputa da luz. Entre cinco e 20 metros, o andar arbóreo interior é constituído por árvores de troncos finos e poucas folhas que crescem à procura do nível superior da vegetação.

Rodovia Manaus-Porto Velho, 1970

Do solo até cinco metros, arbustos, samambaias e outras pequenas plantas formam o sub-bosque, cujas formas vegetativas são adaptadas à vida num ambiente de estufa morno, úmido e de penumbra. Muitas plantas deste andar têm folhas grandes, capazes de captar avidamente em seus estômagos a energia dos raros feixes de luz infiltrados através da verdura e que escorrem por suas pontas afiladas o excesso de água sobre elas acumulado.

A densidade vegetal da selva amazônica é ainda aumentada pelos cipós, pendentes das árvores mais altas e que ligam os diferentes andares; pelas epífitas, que crescem agarradas aos troncos e galhos das árvores, e pela infinidade de vegetais inferiores: os musgos, os líquens, os fungos, os cogumelos.

É uma ilusão de origem literária pensar que a hileia se apresenta, por toda parte, como uma floresta de folhas perenes. Certamente é a mata de várzea e, nas áreas de clima sempre úmido, como o do Alto Rio Negro, também a de terra firme. Nas partes onde a estação seca é pronunciada, entretanto, uma fração das árvores perde as folhas –particularmente as árvores emergentes – no auge da estiagem.

As raízes chatas, verticais e triangulares, chamadas "sapopembas", que apoiam como escoras certas árvores, dão uma impressão exagerada sobre a grossura das mesmas. Raríssimas devem ser aquelas cujos troncos, à altura do peito de um homem, alcançam dois metros de espessura. A natureza parece sugerir que a hileia é uma formação jovem, recém-instalada na Amazônia, fato que só pode ser comprovado, porém, através de um exame dendrológico sistemático ou do exame com carbono 14.

A complexidade da hileia tem chamado a atenção de muitos cientistas. Deffontaines informa, sobre este assunto, que, enquanto as florestas europeias, já meticulosamente estudadas, contêm 200 espécies arbóreas, na selva amazônica foram, até hoje, catalogadas mais de 400 árvores, e seu conhecimento completo está longe de ser atingido.

Tal riqueza botânica equivaleria a uma pobreza econômica, porque as florestas das zonas temperadas e frias, sendo mais homogêneas, permitiriam sua exploração a custo mais baixo, visto que as espécies de valor comercial se sucedem a pequena distância. A hileia já não é assim e a exploração dos seringais silvestres foi um exemplo disso. Mesmo nas concentrações naturais de hévea, no Acre e sudoeste do Amazonas, a distância a percorrer entre duas seringueiras mais próximas é da ordem de 300 metros, pelo menos.

Claro que tal condição é desfavorável à hileia para o extrativismo vegetal; contudo, nesta mesma forma econômica, a heterogeneidade da mata equatorial permite uma variedade muito maior de atividades extrativas que as florestas de coníferas.

A relativa dificuldade da produção coletora na selva amazônica reside sobretudo na falta de conhecimento empírico. No entanto, os caboclos da região sabem muito bem, por exemplo, que a castanha-do-pará se encontra, principalmente, no Médio Tocantins e no Itacaiúnas (Pará), bem como nos vales do Madeira e do Purus; que os vales seringueiros por excelência são os do Juruá, Purus e Madeira, e que as matas do Médio Araguaia são ricas em mogno.

Segundo assegura o prof. Lucio de Castro Soares, em seu livro Amazônia,    riquíssima em espécies botânicas, a hileia amazônica oferece quantidade incalculável de matérias-primas vegetais de grande valor industrial, algumas delas essenciais à  civilização moderna.

Dentre estas matérias-primas contam-se madeiras para todos os fins, óleos e resinas para a indústria de tintas, vernizes e lubrificantes; vários látex producentes de borracha; fibras; frutos alimentícios. 


A abundância de alimentos e de água na floresta amazônica sustenta variadíssima fauna terrestre e aquática, donde serem a caça e a pesca importantes fontes de riqueza da Amazônia.

(*) Almanaque Municipal Brasileiro, ref. ao Amazonas, 1970

sábado, novembro 07, 2015

ALMIR DINIZ - DESDE 1929

Almir Diniz (1957)
Ontem, o acadêmico Almir Diniz de Carvalho aniversariou. Celebrou com a família 86 anos de bela existência. A celebração familiar, porém, não desanimou os chazistas que, apesar do impedimento do aniversariante, reunidos pela data comum, aproveitaram para cumprimentar (ainda que à distância) o vice-dirigente dessa agremiação. E foram lembranças pessoais e literárias, todos os presentes exigiram a palavra. Rolou, enfim, a leitura e a declamação ao violão do Mauri Mrq de poemas do Almir Diniz. 
Vida longa, nobre vice-presidente cháarmandista!

Aproveito a postagem para homenagear o cambixense Diniz com a reprodução de uma página de sua autoria, publicada no diário governamental do Estado.

“VELHO LINO” (*)
Almir Diniz

Tema para reminiscências da infância; motivo de recordações e saudades; razão para reconhecimento... Velho Lino.Velho Lino, é designativo de meu velho e pranteado tio Marcolino Carneiro da Rocha, um dos patriarcas da família. 
Recorte do Diário Oficial do Estado
Morava, o tio Lino, à altura do quilômetro 8 da Estrada de Rodagem do Cambixe, em companhia de seu filho Afonso.Ali, sentado à escada, via-o todas as manhãs, quando me dirigia à escola, vasculhando os campos até onde seus olhos cansados alcançavam. 
Então, tomava a expressão mortiça do tio Lino, como sintomas de caduquice. Sua expressão só, não. Também sua voz arrastada ao pronunciar o clássico "Deus te abençoe", após pedir-lhe a benção.
Para a meninada, era sinônimo de respeito. Menino não gritava, menino não ria, estando à vista o Velho Lino. Representava um hiato nos folguedos infantis dos escolares. 
Aos domingos, religiosamente, se dirigia à taberna do Anselmo, sol raiando, e tomava o seu "mata-bicho”: dois dedos de anis.
Hoje, aquela expressão cansada do tio Lino, tem outro significado. Aquilo nunca foi caduquice. Era, antes, profunda meditação... algo assim como um sonho, que é a vida da saudade ou a ilusão do porvir. Talvez, na cortina sombria de seus olhos, se desenhasse a tela multicor das queimadas sertanejas do seu querido Ceará, distante e inatingível... 
Assim, aparentemente extático, foi encontrá-lo Hilgard W. O’Reilly Sternberg, interessado que estava na elaboração de sua tese de concurso à cátedra de Geografia do Brasil da Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil. Quando Hilgard laureou-se, conquistando a cátedra, já o Velho Lino havia desaparecido. 
Mas, às páginas da tese – A Água e o Homem na Várzea do Careiro – ficaram gravadas, para a posteridade, a história do Velho Lino, desde a sua partida do seu querido Acaraú em 1.888 até o seu desaparecimento aos 86 anos de idade, a 22 de maio de 1951, no Cambixe, de cuja região, compreendendo o Careiro, foi dos primeiros conquistadores. 
Quando Plínio Coelho, no afã de melhorar as condições do Careiro, através a higienização e valorização de seu principal produto, o leite, encomendou dois navios frigoríficos para resolver esse problema que é uma constante nas suas preocupações de cumprimento exato de seu programa, quis homenagear os desbravadores da selva careirense, dando os nomes dos patriarcas da região às ditas embarcações.Assim fazendo, estava o governador agindo de acordo com sua decisão anterior, em dando ao Grupo Escolar da sede do município, o nome do inesquecível amigo José de Melo Fiuza.
E, face a indicação do dileto companheiro de lutas Santos Oliveira e outros cambixenses, que palestravam com o governador e amigo Plínio Coelho, por ocasião de uma visita ao Careiro, resolveu Sua Excelência batizar um dos barcos frigoríficos com o nome Velho Lino. 
Como descendente do Velho Lino, neste final de crônica, resta-me agradecer ao governador e amigo Plínio Coelho, em nome de minha família, a distinção feita a um de seus mais respeitáveis membros.

(*) Diário Oficial do Estado23 de dezembro de 1958

terça-feira, outubro 20, 2015

"APUNTES" PARA A HISTÓRIA DE MANAUS

Coincidência: em janeiro de 1953, na antevéspera da maior enchente amazônica, o professor Aziz Nacib Ab'Saber (1924-2012), da então Associação de Geógrafos do Brasil e professor universitário em São Paulo, visita Manaus. Em companhia de mais dois colegas, estuda a constituição dos acidentes fluviais encontrados nesta cidade.


O resultado desse estudo, reproduzido abaixo, foi publicado no Boletim Paulista de Geografia nº 14, de julho de 1953, quando o fenômeno da enchente amazônica começava a desanuviar. O comentário sobre a foto exposta pertence ao saudoso geógrafo – Professor Emérito da USP.
  


Capa da separata do Boletim
NA REGIÃO DE MANAUS

Em janeiro de 1953, o prof. Aziz Nacib Ab’Saber, sócio efetivo da A.G.B., professor de Geografia Física da Faculdade de Filosofia "Sedes Sapientae" e assistente da cadeira de Geografia do Brasil da Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo, teve oportunidade de visitar a cidade de Manaus, fazendo observações e colhendo fotografias de interesse geográfico, que aqui aparecem devidamente comentadas. 
Duas experiências de grande significação geográfica estão reservadas ao pesquisador que tem a felicidade de entrar em contato com as paisagens físicas e humanas da região de Manaus. 
A primeira diz respeito ao esquema do mundo físico regional, no qual se destacam alguns elementos importantes, tais como: a topografia do tabuleiro terciário de Manaus, espécie de baixo planalto arenoso tabuliforme, esculpido nos arenitos da formação Manaus, réplica geológica e geomórfica dos tabuleiros da formação das Barreiras do Nordeste; a presença do flutuante Rio Negro, cuja amplitude de oscilação de nível em Manaus já alcançou a cota de 7,61m, por volta de 1922; a existência de uma alta e extensa "barreira" fluvial na margem esquerda do Rio Negro, verdadeiro paredão de solapamento lateral situado na margem de ataque do grande rio; o quadro geográfico e hidrológico da zona de confluência entre o Negro e o Solimões, guardando ensinamentos dos mais interessantes sobre os fenômenos naturais que se passam num ponto de encontro das águas de um grande rio "branco" com um grande rio "negro"; a trama dos igarapés que seccionam fundo a beirada das falésias fluviais do tabuleiro terciário e que constituem um elemento importante do sítio urbano de Manaus, segundo a observação criteriosa de Pierre Gourou (1949, p.392); a floresta da terra firme e das terras baixas alagáveis e a vegetação de gramíneas das várzeas e margens de lagoas e paranás; o labirinto hidrográfico das planícies de inundação do Solimões, em contraste extraordinário com os sulcos discretos da drenagem dendrítico-retangular (Sternberg, 1950) dos tabuleiros terciários ; enfim, entre outros, os problemas da fertilidade relativa das aluviões modernas da ilha do Careiro, em face do solo arenoso e pobre do tabuleiro terciário de Manaus. 
Mas há um segundo grupo de fatos importantes, que diz respeito sobretudo ao trabalho do homem nesse pequeno recanto da surpreendente Hileia: uma, grande cidade comercial do Norte do Brasil e das terras baixas centro-equatoriais da América do Sul; o maior porto tipicamente fluvial do país; o ponto terminal da navegação atlântica de grande calado que remonta o Amazonas e uma etapa importante para toda a navegação da Amazônia Ocidental a mais significativa e permanente experiência da conquista do homem em face do meio físico, no desmesurado interior da Amazônia Brasileira; enfim, uma cidade que, além de apresentar uma posição geográfica excepcional na hinterlândia amazonense, possui, também, um quadro de sítio urbano dos mais interessantes e inesperados dentre as grandes cidades brasileiras. 
Para muitos desses fatos, ora enumerados, o geógrafo Pierre Gourou voltou suas vistas, de maneira inédita, pondo em equação os aspectos geográficos essenciais em suas Observações geográficas na Amazônia (1949), no meio das quais há um belo sumário dos fatos principais do relevo, estrutura e solos regionais. 
De nossa parte, teceremos apenas alguns comentários em torno de uma série de fotografias tomadas na região de Manaus, em janeiro do corrente ano, quando visitamos a região na companhia dos Profs. Ary França e Wladimir Besnard, e por especial gentileza dos aviadores da FAB [Força Aérea Brasileira], capitães França e Tapié.

REFERÊNCIAS:
GOUROU, Pierre (1949) — Observações geográficas na Amazônia (Primeira parte) — Revista Brasileira de Geografia, ano XI, julho-setembro 1949, nº 3, pp. 355-408. Rio de Janeiro.

STERNBERG, Hilgard O'Reilly (1950) – Vales tectônicos na planície amazônica? Revista Brasileira de Geografia, ano XII, outubro-dezembro 1950, nº 4, pp. 511-534. Rio de Janeiro 


O rio Negro frente a Manaus, num período de estiagem moderada.

Extensos comboios de barcos e canoas constituem as cenas mais pitorescas da movimentação humana do rio Negro, na região de Manaus. Às primeiras horas da tarde, os barcos que vieram abastecer a cidade com produtos da região (peixes, frutas, cereais, verduras, drogas e toda a sorte de produtos alimentícios), voltam para as zonas rurais ribeirinhas, rebocados por uma pequena lancha a motor.
A maior parte das barcaças e canoas proveem da ilha do Careiro e adjacentes (Cambixe, Terra Nova e Caldeirão). O extenso comboio já em "alto rio” recebe as embarcações retardatárias, que procuram encaixar-se em lugar apropriado, segundo o seu tamanho. Não raro: alguns desses comboios chegam a somar 50, 60 e, até mesmo, uma centena de canoas.
O rio Negro, no lugar onde foi tornada a fotografia possui aproximadamente 2.300m de largura.