CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

30 de outubro de 2015

IGREJA DE SANTO ANTONIO DE BORBA

Registro minhas homenagens aos amigos Marius Bell e Otávio de Borba, com a reprodução do folheto Histórico da Igreja de Santo Antonio de Borba. Este folheto, sem identificação expressa de autor, foi serviço da Imprensa Oficial, em Manaus, deduzindo-se da sigla D.I.O. 1946 existente na capa.
Foto montagem da Igreja e a estátua do padroeiro 

A reprodução será feita em capítulos. Desde já, porém, concito o secretário de Cultura de Borba a reproduzir este folheto. Obviamente que após os reparos necessários e, se for plausível, acrescido da nova fase da história eclesiástica borbense.

No entanto, ao final do texto, encontra-se a assinatura do então padre Bento José de Souza, que foi vigário dessa paroquia. Assim pela datação e pelo texto final, creio que lhe cabe a autoria: “Confiando na Divina Providência e na proteção de Santo Antonio. Todos têm como certo que nas festas bicentenárias de 1955 e 56, Borba possuirá a mais bela igreja do interior do Amazonas.”

De fato, em junho de 1956, o arcebispo do Amazonas, dom Alberto Ramos, presidiu as solenidades em Borba. Para abrilhantar as celebrações levou os seminaristas e alguns padres. No círculo desses candidatos ao sacerdócio, eu estava presente. Devo acrescentar que conheci o cônego Bento desde essa data até seu falecimento.

Antes da transcrição, um pouco sobre este saudoso sacerdote. Bento nasceu em 2 de maio de 1890, em Cairu-BA (município-arquipélago, formado por 26 ilhas, possui a Igreja e Convento de Santo Antonio, construído a partir de 1653).

Recebeu a ordenação sacerdotal, em Salvador, a 30 de novembro de 1914. Foi cumprir seu ministério em Itajuípe (BA), onde construiu a Igreja do Sagrado Coração e conquistou o povo. Tanto que seus restos mortais foram, por exigência dos itajuipenses, transladados para esta igreja.
 
Recorte do Jornal do Commercio, 31 outubro 1971

Vindo para o Amazonas, acredito que no governo eclesiástico de Dom Basílio Pereira (1925-41) igualmente baiano, foi nomeado vigário das paróquias de Maués e de Borba em 1936. Como seria penoso para um sacerdote cuidar de duas comunidades em municípios tão distantes, em distâncias amazônicas. Dessa maneira, Pe. Bento atendeu aos católicos de Maués por dois anos, para prosseguir apenas na paróquia de Borba.
Daí a explicação para este folheto e as mencionadas festas jubilares.

Manteve sua vida religiosa em Borba, onde também construiu a igreja em homenagem ao padroeiro, hoje elevada ao grau de Santuário. Hoje, devidamente embelezado com a imagem de Santo Antonio de Borba, um elevado labor artístico de Marius Bell.

Cônego Bento retirou-se de Borba para Manaus já adoentado, onde faleceu em 1965, aos 75 anos.