CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

4 de dezembro de 2012

PRAÇA ANTÔNIO BITTENCOURT

Como todas as praças do Centro Histórico, este logradouro é bem mais conhecido por Praça do Congresso. Situado no alto da avenida Eduardo Ribeiro, em frente ao Instituto de Educação do Amazonas, teve seu traço modificado no governo municipal de Manoel Ribeiro. Nessa ocasião, o trânsito de veículos foi desviado para a rua Monsenhor Coutinho, situação que ainda vigora, a despeito dos reparos implementados pela Secretaria do Estado de Cultura (SEC).

Fragmento de impresso distribuído na inauguração da praça

Mais uma praça que passa ao cargo da SEC que, decisivamente, será conservada. A prefeitura de Manaus com estranheza conserva apenas a Praça da Saudade, porque me parece custou o esforço da atual administração. As demais vão se “fulecar” (de fuleco, o tatu-mascote da Fifa para a Copa 2014).

Mas, de regresso à praça do Congresso, alcunhada dessa maneira a partir de 1942, quando ali foi realizado as cerimonias mais destacadas do 1º Congresso Eucarístico de Manaus, obra de Dom João da Mata, bispo do Amazonas. A festa de inauguração foi importante pelas luzes, pelo colorido dos fogos, pela árvore de Natal e seu vistoso Papai Noel. Não devendo esquecer as bancas de livros usados (sebo).

Serviu igualmente para relembrar a figura de seu patrono oficial, refiro-me ao ex-governador Antônio Bittencourt que,neste dezembro, completa o centenário de seu governo, de modo lamentável, uma administração sempre lembrada pelos atropelos cometidos.

O impresso distribuído pela SEC conta um pouco desse governo. Esqueceu-se de registrar o fato acontecido em 22 de dezembro, quando oficiais da Polícia Militar do Estado, mancomunados com políticos adversários de Bittencourt, promoverão uma rebelião no Estado.

Nesse dia, os amotinados depuseram o comandante, coronel Pedro José de Souza, assumindo o Quartel da Praça da Polícia. Em seguida, constituíram um triunvirato, sob as ordens do coronel Onofre Cidade, que marchou sobre o Palácio do Governador, instalado na Praça de Dom Pedro II, o antigo Paço da Liberdade, sede da prefeitura de Manaus.

O governador Bittencourt desertou, segundo alegou, temeroso por sua vida e de seus familiares. Convocado o vice-governador, desembargador Sá Peixoto, também este seguiu o mesmo caminho. Assim, coube a essa Junta assumir o governo do Amazonas que durou 48 horas de turbulências.

O acontecimento inusitado pode parecer lenda urbana, todavia, encontra-se registrado em jornais e no Diário Oficial do Estado. E, a mestra Etelvina Garcia, ao inventariar os governadores de nosso Estado, registra o triunvirato (coronel José Onofre Cidade, majores João Fragoso Monteiro e Amâncio Clementino Fernandes) na condição de governantes.