CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

29 de dezembro de 2012

EM DEZEMBRO DE...


Há algum tempo, vinha empilhando acontecimentos portadores de duas características: foram perpetrados em dezembro de algum ano e por elementos da Polícia Militar do Amazonas. Alguns, já relatei.

Relembro aqui dois. O primeiro, obediente à cronologia, aconteceu há cem anos. Ao final do governo de Antônio Bittencourt (1908-12), três oficiais da PMAM tomaram o Poder Executivo, pelo tempo de 48 horas, às vésperas daquele Natal. O outro aconteceu há 30 anos, quando, dentro de um quartel da Polícia Militar, dois homicídios foram cometidos.

Sobre o primeiro já discorri ao mesmo três vezes, a última postagem  no início deste mês, aproveitando a reinauguração da praça do Congresso, que oficialmente leva o nome daquele governador.
 
Página de A Crítica, 21 dezembro 1982
Fico com o segundo, o trágico episódio que envolveu dois elementos da corporação militar estadual, em 20 de dezembro de 1982. Não direi que foi o mais dolorido, porque este corpo já assistiu outras cenas bem mais danosas.

Nesse dia, uma segunda-feira, o soldado Onecimo Benigno Sodré matou a tiros o tenente Weber Nery de Amorim, e foi justiçado em seguida. Os crimes aconteceram no quartel da Companhia de Choque, então situada no conjunto residencial do Japiim, onde atualmente funciona o Serviço Social da mesma corporação.

A descrição do fato pelo jornalismo da época não esclarece os motivos, alguns pontos importantes seguem esquecidos ou omitidos. Era dezembro, o estado preparava-se para receber seu novo governante, o conhecido politico Gilberto Mestrinho. Véspera do Natal, toda a guarnição policial militar acreditou na conclusão do IPM (Inquérito Policial Militar), de que o soldado Onecimo, que sempre se apresentava embriagado no quartel, fora advertido pelo oficial e, descontente, disparou contra o mesmo. Em seguida, praticou o suicídio.

Algumas conversas “paralelas” informaram e o "boletim do soldado" confirmou que não fora bem assim a tragédia. O sargento Marçal, comandante da guarda, fora o elemento que impusera intensa advertência ao soldado, instigando-o  em demasia. Desnorteado, o soldado seguiu em direção ao interior do quartel, então uma diminúta construção, quando se encontrou com o tenente Weber. Este, ao tentar se inteirar da situação, foi atingido pelo tiro disparado pelo soldado.

Diante do quadro, o soldado tentou escapar do aquartelamento, mas a guarnição de serviço foi em seu encalce e, alcançando-o, matou o soldado. Daí a razão pela qual a família deste, duvidosa da atitude de Onecimo, resolveu observar o cadáver, encontrando marca de tiro nas costas.

A leitura do atestado de óbito, que a corporação fez públicar em seu boletim interno, permite a qualquer concordar com a família. Não houve seriedade na apuração do fato. (segue)