CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

12 de dezembro de 2012

ARAÚJO LIMA: 100 ANOS

Bernardo Cabral (*)

 O conterrâneo Araújo Lima nasceu num dia 12, do mês 12, do ano de 1912. Faria, portanto, na próxima quarta-feira (HOJE), 12 de dezembro, 100 anos. Faleceu no Rio de Janeiro (13.02.1998), cidade onde cursou o secundário, Colégio Franco Brasileiro (falava o idioma francês, fluentemente), e concluiu o seu Curso de Direito na Faculdade de
Direito do antigo Distrito Federal.
Araújo Lima homenageado pelo presidente da Academia de
Letras, Mendonça de Souza (à dir.), em um tempo que o jovem
governador Amazonino Mendes (sentado), contemplava a
sabedoria dos mais velhos
  Advogado, escritor, não só no ramo do Direito Penal, mas na literatura e no jornalismo; autor de mais de uma dezena de livros; orador primoroso - voz de timbre metálico, dispensava os microfones - sempre ouvido com o mais respeitoso silêncio.

Tinha admiração pessoal por Portugal, país em que, durante
algum tempo, lá permaneceu realizando pesquisas que lhe
valeram publicar o livro "Carta de Segurança", que se transformou em valioso subsidio aos que se interessavam pela matéria. E o que dizer sobre os "Os grandes processos do Júri", em 3 volumes, obra que recebeu os mais rasgados elogios de Nelson Hungria, Roberto Lyra, Evandro Lins e Silva, só para ficar em diminuta citação.
Um outro trabalho, "Cruzando a Ponte", mereceu encômios dentro e fora do país, sobretudo porque ele fazia questão de ressaltar que ali abordou "uma criminologia realista, não contemplativa".

Nesse passo, recordo que o sempre lembrado Umberto Calderaro
Filho, fez questão de publicá-lo, em edição de bolso, salientando: "A Crítica, com a
divulgação deste trabalho para todo o Brasil, está afirmando sua certeza de que a "ponte será cruzada" e nosso filhos vão encontrar o Brasil que merecem".

Era a singela homenagem prestada pelo velho amigo ao autor de "O abraço da semana", crônica que durante anos manteve no espaço desta página. A nossa correspondência era intensa e, costumeiramente, as suas cartas de conteúdo profético.
Dou como exemplo - Já que se fala muito na linguagem dos Ministros do Supremo Tribunal - parte de um texto que ele enviou de
Friburgo (cidade que considerava a sua Manaus refrigerada), datado de 15/04/1987, "Juristas do Brasil! Cultivem a simplicidade e falem sem usar o barroco! Frequentem o contato com o povo, na universidade do seu sofrimento e do seu bom senso.
É nisso que está a frente renovadora do Direito. Menos biblioteca, mais contato do homem com o Homem!"
Que bela lição. Esse era Carlos Dagoberto de Araújo Lima.

(*) Publicado em A Crítica, 9 dezembro.

PS. Apenas tentei postar às 12 horas.