CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

23 de maio de 2012

Quem foi Hugo Bellard (1914-1989)?


Hugo Bellard, na orelha de
seu romance
Desde o ano passado, presto ajuda ao acadêmico Almir Diniz na revigoração do Dicionário Biográfico dos acadêmicos amazonenses, de sua autoria. O trabalho caminhava com desenvoltura, até que esbarrei em três nomes de custosa identificação: Odilon de Lima, Generino Maciel e Hugo Bellard.


Hugo Bellard, assim mesmo, diminuto, trazendo apenas o sobrenome paterno (creio eu) e de inspiração estrangeira.  O reduzido verbete até então conhecido provinha de uma antologia da década de 1960 e de providências junto ao Banco do Brasil, empregador do “verbetado”.

A partir dessas ralas anotações, recorri à internet. Nessas páginas, recolhi um pouco mais. Antes da pesquisa, porém, sabedor de que nascera em Urucará (AM), em 1914, fui ao Pedro Fallabela, que fora prefeito daquele município por alguns mandatos. Ele ficou surpreendido, nunca ouvira falar em tal sobrenome, por isso prossegue junto ao cartório local buscando a certidão de nascimento.

A pesquisa virtual ofereceu-me dele três dados: onde alcançar os livros publicados; sua permanência no Rio de Janeiro, onde morreu em 1989, e a existência de um filho homônimo.
Capa de livro, editado em Manaus

Quanto à bibliografia ativa, Bellard publicou em Manaus, em 1948-49, dois poemas épicos (Ajuricaba, o guerreiro manau; e A segunda visão de Tiradentes). Com essa dupla apresentação e a amizade com os patriarcas da Academia de Letras local, nesta ingressou em 1950. Logo depois estava no Rio, de onde não mais se ausentou. Nesta cidade publicou Angústia, sonho e pecado, poesias (1952) e o romance As mulheres dos outros (1954).  

Li o romance. Na orelha desta obra há o resumo da permanência do autor em Manaus. Assegura ter nascido em Urucará, “vilota perdida no seio da floresta, à margem de um remoto paraná do estado do Amazonas”, por acidente, ainda não revelado.  A certidão cartorial pode revelar esse detalhe. Enfim, Bellard aproveita-se do romance para efetuar acanhada autobiografia. Sobre o livro de poesias, vou postar a seguir uma apreciação do crítico Arthur Engrácio.

Capa do último livro de poesia
Para examinar como morreu este urucaraense, quero recorrer à camaradagem do Rogel Samuel, morador da Urca. Direto a ele: espero que você consiga a certidão de óbito deste nosso conterrâneo, que aconteceu em 17 de maio de 1989. Pouco mais, eu sei.  

Sou sabedor que existe no panorama musical outro Hugo Bellard, certamente filho do finado. Musicista que, segundo o site de sua administração, tem acompanhado os grandes nomes da MPB e em nossos dias segue fazendo arranjos e outras intervenções afins. Acredito que o músico nasceu em Manaus, em 1949.

Se você souber algo mais sobre o amazonense Bellard, envie-me com brevidade, que o dicionário do acadêmico Almir Diniz agradece.