CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

16 de maio de 2012

Comissão da Verdade

Ontem, em Manaus, foi instalada esta tão esperada comissão, destinada a esclarecer os acidentes contra os direitos humanos no longo período que vai de 1946 (final da ditadura de Vargas) até 1988 (um pouco depois di final da ditadura militar). Prazo de conclusão deste hercúleo trabalho: dois anos. Certamente serão muitos lances para tão pouco tempo. Na boca do povo rola um ditado: o governo quando não quer a conclusão de um trabalho, cria uma comissão. Tomara que a CV “quebre” essa máxima popular.

Sobre a matéria, ontem, A Crítica divulgou duas notas antagônicas. O editorial conclamava que “isso não deve ser feito ao sabor do revanchismo”. Logo abaixo, a coluna sim&não, tratando da presença de moradores de Presidente Figueiredo na solenidade de instalação da comissão local, reproduz palavras do coordenador presidencial: “A presença é boa, mas esse nome tem que mudar”. Referia-se ao último presidente do governo militar – João Batista Figueiredo.

Claro revanchismo, pois, se as prefeituras seguirem esse conceito, quantos largos, ruas, avenidas, parques em homenagem ao ditador Vargas serão substituídos?
João Batista Figueiredo

Bem a propósito: certa ocasião, escrevi sobre o topônimo do município das cachoeiras (Listas amarelas, cartão vermelho, A Crítica, 6 fev. 1994), explicando que a homenagem não cabia ao primeiro presidente da província do Amazonas (João Baptista Figueiredo Tenreiro Aranha), identificado na história amazonense pelo derradeiro sobrenome, cuja estátua adorna a praça da Saudade. A homenagem cabe, sim, ao último presidente do governo ou ditadura ou golpe militar.

A expressão do coordenador do Projeto Direito à Memória e à Verdade da presidência da República abona a minha notificação, que até hoje em nada foi levada a sério.