CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

24 de setembro de 2011

Serviço Social

Ainda da revista Temas em foco (nº 1, 1970), da Faculdade de Filosofia da Universidade do Amazonas, saquei o texto abaixo:



O PAPEL DE UMA ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL NO DESENVOLVIMENTO

Regina Coeli Araújo de Carvalho

André Araújo, pai da autora
A ideia da criação de uma Escola de Serviço Social em Manaus, era o sonho que preocupara o espírito do seu fundador, o desembargador André Araújo e de Maria de Miranda Leão, a inesquecível "Mãezinha", que toda a Manaus tão bem conhece, admira e não esquecerá jamais.

Em janeiro, 1941, essas duas criaturas, seguidos de perto por Sadoc Pereira [desembargador], Cássio Dantas, Carlos Barroso, Elmacino Araújo, Zulmira Bittencourt e mais um grupo de pessoas, fundaram e instalaram a Escola de Serviço Social de Manaus, numa das salas do prédio onde funcionava o Juizado de Menores, no antigo Grupo Escolar Marechal Hermes, à rua José Clemente, vizinho ao Tribunal Eleitoral [esquina da av. Eduardo Ribeiro, veja a ilustração] 

A Escola de Serviço Social provém de uma intensa movimentação cultural e idealista que se verificava em Manaus, onde a mocidade contava com apenas algumas unidades de ensino superior: as faculdades de Direito, Agronomia, Farmácia e Odontologia.
Parece que a Escola de Serviço Social de Manaus surgiu também como consequência de um fenômeno decorrente da necessidade de pessoal técnico para atender aos problemas sociais que afligiam especialmente a infância do Amazonas. E esses problemas eram já de há muito o objeto de estudos e pesquisas do sociólogo e então Juiz de Menores André Araújo.
Edifício já demolido onde funcionou o TRE e o Juizado de Menores,
av. Eduardo Ribeiro esquina da rua José Clemente
Já em 1941, a primeira turma de alunos se preparava para o sublime mister de assistir, ajustar e promover os marginais. Era uma turma de 42 estudantes, - os primeiros assistentes sociais do Amazonas a serviço do Brasil.

27 anos depois, no dia 16 de fevereiro de 1968, foi a Escola de Serviço Social de Manaus, num gesto grandioso, que todo o Brasil tomou ciência, integrada à Universidade. Este foi um ano histórico para a ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL, - graças a dois homens: André Araújo, que a fundou e construiu, e o magnífico Reitor, Dr. Jauary Guimarães de Sousa Marinho, que numa prova da mais alta compreensão do sentido que deve orientar uma Universidade, generosamente a adotou, integrando-a à Universidade do Amazonas.

Aqui, nesta Escola de Serviço Social, professores e alunos vivem realmente a Universidade, porque estão convencidos que uma Universidade é o maior baluarte do Desenvolvimento.
Nesta casa, o Serviço Social é o objeto de todo o nosso trabalho; um Serviço Social que não é, como alguns podem supor, um requinte de vaidade ou exibicionismo, mas uma necessidade que se impõe aos interesses do meio social a que se destina servir.

O nosso objetivo é: o Brasil, e o Amazonas, através da Escola de Serviço Social, como parte da nossa Universidade.
Como bem acentuou Anísio Teixeira, "o problema humano passou a depender bàsicamente do modo pelo qual a inteligência pode funcionar na sociedade dos homens". Daí, a necessidade da Universidade, como fundamento do progresso humano, como princípio básico do desenvolvimento.

O Serviço Social é o meio mais' eficiente para interferir na realidade social. Pelo seu dinamismo, ele, o Serviço Social, movido pelas mudanças do processo de desenvolvimento, é o instrumento único para a integração total do homem ao meio.

Disso decorre a importância da Escola de Serviço Social no Amazonas, que ora se desenvolve e cresce para um futuro imortal. Sabemos que o Serviço Social se caracteriza pela atuação junto a indivíduos com desajustamentos familiares e sociais.
A Escola do Serviço Social funcionou neste prédio já demolido, 
na av. Getulio Vargas, em frente a academia do Cheik
Não ignoramos ainda que tais desajustamentos decorrem, muitas vezes, de estruturas sociais inadequadas. Os problemas sociais não existem por si mesmo. Nós os encontramos nos seres humanos. Por isso, o assistente social, além do problema, olhará a pessoa que tem dificuldades e problemas de adaptação. E isto é um mister sem precedentes. E' uma arte de difícil aplicação, pois deve adaptar-se às diferenças individuais.

Como assistentes sociais, não podemos generalizar os problemas. Eles são sempre únicos e individuais, - mesmo sabendo-se que fatores sociais, culturais, religiosos, espirituais, emotivos e psicológicos podem atuar decididamente em cada caso.

No trabalho relevante de educação ou desenvolvimento, o homem será sempre o centro de toda a atividade. E o Serviço Social, pelo seu caráter promocional, será a constante em qualquer (sic) realizações desta natureza.
Daí acreditarmos que a importância de uma Escola de Serviço Social, dentro de uma Universidade, bem como numa comunidade em desenvolvimento, é algo sem precedente.

As exigências do processo de desenvolvimento dos povos vêm impondo ao Serviço Social o desempenho de novos papéis. Tudo como consequência da inserção da profissão na realidade econômico-social das regiões ou países.

Nos dias atuais, um dos objetivos do Serviço Social é solucionar os problemas que impedem os indivíduos, famílias, grupos, comunidade e populações de alcançarem padrões de vida sócio-econômica compatíveis com a dignidade humana.


"Todo indivíduo tem direito a um determinado nível de vida mínimo no terreno econômico, cultural e familiar".

A busca por um humanismo novo, como quis o Papa Paulo VI, exige técnicas, pessoal especializado e uma reflexão profunda em torno da pessoa humana, donde se evidencia o valor do papel do assistente social na realização do verdadeiro desenvolvimento.

Problemas decorrentes das carências naturais ou morais, a exploração dos trabalhadores e todas as formas de injustiça social, são a constante na missão do assistente social, nos dias de hoje.

O Progresso só tem sentido quando em função do homem.

Por isso, a importância do papel de uma ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL no desenvolvimento como causa da total promoção do homem. Conjuntamente com a Universidade, os estudantes e profissionais do Serviço Social, estão a serviço da comunidade no trabalho de engrandecimento da Amazônia.
Compreendemos que só num trabalho dessa natureza, repousam os fundamentos do verdadeiro desenvolvimento.