Translate

10 de setembro de 2011

Academia da PMAM coronel Neper Alencar (2)

Coronel Neper Alencar assistiu e desfrutou da primeira manifestação de mudança em Manaus, após a criação da Zona Franca: a instalação do comércio no centro da cidade, onde se vendia uma atraente quinquilharia. Tão atraente, que a capital amazonense passou a ser visitada por diversos grupos, que buscavam adquirir o material exposto nesse porto livre.

(A partir da esq.) Coronel Neper, governador Danilo Areosa, coronel
Maury (cmt da Polícia Militar) e Flaviano Limongi, da FAF, em
conversa no estádio Vivaldo Lima, O Jornal, 5 abr. 1970
Entre esses grupos, diversas delegações de cursos militares aproveitaram de deixa para os “estudos técnicos”, ou seja, a aquisição de “novidades” do mundo (me parece que houve uma loja com essa denominação). Coronel Neper Alencar, então subcomandante da Polícia Militar, teve assim o ensejo de expressar sua cordialidade. A todos recebia com entusiasmo, e com isso marcou sua presença nos quatro cantos do País, possuía algum colega nas PMs do Brasil.

Nesse contexto, entusiasmou um grupo de dirigentes do Palmeiras paulista. Não possuo condições de afirmar se o intercâmbio de jogadores do Nacional FC com aquele clube se concretizou com a contribuição dele. Sei, sim, que esse intercâmbio prosperou, e mais, que coronel Neper aproveitava os subalternos que se dirigiam a São Paulo para conduzir aos seus amigos as lembranças da ZFM. Confesso agora que eu, em duas oportunidades, servi de “mula” (no ótimo sentido).

Homem bem educado, distinguia-se pela fidalguia com que tratava aos colegas e amigos. Alcançou relevância na Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP), quando ali realizou o Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais (CAO), em 1970.

Também desportista, desconheço se praticou algum esporte, mas esteve vinculado ao Nacional Futebol Clube, o mais querido do Amazonas, hoje um fiasco daquele time que empolgou em 1972 e anos próximos, nos primórdios do campeonato nacional. Prestava sua colaboração e prestígio à diretoria. Estava presente nos estádios onde se apresentasse seu time de coração.

Acredito que o número de medalhas com que foi agraciado permite vislumbrar seus méritos. Foram 35 medalhas, tanto de entidades militares, quanto de civis, destacando-se as seguintes:
Ordem dos Cavaleiros da Concórdia, no grau de cavaleiro, do Poder Judiciário de São Paulo;
Grã Cruz da Ordem do Mérito Cultural do Estado de São Paulo;
Tempo de Serviço (ouro) da Polícia Militar do Amazonas;
Medalha Tiradentes das Polícias Militares do Amazonas, do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e de São Paulo;
Medalha da Sociedade de Veteranos de 1932 (Revolução Constitucionalista), de São Paulo;
Medalha da Sociedade Geográfica Brasileira, governo de São Paulo;
Grã Cruz do Mérito, do Exército Brasileiro.

Seu nome, segundo projeto do deputado José Cavalcanti (coronel da corporação, que exerceu o único mandato), que foi sancionado pela Assembléia Legislativa do Estado em 1989, distinguiu a Academia de Polícia Militar com o nome do venerando coronel Neper da Silveira Alencar.