CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

19 de setembro de 2011

Djalma Vieira Passos

Capa de livro de Djalma Passos
Djalma Vieira Passos nasceu no então Porto Acre, hoje Rio Branco, capital do Acre, em 1923, filho de Diomedes Vieira Passos e Joana Crispim de Souza. À época, a borracha já dera sua contribuição aos estados amazônicos, estes enfrentavam a derrocada. Por isso, creio, foi que alguns jovens alcançaram Manaus para conquistar aqui a única faculdade em movimentação.

Era uma aventura sair do vizinho Acre para Manaus, toda ela realizada em barcos regionais. E bote tempo nessa travessia.

A Faculdade de Direito do Amazonas acolheu um bom número de acreanos. O primeiro a conquistar a graduação foi Raymundo Nonato de Castro, que marcou sua passagem pela capital baré. Cerca de duas dezenas de jovens oriundos do Território Federal do Acre, espalhados pelos anos, tornaram-se bacharéis em direito, antes que Djalma Passos aos 32 anos conquistasse o mesmo “canudo” em 1955.

A esse tempo, Passos já pertencia à Policia Militar do Estado, onde ingressara como sargento. Há um registro de sua atuação junto ao Dr. Djalma Batista, que fora médico da PM, quando um incêndio destruiu parte da Biblioteca Pública, em agosto de 1945.

Rogel Samuel lembra-se de Djalma Passos, na metade dos anos 1950. Passos foi meu professor de português no Ginásio Aparecida. Era um homem calmo e bom, e morava na época perto da casa de minha avó, na rua Japurá, onde eu vivi por alguns anos.
Abandonou o magistério para ingressar na política, tendo sido eleito, primeiramente, vereador, mais tarde deputado estadual (1955-58), e depois federal, pelo PTB, em 1963-67. Depois passou pelo MDB (Movimento Democrático Brasileiro); migrou para a Arena (Aliança Renovadora Nacional) e seu sucedâneo PSD (Partido Social Democrático).

Enquanto major da PM do Estado foi comandante da extinta Guarda Civil, que era uma organização militarizada e subordinada à Polícia Civil, o quartel desta (na rua Guilherme Moreira) ligava-se pelos fundos com a famosa Central de Polícia, da rua Marechal Deodoro.
A participação deste oficial nessa entidade trouxe-lhe motivação para defender um de seus subordinados que matara um conhecido cidadão. Caroço, era a alcunha do inditoso, mas que era irmão do nosso conhecidíssimo José Bernardo Cabral. O guarda-civil cumpriu a punição que lhe foi imposta.


Artigo publicado em favor do subordinado
Djalma Passos publicou, em defesa do guarda, o opúsculo Entre o dever e o cárcere (A tragédia do Guarda Manuel Carlos Melo). Detalhe: ainda vive uma irmã do acusado, minha meia-tia, que o mal de Alzeimer já apagou dela as dores do encarceramento.
Em homenagem a ela, breve vou publicar o texto de Djalma Passos.

O senador Aureo Mello, do PMDB, pronunciou discurso no Senado em 19 junho de 1990, em pesar pelo falecimento de Djalma Passos, acontecido no Rio de Janeiro.
A prefeitura de Manaus, por seu prefeito Alfredo Nascimento, homenageou ao saudoso político com seu nome na Escola Municipal, situada no Monte Sião, na Cidade de Deus.