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sexta-feira, abril 12, 2019

ASSISTÊNCIA SOCIAL EM MANAUS

André Araújo

Um pouco de história deste Serviço, cuja figura primordial foi o saudoso desembargador André Araújo. Essas notas foram transcritas do Relatório do Interventor Federal, Álvaro Maia, enviado em 1944 ao Presidente da República, Getúlio Vargas.

Trecho do Relatório citado


ASSISTÊNCIA SOCIAL
JUIZADO TUTELAR DE MENORES

O problema da criança não tem sido descurado, entregue ao Juiz Tutelar de Menores, a cujo cargo está a orientação do serviço social do Estado. Dirige todos os Departamentos o doutor André Araújo, devotado Juiz, a quem se devem as instalações de institutos, creches, escolas especializadas.
O Instituto Melo Matos é a obra mais antiga do Juizado, com oficinas de sapateiro, marceneiro, tipógrafo, encadernação e ferreiro. Por essas oficinas passaram 524 menores delinquentes e abandonados, sendo maior o índice de abandonados. O índice de homicídios e atentados graves à vida é pequeno, elevando-se, entretanto em vadiagem e pequenos furtos.
O Instituto Melo Matos tem entregue à sociedade amazonense muitos meninos reeducados, todos operários amparados em oficinas pelo próprio Juiz, que dispõe de uma Agência de colocação de menores.

A Escola Premonitória do Bom Pastor, fundada em 1940, funciona em novo prédio ultimamente adquirido e adaptado pela Interventoria. Passaram pelas suas aulas 251 meninas; acham-se internadas, no momento, 80 menores, sob a administração das Irmãs Filhas do Sagrado Coração de Jesus e a direção pedagógica do Juiz.

Na Escola José do Patrocínio “Casa do Pequeno Gazeteiro” são assistidos todos os jornaleiros de Manaus. Não existe um só menor gazeteiro que não saiba ler e escrever. Vendem jornais, devidamente uniformizados. Têm assistência, remédios, hospitalização, dentista e proteção.

O Círculo Operário de Manaus, com 3000 sócios, acha-se instalado na antiga Escola de Aprendizes Artífices, cedida especialmente pela Interventoria, afim de atender a necessidade de organização operária e preparação de trabalhadores para a sindicalização preconizada pelo Ministério do Trabalho. São assistidos por médicos, dentistas, advogados, e gozam de proteção eficaz em todos os sentidos, orientados pelo próprio Juiz de Menores. 

Pretende instalar a Vila Operária Getúlio Vargas, com auxílio da Interventoria e da Legião Brasileira de Assistência, em terreno doado pela Prefeitura.
André Araújo
Desenvolvendo o problema de assistência aos operários, além de abrir um crédito para compra da Casa do Trabalhador, sob a orientação do Delegado do Ministério do Trabalho, a Interventoria, entregou ao Círculo Operário um outro prédio à avenida Sete de Setembro para instalação da Creche Circulista Menino Jesus, onde são internadas crianças até 6 anos. A Legião Brasileira de Assistência vem fornecendo alimentos, roupas, remédios para esses filhos de operários.

Mantida pelo Instituto de Proteção aos Menores, que tem sua sede no mesmo prédio do Círculo Operário de Manaus, a “Escola Montessoriana”, em Adrianópolis, destina-se à educação de menores cegos e surdos-mudos, com 25 internados, esperando ainda muitos que se encontram no interior do Estado.
É sua diretora a professora Regina Coeli Bezerra de Araújo, que, designada pelo Governo do Estado, se especializou no Rio de Janeiro e tudo tem feito pelo desenvolvimento da Escola, auxiliada pelas normalistas Maria Angélica da Silveira e Rita de Cássia de Araújo. Essa Escola tem um sentido rural amazônico.
Edificação desaparecida, em foto de jornal, 1970

A Escola do Serviço Social foi instalada na Cachoeirinha, no prédio da antiga Escola do Bom Pastor, cedido pela Interventoria Federal. Já diplomou duas turmas de assistentes técnicos sociais. Subvencionada, é reconhecida de utilidade pública, formando o seu corpo docente de médicos, advogados e professoras, num curso de três anos.

* * *
Até o dia 31 de dezembro de 1943, num período de três anos, passaram pelo Juizado Tutelar de Menores 14.222 menores, classificados pela seguinte forma:  

QUANTO AO SEXO:
Do sexo masculino: 7.846 e do sexo feminino: 6.376.    

sábado, setembro 24, 2011

SERVIÇO SOCIAL

Ainda da revista Temas em foco (nº 1, 1970), da Faculdade de Filosofia da Universidade do Amazonas, saquei o texto abaixo:


O PAPEL DE UMA ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL NO DESENVOLVIMENTO


Regina Coeli Araújo de Carvalho



André Araújo, pai da autora

A ideia da criação de uma Escola de Serviço Social em Manaus, era o sonho que preocupara o espírito do seu fundador, o desembargador André Araújo e de Maria de Miranda Leão, a inesquecível "Mãezinha", que toda a Manaus tão bem conhece, admira e não esquecerá jamais.

Em janeiro, 1941, essas duas criaturas, seguidos de perto por Sadoc Pereira [desembargador], Cássio Dantas, Carlos Barroso, Elmacino Araújo, Zulmira Bittencourt e mais um grupo de pessoas, fundaram e instalaram a Escola de Serviço Social de Manaus, numa das salas do prédio onde funcionava o Juizado de Menores, no antigo Grupo Escolar Marechal Hermes, à rua José Clemente, vizinho ao Tribunal Eleitoral [esquina da av. Eduardo Ribeiro, veja a ilustração] 

A Escola de Serviço Social provém de uma intensa movimentação cultural e idealista que se verificava em Manaus, onde a mocidade contava com apenas algumas unidades de ensino superior: as faculdades de Direito, Agronomia, Farmácia e Odontologia.
Parece que a Escola de Serviço Social de Manaus surgiu também como consequência de um fenômeno decorrente da necessidade de pessoal técnico para atender aos problemas sociais que afligiam especialmente a infância do Amazonas. E esses problemas eram já de há muito o objeto de estudos e pesquisas do sociólogo e então Juiz de Menores André Araújo.

Edifício já demolido onde funcionou o TRE e o Juizado de Menores,
av. Eduardo Ribeiro esquina da rua José Clemente
Já em 1941, a primeira turma de alunos se preparava para o sublime mister de assistir, ajustar e promover os marginais. Era uma turma de 42 estudantes, - os primeiros assistentes sociais do Amazonas a serviço do Brasil.

27 anos depois, no dia 16 de fevereiro de 1968, foi a Escola de Serviço Social de Manaus, num gesto grandioso, que todo o Brasil tomou ciência, integrada à Universidade. Este foi um ano histórico para a ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL, - graças a dois homens: André Araújo, que a fundou e construiu, e o magnífico Reitor, Dr. Jauary Guimarães de Sousa Marinho, que numa prova da mais alta compreensão do sentido que deve orientar uma Universidade, generosamente a adotou, integrando-a à Universidade do Amazonas.

Aqui, nesta Escola de Serviço Social, professores e alunos vivem realmente a Universidade, porque estão convencidos que uma Universidade é o maior baluarte do Desenvolvimento. Nesta casa, o Serviço Social é o objeto de todo o nosso trabalho; um Serviço Social que não é, como alguns podem supor, um requinte de vaidade ou exibicionismo, mas uma necessidade que se impõe aos interesses do meio social a que se destina servir.

O nosso objetivo é: o Brasil, e o Amazonas, através da Escola de Serviço Social, como parte da nossa Universidade. Como bem acentuou Anísio Teixeira, "o problema humano passou a depender basicamente do modo pelo qual a inteligência pode funcionar na sociedade dos homens". Daí, a necessidade da Universidade, como fundamento do progresso humano, como princípio básico do desenvolvimento.

O Serviço Social é o meio mais' eficiente para interferir na realidade social. Pelo seu dinamismo, ele, o Serviço Social, movido pelas mudanças do processo de desenvolvimento, é o instrumento único para a integração total do homem ao meio.

Disso decorre a importância da Escola de Serviço Social no Amazonas, que ora se desenvolve e cresce para um futuro imortal. Sabemos que o Serviço Social se caracteriza pela atuação junto a indivíduos com desajustamentos familiares e sociais. 

A Escola do Serviço Social funcionou neste prédio já demolido, 
na av. Getulio Vargas, em frente a academia do Cheik
Não ignoramos ainda que tais desajustamentos decorrem, muitas vezes, de estruturas sociais inadequadas. Os problemas sociais não existem por si mesmo. Nós os encontramos nos seres humanos. Por isso, o assistente social, além do problema, olhará a pessoa que tem dificuldades e problemas de adaptação. E isto é um mister sem precedentes. E' uma arte de difícil aplicação, pois deve adaptar-se às diferenças individuais.

Como assistentes sociais, não podemos generalizar os problemas. Eles são sempre únicos e individuais, - mesmo sabendo-se que fatores sociais, culturais, religiosos, espirituais, emotivos e psicológicos podem atuar decididamente em cada caso.

No trabalho relevante de educação ou desenvolvimento, o homem será sempre o centro de toda a atividade. E o Serviço Social, pelo seu caráter promocional, será a constante em qualquer (sic) realizações desta natureza.
Daí acreditarmos que a importância de uma Escola de Serviço Social, dentro de uma Universidade, bem como numa comunidade em desenvolvimento, é algo sem precedente.

As exigências do processo de desenvolvimento dos povos vêm impondo ao Serviço Social o desempenho de novos papéis. Tudo como consequência da inserção da profissão na realidade econômico-social das regiões ou países.

Nos dias atuais, um dos objetivos do Serviço Social é solucionar os problemas que impedem os indivíduos, famílias, grupos, comunidade e populações de alcançarem padrões de vida sócio-econômica compatíveis com a dignidade humana.

"Todo indivíduo tem direito a um determinado nível de vida mínimo no terreno econômico, cultural e familiar".

A busca por um humanismo novo, como quis o Papa Paulo VI, exige técnicas, pessoal especializado e uma reflexão profunda em torno da pessoa humana, donde se evidencia o valor do papel do assistente social na realização do verdadeiro desenvolvimento.

Problemas decorrentes das carências naturais ou morais, a exploração dos trabalhadores e todas as formas de injustiça social, são a constante na missão do assistente social, nos dias de hoje.

O Progresso só tem sentido quando em função do homem.

Por isso, a importância do papel de uma ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL no desenvolvimento como causa da total promoção do homem. Conjuntamente com a Universidade, os estudantes e profissionais do Serviço Social, estão a serviço da comunidade no trabalho de engrandecimento da Amazônia.
Compreendemos que só num trabalho dessa natureza, repousam os fundamentos do verdadeiro desenvolvimento.