CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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segunda-feira, outubro 05, 2026

MEUS OITENTANOS (20)

             FASCÍCULO 20

1980


Entre fevereiro e março, prestei vestibular na Federal do Amazonas para o curso de Pedagogia, sendo aprovado. Como de praxe, aproveitei os créditos da Faculdade de Direito, cujo curso concluí naquele ano; acrescentei os resultados do Curso de Técnica de Ensino. A faculdade funcionava em uma edificação antiga na rua Tapajós com rua Monsenhor Coutinho, próxima à igreja de São Sebastião, ou seja, no centro de Manaus. A turma era formada, em sua maioria, por professoras estaduais que buscavam a graduação para incrementar o salário. Havia poucas jovens em busca da primeira graduação; tornei-me um caso à parte naquele grupo, conhecida minha atividade policial. Fui conciliando as atividades escolares — conclusão do Direito e início da Pedagogia — com dificuldades, entre as quais a necessidade de frequentar as aulas e cumprir o horário do quartel; além disso, para não assistir às aulas fardado, adotei um disfarce: calça do quartel e camisa polo. Em resumo: permaneci naquela escola até 1983, quando fui servir na Casa Militar do governador Mestrinho. Na ocasião, ainda compelido ao exercício de estágios curriculares, percebi que não me adequaria à escola pública. Abandonei o curso de Pedagogia.

Equipe de oficiais do Corpo de Bombeiros,
multiuso nos esportes; autor (1º à esq. em pé)

Seguia servindo no Corpo de Bombeiros, em Petrópolis, mas seguindo o trâmite do processo na Auditoria, estabelecida no quartel da Praça da Polícia. Era comandante da corporação o coronel Ribeiro Raizer, evangélico convicto, cumpridor dos preceitos religiosos. Assim sendo, estimulou os policiais a iniciarem uma célula religiosa no quartel, uma espécie de capelania. Certa ocasião, respondia eu pelo Corpo de Bombeiros, quando fui “convidado” a acompanhar um culto religioso, encomendado pelo coronel comandante, para agradecer a Deus pela saúde de um bombeiro ferido gravemente em um incêndio. O ofício religioso aconteceu no final da tarde de um domingo; o dia e a hora impuseram-me cautelas com os etílicos. Ao final do culto, uma ação me satisfez: o oficiante dirigiu-se à porta do templo, onde se despediu de cada um dos presentes.

No começo de abril, fui convocado para depor como testemunha; isso constituiu o primeiro passo. Duas semanas depois, a denúncia tornou-se pública e, desse modo, tornei-me réu, impossibilitado de concorrer à promoção e a outros direitos. Antes de findar o mês de abril, dia 25, soube da convocação do Conselho Especial de Justiça que me julgou, presidido pelo coronel Câmara. Dos quatro membros, dois pertenciam à minha turma; com o terceiro troquei uma conversa de “pé de ouvido”; restava o presidente, contra o qual decidi reagir. Redigi um texto relatando fatos nocivos a seu respeito e, ao final, sugeri a suspeita de homossexualismo. No comando do CB seguia o coronel Okada, a quem eu via como um guru, e levei o texto para sua avaliação. Ele leu até a metade e então, com seu sotaque nipônico, me advertiu: “Rasga essa porra, assim você vai ser preso de novo”. Demorei uma temporada para destruir a sandice no papel, mas nunca a tornei pública.

Manaus toda se enfeitou para ver o Papa João Paulo II passar, parodiando a canção de Chico Buarque. Era julho e o calor estava apenas começando. Os bombeiros foram empenhados, como toda a Polícia Militar, mas, como eu não tinha qualquer obrigação em especial, estive livre para ver Sua Santidade. Acabei menosprezando as ocasiões, como assistir à missa na Catedral ou permanecer nas proximidades da Cúria Metropolitana, na avenida Joaquim Nabuco, onde o Papa ficou hospedado. Somente acompanhei, ao lado da cidade inteira, a Missa Campal na Bola da Suframa, denominação que, a partir dessa celebração, virou a Praça do Papa. Lembro bem a despedida prestada ao Papa no aeroporto: suando às bicas, ele abençoou Manaus e se referiu ao fenômeno solar próprio da Amazônia.

Diploma da Faculdade de Direito

O ano chegou ao fim com um salutar compromisso: receber o Diploma da Faculdade de Direito, ainda que cercado pelos impasses recolhidos pelos anos, cujo principal era o processo que se avolumou na Auditoria Militar, cujo julgamento sucedeu no ano imediato. A vida sentimental, após a separação da esposa, tornou-se um vendaval, tanto que colhia um temporal em cada porta. Meus pais e irmãos seguiam na residência do Tiradentes, mas já pensando em mudar-se, “a fim de desocupar a casa” e permitir meu conforto. Então, vesti o paletó costumeiro e dirigi-me ao local da formatura, sem ter convidado qualquer um da minha relação. No trajeto, parei para tomar um lanche. Era noite e fiquei, enquanto degustava o lanche, refletindo sobre alguns fatos nem um pouco animadores: perdi o entusiasmo pela conclusão da faculdade, havia perdido o objetivo, ao concluir por onde os demais estavam iniciando; ao encerrar o curso onze anos após a marca inicial, ao ingressar na “Jaqueira”, em 1969. Não sei se foi a merenda que me azedou ou se foi a sequência de minhas posturas desconexas; certo foi que não compareci à formatura, presumindo que, no dia seguinte, chegaria à faculdade e, graciosamente, receberia o diploma. Ao saber da obrigação de requerer esse benefício e se adornar para uma cerimônia restrita, adiei o desfecho, que somente ocorreu em 1985, quando nomeei o coronel Eber Bessa (obrigado, colega!) para me representar no ato. 

Hoje, o diploma serve exclusivamente para adornar o escritório doméstico.

terça-feira, julho 22, 2025

MAURO TEIXEIRA: DIA DE TENENTE


Dias desses, no arquivo da Biblioteca Pública esbarrei com esta foto. Por se tratar de um jovem fardado de policial militar, logo me despertou a curiosidade. Matei de pronto o fardado: tenente Ademar Raimundo Mauro Teixeira (1949-). Tenente Mauro ingressou na Polícia Militar, depois de concluir o NPOR (Núcleo de Preparação de Oficiais da Reserva), em outubro de 1972. Estava eu cursando o CAO, na PM do Ceará, de sorte que me encontrei com o tenente no início de 1973, ambos na Companhia de Trânsito. Aconteceu por pouco empo, pois em fevereiro fui transferido para o Corpo de Bombeiros.
Mauro permaneceu na Cia Tran com sua dedicação e competência, e bastante tranquilidade até para solucionar os embates do serviço externo, como demonstra a foto colhida no “Vivaldão”. Sua postura expressa a imagem que deixou gravada na corporação, ainda que tenha ali permanecido por pouco menos de dois anos. Trocou o quartel pela Universidade Federal e acolá se consagrou, pois conquistou o Doutorado e a eleição de vice-reitor da Casa de Ensino Superior.  

As fotos mostram dois momentos: a chegada na PM e o dia de comandante do policiamento do estádio, em abril de 1973. Há pouco mais de 50 anos. Vida longa, caro amigo Mauro.

Recorte do Jornal do Commercio, abril 1973

quarta-feira, outubro 23, 2019

DR. NAZADIR SAPUCAIA


Universitários querem o Dr. Sapucaia como Reitor

Os acadêmicos de Odontologia, Medicina e Farmácia apoiam o nome do Dr. Nazardi (sic) Sapucaia para ocupar o cargo de futuro Reitor da Universidade do Amazonas, em substituição ao atual Reitor, prof. Aderson Dutra, que está terminando seu mandato naquela reitoria.

Dr. Sapucaia
Apontando o Dr. Nazadir Sapucaia como futuro substituto do atual reitor, os estudantes dos 3 cursos já mantiveram contatos com o Ministério da Educação e Cultura, fazendo aquela indicação que, segundo esperam, será atendida.
O Dr. Nazadir Sapucaia é chefe do Departamento de Anatomia da Universidade do Amazonas e vem se destacando perante os acadêmicos, devido seu interesse por aquele importante departamento. Ainda este mês de julho, o escolhido dos finalistas de Odontologia, Medicina e Farmácia representará o Amazonas num congresso de Anatomia, que realizar em Niterói e do qual trará melhores métodos para serem postos em prática aqui em nosso Estado.

Na semana passada, ele esteve com todos os professores do Departamento fazendo uma visita às salas de anatomia, que estão sendo construídas no Campus Universitário. Dizem os acadêmicos, falando sobre o assunto: “Nós precisamos de um homem de ação que possa substituir à altura o atual Reitor, e o Dr. Sapucaia é a pessoa Indicada”. Dos seis nomes apontados pela Imprensa, Dr. Nazadir foi o único que teve destaque na sociedade universitária, segundo os próprios acadêmicos. Eles, os estudantes universitários, acrescentam que Sapucaia é daqui e entende nossos problemas. Não adianta colocar gente de fora, pois eles não entenderiam nem participariam com tanto dinamismo e eficiência, de quem já conhece a fundo os problemas de nossa universidade.

Recorte de O Jornal, 13 de julho de 1976

Notas do blogueiro:

Conheci o dr. Nazadir (nome correto) Sapucaia, que nasceu em Belém-PA em 1939, e concluiu o CPOR/8ª RM, assim como o curso de Odontologia/UFPA, em 1967. Vindo para Manaus, ingressou na então Universidade do Amazonas, na condição de professor e depois diretor de departamento de Odontologia, aberto havia pouco. Em 1974, a Polícia Militar do Amazonas aprovou sua inclusão para ampliar o quadro de saúde, na condição de 1º tenente. Dois anos depois, teve seu nome indicado pelos discentes, conforme edição de O Jornal (13 julho 1976).

A partir de sua inclusão, travei contato com o novo dentista, inclusive passando em seu consultório, situado no edifício Rio Madeira, ali na rua Costa Azevedo. Chegado o tempo da aposentadoria, o coronel Sapucaia (seu nome de guerra) voltou ao torrão natal.

No entanto, nunca soube dessa situação de reitorável, dessa “indicação” para dirigir a nossa Universidade Federal. Afinal, a escolha do Reitor àquele ensejo era realizada pela indicação do Governador ao Ministério competente. Tanto que, ao dr. Aderson Pereira Dutra (1970-77), sucedeu-lhe o vice-reitor Octavio Hamilton Botelho Mourão (1977-84). Em nossos dias, a disputa é realizada no voto, com indicação de lista tríplice.
Trata-se, acredito, de matéria “paga” no jornal, sem conteúdo objetivo, todavia, serve como registro da atividade deste policial militar.
Seu nome foi grafado com incorreção, Nazardi, ao invés de Nazadir. Na transcrição, fiz as devidas correções.

domingo, fevereiro 14, 2016

SEMINÁRIO: ICHL/UFAM: UNINORTE

Anteontem / Ontem / Hoje





segunda-feira, fevereiro 25, 2013

ELEIÇÃO NA CASA DE ARLINDO PORTO

Zemaria Pinto, cadeira 27
No almoço festivo dos coronéis da Polícia Militar, ao final de cada mês, há sempre um colega mais próximo que não se esquece de minha candidatura à Academia Amazonense de Letras. Para satisfazê-lo, repito o mantra: estou na fila de espera. Acontece que o deslocamento nesta cobrinha não se faz pela simples chegada mais cedo, porquanto, as prioridades são extensas, bem mais ressaltadas que no salão de espera da Amazonprev.

A propósito deste assunto – eleição na AAL –, reproduzo a Carta do acadêmico Zemaria Pinto, a qual explica, revela, descobre parte das primazias asiladas na Casa presidida pelo acadêmico Arlindo Porto.
Obrigado, amigo.
 

Carta aberta à professora Márcia Perales,

candidata à cadeira 21 da Academia Amazonense de Letras


Prezada Senhora,

Começo por me desculpar pelo não uso do tratamento ao qual a Senhora, como reitora da Universidade Federal do Amazonas, está acostumada, por achá-lo desprovido de sentido. Na sequência, permita-me que me apresente, pois não creio que a senhora saiba quem eu sou: Zemaria Pinto, ocupante da cadeira 27 da Academia Amazonense de Letras, desde 2004, 15 livros publicados (entre ensaios literários, poesia, teatro e literatura infanto-juvenil), analista de sistemas, bacharel em economia, especialista em Literatura Brasileira e mestre em Estudos Literários – estes três últimos, títulos obtidos na UFAM, o que enfatizo para mostrar minha proximidade e meu respeito para com a instituição que a Senhora dirige. Agora, aos fatos.
Luiz Bacellar na AAL

No início deste ano, recebi da direção da AAL um boletim que informava que as inscrições para a cadeira 21, ocupada pelo escritor Luiz Bacellar até 09 de setembro, aconteceriam entre os dias 08 de março e 08 de abril. Na última quinta-feira, 21 de fevereiro, entretanto, soube, por mero descuido do acadêmico que secretariava uma assembleia de rotina naquela casa, que as referidas inscrições se encerrariam hoje, 25 de fevereiro. Pedi à mesa um esclarecimento, provocando mal-estar geral, pois ficava claro, pela minha insatisfação, que eu considerava aquela mudança clandestina mais uma afronta, entre tantas, à memória do meu amigo Bacellar. O esclarecimento foi singelo: uma decisão da diretoria, que é soberana nesses assuntos. Mas deveria também ser transparente e não o foi.

O que a Senhora tem a ver com essas intrigas paroquianas, típicas de uma casa onde a vaidade paira acima de qualquer virtude? Muito simples. A primeira vez que ouvi a menção ao seu nome para substituir Bacellar ele ainda agonizava em seu leito de morte. No dia do enterro, repetiu-se a mesma ladainha, vinda de vários confrades: “a vaga de Luiz Bacellar é da professora Márcia Perales”. Não sei se a Senhora tem conhecimento desses fatos. Acredito que não. Mas quando alguém lhe ofereceu essa eleição, sem sustos, talvez por unanimidade, graças a essa manobra escusa acima relatada, esqueceu-se que a AAL não é formada só por carneirinhos. Se não fosse a indiscrição do confrade, professora, hoje a Senhora seria candidata única, imbatível. Mas não o é.

A Senhora irá enfrentar dois candidatos. Dois excelentes candidatos escritores. Eu preciso dizer-lhe que essas duas candidaturas, professora, nasceram na noite de quinta-feira, como uma reação indignada à manobra escusa. É possível que a Senhora seja eleita com até 36 dos 38 votos admissíveis. Mas os dois ou mais votos de diferença – dos articuladores das candidaturas avessas, e dos que não se curvarão ao pensamento hegemônico – vão escancarar a insatisfação que vai aos poucos minando a AAL. Por repudiar manobras desse tipo, o poeta Thiago de Mello renunciou ao seu título de membro do Silogeu. O Bacellar, que vivia arengando com o Thiago, dizia que a glória suprema seria ser expulso da Academia.

Para sua reflexão.

Respeitosamente,

Zemaria Pinto

quarta-feira, março 14, 2012

Convite e o IGHA

Os lançamentos são da iniciativa da Edua, Editora da Universidade Federal do Amazonas. O IGHA apenas colabora com o local, sua sede situada no Centro Histórico de Manaus. Haverá evento quinta-feira 15, e sábado 17. Os convites seguem abaixo.



Nota pessoal:

Se o leitor somente se importa com o motivo e a data do evento, em um convite, tudo bem. Quase sempre vêm em destaque, exatamente para que o convidado não se esqueça. Ocorre que eu leio qualquer impresso de cabo a rabo. Mais a segunda parte.

E vou aproveitar estes convites expostos, tão bem impressos pela Edua de nossa Ufam, para informar aos editores que o Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, daqui pra frente IGHA, tem PRESIDENTE. Seu currículo é pobre em títulos acadêmicos, acredito que apenas um modesto curso de Biblioteconomia, portanto, impedido do tratamento de professor doutor.

Mas, como garantem os aficionados pelo Fusca: é Fusca, mas é meu. Meu presidente, eleito por dois mandatos e que, de maneira cavalheiresca, abriu as portas da instituição que preside para receber os convidados da Ufam, sem qualquer ônus. Apesar disso, sofre uma descortesia desse tamanho.

Em troca da amabilidade, tem seu nome omitido nos impressos. Vejo isso uma demonstração de pouco respeito dispensado pela universidade federal. Vejo nesse ato, eminente presidente Geraldo dos Anjos, um recado: vamos completar 95 anos de existência, passa já da hora de aproveitarmos nossa riqueza. A oportunidade do aniversário é propicia para esta alavancada, ou copiando o recado abusado do francês para o comitê de futebol, “um chute no traseiro” também opera milagre.

Às suas ordens, excelentíssimo senhor presidente do IGHA, José Geraldo Xavier dos Anjos.

quarta-feira, novembro 23, 2011

ICHL homenageia L. Ruas

Professores preparam a homenagem para celebrar os 80 anos do saudoso poeta Luiz Ruas no dia 28 de novembro, a partir das 15h, no Pavilhão Luiz Augusto de Lima Ruas (Hall do ICHL).

Identidade sacerdotal de Luiz Ruas
A homenagem está sendo organizada pelo diretor do Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL), professor Nelson Noronha, e pelas professoras do Departamento de Língua e Literatura Portuguesa, professora Maria Sebastiana de Morais Guedes e professora Rita do Perpétuo Socorro Barbosa de Oliveira.

A abertura do evento será feita pelo maestro Adelson Santos e, em seguida, será realizado um recital de poemas do livro “Aparição do Clown”, de Luiz Ruas, pelos discentes do curso de Letras – Língua e Literatura Portuguesa, orientados pela professora Maria Sebastiana de Morais Guedes.

A conferência de abertura, realizada no horário de 16h às 18h, contará com a presença de Roberto Mendonça e do professor Osvaldo Coelho, do curso de Filosofia. A professora Matilde Hosana assumirá o papel de mediadora da conferência.

L. Ruas rubrica livro pessoal,
adquirido na centenária livraria

A conferência final, das 18h às 20h, terá como mediador o professor da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Marcos Frederico Krüger Aleixo. Estarão presentes na conferência o poeta e membro da Academia Amazonense de Letras, Tenório Telles, que abordará Ruas: poesia e espiritualidade. O poeta e mestrando Zemaria Pinto abordará o tema Poemeu, a metafísica do profano e o mestrando Alexandre Serrão que falará sobre os seus estudos das obras de Luiz Ruas.
O encerramento da homenagem ao poeta Luiz Ruas será realizado pelos discentes, membros do Centro Acadêmico de Letras, que farão um recital de poemas do livro “Poemeu”.

sábado, novembro 19, 2011

L. Ruas: 80 anos




Padre Luiz Ruas, 1954
Em 28 de novembro, segunda-feira 


Este canto-mãe
Não o faço.
Ele me faz...
Fazer-me
(L. Ruas, Poemeu)

Um dos espaços de eventos da UFAM, mais conhecido como hall do ICHL, possui o nome de
Pavilhão Luiz Augusto de Lima Ruas, melhor conhecido por L. Ruas. Padre, professor de
psicologia na UFAM, cronista, ensaísta e poeta, foi o autor de Aparição do Clown (poesia),
Linha d`Água (crônicas), Os Graus do Poético (ensaios) e Poemeu (poesia), completaria 80 anos de nascimento no próximo 28 de novembro.


Pavilhão em homenagem ao mestre no ICHL
Aproveitamos essa data para homenageá-lo. Das 15 às 21 horas, com palestras de
professores que trabalharam ou estudaram com ele; depoimentos de pesquisadores e
apreciadores de sua obra; além de um recital de música dirigido pelo maestro Adelson
Santos, na abertura do evento.

Na sequência, poemas de L. Ruas recitados e, no encerramento, poemas cantados pelos
alunos do curso de Letras.

A solenidade tem a organização do diretor do ICHL, prof. Nelson Noronha, pelas professoras
do DLLP, Maria Sebastiana Guedes e Rita Barbosa, e pelos membros do Cecla.

Contatos:
Nelson Noronha, 9997-1134 e
Roberto Mendonça, 9608-9010

sexta-feira, novembro 11, 2011

DATA ESOTÉRICA: 11.11.11

Em homenagem a data tão farta de simbolismo, aproveitada em todo o mundo para balizamento de eventos, publico esta foto. O fato ocorreu há 40 anos, em 11 de novembro. E sucedeu na avenida Eduardo Ribeiro.


Jornal do Commercio, Manaus, 11 nov. 1971
A legenda do recorte de jornal indica apenas que, na véspera, a população assistiu e aplaudiu a manifestação dos estudantes de medicina. Como me importei somente com a foto, deixei de lado as motivações do encontro.

Devo lembrar que a Faculdade de Medicina da então UA (Universidade do Amazonas) preparava-se para graduar sua primeira turma. Acredito, pois, que a manifestação teve a direção dos futuros médicos.  Lembro ainda que as primeiras turmas dessa faculdade acolheram os “excedentes” (aprovados em vestibular, porém fora do número de vagas) de outros Estados.

Membro da Polícia Militar, eu convivi com alguns desses universitários, pois o quartel da Praça da Polícia serviu por algum tempo de “hospedaria”. Houve um desses universitários, estudante de medicina, que se engajou no Serviço de Saúde da PMAM.
A foto de 40 anos passados mostra a delicadeza do trânsito na então mais movimentada avenida de Manaus. Mão de dupla de direção, com os fusquinhas se enfrentando. Alguns jipes e uma prosaica Hondinha (furgão em miniatura da Honda, com marcha no painel e espaço para dois passageiros), a frente do jipe à direita. Tempo bom... a avenida hoje todos conhecem, sitiada por camelôs e barracas e táxis e sujeira a beça.

sexta-feira, outubro 21, 2011

L. Ruas, oitentanos: Nota



Não fosse a persistência do poeta e amigo Zemaria Pinto, eu iria continuar confundindo. Explico melhor: os oitenta anos do padre Luiz Ruas acontecem, de fato, em 28 de novembro (segunda-feira). E não, como venho propalando, no próximo 31 de outubro.

Neste final do mês, a data lembra sua ordenação sacerdotal, realizada na catedral de Nossa Senhora da Conceição pelo arcebispo do Amazonas, Dom Alberto Ramos.

Para assinalar a efeméride do nascimento, duas entidades universitárias – Seminário São José e Universidade Federal do Amazonas, as quais o professor-padre Luiz Ruas esteve intensamente vinculado, vão promover encontros distintos.

O Instituto de Teologia, Pastoral e Ensino Superior da Amazônia (Itepes) já delineou a agenda, contando com minha presença, de Dom Luiz Vieira, arcebispo de Manaus, e do escritor Tenório Telles.

Poema Afranio de Castro
Portanto, padre Luiz Ruas nasceu em Manaus, a 28 de novembro de 1931. Aproveito para reproduzir um poema de Afranio de Castro (O Jornal, 18 nov. 1958), dedicado ao L. Ruas, certamente antecipando o aniversário deste que foi, naquele venturoso ano, efusivamente festejado.

sexta-feira, outubro 14, 2011

L. RUAS, OITENTANOS (1)

L. Ruas na
Rádio Rio Mar 
Em 28 de novembro, o finado padre-poeta L. Ruas completaria 80 anos. Prosseguindo com a homenagem que lhe prometi, transcrevo, de sua autoria, a crônica A Bomba, integrante de seu livro Linha d´Água (Artenova, 1970).


A BOMBA

A peste grassara na cidade. Era uma cidade pequena de um pouco mais de oito mil habitantes, no máximo.

Em primeiro lugar foram tomadas todas as medidas profiláticas. A cidade foi isolada e ninguém podia entrar ou sair a não ser os organismos oficiais encarregados do abastecimento e da assistência médico-hospitalar.

Sem qualquer outro informe mais preciso, cumpre dizer que a peste se caracterizava por uma inflamação cerebral que provocava nos doentes uma série de alucinações tendo como consequência final um debilitamento que levava fatalmente à morte.

O mais curioso é que, nas primeiras semanas, os vitimados não apresentavam qualquer anormalidade no comportamento, daí o primeiro caso ter sido aceito por muitos como coisa verdadeira. Tratava-se de um cidadão que se dizia uma espécie de salvador da pátria, esta espécie, aliás, muito difundida.

Devemos acrescentar também, que todos os habitantes daquela cidade estavam irremediavelmente condenados e, mais cedo ou mais tarde, todos contrairiam o vírus, embora, segundo os médicos, não se pudesse calcular, com exatidão, quando isso poderia suceder. O contágio, em muitos casos, se dava lentamente.

Diante desse estado de coisas as autoridades federais decidiram exterminar aquela cidadezinha. Segundo os moralistas oficiais, isso seria permitido em razão do bem comum, pois, o vírus poderia ser transmitido a outras cidades vizinhas e o mal terminaria tomando conta de toda a nação. Discussão pra lá discussão pra cá, o Departamento de Defesa apresentou uma sugestão que foi por todos aceita.

O Departamento de Defesa se encontrava em fase de experiências com um novo tipo de bomba e, segundo os técnicos, faltaria um último teste para se precisar o seu raio de ação. O Departamento de Saúde, por sua vez, chegou à conclusão de que as irradiações provocadas pela explosão poderiam, talvez, purificar a atmosfera e, assim, debelar o perigo da peste para sempre.

Todos de acordo, as circunvizinhanças da cidade foram escolhidas para servir de área de experiência do Departamento de Saúde e do Departamento de Defesa.

O plano da experiência estava dividido em duas etapas. A primeira consistia numa preparação psicológica do povo para impedir qualquer movimento de pânico. A segunda, consistiria na execução técnica ou, propriamente, na explosão.

Imediatamente foi iniciada a realização da primeira etapa. Os dois matutinos da cidade e a estação difusora começaram uma campanha de esclarecimento do público que ficou logo com a pulga atrás da orelha ao tomar conhecimento dos preparativos. O povo, dizia a imprensa, não deveria dar atenção àqueles que desejavam espalhar a confusão e o pânico.

Tudo estava em ordem e não se apresentava qualquer ameaça à segurança dos cidadãos. As autoridades eram responsáveis e zelavam pelo bem comum. Tratava-se, apenas, de uma experiência científica que traria benefícios incalculáveis para a nação.

Homenagem da Universidade Federal ao mestre  
O povo deveria, pelo bem da pátria, suportar, com paciência patriótica, alguns pequenos sacrifícios que seriam exigidos para o bom êxito da experiência.
Não será necessário dizer que muitos não acreditaram na tal campanha psicológica e houve mesmo quem quis fazer movimentos de protesto contra tal experiência científica. Mas estes foram logo reduzidos ao silêncio pelas autoridades como provocadores de badernas. E, a bem da verdade, é preciso dizer que a maioria dos habitantes, sujeitos pacatos e respeitadores, aceitaram as explicações oficiais, confiantes no patriotismo e no zelo dos chefes da nação. 
Não mudaram seus hábitos. Todos continuaram a ir ao barbeiro, tomar sua cervejinha, bater um papo na pracinha ou sentados em suas cadeiras de embalo, à noite, nas calçadas.

Havia também os conformados:
- Que adianta, diziam, que adianta perder a cabeça se ninguém sabe mesmo o dia da explosão?

E ninguém sabia mesmo. O dia da explosão foi guardado dentro do máximo segredo.
Mas, um dia, a bomba explodiu.

E daquela cidadezinha pacata resta, apenas, esta insignificante notícia que trago, hoje, aos meus possíveis e reduzidos leitores.

sábado, setembro 24, 2011

SERVIÇO SOCIAL

Ainda da revista Temas em foco (nº 1, 1970), da Faculdade de Filosofia da Universidade do Amazonas, saquei o texto abaixo:


O PAPEL DE UMA ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL NO DESENVOLVIMENTO


Regina Coeli Araújo de Carvalho



André Araújo, pai da autora

A ideia da criação de uma Escola de Serviço Social em Manaus, era o sonho que preocupara o espírito do seu fundador, o desembargador André Araújo e de Maria de Miranda Leão, a inesquecível "Mãezinha", que toda a Manaus tão bem conhece, admira e não esquecerá jamais.

Em janeiro, 1941, essas duas criaturas, seguidos de perto por Sadoc Pereira [desembargador], Cássio Dantas, Carlos Barroso, Elmacino Araújo, Zulmira Bittencourt e mais um grupo de pessoas, fundaram e instalaram a Escola de Serviço Social de Manaus, numa das salas do prédio onde funcionava o Juizado de Menores, no antigo Grupo Escolar Marechal Hermes, à rua José Clemente, vizinho ao Tribunal Eleitoral [esquina da av. Eduardo Ribeiro, veja a ilustração] 

A Escola de Serviço Social provém de uma intensa movimentação cultural e idealista que se verificava em Manaus, onde a mocidade contava com apenas algumas unidades de ensino superior: as faculdades de Direito, Agronomia, Farmácia e Odontologia.
Parece que a Escola de Serviço Social de Manaus surgiu também como consequência de um fenômeno decorrente da necessidade de pessoal técnico para atender aos problemas sociais que afligiam especialmente a infância do Amazonas. E esses problemas eram já de há muito o objeto de estudos e pesquisas do sociólogo e então Juiz de Menores André Araújo.

Edifício já demolido onde funcionou o TRE e o Juizado de Menores,
av. Eduardo Ribeiro esquina da rua José Clemente
Já em 1941, a primeira turma de alunos se preparava para o sublime mister de assistir, ajustar e promover os marginais. Era uma turma de 42 estudantes, - os primeiros assistentes sociais do Amazonas a serviço do Brasil.

27 anos depois, no dia 16 de fevereiro de 1968, foi a Escola de Serviço Social de Manaus, num gesto grandioso, que todo o Brasil tomou ciência, integrada à Universidade. Este foi um ano histórico para a ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL, - graças a dois homens: André Araújo, que a fundou e construiu, e o magnífico Reitor, Dr. Jauary Guimarães de Sousa Marinho, que numa prova da mais alta compreensão do sentido que deve orientar uma Universidade, generosamente a adotou, integrando-a à Universidade do Amazonas.

Aqui, nesta Escola de Serviço Social, professores e alunos vivem realmente a Universidade, porque estão convencidos que uma Universidade é o maior baluarte do Desenvolvimento. Nesta casa, o Serviço Social é o objeto de todo o nosso trabalho; um Serviço Social que não é, como alguns podem supor, um requinte de vaidade ou exibicionismo, mas uma necessidade que se impõe aos interesses do meio social a que se destina servir.

O nosso objetivo é: o Brasil, e o Amazonas, através da Escola de Serviço Social, como parte da nossa Universidade. Como bem acentuou Anísio Teixeira, "o problema humano passou a depender basicamente do modo pelo qual a inteligência pode funcionar na sociedade dos homens". Daí, a necessidade da Universidade, como fundamento do progresso humano, como princípio básico do desenvolvimento.

O Serviço Social é o meio mais' eficiente para interferir na realidade social. Pelo seu dinamismo, ele, o Serviço Social, movido pelas mudanças do processo de desenvolvimento, é o instrumento único para a integração total do homem ao meio.

Disso decorre a importância da Escola de Serviço Social no Amazonas, que ora se desenvolve e cresce para um futuro imortal. Sabemos que o Serviço Social se caracteriza pela atuação junto a indivíduos com desajustamentos familiares e sociais. 

A Escola do Serviço Social funcionou neste prédio já demolido, 
na av. Getulio Vargas, em frente a academia do Cheik
Não ignoramos ainda que tais desajustamentos decorrem, muitas vezes, de estruturas sociais inadequadas. Os problemas sociais não existem por si mesmo. Nós os encontramos nos seres humanos. Por isso, o assistente social, além do problema, olhará a pessoa que tem dificuldades e problemas de adaptação. E isto é um mister sem precedentes. E' uma arte de difícil aplicação, pois deve adaptar-se às diferenças individuais.

Como assistentes sociais, não podemos generalizar os problemas. Eles são sempre únicos e individuais, - mesmo sabendo-se que fatores sociais, culturais, religiosos, espirituais, emotivos e psicológicos podem atuar decididamente em cada caso.

No trabalho relevante de educação ou desenvolvimento, o homem será sempre o centro de toda a atividade. E o Serviço Social, pelo seu caráter promocional, será a constante em qualquer (sic) realizações desta natureza.
Daí acreditarmos que a importância de uma Escola de Serviço Social, dentro de uma Universidade, bem como numa comunidade em desenvolvimento, é algo sem precedente.

As exigências do processo de desenvolvimento dos povos vêm impondo ao Serviço Social o desempenho de novos papéis. Tudo como consequência da inserção da profissão na realidade econômico-social das regiões ou países.

Nos dias atuais, um dos objetivos do Serviço Social é solucionar os problemas que impedem os indivíduos, famílias, grupos, comunidade e populações de alcançarem padrões de vida sócio-econômica compatíveis com a dignidade humana.

"Todo indivíduo tem direito a um determinado nível de vida mínimo no terreno econômico, cultural e familiar".

A busca por um humanismo novo, como quis o Papa Paulo VI, exige técnicas, pessoal especializado e uma reflexão profunda em torno da pessoa humana, donde se evidencia o valor do papel do assistente social na realização do verdadeiro desenvolvimento.

Problemas decorrentes das carências naturais ou morais, a exploração dos trabalhadores e todas as formas de injustiça social, são a constante na missão do assistente social, nos dias de hoje.

O Progresso só tem sentido quando em função do homem.

Por isso, a importância do papel de uma ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL no desenvolvimento como causa da total promoção do homem. Conjuntamente com a Universidade, os estudantes e profissionais do Serviço Social, estão a serviço da comunidade no trabalho de engrandecimento da Amazônia.
Compreendemos que só num trabalho dessa natureza, repousam os fundamentos do verdadeiro desenvolvimento.