CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

28 de setembro de 2011

Academia Amazonense de Letras (5)

Fundada em 1918, com 30 integrantes, logo a Academia Amazonense de Letras sentiu esta estrutura se reduzir. Primeiro, pela morte no mesmo ano do vice-presidente, Heliodoro Balbi, de pronto substituído pelo médico Ribeiro da Cunha.


Em seguida, morreram Thaumaturgo Vaz (1921); Ribeiro da Cunha (1925), Octavio Sarmento (1926). Na década seguinte, foram-se Araújo Filho (1931), Raimundo Monteiro (1932) e Alcides Bahia (1934). Nesse ínterim, outros acadêmicos optaram pelo caminho do roadway, transferindo-se sobretudo para o Rio de Janeiro ou retornando a terra de origem.

A situação causada pelo desaquecimento da exportação da borracha, único sustento da economia amazonense, afugentava a todos. Não apenas aos intelectuais, foram levas de conterrâneos que se refugiaram ou em Fortaleza ou na Capital Federal.
Sede da Academia, ao tempo de sua
inauguração
Outra situação bem peculiar da época: eleitos que não tomaram posse, por se encontrarem residindo em definitivo fora de Manaus. Mas, houve quem recusasse peremptoriamente a honraria. Quem sabe o exemplo mais clássico seja do 4º bispo do Amazonas, Dom João da Matta, que seu biógrafo, padre Nonato Pinheiro, “esqueceu” de analisar o fato.

Apesar desse amplo marasmo, em 1934, o interventor federal Nelson de Mello, capitão do Exército, estimulado por acadêmicos envolvidos com seu governo, providenciou a sede da Academia, pois até então as tertúlias eram realizadas em espaços os mais diversos, públicos ou privados. Em qualquer lugar onde se encontrasse um grupo de acadêmicos, ressalta o ex-presidente Robério Braga.

Em novembro desse ano, a diretoria pode se reunir pela primeira vez no novo (e atual) endereço. Assinaram presença 11 associados, Adriano Jorge; Péricles Moraes; Leopoldo Péres; Anísio Jobim; Jonas da Silva; Agnello Bittencourt; Araújo Lima; Huascar de Figueiredo; Carlos Chauvin; Waldemar Pedrosa e Coriolano Durand, sob a direção do primeiro.

A 6 de janeiro seguinte, ocorreu a inauguração da nova sede. Na ocasião, a congregação dos literatos amazonenses homenageou ao mecenas da Casa de Adriano Jorge, outorgando-lhe o titulo de Presidente de Honra, com a aposição do retrato deste oficial (morto quando marechal, em 1989) no salão principal. Prestigiaram a solenidade os mesmos que se reuniram na pré-estreia da sede.

A nova sede parece não ter solucionado todos os problemas do silogeu, ao contrário, os transtornos e os desfalques evoluíram, tantos que a diretoria em abril de 1949 resolveu relacionar os acadêmicos: Péricles Moraes; João Leda; Leopoldo Péres; Arthur Virgilio; André Araújo; Anísio Jobim; José Jorge Carvalhal; Agnello Bittencourt; Alfredo da Matta; Álvaro Maia; Paulo Eleutherio; Ramayana de Chevalier; Waldemar Pedrosa; Raul de Azevedo; Felix Valois Coelho; Mário Ypiranga; Aristophano Antony; Nonato Pinheiro e Djalma Batista. Total: 18
Dr. Djalma Batista

No entanto, basta uma ligeira passada de olhos nos assentamentos da Academia, para se observar que alguns dos relacionados alcançaram a imortalidade anos depois. Como ocorreu com Ramayana, empossado em 1960, e Nonato Pinheiro e Jorge Carvalhal, empossados em outubro e dezembro de 1949, respectivamente.
Cabe, entretanto, uma explicação: o intelectual, a partir de sua eleição, era considerado acadêmico, com direito a participar das atividades do silogeu.