CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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segunda-feira, abril 04, 2016

ACADEMIA AMAZONENSE DE LETRAS (7)

Duas notas sobre a posse do acadêmico padre José Pereira Neto, então diretor do Colégio Dom Bosco, na Academia Amazonense de Letras, vão aqui postadas. A solenidade aconteceu há 60 anos, sob a presidência de Péricles Moraes.
Registro da solenidade, com o presidente (à dir.) e o
padre Pereira Neto
O imortal era bem conhecido em Manaus, devido sua função em estabelecimento de ensino frequentado pelos filhos de famílias bem afortunadas.
Não durou muito a presença deste sacerdote na Casa de Adriano Jorge, pois apenas dois anos depois, foi transferido para outra região ocupada pelos salesianos.
A colunista social, que assinava Thaís, foi a responsável pelas anotações.



THAÍS

O Jornal, 26 fevereiro 1956

Conforme foi antecipado por esta coluna, teremos amanhã às 20 horas, no suntuoso recinto da Academia Amazonense de Letras, um acontecimento de grande expressão intelectual. Trata-se da posse do novo acadêmico Padre José Pereira Neto, proeminente filho de Aracaju - Sergipe e figura paradigmária em nossos meios sociais e Intelectuais, onde alicerçou o seu prestigio com o trabalho construtivo e profícuo que vem realizando como Diretor do Colégio Dom Bosco, em que sua fulgurante inteligência e seu agudíssimo senso de justiça, se revelam em toda a plenitude, na perfeita administração desse afamado estabelecimento de ensino, onde pontificam a fina flor dos moços amazonenses. 
Assim, somos concordes em que a Academia Amazonense de Letras, na pessoa de seu preclaro Presidente, prof. Péricles Moraes, figura das mais brilhantes da intelectualidade brasileira e centro de harmonia em torno do qual gravitam os espíritos cultos de nossa terra, praticou um ato digno de louvor ao tio designar para ocupar uma de suas cadeiras, à essa alma de escol, sacerdote emérito que é o Padre Pereira Neto, inteligência lucida e orador sacro dos mais notáveis, realmente digno de figurar entre os imortais de nosso Silogeu por seus incontestáveis méritos. 
O novel acadêmico, depois de ser saudado pelo desembargador André Araújo, que proferirá uma notável oração, reveladora de sua extraordinária cultura clássica e enciclopédica, positivará com seu brilhante discurso, a refulgência de sua inteligência e de sua erudição. 
Após o ato, a União dos ex-alunos Salesianos, recepcionará a todos os acadêmicos e demais convidados, nos aristocráticos salões do Ideal Clube, em regozijo a posse de seu insigne Diretor. Ao que tudo indica, será uma reunião brilhantíssima, a qual comparecerão as mais expressivas figuras da sociedade manauara, e que ficará nos anais de nossa terra, como um fanal de luz a espargir beleza e saber.
 O Jornal, 3 março 1956
 O dia 27 do mês transato, foi altamente festivo para a Academia Amazonense de Letras, por motivo da posse do novo imortal, Padre José Pereira Neto, que na ocasião pronunciou uma brilhante conferência em torno das figuras de Bento Tenreiro Aranha, Otavio Sarmento e Leopoldo Péres, conferencia esta, que pela dialética aurilavrada do orador, veio consubstanciar o imperativo de sua presença entre os imortais daquele sodalício.
Saudando o novo imortal, ouvimos a fulgurante palavra do des. André Araújo que em magnifica peroração, onde positivou vasta cultura de homem de letras, dando vasa a seus incontestáveis méritos de homem de estudos e pesquisas, disse da satisfação da Academia em receber no seu meio, a essa figura paradigmária de sacerdote e intelectual — Padre José Pereira Neto.
Abrindo a sessão, tivemos a satisfação de ouvir o verbo de inusitadas e aurifulgentes filigranas do presidente da Casa, prof. Péricles Moraes, cuja oração siderante, transformou aquelas horas vividas na espiritualidade imorredoura das coisas do pensamento, em fugazes momentos em que a nossa imaginação balouçava nos devaneios lítero-filosóficos dos maiorais da grande oratória acadêmica. 
Nesse recinto augusto da intelectualidade de nossa terra, notamos pela ordem de suas cadeiras, os ilustres acadêmicos prof. Péricles Moraes, Aristófano Antony, João Mendonça de Souza, Mitridates Correa, Padre José Pereira Neto, Dom Alberto Gaudêncio Ramos, Padre Raimundo Nonato Pinheiro, Leôncio Salignac e Souza, Djalma Batista, Félix Valois Coelho, André Araújo, Moacir G. Rosas, Washington Melo, Genesino Braga e Mavignier de Castro.
 Após a cerimônia do Silogeu a Associação dos Ex-alunos Salesianos, regozijada pelo grato acontecimento, ofereceu no Ideal Clube, uma elegante recepção, que transcorreu brilhantíssima em todos os seus detalhes. Já pelas palavras sonoras e elegantes dos oradores: dr. Edson Stanislau Afonso, pelos ex-alunos, e des. Leôncio Salignac e Souza, pela Academia – onde a flor da retórica desabrochou irisados e diamantinos esbanjamentos de lapidar vernáculo, já pela presença ilustre dos acadêmicos, presididos pela figura ímpar do prof. Péricles Moraes, que com sua digníssima esposa, muito concorreu para aumentar o brilho dessa belíssima festa de galanteria. 
E ainda, pelo apuro das “toaletes" das damas presentes e pelos primores de afabilidades e riquezas de atenções com que os ex-alunos, nas pessoas do dr. Mário Jorge Couto Lopes e dr. Alberto Daou e Padre Agostinho Caballero, dispensaram a todos que estiveram presentes nessa festa de esmero encantador e raro, que transcorrendo em ambiente de peregrina distinção, fixou indelevelmente na memória dos que tiveram a ventura de assisti-la.

quinta-feira, março 17, 2016

REVISTA DA ACADEMIA AMAZONENSE DE LETRAS

Em sua maioria, as associações culturais sem fins lucrativos padecem de recursos, por isso, as publicações prometidas sempre circulam fora do período. A Academia de Letras amazonense enfrenta semelhante quebra-cabeça, e a dificuldade não é de tempos correntes. Basta lembrar que a dois anos de seu centenário, apenas 31 revistas foram editadas pela AAL.
Como disse, esse fato vem desde a fundação dessa agremiação. Pequena amostra disso encontra-se no matutino O Jornal (edição de 4. fev.1946), portanto, há 70 anos, quando saúda o lançamento de número da Revista.  




Revista da Academia Amazonense de Letras

Após um interregno de 10 anos, volta a aparecer, gloriosa, a Revista da Academia Amazonense de Letras. Dela temos sobre nossa mesa de trabalho um elegante exemplar, que nos trouxe, numa carinhosa deferência, o seu diretor, esse espirito luminoso que é Péricles Moraes.

Mesmo tomado dos múltiplos afazeres de sua espinhosa função de secretário-geral do Estado, mestre Péricles Moraes, num de seus gestos cativantes, quis trazê-la pessoalmente aos seus devotados confrades da redação de O JORNAL e do DIÁRIO DA TARDE, o que ainda mais singulariza a oferta, já por si generosa.

A Revista da Academia Amazonense de Letras, nesta madrugada auspiciosa de 1946, tem um significado de esperança, uma afirmação de vida que se não pode desmerecer. Síntese palpitante da inteligência, da cultura amazônica, documenta o vigor, o brilho da nossa existência pensamental e oferece uma conclusão jubilosa: um povo que realiza tanta beleza, uma raça que vibra com tão intensa emoção não está perecendo!

Pelas suas 100 páginas, um caudal maravilhoso de erudição e de arte escachoa. Adriano Jorge, Leopoldo Péres, Péricles Moraes, com dois trabalhos lapidares de crítica, João Leda, Raul de Azevedo, André Araújo com uma notável página sobre Os jesuítas e a assistência à infância no Brasil, Jonas da Silva, Huascar de Figueiredo, Américo Antony, Artur Virgílio com o seu ilustrado discurso de posse entre os imortais, Anísio Jobim, Agnelo Bittencourt, Moacyr Paixão, Djalma Batista e Mario Ypiranga Monteiro, firmam, nela, obras definitivas, que encheriam de orgulho qualquer literatura.

Na verdade, os "párias dos letras", da Academia Amazonense, derramam a mãos cheias tesouros de sensibilidade e estética, que não são comuns nos dias atuais do mundo atribulado...

quarta-feira, março 02, 2016

ACADEMIA AMAZONENSE DE LETRAS: ANOTAÇÃO

Sede do silogeu amazonense
Nas proximidades de seu centenário, transcrevo de O Jornal, edição de 17 de abril de 1960, a publicação sobre a Casa de Adriano Jorge, ao tempo em que esta entidade cultural contava 42 anos de existência. 


 

VIDA E EXPRESSÃO CULTURAL DA

ACADEMIA AMAZONENSE DE LETRAS


1 — Ligeiro retrospecto acerca dos quarenta e dois anos de atividades do SILOGEU AMAZONENSE; 2 — Os primórdios da instituição; 3 — Missão cultural da Academia; 4 — Os maiores expoentes do passado

A próxima solenidade de posse do novo acadêmico Dr. Ramayana de Chevalier, que irá ocupar no Silogeu a Cadeira nº 2, cujo patrono é Euclides da Cunha, sugeriu-nos uma reportagem sobre a fundação e vida cultural da Academia Amazonense de Letras, a mais alta expressão da intelectualidade do Amazonas. Essa instituição de letras e cultura foi fundada no dia 1º de janeiro de 1918, numa casa da rua Monsenhor Coutinho, hoje residência do Dr. Gualter Batista.

Péricles Moraes, uma das maiores expressões literárias de nossa terra, associando-se a um grupo de intelectuais, foi a alma da fundação do novo grêmio, que primitivamente se chamou Sociedade Amazonense de Homens de Letras. A princípio sem sede própria, reuniam-se em salões de outras instituições sociais, como o Ideal Clube e a Associação Comercial, para as sessões solenes.

Mais tarde, por proposta do escritor Raul de Azevedo, foi mudado o nome da Sociedade para Academia Amazonense de Letras, devendo-se ao general Nelson Mello, quando Interventor Federal, a doação da atual sede do sodalício, que outrora era o teatrinho do Instituto Benjamin Constant.


A MISSÃO DA ACADEMIA

A Academia Amazonense de Letras, como suas congêneres, tem por missão promover a defesa da língua pátria e incentivar o cultivo das letras e da literatura nacional. Vejamos o artigo 1º de seus Estatutos: "A Academia Amazonense de Letras fundada a 1º de janeiro de 1918, com a denominação de Sociedade Amazonense de Homens de Letras, filiada à Federação das Academias de Letras do Brasil, tem pôr fim a cultura do idioma e da literatura nacional mediante a ação individual ou coletiva de seus membros".
Como se depreende, portanto, dos seus Estatutos, a defesa do idioma nacional, pelo culto da literatura, é a função específica do sodalício. Essa função se amplia e se completa pela promoção de conferências e outras comemorações festivas relativamente às grandes datas nacionais e aos mais expressivos expoentes da literatura.

POLTRONAS E PATRONOS

A Academia possui 30 poltronas, com os respectivos patronos, tomados entre as mais notáveis figuras da literatura nacional e do cenário cultural do Amazonas. São os seguintes: Péricles Moraes, Euclides da Cunha, Gonçalves Dias, Sílvio Romero, Araújo Filho, Adriano Jorge, Maranhão Sobrinho, Torquato Tapajós, Machado de Assis, Barão do Rio Branco, José Veríssimo, Olavo Bilac, Tobias Barreto, Barão de Santana Nery, Graça Aranha, João Leda, Francisco de Castro, Jonas da Silva, Coelho Neto, João Ribeiro, Tenreiro Aranha, Farias Brito, Cruz e Sousa, Joaquim Nabuco, Araújo Lima, Rui Barbosa, Lafayette Pereira, Aníbal Teófilo, Capistrano de Abreu, Castro Alves.

BRASÃO E LEGENDA

A Academia possui um brasão, símbolo de sua expressão nobiliárquica, que assim se descreve:

Escudo: Em campo de blau, um livro aberto, encadernado de goles e circundando da inscrição ACADEMIA AMAZONENSE DE LETRAS, de sable.

Timbre: Dois ramos de louros de ouro.

Paquife: Um facho de ouro irradiando de um vaso de prata.

Dístico: Em listel de ouro, a legenda LITTERARUM SPLENDOREM EXCELENTES (cultivando o esplendor das letras), de blau.

AS MAIORES FIGURAS DO PASSADO

No decurso de seus quarenta e dois anos de existência, a Academia Amazonense de Letras pôde contar em seu grêmio com vultos de impressionante envergadura cultural, tendo alguns alcançado vitorioso renome nacional. Citaremos algumas expressões de maior relevo, embora reconheçamos o risco das omissões.


Adriano Jorge
ADRIANO JORGE — médico, crítico de arte e de literatura, professor de firmada competência no magistério amazonense. Era um verdadeiro polímata, cuja erudição impressionava, aliada à sua eloquência, feita de fidalguia, imaginação e fulgurância. Infelizmente era um talento dispersivo, despreocupado da consagração da posteridade. Não deixou um livro sequer, que lhe documentasse as dimensões intelectuais. Foi o segundo presidente da Academia, sucedendo ao escritor Benjamim Lima.

OS IRMÃOS LIMA — A Academia teve em seu seio dois notáveis irmãos, os acadêmicos Benjamim Lima e Araújo Lima, espécie de "irmãos Goncourt" da Academia Francesa. Benjamim Lima era professor e teatrólogo, e foi o primeiro presidente da Academia. Estilista famoso, primava pela expressão luzida, tendo verdadeiro horror da vulgaridade literária. Queria o período perfeito e harmonioso, que lhe saísse da pena como um lampejo. A conferência que pronunciou no Teatro Amazonas, quando do falecimento de Olavo Bilac, é um primor de arte. Seu irmão era médico, dos mais célebres que o Amazonas já possuiu. Publicou a obra Amazônia — a terra e o homem, incontestavelmente um dos livros mais sérios que já se escreveram sobre a região.

RIBEIRO DA CUNHA — Outro médico notável, dono de uma cultura portentosa. Era, porém, de uma modéstia quase doentia, quase acanhado pela posse de uma erudição magnífica, dando a muitos a impressão de que se desculpava da própria superioridade. Seu nome ilustra o frontispício de um dos nossos grupos escolares [atual Escola Estadual].

JONAS DA SILVA — Poeta cintilante, de sensibilidade extraordinária. Publicou algumas obras, entre as quais Czardas e Uhlanos. Ficou famoso o seu soneto Santa Teresinha.

JOÃO LEDA — Exímio cultor do vernáculo, esmaltava sua prosa com o ouro da língua portuguesa. Mediante longo e cotidiano contubérnio com os clássicos, conseguiu expressar o seu pensamento numa linguagem límpida e escorreita, que logo acusava seus abalizados conhecimentos do idioma. Se possuísse noções profundas e seguras de letras clássicas (Latim e Grego), teria sido um filólogo de expressão continental. Dos clássicos, conhecia profundamente Rui Barbosa e Camilo. Publicou: Nossa língua e seus soberanos; A Quimera da Língua Brasileira; Os áureos filões de Camilo; Vocabulário de Rui Barbosa; e Da relativa exação dos fatos históricos (tese ao concurso de História).

PERICLES MORAES — Notável escritor e crítico literário. Foi irrecusavelmente a maior figura da Academia, em todos os tempos. Sua alma, seu coração e sua própria vida, abalando-lhe os alicerces com o seu falecimento. Estilista de fino recorte literário, foi verdadeiro artista da expressão, transmitindo suas mensagens em períodos flamantes e lapidares. Manteve nome nacional, tendo sido amigo particular das maiores figuras da Academia Brasileira. Publicou: Figuras & Sensações; Legendas & Águas-fortes; O Retrato de Augusto Linhares; Coelho Neto e sua Obra; Confidências Literárias; Leopoldo Peres e O Exemplo de Leopoldo Neves.

OUTRAS FIGURAS

Infelizmente, o espaço de que dispomos não nos permite tecer demoradas considerações acerca de outros vultos notáveis e grandiosos, que deram particular refulgência à Academia, entre os quais: Leopoldo Peres, Huascar de Figueiredo, Araújo Filho, Gaspar Guimarães, Desembargador Sá Peixoto, Valois Coelho, Jorge de Moraes, Alfredo da Mata, Raul de Azevedo etc.

UM LEGADO


A Academia teve sua fase de esplendor e de glória. As grandes figuras literárias que a iluminaram no passado opulentaram e consolidaram seu patrimônio. Presentemente, possui algumas expressões de reconhecida cultura e de indiscutível prestígio nas letras, brasões que honram a heráldica intelectual do Amazonas. É um legado cultural que os homens ilustres do passado transmitiram à posteridade.

sábado, fevereiro 06, 2016

PERICLES MORAES & HUGO BELLARD (2)

Segunda parte do artigo publicado pelo então presidente da Academia Amazonense de Letras, Pericles Moraes, apreciando o trabalho literário do poeta Hugo Bellard (1914-89), cujas considerações e amizade contemplaram o autor de Ajuricaba com a Cadeira 28, empossado em 1950. 
Posse de Hugo Bellard, jornal A Gazeta, abril 1950

REFLEXÕES SOBRE UM POETA 



O legendário guerreiro manau aí se projeta das estrofes plásticas e resplandescentes, no quadro vertiginoso dos seus sentimentos e de suas angústias, que se debatem em lances de tragédia. O que há de afirmativo em Ajuricaba é que nele existe o elevado potencial dinâmico dos artistas predestinados, dos artistas que nasceram dotados para as pesquisas estéticas.

Seria, no entanto, curioso que, quando tanto se exaltam os altos méritos de poeta, ficasse determinada a sua posição entre as correntes literárias de nossa época. Diante dessa arte fascinante, porém recuada de mais de meio século, como se manifestariam as reações da crítica?

É indiscutível que Hugo Bellard está completamente à margem das influências renovadoras da arte contemporânea. Os poetas de hoje já não toleram a servidão do metro e da cesura, nem admitem a grandiloquência das rimas ricas e torturadas, que se esgotaram com os últimos remanescentes do parnasianismo.

O esquerdismo “à outrance” não se conforma com a revivescência das fórmulas antigas. Para o temperamento desses pseudo-renovadores, o soneto, o alexandrino, a balada, o "triolet" e o canto real são expressões obsoletas, de uma poesia cujo prestígio declinou e se extinguiu com o perpassar dos anos. No ímpeto do momento atual, representaria um desafio insensato quem se aventurasse a compor um poema ainda modelado pelas formas fixas de outrora.

Ajuricaba, no conceito dos impenitentes iconoclastas, será pura arqueologia. Desprovido da seiva que aciona as inteligências jovens, essa poesia estará relegada ao menosprezo acintoso das gerações de hoje. O próprio modernismo, que teve em Graça Aranha e Jackson Figueiredo os seus insignes precursores, é letra morta para a irreverência das "novos”, na ilusão de que seja possível, por exemplo, obscurecer a obra e o pensamento de um Ronald de Carvalho, o prodigioso criador de Toda a América, e dos senhores Tasso da Silveira e Guilherme de Almeida, para citar apenas três luminares desse momento estético, já consagrados em definitiva.

Há dezoito anos, precisamente, Humberto de Campos, figura paradigmária de juiz literário, discreteando sobre Horas Lentas, do nosso inesquecível Raimundo Monteiro, da família espiritual de Hugo Bellard, relatava um episódio de sua vida, a propósito de um incêndio que ajudara a apagar, vibrando golpes desesperados nas portas fechadas e devoradas pelas chamas, no intuito de salvar os moradores que lá se encontravam.

Um bombeiro, que estava presente, segurou-lhe o braço, explicando ironicamente que o seu esforço era inútil, de vez que todos os moradores já tinham fugido pela porta da outra rua. "Poeta, parnasiano, esclarecia o autor de Memórias, artista que ainda vasa as suas emoções em sonetos e versos caprichosamente medidos, o senhor Raimundo Monteiro representa, no caso, aos meus olhos, o papel que eu próprio representei, aos do bombeiro, naquela noite de incêndio. 
É como eu um homem bem intencionado, mas que chegou tarde. Descendo do Amazonas remoto e selvagem, vem em busca dos irmãos em estética, dos poetas que amavam a língua e o metro. E ao bater à porta do templo que os Eróstratos incendiaram, encontra-me aqui, para dizer-lhe:
-- Não há ninguém mais aí, meu amigo...
E com tristeza, minha e sua:
-- Os sacerdotes saíram pelos fundos..."

Seja, porém, como for, embora tenha chegado tarde em demasia, Hugo Bellard traz consigo tão avultada soma de virtudes literárias, distribuídas consonantemente, que a sua poesia permanecerá viva ainda por muito tempo na admiração dos que sentem e compreendem a sedução dos verdadeiros artistas.

Eu, de mim, o considero uma consciência estética em ação. E' um artista cativante que mantém íntegra a tradição dos poetas ilustres do passado, ressuscitando-lhes os tumultos e as inquietações interiores. Artista retardatário, se quiserem, mas rejuvenescido com as ideias do presente, com a intuição de seus processos evolutivos, sem atraiçoar nem deprimir os cânones estéticos do passado.

Ajuricaba, pode-se dizer, é a tragédia do ameríndio rebelado contra a tutela do adventício. Poema de grandes movimentos humanos, ele representa uma atitude criadora e marca uma data na história das letras amazônicas.

Novembro, 1948PERICLES MORAES

sexta-feira, fevereiro 05, 2016

PERÍCLES MORAES & HUGO BELLARD

Em nossos dias, são raros os que conhecem essas duas figuras de nossas letras. O primeiro, que foi membro e presidente da Academia Amazonense de Letras, segue
Pericles Moraes
lembrado por seus pares. Bellard, autor de romances e poemas na década de 1940, segue cada vez mais esquecido.


Reproduzo em duas partes, artigo de Moraes sobre Bellard, quando este produziu dois trabalhos em poesia, que permitiram conquistar a amizade de Moares e seu ingresso na Casa de Adriano Jorge.

REFLEXÕES SOBRE UM POETA

Nesta olimpíada literária em que concorreram os valores concretos da mentalidade amazonense, nas letras e nas artes, disputando a glória de celebrar, no seu primeiro centenário, os brasões ilustres da cidade excelsa que Lobo d'Almada implantou nos confins do Brasil, houve uma inesperada revelação, entre os mais afoitos competidores: o poeta Hugo Bellard.

Esse artista, quase desconhecido em nossos círculos intelectuais, que esquece as ardentias da juventude refugiado na aridez de um estabelecimento bancário, lidando com cifras e oscilações monetárias, exsurge de repente, numa demonstração de inteligência e vitalidade, transudando talento por todos os poros, dominado pelo anseio de sobreviver pelos imperativos de sua obra.
Eu mesmo só de nome o conhecia. Recordo-me que, certa noite, sem nenhuma apresentação, ele me visitara para presentear-me com uma "plaquette" de sua autoria sobre Tiradentes. O seu rosto ascético de uma palidez de mate, a calvície precoce e reluzente, o olhar inquiridor e voluntarioso, a prosa eloquente e abundante, as faculdades emotivas apuradíssimas, tudo isso dava-me a lembrar aquele franciscano excêntrico da sátira de Mirabeau, que fugira do seu convento silencioso para, distante da solidão, num clima de morbidez pecaminosa, aprimorar e requintar a exaltação de todos os sentidos. Acudiu-me de súbito esta reminiscência literária quando o vi pela primeira vez.

O poemeto, lido logo depois, completou a impressão que me deixara o seu espírito, apesar de tê-lo recebido com precavida desconfiança. Tratava-se, evidentemente, de um artista raro, possuído do instinto da beleza e embriagado pelas paisagens exóticas, que se coloriam com a sonoridade e a opulência das rimas.

Seus versos nobres e harmoniosos agradaram em cheio. Todas as almas e todos os corações se abriram escancaradamente para o poeta. Os críticos e a imprensa desbordaram-se em louvores, glorificando o citaredo, que parecia inoculado daquele bonheur litteraire, cujo segredo, no seu mecanismo psicológico, foi descoberto por Gourmont, ao destroçar os idólatras de Edmond Rostand.
Vieram depois as comemorações do Centenário de Manaus. O milagre da criação fecundava-lhe o espírito. Não haveria outra oportunidade melhor para tentar um surto mais altaneiro, que lhe consagrasse definitivamente o nome. O poeta não a deixou escapar.

Enfronhando-se nas bibliotecas, manuseando arcaicos palimpsestos, revolvendo estudos e memórias inerentes aos aborígenes, vasculhando a poeira dos subsidias históricos, lograra pacientemente adquirir a matéria prima indispensável às colunas mestras do monumento em via de realização.Depois de curta ausência, Hugo Bellard reapareceu no meu gabinete para recitar os alexandrinos translúcidos e perfeitos de Ajuricaba, que assim se intitulava o seu novo poema. Ouvi-lhe religiosamente a leitura e convenci-me de que, lealmente, eu me defrontava com um poeta de extrema sensibilidade, susceptível de interpretar a alma heroica dos homens, desvendando-lhes as dúvidas e os sofrimentos por entre as luzes ofuscantes de suas construções métricas.

Não era apenas um artista sensível à disciplina e ao encadeamento logico da ação, que se desenvolve no seu poema refletindo-lhe as próprias emoções. Hugo Bellard, além do mais, se assenhorava de uma nova concepção arquitetural do vale amazônico, descrevendo-o em todo seu esplendor bárbaro.
O que surpreende desde logo na arte deste "ensorceleur" é a sua intuição objetiva, posta à prova no discernimento com que, ao plasmar os mistérios e as alucinações da floresta virgem, contorna os perigos do exagero. Se tivesse autoridade, eu colocá-lo-ia, tal a força viva de seu poder de exteriorização, ao lado dos grandes interprestes da Amazônia: de Alberto Rangel e de Alfredo Ladislau, entre os mortos, e dos senhores Ferreira de Castro e de Ramayana de Chevalier, o nosso esplendido Ramayana, de No circo sem teto da Amazônia, entre os vivos. Porque esse poema, só por só, define uma personalidade de exceção. (segue)


quarta-feira, outubro 07, 2015

VIOLETA BRANCA

Recorte do jornal
Nascida em Manaus, em 1912, Violeta Branca Menescal de Vasconcelos será homenageada na Feira Literária do SESC, entre 8 e 12 do corrente.

Integrou a Academia de Letras do Amazonas, que a recepcionou em setembro de 1937 (leia o texto abaixo). Sem que o noticiário indique o local da festa. Por esse acontecimento, tornou-se a primeira mulher a ingressar em uma Academia de Letras no país. 

Retirando-se de Manaus em definitivo perdeu, por disposição regimental, esse galardão acadêmico. Uma década depois, atualizados os Estatutos da Casa de Adriano Jorge, a homenageada do SESC foi reincluída na Cadeira nº 28, do patrono Anibal Teófilo.

Violeta Branca morreu em 2000.


A FESTA DA ACADEMIA AMAZONENSE DE LETRAS (*)
 Realizou-se a festa de recepção da poetisa Violeta Branca Menescal de Vasconcelos, na Academia de Letras. Festa de arte, nada lhe faltou para ser uma grande hora musical, uma página de coloridos impressionantes, que se registrou na crônica das celebrações acadêmicas.
Salão cheio, repleto de elementos de alto valor social, ali estava a representação lidima do espírito da cidade, da alma encantadora e harmônica do Amazonas – terra virginal de beleza, terra de mistério e de maravilha. 
Na festa de Violeta Branca, na Academia, ela teve a consagração solene de seus méritos excepcionais, de suas qualidades rítmicas de inquieta alegria. Poetisa dos gestos heráldicos e das atitudes impressivas, a hora acadêmica em que se lhe deu ingresso no seio da imortalidade regional teve a cor e o movimento das grandes luzes meridionais. 
Logo depois de abrir a sessão, o presidente da Academia, Adriano Jorge, que o fez com a cintilação de sua palavra de cambiantes inesperados e realizações surpreendentes de beleza, deu a palavra à acadêmica Violeta Branca. 
Esta, assomando a tribuna sob uma demorada e calorosa salva de palmas, leu um maravilhosos poema em prosa, um discurso de sensibilidade, um fino estudo, delicado e gentil, destacando-se as figuras de Aníbal Teófilo e Raimundo Monteiro. Causando ótima repercussão de simpatia no auditório, foram-lhe as derradeiras palavras, como seguimento de seu entusiasmo, coberto de aplausos.Gentil Puget, as senhorinhas Maria Celeste Vieira e Yeda Menezes prestaram, então, com relevo próprio de seus temperamentos artísticos, o concurso de sua arte.
Teve a palavra em seguida, o escritor e acadêmico Pericles Moraes. O discurso do notável cultor das letras, eminente pensador amazônico, em que a pujança da terra se manifesta pela expressão de sua cultura, que é maior e mais vasta consagração  dos recursos literários das duas últimas gerações do Brasil, foi um hino de arte à glorificação da poetisa, cujos versos tiveram um exame detido e minucioso, pondo em segredo emocional de suas poesias, a saudade do mar, a nostalgia das grandes vagas, o temperamento de requintes com que a mesma faz os seus versos, nos quais a melodia está na arte dos assuntos e nas cambiantes da sua sensibilidade. 
O orador passou depois a estudar a personalidade de Aníbal Teófilo, de quem falou com calor e com entusiasmo de saudade e de reverência à sua memória, com os traços inconfundíveis da amizade e da admiração.
O discurso do escritor Pericles Moraes encheu de frêmitos de aplauso a assistência durante mais de uma hora e foi demoradamente aplaudido ao terminar.
O pianista Gentil Puget executou uma composição própria, que foi bastante festejada pela assistência. A graciosíssima e distinta senhorita Ines Roberti, com a expressão de sua graça elevada e brilhante, disse, então, alguns versos de Violeta Branca, aplaudidos calorosamente.

Encerrando festa, o presidente Adriano Jorge anunciou que o dr. Maximno Correa, honrando a Academia, iria executar alguns números de piano. O notável virtuose patrício, recebido por uma salva de palmas, executou um estudo de Backhauss e uma Fuga em ré menor.
E assim terminou a festa de Violeta Branca na Academia Amazonense de Letras, deixando a lembrança inesquecível de uma grande, de uma expressiva hora de imortalidade.


(*) O Jornal, 15 set. 1937

quinta-feira, julho 04, 2013

AMÉRICO ANTONY: DUAS HISTÓRIAS


Américo Antony, 1932
Duas facetas do poeta Américo Antony, reproduzidas do livro do saudoso Mário Ypiranga Monteiro (Histórias facetas de Manaus: anedotas envolvendo figuras amazonenses).

        1.   POIS SE ELE É ATÉ POETA...

Contava o governador Dr. Álvaro Botelho Maia que um dos prefeitos do interior do Estado, em audiência requerida com empenho, queixava-se de que o Dr. promotor na sede, Dr. Américo Antony, assumia atitudes um pouco absurdas para os habitantes misoneístas não avezados a certas familiaridades.
Álvaro Maia,
1950
- Por exemplo? - pergunta o governador.
- É que ele vai pessoalmente examinar as denúncias de defloramento, obrigando a moça a mostrar as vergonhas...
- E não há médico legista na sua sede? Como poderá ele atestar defloramento se não observar o tamatiá da vítima?
- Mas metendo o dedo no buraco, governador?
- É que sem dúvida o promotor é míope...
- Míope ele é, todo mundo sabe... mas sem-vergonha curioso? Isso não...
- Sr. prefeito, posso garantir-lhe que o Dr. Américo Antony é gente séria e honesta, o que ele faz é aplicar métodos mais práticos...

O prefeito, admirado, dando marcha à ré:
- Sério? - Honesto? - Mas se ele é até poeta, governador...

Álvaro Maia engoliu seco. Riu de banda, aquele seu jeitinho de aceitar as coisas erradas e concluiu:
- Isso não é maldade, pois eu também sou poeta...

O prefeito, admirado, erguendo-se:
- Não me diga! - O senhor... também?...

 2.    O CAGALHOTO

O poeta Américo Antony andava sempre com um rolo de poemas sob o braço, a ver se sensibilizava alguém para editar sua obra. Tornava-se até importuno quando chegava ao café com aquele calhamaço já cinzento de tanto manuseio. E pior é que declamava em voz alta, não raro perturbando o sossego, como fez uma noite de recepção na Academia de Letras.
Resolvido que publicaria um volume de seus versos antigos, deu ao escritor Péricles Morais a honra de prefaciar a obra. Sendo
também poeta, pois publicara sonetos, Péricles Morais não teve dúvida em escrever brilhante prefácio, onde esclarecia a tendência simbolista do poeta.

Por mais brilhante que fosse Américo Antony, nem era perleúdo nem conhecedor de “escolas" literárias. Sua biblioteca, que eu conhecia, resumia-se em meia dúzia de obras de poetas estrangeiros e nacionais, Byron, Shakespeare, Wordswort, Bilac, Guerra Junqueíro (conhecia de cor “Ó melro”), o Bocage erótico, que declamava com ênfase. Nada de Manuel Bandeira, de Mário de Andrade, de gente modernista, a quem desdenhava.

Lido o prefácio, meteram-lhe na cabeça não aceitar a opinião do mestre Péricles, e Américo Antony não teve dúvida em publicar na página dos Anúncios de O Jornal, um “A quem interessar possa", desagravando-se da pecha de simbolista.

Naquela altura havia ele sido eleito membro da Academia Amazonense de Letras e a sua tempestuosa reação incomodou a quantos, acadêmicos ou não, lhe conheciam a obra. Péricles Morais não havia lido o insólito desmentido, e foi o presidente Dr. Adriano Jorge  (foto ao lado)quem da "Farmácia Barreira" o colocou a par da besteira, textualmente:
- Péricles, você já leu o que aquele idiota escreveu sobre o prefácio?
- Homem, você perdendo tempo com um mentecapto, e ele a despejar um cagalhoto em cima da maravilhosa peça...
- Vou convocar a Academia e despejá-lo de lá com toda a sua maluqueira rimada...

O dito foi feito e Américo Antony perdeu duas oportunidades: a de ter o livro editado por causa do panegírico de Péricles Morais, e a de membro da Academia. Mais tarde, passado aquele zunzunzum, eu propus a volta do poeta ao grêmio.
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quarta-feira, março 20, 2013

LIVROS PUBLICADOS EM MANAUS (1900-60) 6ª Parte


Capa de Poemas amazônicos
Prossigo listando os livros que foram publicados em Manaus, no período de 1900 a 1960. Agora que a Biblioteca Pública se encontra à disposição dos interessados, espero aprofundar a pesquisa.
Detalhe curioso: os conhecidos Poemas Amazônicos, de Pereira da Silva, teve a edição original editada com a seguinte autoria: Francisco Pereira (da Silva). Aliás, toda a produção deste autor, poemas, contos e ensaios, dispersos em revistas e jornais, foram identificados como indicado. Abaixo, mais outra curta amostragem.


1911
MIRANDA, Bertino. Congresso comercial, industrial e agrícola (22 a 27 fev. 1910). Typografia Palais Royal, (Biblioteca Mário Ypiranga Monteiro).
SOBRINHO, Maranhão. Victorias-regias (poesia). Livraria Comercial, de J. R. de Mello. (Biblioteca Mário Ypiranga Monteiro)
PEREIRA, Francisco Luiz. Glosas: ao relatório da comissão nomeada por portaria do governo provisório da Republica Portuguesa, de 15 de fevereiro de 1911, para simplificar e unificar a ortografia. (Prefácio de Adriano Jorge). Livraria Universal (de Pereira & Penalva), 54p. (Biblioteca Mário Ypiranga Monteiro)


1927
PEREIRA, Francisco. Poemas amazônicos. Augusto Reis, 127p. (Biblioteca Mário Ypiranga Monteiro)
MORAES, Raymundo. Cartas da floresta. Livraria Clássica (Banca do Largo)
REZENDE, Análio de Mello e FIGUEIREDO, Huascar de. O caso Kirk. Velho Lino, 132p. (Biblioteca Pública e Biblioteca Mário Ypiranga Monteiro)
SOUZA, Antônio Telles de. Problemas relativos ao movimento diurno. [s.n.], 53p. (Biblioteca Mário Ypiranga Monteiro)

1952
SILVA, Alencar e. Painéis (poesia). s/ed. 117p. (Biblioteca da  Academia Amazonense de Letras e Biblioteca Mário Ypiranga Monteiro).
ROCHA, Adaucto. Introdução à economia amazônica: ensaio sobre a recuperação econômica da Amazônia. Oficina Gráfica da Escola Técnica, 452p. (Biblioteca Publica).
MORAES, Péricles. Leopoldo Péres. Sérgio Cardoso. (Biblioteca Mário Ypiranga Monteiro).
MELLO, Anísio. Minhas vitórias-régias (poesia). Ed. Correio de Notícias. (acervo de Roberto Mendonça e Biblioteca da Academia Amazonense de Letras)
CABRINHA, Hemetério. O Cristo do Corcovado. [s.n.]  56p. (Biblioteca Pública e Biblioteca Mário Ypiranga Monteiro)
RAMOS, Alberto Gaudêncio. Cronologia eclesiástica da Amazônia. Sergio Cardoso, 143p. (Biblioteca Pública)
REIS, Henoch da Silva. A Constituição Imperial do Brasil. Fênix, 66p. (Biblioteca Pública)