CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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quinta-feira, julho 23, 2026

PRAÇA RIBEIRO JÚNIOR (2)

 Há setenta e um anos, precisamente em 23 de julho de 1955, foi aberta ao público a então denominada Praça Ribeiro Junior, instalada no canteiro central da avenida Leovigildo Coelho e delimitada entre as ruas José Paranaguá e Lima Bacuri. 2 anos depois, ela foi soterrada. A postagem – dividida em duas seções – expõe o texto do saudoso jornalista e acadêmico Arlindo Porto, publicada em A Crítica, em 23 julho de 1978.

Recorte do livro editado em Manaus
Detalhe do artigo de Arlindo Porto

                                                     SALVE  RIBEIRO JÚNIOR

Arlindo Porto

Tudo isso ocorreu após os eventos golpistas de 1964, nada tendo eu podido fazer a respeito, nem mesmo protestar contra a agressão à memória de Manaus, pois tangido pelas circunstâncias, me auto exilara e fixara residência por mais de 10 anos, no Rio de Janeiro. Manda a justiça que se proclame, no entanto, que atendendo a uma solicitação que eu lhe fizera, o prefeito Paulo Pinto Nery, no que se obedecia a uma recomendação do próprio mestre Branco e Silva, então já falecido, mandou pintar todos os anos, enquanto esteve à frente da Prefeitura, a herma de Ribeiro Junior com a cor bronzeada apropriada, o que levou muita gente, até hoje, a pensar que a peça fora elaborada naquele precioso metal. Esse trabalho na conservação somente deixou de ser feito após a saída de Paulo Nery da Prefeitura, com o consequente escorraçamento da herma da praça que tinha o nome do homenageado.

Quanto à herma, em nova avalanche modernizadora, esta já ocorrida na gestão atual do sr. Manoel Henriques Ribeiro, foi derrubada da anônima e anódina mureta em que fora depositada, e desapareceu. provavelmente soterrada nos trabalhos de nivelamento ocorridos na praça da Saudade.

Quanto à praça em si, penso que esta continua existindo oficialmente, tal como já afirmei antes. Pelo menos não é do meu conhecimento a aprovação de qualquer lei extintora da homenagem, pela Câmara Municipal. É bem verdade que ela não aparece na planta de Manaus impressa no catálogo telefônico da cidade, mas este não é um documento plenamente confiável, pois até chega a grafar o nome do grande Heliodoro Balbi, como “Heliodora Balisa'”... Até bem pouco tempo o nome de Ribeiro Júnior continuava aparecendo nas contas de água, luz e telefone. Agora já não sei.

É bem verdade que, com a expulsão e degredo da herma para a praça da Saudade e desaparecimento da passarela central, o logradouro que homenageava o “Redentor” perdeu visualmente a condição de praça, nada mais tendo que possa sequer lembrar haver existido ali, algum dia, aquela característica urbana.

Creio ser chegado o tempo daqueles que pugnam pela manutenção da memória de nosso Estado, tendo à frente o Instituto Geográfico e Histórico, de encetar uma campanha junto às autoridades competentes, no caso a Câmara Municipal e a Prefeitura, para que se nomeie uma outra área da cidade com o nome de Alfredo Augusto Ribeiro Junior e para ali se devolva, renovada, a sua herma, a fim de que as gerações que nos sucederem tenham a oportunidade de recordar a figura brava de um homem que, mesmo aqui não tendo nascido, não vacilou em arriscar sua carreira e o seu futuro em bem do povo amazonense.

terça-feira, julho 21, 2026

PRAÇA RIBEIRO JÚNIOR (1)

 Há setenta e um anos, precisamente em 23 de julho de 1955, foi aberta ao público a então denominada Praça Ribeiro Junior, instalada no canteiro central da avenida Leovigildo Coelho e delimitada entre as ruas José Paranaguá e Lima Bacuri. Morei neste logradouro por seis anos, a partir de 1967, e acredito que até sua desativação teve, no máximo, 60 moradores; pois somente existiam residências de um lado, do outro, estava o muro do quartel da Polícia Militar, hoje Palacete Provincial. Ainda me recordo: residi no Edifício Lilac, nº 348, entre a casa do seu José – onde vivia com cerca de uma dezena de filhos – à direita, e, à esquerda, uma oficina mecânica. Sucediam-se a big residência do Ali Assi; a do Adriano, proprietário dos cinemas; uma casa onde no térreo funcionava um comércio de medicamentos e, na esquina da Lima Bacuri, a moradia do desembargador Lucio Resende.

 

Detalhe da capa do livro
lançado em Manaus

A postagem – dividida em duas seções – expõe o texto do saudoso jornalista e acadêmico Arlindo Porto, que manifesta sua admiração pela Revolução de 1924 e ao altaneiro e sua maior expressão: tenente Ribeiro Junior.

SALVE  RIBEIRO JÚNIOR

Não estava de nenhuma forma destituída da razão a senhora Yara Ramos Ribeiro, filha de Alfredo Augusto Ribeiro Júnior, quando afirmava, em 1985, à passagem do 47º aniversário da morte do instituidor do “Tributo da Redenção” no Amazonas, ocorrida em 29 de junho, que a memória do seu pai, o grande revoltoso de 1924, “está completamente esquecida dos amazonenses”. E ainda quando dizia que “o busto de Ribeiro Júnior está azinhavrando num pequeno nicho, num logradouro bem identificado pela palavra saudade”. Esta última afirmativa, por sinal, deve soar até agravada dois anos depois de feita, porque na realidade o busto, nas últimas reformas municipais procedidas na Praça da Saudade, tomou rumo ignorado, volatilizou-se. Coisas de uma terra que não cultiva a memória. 

Recorte do artigo de Arlindo Porto,
jornal A Crítica, 23 julho 1987

Cometia, no entanto, aquela querida amiga uma meia verdade, quando afirmava que “nada mais resta em Manaus que lembre essa figura histórica, nem mesmo a praça com o seu nome, inaugurada a 23 de julho de 1955”. Resta sim. A praça, embora visualmente desfigurada pela ação  municipal, ao tempo da gestão Jorge Teixeira, que no seu dinâmico afã de dar aos ônibus um corredor de trânsito que facilitasse saída dos grandes carros do centro urbano da cidade, mutilou completamente a avenida Floriano Peixoto, anulando a passarela central destinada aos pedestres, derrubando-lhe todas as árvores e, na prática, devolvendo-lhe, por descaracterização, o trecho que antes pela existência de um marco assinalativo, configurava a Praça Ribeiro Júnior.

Contudo, se esta não existe de fato, pelo menos existe de direito. Não é um grande consolo para ninguém afirmar tal coisa, mas a lei municipal que a criou está em plena vigência. Não foi anulada.

Permitam-me um depoimento pessoal: criei-me assistindo, todos os anos, no dia 23 de julho, uma comovente demonstração de lealdade à memória de Ribeiro Júnior, marcada por salvas de foguetões desde o alvorecer e por um lauto almoço, na Cachoeirinha, tudo promovido pela generosa e depreendida iniciativa de Philadelfo Moraes, que ainda na data famosa divulgava pela imprensa um artigo laudatório exaltando a figura do grande comandante da revolução de 1924.

Da pessoa de Ribeiro Junior eu me recordava apenas, e muito vagamente, como de um homem muito alto, imponente no envergar de sua farda de oficial do Exército, de quem certa vez estive bem perto, levado pela mão de meu padrinho e pai adotivo, o ser humano extraordinário que foi Aristeu Guimarães, também ele um grande admirador do Redentor. Recordo-me também, menino, das grandes concentrações humanas, ali pelo “roadway” da Manaus Harbour, quando Ribeiro Junior chegava a Manaus, de navio, e o povo ia recebê-lo, no cais.

Em 1955, aos 26 anos de idade, já atuando na imprensa de Manaus, provavelmente tocado pelas reminiscências da infância, dispus-me a fazer alguma coisa, diante da inexistência de qualquer homenagem oficial ou mesmo oficiosa ao homem que acorrera em favor dos amazonenses, humilhados e ofendidos diante de uma oligarquia corrupta, insurgindo-se 31 anos antes contra a situação constituída e derrubando um governo que não correspondia aos anseios do povo.

Encontrei apoio para aquela “alguma coisa”, na pessoa de Walter Scott da Silva Rayol, um saudoso amigo, também ele um inconformado com o esquecimento em que jazia a memória de Ribeiro Junior. Vereador à Câmara Municipal de Manaus, dos mais brilhantes que aquela Casa conheceu, ele se encarregou de apresentar à consideração dos seus pares a lei de criação da praça, em local por nós escolhidos, em meio a longos conciliábulos.

Assim, graças a ação de Zé do Parque (nome com que Rayol assinava seus pitorescos artigos sobre futebol), deu-se o nome de Ribeiro Junior ao trecho da avenida Floriano Peixoto compreendido entre as ruas José Paranaguá e Lima Bacuri.  Com a total cobertura do “Jornal do Commercio”, do qual era eu o secretário da Redação, encetamos uma campanha e através de subscrições populares, obtivemos o dinheiro, primeiro para as placas da praça, que foram confeccionadas em mármore, pelo Mário Orofino, a preço que nem pagava a matéria-prima. Quanto ao busto, ou melhor, a herma do homenageado, como o dinheiro arrecadado fora pouco (o tempo era de vacas magérrimas) e não dava para que o confeccionássemos em bronze, material eterno, foi o mesmo modelado, sobre fotografia, pela arte de Branco e Silva, também engajado na campanha e que nada cobrou pelo trabalho. A composição final da estátua foi feita em liga de cimento, areia finíssima e colas, invenção do saudoso mestre amazonense, que pinta pelas suas mãos geniais, dava a nítida impressão de bronze.

Finalmente, no dia 23 de julho de 1955, com a presença em Manaus de Yara Ramos Ribeiro, filha do homenageado, inauguraram-se as placas, tornando a praça oficialmente existente, numa festa que não pude estar presente por me encontrar viajando. O ato seguinte foi a inauguração da herma, bem no centro da praça, o que se fez aos moldes de qualquer festa desse tipo, com oradores e tudo. Dentre estes, lembro-me que falou, com a mesma veemência de 31 anos antes, quando aplaudia a revolução das sacadas e palanques, o grande tribuno popular Hemetério Cabrinha.

Os anos correram, veio o Teixeirão e os seus executivos de obras, na febre de modernizar — e desumanizar? —  Manaus, devolveram a avenida Floriano Peixoto, que se pretendia bucólica e com uma passarela central arborizada, à condição de via trepidante e congestionada permanentemente. A obra foi impiedosa com a homenagem feita ao grande revolucionário de 1924, pois a herma em seu louvor, para memória das gerações sucessoras à sua, que estadeava no meio da praça com o seu nome, sobre um belo pedestal, foi dali arrancada e levada para um recanto especialmente construído na praça da Saudade, onde foi juntar-se a outros bustos e hermas para ali também exilados, juntamente com as placas alusivas. Destas, no correr dos tempos, se encarregaram os vândalos, pois foram todas destruídas. (SEGUE)

terça-feira, julho 23, 2024

REBELIÃO DE RIBEIRO JUNIOR (3)

 
Este movimento centenário teve partida no final desse dia 23, com o deslocamento do 27 BC, sob o comando do capitão José Carlos Dubois, aquartelado onde hoje funciona o Colégio Militar de Manaus. Como havia a necessidade de transpor o quartel da Polícia Militar, situado na sua conhecida praça, a tropa após descer a avenida Eduardo Ribeiro, tomou a rua Henrique Martins em direção à avenida 13 de Maio (hoje Getúlio Vargas), estabelecendo um bivaque atrás do Ginásio Amazonense Pedro II, hoje Colégio Estadual, a fim de submeter a Força Estadual.

Diante da resistência da Força, não obstante a desproporcionalidade de forças, conforme documento escrito pelo capitão Augusto Vaz Sodré da Costa, oficial de dia, que ainda assinalou a presença do comandante – coronel Pedro José de Souza, que recebeu ferimentos juntamente com o tenente Manuel Correa da Silva, os defensores do quartel decidiram contemporizar, facilitando que os revoltosos alcançassem o Palácio Rio Negro.

Deposto o governador interino, o tenente Ribeiro Júnior assumiu o governo estadual, cuja administração durou pouco mais de um mês, todavia trouxe enorme contentamento à população, diante do descalabro do governo deposto. O governo da república, no cumprimento da legislação, remeteu a Expedição do Norte, sob o comando do general Mena Barreto, que prendeu os oficiais revoltosos.

Na despedida de Ribeiro Junior do Palácio Rio Negro, houve uma manifestação popular, quando foram ouvidas diversas vozes. Desse acontecimento foi elaborada uma composição pelo fotógrafo Gil, que ilustra este registro (acima).

sábado, julho 20, 2024

REBELIÃO DE RIBEIRO JUNIOR (1)

Ainda são palavras de João Nogueira da Matta, insertas em
Manaus por dentro (1988), lembrando alguns nomes de partícipes da revolta militar que depôs o governador Rego Monteiro (1921-24) e seus filhos, instalados em postos de destaque da administração. Houve por parte da população uma aprovação unanime, tanto que os dirigentes da revolta foram aclamados em Belém (PA), Magalhães Barata, e em Porto Velho (RO), Aloizio Magalhães, sem olvidar Ribeiro Junior em Manaus, eleito deputado federal e lembrado em logradouro público (1954) que a Prefeitura adiante desmontou.
Ribeiro Junior

 "Tradicionais os conciões (sic) políticos desde os primeiros anos do século [20]. Com o eclodir da Revolução Amazonense, em 1924, tornaram-se inesquecíveis as reuniões de Ribeiro Junior, que durante 34 dias dirigiu os destinos do Amazonas. Além desse militar, cuja voz se fez ouvir com eloquência, usaram da palavra vários oradores, como Hemetério Cabrinha, Chagas Aguiar, Crisanto Jobim, Pereira da Silva e Osvaldo Viana." 


segunda-feira, julho 25, 2022

REBELIÃO DE RIBEIRO JUNIOR (1924)

98 anos foram contados ontem ao lembrar o movimento militar de julho de 1924. Encabeçados por oficiais da Armada e do 27 BC, os rebelados puseram fora do governo seu titular, que se medicava em Paris (FRA), e o comandante da Polícia Militar estadual, coronel reformado Pedro José de Souza.

Capa do livro de Eneida Ribeiro

Assumiu o governo revolucionário o 1º tenente EB Ribeiro Junior que, apesar da reduzida etapa à frente do Executivo, conquistou a veneração ao menos dos moradores de Manaus.

A segunda etapa da sedição consistia em tomar o governo paraense, dessa proeza encarregou-se o paraense 1º tenente Magalhães Barata que, apesar do fiasco inicial, tornou-se na ditadura de Vargas o interventor no Estado, onde se notabilizou.

O Amazonas adotou Ribeiro Junior, elegendo-o deputado federal e inaugurando seu busto na praça com seu nome. O logradouro existiu atrás do quartel da Polícia Militar, hoje Palacete Provincial, mas a reforma do prefeito Jorge Teixeira causou o desaparecimento da homenagem.

As louvações regionais foram intensas, transformando os revolucionários em heróis, como realizou a professora Eloina Monteiro. E neste sentido há alguns livros e trabalhos acadêmicos publicados. No entanto, a visão externa sobre os oficiais rebelados é bem outra, como analisou em “O levante das Forças do Exército e da Marinha no Amazonas no ano de 1924”, a concludente da Escola Superior de Guerra, em 2014, Isabel Aragão. (texto disponível na internet em PDF).

Neste blog compartilhei algumas publicações:

https://catadordepapeis.blogspot.com/2015/06/ribeiro-junior-1887-1938.html

https://catadordepapeis.blogspot.com/2018/12/praca-ribeiro-junior.html

De qualquer modo, é momento de organizar a celebração deste centenário.


segunda-feira, julho 22, 2019

DETALHES MANAUARAS



Rastreando a coleção de O Jornal circulado há 50 anos, em busca da descrição do primeiro passo humano na superfície lunar, esbarrei com dois anúncios bem simbólicos. Ao menos, para mim.

O Jornal, 17 julho 1969
 Começo pelo Fazano lanches, anunciando o encerramento de suas atividades, ocasião em que “avisa aos seus amigos que os utensílios de nossa propriedade acham-se à venda”. Esse estabelecimento, de propriedade de Salomão Abrahão, funcionava na avenida Eduardo Ribeiro, próximo à rua Saldanha Marinho. Nada de formidável, o lanche apenas uma porta adequada e um balcão central com bancos em semicírculo. De sorte que ficávamos de frente para os salgados e outras guloseimas. Apenas um atendente, acredito que filho do dono, o qual muito cortês fazia a diferença.
 
Estampado em O Jornal, 17 de julho de 1969
O outro era o anúncio comercial do Dr. Pythagoras Miranda, que cuidava de “doenças de senhoras”. Hoje, um ginecologista. Seu consultório estava no Edifício Lobras, no ponto central da cidade, então referência em Manaus. O endereço residencial – praça Ribeiro Junior, 348 – 2º andar. Fone: 2-35-69.
Aqui se amarra meu simbolismo. Recém-casado, eu morava no 3º andar do Edifício Lilac, ou seja, no andar de cima do conceituado médico. A praça, existente atrás do quartel da Praça da Polícia, desapareceu; o edifício, porém, segue no mesmo lugar, apenas alterou o nome e aceitou algumas antenas de transmissão telefônica no teto.
 
Nobre, dados da sepultura
Outro detalhe: cunhado de Pythagoras, o major Nobre (José Antônio Ferreira), que foi comandante do 27 BC, então aquartelado onde hoje está situado o Colégio Militar de Manaus, promoveu (verdadeiro ou não) farta coletânea de causos, narrados por seus comandados. Em especial, o soldado de ordem, que se abalava do quartel ao bairro de São Raimundo, a fim de levar e trazer notícias da bem-amada do militar.

sábado, dezembro 22, 2018

PRAÇA RIBEIRO JUNIOR

Ribeiro Junior
Aproxima-se o centenário de um movimento militar, ocorrido em Manaus, em 23 de julho de 1924, que afastou do Poder o governador Cesar do Rego Monteiro (1921-24),  acusado de nepotismo e outros nefastos artifícios administrativos. Um dos chefes da rebelião - tenente EB Ribeiro Junior - assumiu o governo, que durou apenas um mês, porém, produziu resultados surpreendentes para o Estado. 
Seu nome ficou consagrado na história amazonense, tendo seus admiradores, enquanto vivos, lembrado nas letras e nos festejos seu nome.
Arlindo Augusto dos Santos Porto, um desses, ainda em condições de lembrar esse movimento, batalhou para que uma praça e um monumento fossem erigidos em memória deste soldado. E foram, conforme o compartilhamento abaixo. Todavia, a Praça Ribeiro Junior durou até o governo municipal de outro oficial, coronel EB Jorge Teixeira de Oliveira (1975-79), quando inovação urbanística na área central a suprimiu do mapa.

O texto do matutino A Gazeta (1º julho 1955) oferece detalhe da iniciativa do jornalista Arlindo Porto em prol da instalação da homenagem a Ribeiro Junior. 

Recorte do mencionado jornal


Um apelo vitorioso do nosso companheiro Arlindo Porto — O prefeito Walter Rayol sancionou a lei respectiva, no dia 25 último — A 23 próximo, aniversário da Revolução Redentora, a nova praça será inaugurada  

Chega ao seu término um encomiástico movimento há tempos iniciado pelo nosso companheiro Arlindo Porto, no sentido da cidade prestar uma homenagem, bem merecida, aliás, ao legendário comandante da revolução de 1924, que redimiu o Estado do Amazonas do guante oligárquico que se havia abatido sobre o seu povo, esfomeando-o, perseguindo-o, torturando-o, uma homenagem ao tenente Alfredo Augusto Ribeiro Junior.
O movimento encetado por aquele confrade, grande admirador da memória do revolucionário que instituiu o imortal “Tributo da Redenção”, ecoou perfeitamente no espírito de um outro “ribeirista”, o prefeito Walter Rayol, e este imediatamente atendeu as ponderações do nosso companheiro de trabalho, feitas em sucessivas crônicas, enviando mensagem ao Conselho da cidade.

Na manhã de hoje, a nossa reportagem apurou que no dia 25 último, depois de aprovada pela Câmara Municipal, foi sancionada pelo governador da cidade. A lei que dá à praça situada por trás do quartel da Polícia Militar do Estado, até então, um trecho da rua Floriano Peixoto, o nome de “Governador Ribeiro Junior”.

Soubemos mais que o confrade Arlindo Porto já esteve em entendimentos com o prefeito Walter Rayol, acertando este que a inauguração da placa da nova praça, será feita no próximo dia 23, aniversário da Revolução Redentora de 1924, em uma solenidade a ser realizada naquele local.

Em informações prestadas à reportagem, aquele jornalista anunciou a sua firme intenção de dar início a um movimento de subscrição popular, para a aquisição de recursos com que, em nome do seu povo, a cidade de Manaus homenageará Ribeiro Junior, fazendo erguer no centro da praça que agora tomou o seu nome, em um pedestal que ali já existe, o seu busto, em bronze, para perpetuação desse gesto com que a coletividade da capital amazonense renderá seu tributo de admiração ao valoroso campeão das liberdades públicas e da moralidade administrativa.