CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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domingo, outubro 31, 2021

DIA DOS FINADOS (3)

Ainda ontem, as voltas com um resfriado impertinente, recebi de meu irmão Renato o soneto que compartilho. De outro modo, parei devido o estado de saúde a recuperação do jazigo (pode ser sepultura) da família LIMA MENDONÇA, situado no cemitério de São João Batista. Mas já foi um passo bem largo. 

De forma que o soneto Esperança tem a ver com o Dia de Finados, que se apresenta. 


A Esperança

Renato Mendonça 29.10.2021

 

Quem só espera, nunca alcança.

Isso é para os fracos, sem coragem.

Há que se adotar sempre a perseverança,

Para conseguir objetivos nessa dura viagem.

A esperança nunca morre! É uma eterna criança,

Que deseja uma rica prenda, feito uma miragem.

Ou um delírio que lhe traga almejada bonança.

Mas, é preciso força e fé para mudar essa imagem.

         Quando se fazemos adultos, não existe esse rito.

Vivemos apenas o agora, o momento fútil,

Tentando se desvencilhar do falso mito.

                 É preciso deixar Jesus reger nossa dança ao infinito,

        Para se chegar ao ápice do amor, o caminho fértil e útil;

        E se doar, servir ao nosso semelhante, como nos foi dito. 


Flores do cerrado em torno de Brasília



terça-feira, abril 28, 2020

HEMETÉRIO CABRINHA (1892-1959)


Capa do livro

Hemetério José dos Santos, que literariamente usou o sobrenome de Cabrinha (apelido de infância), foi um poeta de qualidade, mas que se manteve no anonimato, e humildemente foi sua vida e morte. Produziu alguns livros de poesia, que outro poeta contemporâneo – Anísio Mello – soube reconhecer, para tanto nos legando um folheto sobre Cabrinha. Morto Anísio (2010) sem que a homenagem ao amigo fosse publicada, tomei o encargo como co-organizador, e, por obséquio da Secretaria de Estado da Cultura (2014), Cabrinha veio a público.

Folheando a pequena obra, revi o soneto Falando a meu coveiro, que nos remete ao caos que o cemitério de Manaus enfrenta devido a quantidade de mortos pela Covid-19. Se não há tempo para despedida cristã, quanto mais para orientar o coveiro.



Falando a meu coveiro 

É aqui neste lugar, ao pé deste cipreste,
junto a este mausoléu. Pega uma enxada, cava
sete palmos de chão! Anda depressa, grava
no teu semblante mudo o riso que escondeste!

Abre o meu leito eterno... O meu lugar é este!
Quero nele abafar minha paixão escrava
Quero enterrar-me logo... a vida já me agrava...
Depressa! a minha dor de dores se reveste!

Alarga-a mais um pouco, afasta mais a areia!
Eia, assim como está, torna-se muito feia,
profunda-a mais...trabalha! Este dinheiro é teu!

Que é isso? Um crânio aí? Dá-m'o, quero beijá-lo.
Limpa-lhe bem o pó! Dá cá, quero estudá-lo
Como alguém algum dia há de estudar o meu!

(“Vereda Iluminada". Manaus-AM, 1932)

domingo, novembro 04, 2018

CEMITÉRIO SÃO JOÃO: MANAUS


Creio que as fotos aqui postadas, efetuadas pelo drone do Darlan Leite, no Dia de Finados passado, constituem as primeiras tomadas por este dispositivo deste “campo santo” e, ainda, publicadas em uma rede social.











segunda-feira, julho 09, 2018

AINDA SOBRE CEMITÉRIO



Sepultura de Aria Ramos

1.       Em 17 de fevereiro de 1915, em uma festa de carnaval no Ideal Clube, então localizado no cruzamento da avenida Eduardo Ribeiro com a rua Henrique Martins, foi morta a violinista Aria Ramos, participante do conjunto musical. O desastre causou uma comoção na cidade. Sobre seu túmulo (SP 3869 – Quadra 05) no cemitério São João existe este poema de autoria de Th. Vaz:


Diante de sua graça,

que a doce alegria de viver tornava ainda mais radiosa,

em face do gênio que no esplendor

de sua mocidade alvorecia,

a própria morte estacou maravilhada,

e, em vez de a prostrar com a arma sinistra e brutal,

que traz ao ombro, a tocou de leve,

sutilmente, com um beijo fulminador...



2.    Dois dias antes, em 15 de fevereiro, havia falecido o Dr. Simplício Coelho de Rezende, ilustre piauiense, que, entre outros merecimentos, possui o de ter sido o primeiro diretor da centenária Faculdade de Direito do Amazonas. A lápide de seu túmulo (SP 614 – Quadra 05) guarda esta inscrição em latim:


Hic jacet doctor Simplicio Coelho de Rezende jurisconsultus brasiliensis. 

1841-1915


3.    Em março de 1983, o Jornal Cultura, órgão da Superintendência Cultural do Amazonas, publicou do acadêmico padre Raimundo Nonato Pinheiro (1922-1994), que refletia sobre sua (dele) morte, este poema:

Estranho Pensamento

Padre Nonato Pinheiro

Estranho pensamento me assedia:
de saber em que sítio, em que floresta,
vive a árvore que, na extrema sesta,
ao meu corpo o caixão dará um dia!

E me assaltou atroz melancolia:
sentindo a imolação da árvore honesta,
abandonando os pássaros em festa
para levar meu corpo à cova fria...

Se Deus, que é poderoso e onisciente,
me indicasse o local, com exatidão,
onde se encontra a árvore silente

que a madeira dará pra meu caixão,
partiria pra selva incontinenti,
para beijar-lhe o tronco com emoção!...


terça-feira, junho 26, 2018

DE CEMITÉRIO E DE MORTES

Simplício Coelho de Rezende
Em busca de concluir uma biografia, estive ontem no cemitério São João. Convenientemente atendido na secretaria, alcancei a sepultura que buscava, e assim os dados necessários. A sepultura pertence à família Rezende e se encontra em ótimo estado de conservação, apenas a do patriarca Simplício (falecido em 1915) teve danificada a inscrição inserida na lousa. Sua imagem impressa em metal, todavia, permanece bem conservada (foto). 

Na verdade, são dois os jazigos dos Rezende que se confrontam com o túmulo de Ária Ramos, a violinista morta no carnaval de 1915.  Há sobre o túmulo desta artista um poema, bastante elucidativo da tragédia. Também encontrei sobre um sepulcro da família Leiros uma lápide com inscrição em latim. Zózimo Leiros despede-se da esposa Anna Garcia Leiros.


Paes Barreto
Perambulando um pouco mais, alcancei o lugar de repouso de Jonas Paes Barreto, que acredito seja o fundador e primeiro presidente do Clube dos Oficiais da PMAM. Articulei com o atual presidente a busca por mais dados biográficos, a fim de se confirmar a descoberta.

Paralelo a essa movimentação no São João, lembrei-me do aniversário de dois colegas da Polícia Militar do Estado. Um deles, o coronel Ilmar Faria, falecido em 1999. O outro, o coronel Fernando Valente Pereira (nascido em 1949), que deve ter feito uma festa pela vida. No entanto, para a tristeza de parentes e da AVC (Associação dos Velhos Coronéis), hoje o coronel Valente se juntou a tantos, quando o coração dele não suportou as emoções e o tratamento que o mantinha sob cuidados. 
Descansa em paz, caro Valente, que eu costumava tratar por Vavá. 

domingo, novembro 05, 2017

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