CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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quinta-feira, julho 18, 2024

REBELIÃO DE RIBEIRO JUNIOR - CENTENÁRIO

Primeiro foi em São Paulo, em 9 de julho, quando este se rebelou, mas foi destroçado pelas Forças Federais. Este movimento acolá ficou alcunhado de "Revolução Esquecida". Duas semanas depois eclodiu no outro lado do país, em Manaus, quando oficiais do Exército e da Marinha se aliaram para depor o governador Rego Monteiro. Muito já se escreveu sobre este agitação política-militar na capital amazonense, igualmente já efetuei várias postagens sobre o tema - Rebelião de Ribeiro Junior.

Prossigo nesta semana, iniciando hoje com a crônica do saudoso João Nogueira da Matta, que pertenceu a Academia Amazonense de Letras e foi governador interino, compartilhada de seu livro Manaus por dentro (Manaus: Ed. Calderaro, 1988), que assistiu o desenrolar desta intentona.    

DURANTE A REVOLUÇÃO DE 24

 Com a chegada a Manaus da Expedição do Norte, em 1924, numerosa e esmagadora, deram as autoridades legalistas caçada aos “revoltosos”, que haviam retornado de Óbidos. Retornaram destroçados pela adversidade, após longos dias embrenhados no soturno da selva. Quase todos jovens de nossas tradicionais famílias, convocados pelo comando revolucionário, no atropelo da viagem de 27 BC empreendida com destino a Belém do Pará.

As turmas dos patrulheiros nordestinos, barbudos e cabeludos, de fuzil e facão do mato — diziam que para maior êxito nos combates corpo-a-corpo — passaram a vasculhar a cidade do centro aos subúrbios mais distantes, com a intolerância de todos os vencedores. Infelizmente, em momentos que tais, existem denunciantes que hoje chamam de “dedos duros”, prontos para o papel de judas, continuadores daquele que adquiriu triste notoriedade em decorrência do beijo maldito.

Naquela manhã, o perigo que já assediara outras áreas da cidade, chegou à Parada Campelo. Parada de bondes que vinham do centro urbano — cujo fulcro era a avenida Eduardo Ribeiro — e para ele retornavam até à estação, no amplo Largo da Matriz. Chegados àquele local, sempre frequentado por populares, rumaram pela rua Humaitá, como quem vai para a rua Carvalho Leal, na direção do igarapé. De casa em casa, à semelhança de quem procura agulha em palheiro, foram ter à residência de Dionésio Marinho, sargento que fazia parte dos insurretos. Como de praxe, entraram sem licença de qualquer natureza, com armas em punho, certos e recertos que eram os homens mais corajosos do planeta.

Dionésio Marinho chegara ao seio da família, no dia anterior, quase irreconhecível. Cabelos nos ombros, barba igualmente crescida, magro e pálido, para rever a mulher e os filhinhos. Fala quase imperceptível em consequência dos dias passados sem comer — só mais nítida quando se dirigia aos parentes e amigos íntimos. Nada de pormenores sobre os acontecimentos na longa via crucis empreendida até Óbidos. Ao que informaram alguns rebeldes, assim que chegaram a Manaus, o comando da tropa de Óbidos aconselhara a dispersão e o salve-se quem puder, em face da Expedição do Norte, esmagadora em todos os sentidos. Com o avultado número de vasos de guerra, paquetes do Lóide Brasileiro transformados em transportes e homens armados até os dentes.

Quando os patrulheiros chegaram, Dionésio Marinho já havia sido avisado por pessoas da vizinhança, de maneira que conseguiu passar para a casa de sua comadre Rosmarina, ao lado. Essa senhora de grande confiança, que se prontificara a dar-lhe a necessária guarida. -- Deixe tudo por minha conta, compadre, que saberei parlamentar com os perseguidores sem entranhas.

Lépida, com admirável acuidade mental, soube preparar tudo muito bem. No quartinho em que costumava trabalhar, desocupou o baú de roupa lavada e nele escondeu o homem procurado. Por sobre o baú colocou a roupa, sem qualquer arrumação. Em sentido diagonal, armou a rede da filha mais nova, a Dila, e fê-la deitar-se, com recomendação de que estava para todos os efeitos enferma. Não se assustasse com a presença dos intrusos. Amarrou a cabeça da pequena com um lenção, depois de untá-la com óleo de andiroba ou copaíba. Disfarce irrecusável.

Momentos depois, eis os patrulheiros mal encarados na casa de Rosmarina, bisbilhotando todos os recantos. Ao entrar o sargento no quarto, dona Rosmarina rompeu com a bateria: -- Pelo amor de Deus, respeite meu lar! Esta aí é minha filhinha convalescente de sarampo! O militar estancou, tomado de surpresa. Levantou o lençol que cobria a pequena enferma. Realmente, de cabeça amarrada, o corpo tresandando a unguento, convenceu o homem de farda que se tratava de um caso a ser respeitado. E logo de sarampo! Não foi além. Deixou até de indagar se o baú estava ocupado. Dali mesmo resolveu dirigir-se aos inferiores, dando por terminada a diligência.

Dentro em pouco seguiram os patrulheiros pelo bairro, à procura de outros fugitivos, por determinação expressa dos homens encarregados do restabelecimento da ordem no país. Ah! o restabelecimento da ordem interna! Revoltosos jogados nas enxovias de Paricatuba, às margens do Rio Negro, e mais tarde levados para as ilhas penumbrosas do Rio, onde aguardaram julgamento.

Dionésio Marinho, como excelente sargento, não dormia no ponto. Reunindo forças, com a colaboração de dois amigos, preparou-se para seguir com destino ao Curari. Viagem de canoa, na base do remo, e assim evitou nova ameaça de prisão. Quando chegaram ao flutuante no Xiborena, encostaram para comprar alguns maços de cigarro. Enquanto um dos tripulantes da frágil embarcação pedia os maços de cigarro, dois investigadores da Polícia, travestidos de caboclos, procuraram interpelar: -- De onde vêm os senhores? -- De Manaus, respondeu Dionésio. -- E para onde se dirigem? -- Vamos para casa, no Curari.

Os policiais quase surpreenderam os viajantes. Um chegou a perguntar: --Que atividade exercem? -- Somos agricultores. -- Com essa pele tão bem conservada? Dionésio Marinho não se intimidou, acostumado que estava à franqueza da linguagem de caserna. E desvencilhou-se: -- Estamos habituados aos contatos com a natureza. Usamos, na luta dos roçados, o chapéu de tucumã de abas largas. Com o trabalho, por várias semanas, à sombra da “casa de farinha”, a fisionomia ficou assim como o senhor vê.

Dada a explicação, com firmeza, foram os "agricultores” saindo de banda, como diz o caboclo, entraram na canoa, e deram as primeiras remadas. Nada de se preocuparem com o rio que se estendia à frente, com aquela imensidão de águas para navegar. Assim se livrou Dionésio Marinho do torpe assédio das forças chegadas do Rio de Janeiro, numa perseguição que só cessaria em 1930 — seis anos depois do movimento redentor do Amazonas com a anistia ampla de Getúlio Vargas no comando da Revolução de Outubro.

domingo, setembro 20, 2015

ALGUNS LIVROS PUBLICADOS EM MANAUS ENTRE 1900-1960











quarta-feira, agosto 10, 2011

JOÃO NOGUEIRA DA MATA (1909-1991)

Agosto, 10
João Nogueira da Mata

1991 – Morreu em Manaus, João Nogueira da Mata, que teve acentuada participação em vários segmentos da história do Amazonas.
Nascido no bairro da Cachoeirinha, em 1909, no mesmo ano em que nascia Ramayana de Chevalier. Tive oportunidade de ocupar uma Quarta Literária (bem-sucedida realização da Livraria Valer) para lembrar o centenário dos dois manauenses.

Recordo apenas, de João Nogueira da Mata, sua passagem pela educação, com professor do Colégio Dom Bosco, entidade que acaba de completar 90 anos de produção.

No campo político, Nogueira da Mata foi em duas ocasiões o Interventor Federal do Amazonas, ou seja, apesar do nome estranho, fora o chefe do Poder Executivo na época da ditadura Vargas. Além de ter representado o Amazonas na câmara federal.

Enfim, como homem do pensamento, conhecedor das questões amazônicas, produziu uma sucessão de livros. Em quase duas dezenas, publicados sem grandes recursos, basta apreciar a editoração dos mesmos, não deixou de exercitar sua competência com a poesia. Lamentavelmente, nunca mais se viu uma reedição.

Lembro ainda que alcançou a honra acadêmica, empossado na cadeira 6, de Adriano Jorge, sucedendo a José Jorge Caravalhal na Academia Amazonense de Letras.

Hoje, completam-se 20 anos de seu desaparecimento, pois faleceu em 1991.
Para melhor compreender o desempenho de João Nogueira da Mata, recomendo o documentário produzido pelo programa Documentos da Amazônia, da Amazonsat. E dois outros sítios devem ser explorados: o Blog do Rocha e http://www.marcelodamata.blogspot.com/

segunda-feira, dezembro 27, 2010

Memorial Amazonense XLII

Dezembro, 27

1851 – Desembarca, em Manaus, viajando no vapor Guapiaçu da então Marinha de Guerra, João Batista de Figueiredo Tenreiro Aranha, que chegava para inaugurar a Província do Amazonas. A instalação ocorreu no primeiro dia de 1852.
1894 – Foi criado, por disposição do decreto n.º 83, sancionado pelo governador Eduardo Ribeiro, o município de Manacapuru, localizado no rio Solimões. A padroeira é Nossa Senhora de Nazaré, festejada em 29 de outubro.

1909 – Nasceu em Manaus, João Nogueira da Matta, tendo concluido o curso médio estudando no Colégio Dom Bosco e Ginásio Amazonense Pedro II e o superior, na Faculdade de Direito do Amazonas.
Ingressou nos quadros do Partido Social Democrático, de Álvaro Maia, tendo sido  Interventor Federal, interino.
Colaborador de jornais e revistas locais, deixou publicado cerca de duas dezenas de livros. A maioria sobre a história do Amazonas e alguns de seus trabalhos parlamentares.
Pertenceu a Academia Amazonense de Letras, onde ingressou em dezembro de 1959. Faleceu em agosto de 1991.
1911 – Foi criado o município de Carauari, localizado no rio Juruá, por disposição do Decreto n.º 683, sancionado pelo governador Antônio Clemente Ribeiro Bittencourt.

1915 – Nasceu em Manaus, Paulo Pinto Nery, filho de Abilio e Deolinda Pinto Nery, casado com Maria Souza Marinho, irmã de Jauary Marinho, seu colega de graduação na Faculdade de Direito do Amazonas, da turma de 1939. Pertencia a segunda geração da família Nery, cujo astro maior foi Silverio Nery, governador e senador pelo Estado.
Paulo Nery pertenceu ao Partido Social Democrático (PSD), pelo qual exerceu os mandatos de vereador e deputado estadual e federal. Em duas oportunidades (1958 e 1962) candidatou-se ao governo do Estado, mas, em ambas foi derrotado.

Nery, candidato a governador.
Jornal do Commercio. Manaus, 30 set. 1958 

Propaganda eleitoral. O Jornal.
Manaus, 6 out. 1962
Ao tempo do Governo Militar de 1964 foi nomeado Chefe de Polícia do Estado e, adiante, Prefeito de Manaus, exercendo a função por seis anos (1966-1972). Apesar das derrotas sofridas, teve o mérito de encerrar sua carreira política como governador (1982-83), ao substituir o titular José Bernardino Lindoso (1979-1982), quando este renunciou ao mandato para disputar uma vaga ao senado.

Nery, prefeito de Manaus. Resumo biográfico.
Jornal do Commercio. Manaus, 26 jul. 1962
Nery foi professor doutor pela Faculdade de Direito. Pertenceu a Academia Amazonense de Letras, onde ocupou a Cadeira 5, cujo patrono é Araújo Filho.
Morreu em Manaus, a 15 de novembro de 1995.

terça-feira, agosto 31, 2010

Memorial Amazonense XXXI

Agosto, 31


1925 – Nasceu em Póvoa de Varzim (POR), Belmiro Gonçalves Vianez, filho de Abel e Maria Abadia Gonçalves Vianez. Aos 13 anos, desembarcou em Manaus, onde concluiu o ensino médio no Colégio Dom Bosco. Ingressou como office boy na Casa Chico Preto e, em 1971, fundou a loja Belmiro’s, na avenida Sete de Setembro. Esta marca, que ainda se encontra funcionando, teve forte presença na cidade.
Como jornalista, teve participação no rádio e TV da Capital, em especial, nos comentários esportivos bem humorados. Em 1949, participou da fundação do jornal A Critica. Foi casado com Maria Ambrozina de Albuquerque Vianez.
Foi agraciado com o título de Cidadão do Amazonas e com a medalha do Mérito Cidade de Manaus. Morreu em Manaus.

1946 – João Nogueira da Matta assume como interino a Interventoria Federal do Amazonas. Adiante, passou o governo ao tenente-coronel EB Sizeno Sarmento

2001 – Osias Rodrigues Monteiro tomou posse na Superintendência da SUFRAMA.

2004 – Morreu em Manaus, Maria Luiza Antony Parente, filha de Aristophano Antony e viúva do ex-senador Raimundo Parente.

2009 –Morreu em Manaus, vítima de acidente de trânsito, o professor Garcytilzo do Lago e Silva. Nascido em Parintins (AM), foi professor da Universidade Federal do Amazonas, por décadas. Seu corpo foi velado no Instituto Cultural Brasil-Estados Unidos (Icbeu), situado na av. Joaquim Nabuco, e sepultado no cemitério São João.