CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

21 de outubro de 2016

DISCURSO DE POSSE (1)

Como praxe, no IGHA, elaborei o discurso de posse, que aqui vai publicado.


DO SODALÍCIO E DO ÚLTIMO OCUPANTE DA CADEIRA

Para aqueles que nesta solenidade são neófitos, registro um pouco do caminho histórico percorrido por este sodalício. Desejo salientar que foi com estímulo e coragem que varões distintos e ilustres fundaram o Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, a 25 de março de 1917, quando na governança estadual o Dr. Pedro de Alcântara Bacelar (1913-17), o qual, num gesto digno de reconhecimento e gratidão por todas as gerações, concedeu a Casa de Bernardo Ramos, consoante o Decreto nº 1.191, de 18 de abri1 de 1917, o usufruto do imóvel que ainda agora serve de sede a este colegiado.

Sinto-me de alguma maneira abençoado ao assumir a Poltrona cujo meu antecessor foi o segundo Arcebispo do Amazonas - Dom João de Souza Lima.
Concluído o curso primário em sua cidade natal, João viajou para Recife a fim de cursar humanidades, curso que foi realizado no edifício que hoje abriga o Colégio Estadual de Pernambuco. Aos vinte anos, acolhendo o chamamento divino para o sacerdócio, matriculou-se no célebre Seminário de Olinda. Todavia, para concluir os estudos teológicos, foi transferido para o Seminário Central de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul. Enfim, recebeu a ordenação sacerdotal – “sacerdos in aeternum”, na cidade de Pesqueira (PE), em 12 de novembro de 1939.

Dez anos depois, em 14 de maio de 1949, foi eleito pelo papa Pio XII bispo auxiliar de Diamantina (MG), tendo assumido suas funções pastorais em 6 de novembro daquele ano. Nessa cidade, terra natal do presidente Juscelino Kubitscheck, Dom João travaria conhecimento com a eminente personalidade, de quem se tornaria amigo.

Em 9 de fevereiro de 1955, foi transferido para a diocese de Nazaré da Mata (PE), onde se manteve como bispo diocesano até 16 de janeiro de 1958, data de sua promoção a arcebispo do Amazonas. No dia 24 de maio, festa de Nossa Senhora Auxiliadora e, naquele ano, véspera da solenidade de Pentecostes, tomava posse na Catedral de Manaus, como o arcebispo, sucedendo a Dom Alberto Gaudêncio Ramos, que foi membro deste Instituto.

A extensão desta arquidiocese, que compreendia todo o território amazonense, levou Dom João a pleitear junto à Santa Sé a criação de Prelazias. Seu empenho foi acolhido, tendo o Vaticano determinado a instalação das Prelazias de Humaitá, em 16 de junho de 1961, e as de Itacoatiara, Coari e Borba, em 12 de julho de 1962. Em nossos dias, a arquidiocese se restringe à capital do Estado e a pequena zona interiorana, permitindo ao metropolita intensificar as tarefas pastorais.

Em seu governo arquidiocesano, Dom João adquiriu a Rádio Rio Mar, propendendo com a aquisição melhor e mais amplamente divulgar a doutrina e os atos religiosos, alcançando as regiões mais distantes de seu território pastoral. Coube a este Prelado a instalação do Centro Maromba, destinado a promoção de eventos coletivos, ali onde hoje funciona o Seminário São José. Compete-lhe, todavia, a sombria imputação do fechamento do Seminário São José, situado à rua Emilio Moreira, causado pelo arrefecimento de vocações sacerdotais e de forte crise na Igreja.

Por cerca de 23 anos, Dom João dirigiu a arquidiocese de Manaus, tendo renunciado em 25 de abril de 1981, quando se transferiu para Salvador (BA), onde faleceu no Hospital Espanhol, em 1º de outubro de 1984.

Competentíssimo orador desta agremiação, padre Raimundo Nonato Pinheiro registrou, ao proferir o discurso de recepção deste pontífice, em sua posse na Cadeira de Frei Madre de Deus.
Em vossa eleição, guiou-nos o alto quilate que vos caracteriza a inteligência, aberta a todas as ondulações da luz, e a cultura, opulentada nas tradicionais e ubertosas tetas dos estudos clássicos, que, digam lá o que disserem, continuam a ser os alicerces insubstituíveis de toda grande e verdadeira cultura.
Como quer que seja, como premiar-vos os talentos, quis o Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas glorificar a Igreja, de que sois pontífice; essa Igreja-Mãe, essa Igreja maternal, que parturejou a civilização cristã, criadora e inspiradora de tantos e repetidos benefícios que a humanidade vem usufruindo há vinte séculos de História!

Registro, finalmente, os merecidos títulos recebidos pelo 2º arcebispo do Amazonas: Cidadão do Amazonas, nos termos da Lei nº 32, de 26 de setembro de 1961, e Cidadão Honorário de Manaus, consoante a Lei nº 969, de 30 de julho de 1970. (segue)