CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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quarta-feira, julho 08, 2026

MAROMBA - SEMINÁRIO SÃO JOSÉ

 Há 50 anos, a arquidiocese de Manaus adquiriu o espaço de terras denominado de Maromba, no governo de Dom João de Souza Lima, que servia até então para encontro de formação de pessoal das várias secretarias e outros órgãos oficiais. 
Hoje, abriga os alunos do Seminário São José. 
Nesta postagem transcrevo o artigo de Helen Veras para o Jornal do Commercio, edição de 25 de julho de 1976, relacionado as primeiras operações realizadas no Centro e sua importância para o futuro.


Recorte do Jornal do Commercio,
25 julho 1976

A cinco quilômetros da cidade, situado dentro de uma grande área verde, quase exótica, está o Centro de Treinamento Maromba. Seu terreno foi adquirido pela Arquidiocese de Manaus e mede 285 metros de frente por 225 de fundos. Tem em volta um bosque convidativo para momentos agradáveis de lazer. Lá se reúnem renomados técnicos durante a realização de seminários e cursos promovidos pela SUDAM, ACAR-Amazonas, Mobral, Icoti, CEAG-AM, Codeama e outros órgãos governamentais. Foi na Maromba que se hospedou a seleção brasileira de futebol e seus grandes craques, como Pelé, deixando sua assinatura no livro história do Centro. Além de funcionar como instrumento de prepararão de recursos humanos, o Maromba tem sido lugar escolhido para a tomada de decisão, inclusive políticos (foi lá que o Sr. João Walter escolheu seu secretariado), encontros internacionais, irradiando novos horizontes para o desenvolvimento da região.

O Centro Maromba tem como finalidades básicas desenvolver uma política de treinamento adequado ao processo de desenvolvimento da região, manter cursos de treinamento de caráter geral ou especializado, visando a habilitação de profissionais ligados às atividades de desenvolvimento da região e de líderes rurais para o efetivo engajamento desse processo desenvolvimentista e ainda possibilitar a realização  de encontros, seminários e convenções que congreguem organização de pessoas atuantes na região e promover atividades que possibilitem integração efetiva de esforços entre os entidades interessadas.

ACARIQUARA

O Centro possui uma arquitetura onde se sobressai a madeira regional, como a acariquara, emprestando ao local aspectos tipicamente regionais. Formado por três grandes pavilhões ligados entre si, englobando os serviços de cozinha, copa, bar, secretaria e administração, o centro dispõe atualmente de 32 apartamentos, um amplo salão de refeitório, três salas de visitas, salão para biblioteca e um grande dormitório comum. O prédio tem capacidade para hospedar 33 pessoas em quartos ou apartamentos individuais e cerca de 100 pessoas no dormitório.

ATIVIDADES

Até 5 de junho deste ano, o Centro foi utilizado para a realização dos seguintes cursos e encontros: Encontro de Catequistas (CRB), Curso Integrado para Orientação Educacional e Supervisão Pedagógica (Ceteam) e centro de Técnicos da Embrapa (Embrapa), Treinamento de Liderança Cristã (Arquidiocese de Manaus), Curso de Catequistas (Paróquia Nossa Senhora de Nazaré) e Centro de Espiritualidade (Ivete Ibiapina), Curso do ACAR (ACAR-AM), Encontro do Mobral Estadual (Mobral), Curso de cooperativismo (ACAR-Amazonas), Curso da Cosama, Curso de Crédito Rural (ACAR-AM), Encontro de Cooperativismo da Embrater, Administração  de Fundos Federais e Tributação (Icoti), Curso do ACAR-Amazonas, Curso de Fertilizantes (ACAR-AM), Secretaria de Saúde, Administração de Pessoal e Material (Icoti), Sistema de Produção (ACAR), Treinamento de Liderança Cristã (Arquidiocese), Seminário de Coordenadores (SUDAM), Encontro da Embrapa (Embrapa) e Oração do Espírito Santo (Arquidiocese).

 Outros encontros e reuniões estão programados até dezembro. As atividades previstas são: Curso de Elaboração Orçamentaria, Curso de Sistema de Produção de Pimenta do Reino, Encontro de Oração, Encontro Regional de Agentes de Mobilização, Curso de Administração de Cooperativa, Cursilho de Cristandade, Movimento de Educação de Base, Administração de Escritório de Extensão Rural, Cursilho de Dirigentes Setoriais de Manaus, Congresso Salesiano, Treinamento de Liderança Cristã, Treinamento de Geração Dinâmica, Encontro dos Delegados do Amazonas, Encontro Regional da CNBB, Administração de Projetos Agrícolas e Congresso Bandeirante.

IDEALIZADOR

D. João de Sousa Lima, arcebispo metropolitano de Manaus, um dos idealizadores do Centro, o primeiro do Norte do Brasil, acredita que os objetivos do Centro estão sendo atingidos plenamente. D. João acha que a arquidiocese de Manaus, com esse empreendimento, deu sua contribuição marcante para a formação e aperfeiçoamento da mão-de-obra qualificada como fator de fundamental significação para a concretização plena do desenvolvimento do Amazonas. O secretário-executivo do Centro José Amarilis Castelo Branco, afirma que o Centro não pertence somente à arquidiocese, mas ao Amazonas, dando sua contribuição para o desenvolvimento dos nossos recursos humanos.

Amarilis procura conciliar os interesses de todos os órgãos, dando sempre um “jeitinho”, permitindo a realização de todos os curses e treinamentos. Para atender à crescente demanda de reservas, o Centro vem se expandindo, invadindo a selva, onde vem sendo construído mais um moderno pavilhão. Mas acentua que a área verde não será destruída, irá aproveitá-la para a construção de um bosque com as características regionais, inclusive espécies da nossa fauna e flora. Ninguém pode negar a real importância da Maromba. E dele o Amazonas receberá muitos benefícios e valiosas contribuições que somarão pontos positivos em favor do bem comum traduzidos pela consecução de melhores dias para a nossa comunidade. 


domingo, maio 24, 2026

POEMA DOMINICAL

 A postagem reproduz o poema de Clóvis da Mata - Deus no Amazonas, em que louva a realização do Congresso Eucarístico Nacional em Manaus, em julho de 1975, portanto, há 50 anos. Da ornamentação produzida para a festa religiosa resta a Cruz no pátio da Igreja de Fátima, obra do artista Severiano Porto.

Jornal do Commercio, 20 julho 1975

Sob um pálio de luz nas alturas

Refulgindo de Fé e de Amor,

 neste chão que a tantos deu glória

oh! Senhor dos Altares, fulguras,

na imponente canção da Vitória!

Acústica do mundo cristão

 e vergel de lembranças sagradas,

o Teu nome rebrilha nos Salmos

e agasalha milénios de História!

Nossas matas, dosséis de verduras 

conhecidas por Selva Selvaggia

constituem a bela escultura

 que Vossa sempiterna presença

às páginas do Gênesis deu,

na visão imortal do profeta!

Rei dos Reis, o Teu trono é eterno,

e um céu de alabastro e de luz

 sobre a terra da Fé, que é unção,

onde o povo exultante Te adora

e com todos reparte o Pão.

No recesso dos templos sagrados

 Tua imagem entre lírios reluz

ante as velas eretas e ardentes

incensadas por turibulários

que invocam o poder da Oração

contra os ímpios e vãos aretinos,

adorando o Menino-Jesus!

Amazonas, Estado altaneiro

que se ergue indomável e viril,

tens um nome que fala de amor

e rebrilha nos céus do Brasil

com requintes das aves canoras

como rios que se beijam no alvor

 das manhãs, em idílios de correr,

e esmagam irmãos ribeirinhos.

És portal da União e da Fé,

catedral nacional da oração,

no teu solo sagrado chantaram

nosso símbolo — a Cruz dos Altares

dos cristãos, é na dor refrigério,

dos ateus, conversão nos esgares! 

Amazonas das lendas suntuárias

o teu dorso se ergueu bem no alto,

pois do plano naval transbordou

tuas águas cidades cobriram,

quem ousara, Amazonas, dizer-te,

neste instante de tanto esplendor,

que o Congresso tuas águas não viram?

Há presença de Deus na floresta,

na grandeza do solo e dos rios,

no carinho das aves cantantes

que a ternura teceram nos ninhos;

na bondade do povo glebário,

nas casinhas de teus ribeirinhos,

que em lufadas de vento compõem

as medonhas tragédias dos rios

no transcurso das cheias hiantes

Manaus, coração da Amazônia

por direito e estratégia local

repetindo o feito de outrora

 hoje ergues o fulvo ostensório

e convidas ao rito litúrgico

o rebanho de Deus nas planuras,

ante os céus a o esplendor da aurora.

És sacrário da Paz e Harmonia,

Altar-mor de ungidas orações

circundado de luz triunfal,

sob o manto da Eucaristia!

Peregrinos n’estoria te rendem

homenagem, e ao Pai-Redentor,

são romeiros de outras distâncias

que a Cruz a Bíblia transportam

como fontes eternas de amor.

Que após o Congresso Eucarístico

destas plagas, com raro fervor

irradiam mensagens divinas

em hosanas ao Cristo-Senhor;

Pai de pobres e ricos também,

exaltado que foi nas origens

no soturno da gruta em Belém

 que no início do mundo foi Verbo,

hoje em dia é Verbo e Mundo,

dê a todos unidos de Fé,

como exemplo de santa humildade

um Amazonas de Paz e de Amor.

quinta-feira, abril 03, 2025

L. RUAS: 25 ANOS DE FALECIMENTO (3)

 José Seráfico, destacado mestre de nossa Universidade Federal, escreveu em seu blog, homenageando ao padre-poeta L. Ruas pela passagem desta relevante efeméride. Segue abaixo esta manifestação, com meus agradecimentos. Aproveito para informar - a quem possa interessar - que a arquidiocese de Manaus programa para este final de mês uma Missa pela alma do saudoso padre Luiz Ruas. 

Capa do livro

Ruas e seu mundo


 

·         De Roberto Mendonça, L. Ruas - Itinerário de uma vocação é rememoração justa e indispensável. O livro homenageia um intelectual e sacerdote que faz falta no cenário destes conturbados dias. O editor deste blog foi aluno do Padre Ruas, em curso realizado na Escola de Serviço Público do Estado do Amazonas, a ESPEA, descriada quando se iniciava o processo obscurantista que temos a infausta experiência de testemunhar. Ruas ministrava aulas de Psicologia. Na missa de 1 de abril, na Matriz de Manaus, será rendido preito ao sacerdote e professor amazonense.

terça-feira, abril 01, 2025

L. RUAS: 25 ANOS DE FALECIMENTO (2)

 Hoje (1º de abril), completam-se 25 anos do falecimento do padre-poeta L. Ruas (Luiz Augusto de Lima Ruas), autor de Aparição do Clown, longo poema religioso, editado em 1958. Intentei realizar uma homenagem pública ao poeta, porém, fracassei. Lamento, mas a direção da arquidiocese de Manaus – procurada - não acolheu minha pretensão. A fim de reverenciar ao poeta, reproduzo (com ligeiras correções) o texto próprio que incorporei ao livro L. Ruas: poesia reunida (2013).

Minha paixão por L. Ruas

Possuo um raro privilégio: o vínculo escolar com o padre Luiz Augusto de Lima Ruas (L. Ruas), quando matriculado no Seminário São José, de Manaus. Ali, em 1956, alcancei o padre Ruas no frescor de sua juventude, ordenado sacerdote dois anos antes. Sapiente e entusiasmado demais com sua vocação, liderança comprovada em qualquer reunião de seminaristas. Versado em diversas matérias curriculares, ensinou aos futuros padres ou não de línguas vivas e mortas (latim e grego), passando por Gramática e Literatura Brasileira, Filosofia e Teologia. Seus inúmeros alunos da Universidade Federal do Amazonas lembram-se dele como mestre em Psicologia. No Seminário, ainda adolescente, não tive capacidade de auferir a ciência que dele emanava. Recebi de suas mãos o majestoso livro — Aparição do clown, longo poema religioso, quase indecifrável, de certo um marco na literatura amazonense. Mas, tudo isso somente compreendi décadas depois.

Em 2004, a cidade comemorava vários cinquentenários: de sua ordenação sacerdotal; da criação do apagado Instituto Christus; da inauguração da Rádio Rio Mar e da fundação do Clube da Madrugada. Para minha admiração, em todas estas organizações, Ruas havia participado, e de forma categórica.

L. Ruas morreu em 1° de abril de 2000, há vinte e cinco anos, portanto. A fim de homenageá-lo no limite de minha competência, projetei e estou cumprindo o recolhimento de sua obra literária dispersa nos jornais de Manaus. A propósito deste empreendimento, o saudoso Renan Freitas Pinto designou-me com a incumbência esdrúxula de "curador da massa literária” de L. Ruas. Devo confessar que a faina foi dificultosa, emperrada e, às vezes, desanimadora. Foi-me, porém, benevolente, por ter-me permitido comprovar a sapiência e a erudição do meu saudoso mestre.

Enfim, ainda encontro, aqui e ali, fuçando em jornais da época, alguma contribuição dele. A Poesia Reunida de L. Ruas, aqui organizada, objetiva não somente assinalar sua morte. Mas, e principalmente, revitalizar a arte otimamente praticada por ele. Espero ter cumprido satisfatoriamente o ônus assumido, e que o leitor se satisfaça com este conjunto de "estrelas e de pérolas".

segunda-feira, março 31, 2025

L. RUAS: 25 ANOS DE FALECIMENTO

 Amanhã (1º de abril), completam-se 25 anos do falecimento do padre-poeta L. Ruas (Luiz Augusto de Lima Ruas), autor de Aparição do Clown, longo poema religioso, editado em 1958. Intentei realizar uma homenagem pública ao poeta, porém, fracassei. Lamento, mas a direção da arquidiocese de Manaus – procurada - não acolheu minha pretensão. Assim, vou republicar algumas páginas do mestre, para cumprir meu desígnio.

Nesta homenagem, começo com as palavras do professor Marcos Frederico (doutor em Literaturas de Língua Portuguesa), expostas no livro L. Ruas: Poesia Reunida (Manaus: Travessia, 2013):

“Luiz Augusto de Lima Ruas (L. Ruas) é, sem qualquer favor, uma das mais expressivas vozes da poesia do Clube da Madrugada, essa agremiação que renovou as letras amazonenses da década de 50, no século passado.

Sem exagero, diria que seu livro de estreia, Aparição do clown, cuja primeira edição consta ter sido em 1958, o coloca entre os poetas com participação eficaz na literatura brasileira. Entretanto, não é conhecido nos meios acadêmicos brasileiros, porque poucos são os artistas locais que conseguem “furar” o bloqueio dos meios de comunicação e ser divulgados nacionalmente.

Graças a Roberto Mendonça, esse pesquisador incansável da obra de L. Ruas, temos agora a totalidade da produção lírica desse vigoroso artista. Além dos poemas de Aparição do clown, encontram-se também reunidos neste livro aqueles que constituíram o Poemeu, livro que, tendo sido premiado em 1970, só encontrou a luz de uma publicação em 1985.

Afora estes, encontram-se os textos que, circunstancialmente, foram inseridos em outras obras. Se não bastasse este trabalho, Mendonça ainda coletou produções inéditas do grande poeta, um dos quais – o poema “Mar” – nos mostra uma faceta original de seu trabalho: as técnicas do Concretismo.”

A seguir, um dos poemas coletados em Poemeu ou O (meu) sentir dos outros. 

SONETO (*)

Estas aves vêm sempre, ao fim da tarde,

Descansar seus remígios agourentos

No pomar de onde colho doces frutos

Com que faço meus vinhos suculentos.

Elas vêm de bem longe. Me olham sempre

Com desdém. E nas asas trazem ventos

Que uma vez, já faz tempo, naufragaram

Minha nave que nautas desatentos

Dirigiam. E estas aves que me espiam

Lá de cima das árvores crescidas

No pomar irrigado com águas verdes.

Bem conhecem meu fim. Vencido nauta

Pus-me, agora, a plantar frondosas copas

Que sugerem veleiros em meu canto.

 

(*) Também publicado na Seleta Literária do Amazonas, de José dos Santos Lins (1966).

quinta-feira, fevereiro 22, 2024

RELÍQUIAS MANAUARAS (1)

Pertencem ao acervo do IHGB (Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro), sediado no Rio de Janeiro. E alcançadas quando ali passei uma temporada de pesquisas, em outubro de 2001.

A foto do 1º bispo do Amazonas – dom José Lourenço da Costa Aguiar (1894-1905).

Dom Lourenço Aguiar

As demais fotografias: o Álbum de lembranças de José de Freitas Passos, ofertado pelo pai, Astrolábio Passos, fundador da Escola Universitária Livre de Manaus (1909), sucessivamente chamada de Universidade de Manaus (1913) e ora Universidade Federal do Amazonas.

Capa e páginas do Álbum 



segunda-feira, abril 20, 2020

EMPRESA ARCHER PINTO: NOTAS


Quando a comunicação estava restrita a jornais e rádio, a família Archer Pinto inaugurou em Manaus, na década de 1940, sua empresa jornalística, composta inicialmente de O Jornal e o Diário da Tarde. A sede central estava na Capital Federal, de onde emanava o material para divulgação. Logo constituiu a preferência dos leitores, tanto que o periódico criou o slogan: “O matutino de maior circulação no Amazonas”.
Desenho da fachada do prédio
elaborado por Moacir Andrade,
veja assinatura
Em 1954, a empresa inaugurou a rádio Rio Mar, em ondas médias e curtas, com amplo alcance, não apenas no estado. Alguns anos adiante, esta foi adquirida pela Igreja católica que a segue dirigindo, porém, unicamente em FM.
Para harmonizar a empresa, os irmãos Archer Pinto decidiram construir uma sede de padrão para abrigar o jornal e a rádio. O edifício ocuparia um endereço na avenida Eduardo Ribeiro. Apesar de a matéria de O Jornal (domingo, 29 julho 1956) prometer a inauguração para novembro seguinte, não creio que aconteceu. Posto que as instalações dos Diários (como eram designados) não passaram do casarão antigo, ou está é a recordação que nos acompanha, consultado Ed Lincon, manauara de fina memória.
De fato, funcionavam na mencionada avenida, ao lado dos Associados, ou seja, do Jornal do Commercio e a Rádio Baré. Todavia, com a declínio dos Diários, primeiro desapareceu o vespertino (outubro 1975), em seguida seu parceiro (fevereiro 1977). Por fim, o prédio em 1980, transformado em agência bancária, primeiro do Real, agora do Santander.
A postagem compartilha a nota “oficial” da empresa, realçando o entusiasmo do editorialista, assim como a assinatura do falecido artista plástico Moacir Andrade, que então iniciava a vida como desenhista de plantas.

Recorte da capa do mencionado periódico 

No interesse de oferecer instalações condignas para os Diários da empresa, que superiormente dirige – O JORNAL e DIÁRIO DA TARDE —, e para os estúdios da ZYB-20 e da nova estação ondas curtas da Rio Mar [emissora de rádio, hoje pertencente à Igreja católica, operando em FM], da qual é um dos sócios, - o jornalista Aguinaldo Archer Pinto, numa iniciativa arrojada, está fazendo construir na avenida Eduardo Ribeiro, “a sala de visitas de Manaus”, em frente ao prédio onde temos localizadas nossa redação e oficinas, um edifício moderno, que contará com três andares.

ROTATIVA
Nesse edifício, será montada (andar térreo) a nova impressora rotativa, da afamada marca alemã M.A.N. —, para atender as exigências da tiragem, dia a dia maior, de nossos Diários. Essa máquina, no gênero e em sua classe, a última palavra era matéria da eficiência e facilidade de comando, tem capacidade para imprimir 12 mil jornais numa hora, o que bem demonstra que a nossa empresa, dentro de pouco tempo (a montagem da rotativa será iniciada no próximo mês), estará perfeitamente em condições da atender aos reclamos de seus leitores, inclusive do interior do Estado e Territórios Federais vizinhos, oferecendo-lhes edições ampliadas e, graficamente, melhor confeccionadas.

ESTAÇÃO DE ONDAS CURTAS
No segundo pavimento, serão instalados os estúdios e a administração da Rio Mar, cujo novo transmissor de sete e meio quilowatts na antena (ondas de 31 metros, 9.695 quilociclos), já foi adquirido da conceituada e reputada marca Phillips, por intermédio de seus agentes, nesta praça, Braga & Cia.
Os novos transmissores da “mais ouvida” serão inaugurados no dia 15 de novembro deste ano, quando a Rio Mar completa dois anos de existência.
Por testemunho eloquente, indesmentível do arrojo, da capacidade de trabalho e realização, do interesse dos dirigentes da Rio Mar em oferecer ao povo amazonense, e à nação brasileira sempre o que há de melhor em matéria da radiofonia".
Obtendo a liderança do metiê, logo após os primeiros meses de seu funcionamento, pela boa qualidade de sua programação e pelas suas gigantescas e incomparáveis realizações, a Rio Mar se viu forçada a alargar o seu raio de operações para, dessa forma, através de campanhas memoráveis, destemidas, corajosas.
Já dispondo de aparelhagem de Frequência  Modulada [FM], para reportagem volantes; moderno estúdio de gravações de discos, inclusive long-play [LP], pela eficiente aparelhagem profissional REK-O-KUT; tudo Isso, aliado sus seus bons programas musicais, humorísticos, completas resenhas esportivas, magníficos informativos sobre os acontecimentos do estrangeiro, do país e do Estado, — elevou a Rio Mar à posição de grandeza e prestígio em que hoje se encontra.
Esse fato maravilhoso, não pertence à direção da Rio Mar, à cuja frente se encontra Charles Hamu, ladeado por Aguinaldo e Aloysio Archer Pinto. Pertence, isto sim, ao povo do Amazonas, pois foi para servi-lo, que se buscou a nova estação de ondas curtas, pela qual todos poderão ouvir a programação selecionada, variada, surpreendente e altamente moderna da Rio Mar.
Na sua nova sede, no edifício da avenida Eduardo Ribeiro, contará a Rio Mar com requisitos mais exigentes da técnica moderna e foram projetados por organização especializada do Sul do país.
Outra coisa, porém, é mais importante: operando em duas ondas — média e curta—, a Rio Mar apresentará programações distintas, variadas, atendendo, assim, a todos os gostos e preferências. Serão, portanto, duas estações em funcionamento, oferecendo defesa permanente aos interesses do povo e, igualmente, linhas de programas diferentes e bem diversas.
Cumprindo todo esse esforço, realizando todo esse corajoso empreendimento, os dirigentes da Rio Mar só desejam uma coisa: oferecer o melhor para um povo que, desde o aparecimento da emissora, lhe tem dado integral apoio, estimulando-os para novos embates, a favor da grandeza da radiofonia cabocla.

O NOVO EDIFÍCIO
O novo edifício de que falamos, e que receberá a nova impressora rotativa de nossos Diários e os novos estúdios da Rio Mar, estão sendo construídos, com toda a técnica, esmero e cuidado, pela conceituada empresa Sociedade de Obras Limitada, dirigida com proficiência e zelo pelo nosso amigo Joaquim Cunha.
O clichê que ilustra este registro, mostra-nos a fachada do referido prédio, pelo qual nossos leitores poderão aquilatar do quanto será enriquecido o patrimônio da cidade, com a sua próxima inauguração.

domingo, setembro 12, 2010

BISPO AUXILIAR DE MANAUS

Convite expedido para a Missa de Acolhida
A gente católica de Manaus compareceu hoje à Catedral para acolher seu novo pastor-auxiliar. Dom Mário Antonio da Silva, 44a, que foi sagrado bispo para esta função, chega da diocese de Jacarezinho, no Paraná.

Nascido em Itararé (SP), Dom Mário é de 17 de outubro de 1966, e foi ordenado padre em 1991 para aquela diocese paranaense. Fez os estudos secundários no seminário menor de Nossa Senhora da Assunção, os de filosofia e teologia, no seminário maior Divino Mestre, da mesma cidade. No período de 1996 a 1998, concluiu o mestrado em teologia moral na Academia Alfonsiana, em Roma.
Antes de sua sagração episcopal, padre Mário era pároco da paróquia Sagrado Coração de Jesus e chanceler daquela diocese. 

Expressiva delegação de seus paroquianos e familiares, cerca de 50 pessoas, acompanhou o novo bispo auxiliar. Todos foram efusivamente recepcionados. E Dom Mário Antonio, certamente, teve uma calorosa acolhida: tanto de seu novo povo quanto do calor costumeiro de Manaus.