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terça-feira, agosto 18, 2026

VIAGEM NO TEMPO (4)

 

Feliz Aniversário       18.07.2026                        

 Renato Mendonça 

Logo cedo, recebi uma ligação do José Manoel me parabenizando pelo aniversário. Durante a conversa relatei o desconforto da Alda, que não havia passado bem à noite, e a suspeita de infecção urinária. Sua esposa, Marília, aproveitou a ligação e interveio com asserção, nos orientando a procurar o Hospital Santa Júlia, instituição de boa reputação. Assim, programamos a ida imediatamente, sentindo uma certa urgência.

Chegamos ao Hospital Santa Júlia bem cedo, na manhã do dia de São Pedro, logo após o saboroso café do hotel. Mesmo com a informação prestada pela Marília, ainda havia entre nós uma pequena preocupação com a natureza da instituição e se seria atendido pelo plano de saúde. O motorista do Uber nos deixou exatamente no atendimento de emergência, com acesso pela Avenida Ayrão.

Como se fosse uma bênção divina para comemorar o aniversário, essa instituição estava cadastrada para atender meu plano. Desde a recepção, observamos que era um hospital de excelência, com boa estrutura, todo informatizado, com agilidade impressionante no atendimento e no resultado dos laudos de análises clínicas dos pacientes. Um painel à frente mostrava o andamento de cada resultado, assim como já constava do celular cadastrado do paciente. Em pouco tempo, Alda estava de volta à mesa da médica Maria José Silva para sistematizar o laudo e receber a prescrição dos remédios. Havia urgência em comprar e começar a tomar o antibiótico.

O guarda, com a calma de quem conhece cada recanto daquele espaço, nos guiou por corredores silenciosos, ladeados por salas de atendimento e consultas. Saímos por uma porta lateral e tomamos um elevador para subir um andar; de repente, o mundo hospitalar se dissolveu na vibração da cidade. A Rodovia Álvaro Maia pulsava com o ritmo apressado dos carros e o colorido das farmácias, cada uma oferecendo remédios e cosméticos.

A urgência nos fazia caminhar rápido, mas havia algo de ritual nesse deslocamento: como se o antibiótico fosse não apenas um remédio, mas um símbolo de esperança, um elo entre a fragilidade humana e a força invisível que nos sustenta. O dia de São Pedro, outrora celebrado com procissões e fogueiras em cantos da cidade, ali se manifestava em forma de bênção silenciosa — o encontro entre a fé e a ciência, entre o cuidado humano e a tecnologia que acelera curas.

Ainda como parte das bênçãos recebidas, estávamos próximos ao Cemitério São João Batista, onde eu tencionava passar para rever o túmulo de minha mãe e de minha avó. Fazia parte do meu plano primitivo, antes de viajar. Caminhamos até lá. O portão do cemitério era como se fosse passagem para outro tempo, outro mundo. Cada passo sobre o chão quente trazia lembranças que se misturavam ao presente. O azul do túmulo, ainda vivo na memória digital, agora se revelava diante dos olhos com outra cor, mais brilhante sob a luz do sol. Toquei a superfície da lápide e senti que, de algum modo, minha mãe e minha avó estavam ali — não apenas sob a pedra e a camada de terra, mas no calor que me envolvia, na emoção que me tomava por inteiro. Esse instante singular reformulou minha maneira de sentir saudade de minha mãe — como se fosse uma saudade compartilhada —, cuja breve existência de apenas trinta e cinco anos deixou em mim uma ausência que não se apaga — a beleza que nunca se acaba. Cada lembrança é um fio de dor e ternura, e ao evocá-la, sinto que sua vida interrompida continua a pulsar dentro de mim, como se me pedisse que a memória seja também uma celebração.

 

Renato no cemitério São João Batista

Rezei em silêncio, como quem conversa com o passado e pede proteção para o futuro. O vento leve que atravessava nossos corpos parecia resposta, um sopro de bênção. Naquele instante, a viagem deixava de ser apenas deslocamento geográfico: tornava-se uma peregrinação íntima, um encontro entre fé, memória e destino.

É impróprio dimensionar o tamanho da emoção, posso assegurar que o momento foi épico — o melhor presente de aniversário para meus 75 anos — comemorado com uma festa espiritual. Minha avó, que conviveu mais tempo comigo, me “olhava” com seus olhos miúdos e me acalmava. Segredamos juntos nossas orações e pedi-lhes a Bênção. Uma placa provisória, trazida pelo meu irmão Roberto, que me acompanhava também nessa missão, encimava o túmulo. Prometi para elas, e para mim mesmo, que não vou ficar mais tanto tempo afastado... se Deus quiser.

O calor do verão amazônico parecia selar meu juramento, como se o próprio sol fosse testemunha da promessa. A lembrança do meu pai, repousando no São Francisco Xavier, aguardava sua vez de ser visitada, mas naquele instante o destino e a fome nos chamavam para a casa do Roberto, meu anfitrião.

O almoço em família, simples e festivo, foi como prolongamento da oração feita no cemitério. À mesa, entre risos e histórias, percebi que a viagem não era somente uma jornada física programada: era celebração da vida, encontro de gerações, reafirmação de laços que resistem ao tempo. Cada garfada trazia o sabor da memória, e cada palavra trocada era bênção renovada de amor e fé. Roberto, Beatris e a juventude da filha, Sofia, 16 anos, foram fundamentais para que nos sentíssemos novamente no aconchego de um lar — e feliz aniversário!

 

Renato - no cemitério São Francisco Xavier

À tarde, presente ao túmulo de meu pai — sepultado com minha madrasta, Doroteia — a mesma fé devotada. O azul tênue do céu parecia guardar segredos, e a nuvem que se afastava com o vento carregava consigo minha angústia, como se fosse mensageira de um consolo invisível. Percebi que a fé que compartilhamos muitas vezes ainda nos unia em silêncio, cada um traduzindo a ausência à sua maneira.

Meu pai, mesmo ausente, deixava ali sua marca: um legado que me acompanha e se revela nas pequenas lições que a vida me ensinou quando ele estava presente e após sua partida. Era como se ele me dissesse, naquele momento, através do sopro do vento, que a paz não está em negar a dor, mas em aceitá-la como parte da caminhada.

segunda-feira, junho 29, 2026

DIA DE PEDRO RENATO MENDONÇA

 A festa foi mais que simples, se resumiu ao almoço caseiro. Meu irmão Pedro Renato, que colabora comigo neste espaço, completa hoje, dia de São Pedro, daí seu nome – 75 anos. A data foi marcante, apesar de ter iniciado com a esposa no Hospital Santa Julia, para atendimento ambulatorial; em seguida, o casal subiu a avenida em direção ao cemitério São João Batista. Então, fui ao seu encontro para visitar a sepultura de dona Francisca Pereira Lima, nossa saudosa mãe. Revisamos algumas lembranças, antigas visitas; listamos os mortos ali sepultados; e, após a oração filial e as velas acesas deixadas como registro da nossa presença, chegamos em minha casa para o almoço.

Renato e Roberto, hoje

Estou convicto de que foi um aniversário inesquecível, disse a ele, expressando meus votos de vida longa com saúde e crédito vastos.


domingo, novembro 02, 2025

DIA DOS FINADOS 2025

 Este Dia de Finados me traz recordações curiosas, porém como recorda o articulista - Renato Mendonça, antes havia uma sacralidade, a visita aos cemitérios, aos mortos era motivo de ganhar indulgências. Hoje, a preocupação é com o resultado do jogo de futebol e equivalências.

Sepultura no cemitério São Francisco, situado
no Morro da Liberdade - Manaus
 

DIA DE SAUDADES

02.11.2025                                                        Renato Mendonça

O dia de hoje, para a maioria dos cristãos, vem carregado de sentimentos. Antigamente, trazia no bojo uma certa sacralidade, recheado de emoções e lembranças de nossos entes queridos que “partiram”. São emoções profundas que nenhuma lógica humana consegue explicar. Um ar circunspecto, envolto em um mistério divino, acompanhava multidões aos cemitérios, aos jazigos ou aos espaços onde os finados deixaram suas marcas. Uma forma de reverenciá-los com gratidão.

Entretanto, a cada ano que passa por nós e nos abandona, confirma-se aquele velho adágio popular: “O pior da morte não é morrer, é ser esquecido”. Fazendo um contraponto com essa dialética da vida, devemos nos alicerçar em um pressuposto: aqueles que nos amaram e aqueles a quem amamos, não passam, jamais morrerão. A presença deles é inesquecível e faz parte do nosso ser e de nossa história.

A profundidade do mistério da vida nos é garantida pela imortalidade de Cristo, que vive em nossos corações e mentes. Ele, também, nos abastece de amor com argumentos místicos que se encerram numa fé profunda sobre o nosso porvir: "Eu sou a ressurreição e a vida; aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá" (Jo 11:25-26).

A morte de qualquer pessoa do nosso convívio nos faz pensar também na nossa, pois é inevitável. Esta realidade, ao invés de diminuir o sentido da vida, nos contextualiza dentro da lógica humana, para viver plenamente cada momento como se fosse a eternidade. Isso nos é oferecido pelo amor, pois só o amor nos eterniza.

O Dia de Finados, além de ser um momento de reflexão, é também um Dia de Saudades. Um dia de homenagem aos mortos e oportunidade de lembrar que nosso viver, aqui nesse plano físico, está confinado dentro de um espaço de tempo, dentro dos planos de Deus.

A Encíclica Gaudium et Spes nº 18 (Alegria e Esperança) nos oferece fundamentos filosóficos confortantes sobre a nossa condição humana: “Para qualquer pessoa que reflete, a fé dá-lhe uma resposta à sua angústia sobre a sorte futura. Ao mesmo tempo, oferece a possibilidade de comunicar-se, em Cristo, com os irmãos queridos já arrebatados pela morte, trazendo a esperança de que eles já tenham alcançado a verdadeira vida junto de Deus”.

Por uma questão de obviedade, sempre lembro de minha mãe, falecida prematuramente. Hoje, nesse dia especial, estendo a todos os nossos entes queridos essa lembrança. Deus os guarde à sombra de Sua proteção e à luz de Sua Face!

Amém.

quinta-feira, novembro 03, 2022

“CAMPO SANTO”, NÃO MAIS

 Ontem, como de hábito, depois do aconchego na sepultura familiar, circulei pelo São João Batista. Finalidade: encontrar sepulturas dos mais destacados, dos “santos”, dos amigos e parentes. Tem mais, ver as novas edificações. Aqui e ali o celular funciona, no modo máquina fotográfica.

Detalhes de SP no cemitério
São João Batista 

O detalhe mais significativo que me sucedeu foi o mausoléu com as gavetas protegidas por corrente e cadeado, que a foto demonstra. Explicação: os detalhes em metal incrustados na SP (sepultura perpétua) são facilmente removíveis, ou melhor, levados pelos ladrões. Como o delito não pode ser cometido pelos mortos, os suspeitos são os inúmeros trabalhadores presentes no “campo santo”. Sem qualquer controle, o campo perdeu há muito sua santidade.

Corrente e cadeado segurando
os "vivos" no S. Joao Batista

Logo me lembrei do acontecido na SP de minha família, a qual cuido. Os ladrões da casa surrupiaram a lousa que eu havia adquirido. O fato já serviu de postagem neste Blog, Veja link abaixo:

http://catadordepapeis.blogspot.com/2022/08/furto-no-cemiterio.html 

Hoje, lendo o matutino A Crítica, vejo que a ladroagem não acontece apenas no cemitério central. Também no cemitério Nossa Senhora Aparecida, localizado no bairro Tarumã, Zona Oeste de Manaus, consoante a denúncia explícita deste periódico. “No Dia de Finados, pai e filha descobrem que o túmulo da mãe foi saqueado em cemitério de Manaus. Acompanhada pelo pai, a estudante de enfermagem Juliana Lima encontrou a lápide da mãe totalmente roubada, deixando a sensação de dor e um prejuízo de mais de R$ 800.”

Foto de Clovis Miranda, em
A Crítica, de hoje

Aproveito para me dirigir à SEMULSP (Secretaria Municipal de Limpeza e Serviços Públicos), responsável pelos cemitérios da cidade: não se trata de poucos vigilantes, o roubo é realizado pelos executantes de obras no local. Posto que, sem controle adequado das SP, assim como das construções e reformas no local, que deveriam passar pelo crivo desta secretaria, e com a circulação de veículos sem qualquer registro, tudo pode acontecer. E como acontece!


quarta-feira, novembro 02, 2022

DIA DOS FINADOS

 Cumpri a tradicional visita aos cemitérios, hoje no Dia dos Finados. No cemitério São João Batista se encontram minhas avós, minha mãe e meu filho. No São Francisco, existente no Morro da Liberdade, estão meu pai e minha madrasta-mãe (mais mãe que...). O clima ajudou, pude sentar-me na sepultura e dialogar com a eternidade. Retirei-me mais rejuvenescido.

Escolhi uma das tantas cruzes marcantes no campo santo para ilustrar a postagem. A cruz e a vela bruxuleante.

A cruz e as velas no 
São João Batista

O texto abaixo pertence ao mano Renato que, ainda que distante, relembra com devoção os seus mais queridos.  

REFLEXÕES DO DIA DE FINADOS

 Renato Mendonça 

“Eu sou a Ressurreição e a Vida.

Quem crê em mim, ainda que morra, viverá.

E quem vive e crê em mim, jamais morrerá.” Jo (11,25-26).

“Quem come a minha carne e bebe o meu sangue,

tem vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia...” Jo (6, 54-55)

 

Este Dia de Finados, como em todos os anos, nos traz lembranças, sentimentos e emoções que nenhuma lógica humana é capaz de explicar. O clima diferente, que nos envolve, nos faz diminuir as palavras e aumentar nossos sentimentos de pesar, de perda e de tristeza.

Para quem nos amou muito, teve sua participação efetiva, tanto na nossa geração como na nossa criação e educação, e, se ainda os amamos tanto, essas almas merecem a nossa reverencia, nossa dedicação e memória. Creio que o pior da morte, visto pelo lado humano de quem ainda permanece entre nós, não é morrer — afinal somos finitos —, é ser esquecido, abandonado em túmulos e nem ao menos ser visitado nestes dias de dedicação aos mortos.

 Qualquer lógica doutrinária que tente nos afastar dessa homenagem, para o cumprimento de um dever meramente humano, não tem lógica, não tem respaldo a partir da fé em Jesus Cristo. A morte dos outros nos faz pensar na nossa, é inevitável. Mas, essa realidade cruel, não nos diminui o sentido da vida, pelo contrário, nos dá argumentos e fé para viver como se fosse a eternidade.

sábado, outubro 01, 2022

ROBERTO SOUZA MENDONÇA: MORTO EM 2006

 O dia de hoje me relembra, desafortunadamente, um drama familiar. Neste 1º de outubro, no qual se completam dezesseis anos, a despeito de atenuadas, as dores ainda ferem. Morreu Roberto Souza Mendonça, nascido em 1971, um dos meus herdeiros, em um domingo de eleições gerais. Detalhe: Lula se reelegeu presidente. Coincidência, amanhã na festa democrática o nome deste candidato volta ao noticiário. 


Este ano tomei a iniciativa de restaurar o mausoléu da família. A construção estava finalizando quando a lousa da sepultura foi furtada, de certo por algum vivo... bem vivo. Diante da inoperância da administração do São João Batista, renovei a peça.

Para relembrar o episódio, renovo a publicação de uma repetida foto, pessoalmente marcante sob diversos aspectos.

Sepultura no cemitério S João Batista Manaus


sábado, agosto 27, 2022

FURTO NO CEMITÉRIO

Bem que tentei, mas como não consegui registrar o BO por meio eletrônico aproveito este espaço para a denúncia. Trata-se do furto da lousa ou da tampa da sepultura da minha família, sob minha guarda existente no cemitério São João Batista.


Registro de outubro 21, concluída
a construção

Semana passada, ao visitar o túmulo fui surpreendido pela situação.

Registro de agosto 2022

Após fotografar a peça funerária fui à administradora que me recomendou o BO por meio da internet. Tentei, mas as eleições suspenderam a atividade em nível estadual, restando-me o site do Ministério da Justiça.

Então, depois de algumas tentativas, e diante de tantos detalhes obrigatórios, tal como a cor do denunciante ou informante, desisti. Mais prático foi buscar uma marmoraria ou estabelecimento semelhante para a confecção de nova lápide. Bom fugir dos prestadores de serviços existentes no interior deste “campo (não muito) santo”.

Estou convencido de que o furto não se trata de excepcionalidade, a administradora lamentou o fato, lembrando que esta prática segue em operação. Registro realizado, com o prejuízo consumado.

sábado, janeiro 01, 2022

CORONEL PM AMILCAR FERREIRA (1945-2022)

 A chuva da manhã deste primeiro dia do Ano prestava-se a restaurar os arroubos da noite anterior. Parecia. O primeiro telefonema recebido me abalou, pois trazia a informação da morte de um companheiro de farda: coronel Amílcar Ferreira da Silva.

Conheci o colega, oriundo do Colégio Estadual do Amazonas, no NPOR ainda no 27 BC, quando aos dezoito anos fomos cumprir o dever militar. Ele, o aluno 101, eu o 111. Nascido e criado na avenida Getúlio Vargas, Amílcar conhecia ao coronel Neper Alencar que, àquela ocasião, era o comandante da Polícia Militar estadual. Esse entrosamento possibilitou que a metade da turma de R/2 fosse incluída na PMAM em junho de 1966.

Dois ou três desistiram nos primeiros dias no quartel da Praça da Polícia, desse modo ficamos em sete (Osório, Amílcar, Carlos, Ruy, Okada, Roberto e Ilmar, pela ordem de precedência). Um ano depois, Carlos graduou-se em engenharia civil e foi cuidar do ramo, desistindo da corporação. Três foram a óbito: Ilmar Faria (1999), Odacy Okada (2021) e, nesta manhã, Amilcar Ferreira.

Os sete "samurais" (Osório, Carlos, Roberto,
Ruy, Okada, Ilmar e Amílcar, a partir da esq.)

Sobre ele cabe registrar: esteve no comando da Companhia de Rádio Patrulha (1976-77), em seguida, do 1º Batalhão (1979-81), depois a direção do CPC (Comando do Policiamento da Capital) entre 1985-89; enfim, após a gestão de repartições do comando, assumiu o Comando-Geral da corporação (1991-92), empossado pelo governador Gilberto Mestrinho.

Posse do coronel Amílcar, sob a
presidência do governador Mestrinho

Os cursos profissionais foram realizados nesta sequência: Psicotécnico Militar-CEP (1967); Aperfeiçoamento de Oficiais-PMGuanabara (1971); Superior de Polícia-PMRS (1977). Ainda nesse ano pode concluir o bacharelado em Economia-Ufam. Outras atividades extra corporação: Diretor da Cosama (1983) e Assistente Militar da Assembleia Legislativa (1992).

Coronel Amílcar foi um homem competente nos termos da Força Estadual, apesar de bem-nascido sempre esteve ao lado dos colegas para obtenção de melhores soldos. Integrava com agrado o almoço dos coronéis reformados, que intitulei de AVC (Associação dos Velhos Coronéis), sendo o primeiro a comparecer. Enfim, a chuva da manhã trouxe a infausta notícia, e a chuva vespertina à hora do sepultamento reforçou a dolente despedida. Até a eternidade!

Sepultamento do coronel Amílcar no jazigo familiar, no
cemitério São João Batista


terça-feira, novembro 02, 2021

DIA DOS FINADOS (1)

 

Detalhe da capela, apontado pelo anjo,
no cemitério de São João.

REFLEXÕES DO DIA DE FINADOS

“Eu sou a Ressurreição e a Vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá. 

E quem vive e crê em mim, jamais morrerá.” Jo (11:25-26).

“Quem come a minha carne e bebe o meu sangue, tem vida eterna,

 e eu o ressuscitarei no último dia...” Jo (6: 54-55)

 

Este Dia de Finados, como em todos os anos, nos traz lembranças, sentimentos e emoções que nenhuma lógica humana é capaz de explicar. O clima diferente, que nos envolve, nos faz diminuir as palavras e aumentar nossos sentimentos de pesar, de perda e de tristeza.

Para quem nos amou muito, teve sua participação efetiva, tanto na nossa geração como na nossa criação e educação, e, se ainda os amamos tanto, essas almas merecem a nossa reverencia, nossa dedicação e memória.

Creio que o pior da morte, visto pelo lado humano de quem ainda permanece entre nós, não é morrer — afinal somos finitos —, é ser esquecido, abandonado em túmulos e nem ao menos ser visitado nestes dias de dedicação aos mortos. Qualquer lógica doutrinária que tente nos afastar dessa homenagem, para o cumprimento de um dever meramente humano, não tem lógica, não tem respaldo a partir da fé em Jesus Cristo.

A morte dos outros nos faz pensar na nossa, é inevitável. Mas, essa realidade cruel, não nos diminui o sentido da vida, pelo contrário, nos dá argumentos e fé para viver plenamente cada momento, como se fosse a eternidade.


Texto produzido pelo Renato Mendonça 

 

domingo, outubro 31, 2021

DIA DOS FINADOS (3)

Ainda ontem, as voltas com um resfriado impertinente, recebi de meu irmão Renato o soneto que compartilho. De outro modo, parei devido o estado de saúde a recuperação do jazigo (pode ser sepultura) da família LIMA MENDONÇA, situado no cemitério de São João Batista. Mas já foi um passo bem largo. 

De forma que o soneto Esperança tem a ver com o Dia de Finados, que se apresenta. 


A Esperança

Renato Mendonça 29.10.2021

 

Quem só espera, nunca alcança.

Isso é para os fracos, sem coragem.

Há que se adotar sempre a perseverança,

Para conseguir objetivos nessa dura viagem.

A esperança nunca morre! É uma eterna criança,

Que deseja uma rica prenda, feito uma miragem.

Ou um delírio que lhe traga almejada bonança.

Mas, é preciso força e fé para mudar essa imagem.

         Quando se fazemos adultos, não existe esse rito.

Vivemos apenas o agora, o momento fútil,

Tentando se desvencilhar do falso mito.

                 É preciso deixar Jesus reger nossa dança ao infinito,

        Para se chegar ao ápice do amor, o caminho fértil e útil;

        E se doar, servir ao nosso semelhante, como nos foi dito. 


Flores do cerrado em torno de Brasília



quarta-feira, julho 07, 2021

CEMITÉRIO SÃO JOÃO: TÚMULO DO BARÃO DE SANT'ANNA NERY

 Agradeço a cordialidade do amigo Fábio Augusto em permitir a reprodução de seu trabalho sobre o barão de Sant'Ana Nery, um dos ilustres ocupantes do cemitério São João Batista.

O túmulo de Frederico José de Sant'Anna Nery, o Barão de Sant'Anna Nery (1848-1901), está localizado no quadro 02 do Cemitério de São João Batista, também conhecido como Quadra da Santa Casa de Misericórdia, em Manaus.

 

Túmulo do Barão de Sant'Anna Nery. 

Foto: Fábio Augusto, 2019.

Frederico José de Sant' Anna Nery, nascido em Belém, então capital da Província do Grão-Pará, em 28 de maio de 1848, foi um dos maiores propagandistas do Império brasileiro - principalmente da região Amazônica - na Europa. Vivendo seus primeiros anos entre Belém e Manaus, viaja para a França ainda na adolescência, posteriormente estabelecendo nesse país, onde fez os cursos de Letras e Ciências. Graduou-se em Direito pela Faculdade de Roma, na Itália. Membro da poderosa família Nery, era filho do major Silvério Nery e Maria Antony Nery. Foram seus irmãos Silvério José Nery, Constantino Nery e Márcio Nery, entre outros.

De acordo com o professor e historiador Agnello Bittencourt, em seu Dicionário Amazonense de Biografias (Rio: Editora Conquista, 1973), ele recebeu o título de barão do Papa Leão XIII (1810-1903) por sua defesa da fé Católica.

Intelectual de renome, foi jornalista, correspondente e membro de várias instituições científicas europeias e brasileiras, preocupado sempre com a divulgação das riquezas, da cultura e dos potenciais do Império. São de sua autoria os livros 'Le pays des Amazones' (1885), 'Folklore Brésilien' (1889), 'Le Bresil en 1889' (1889), 'L' émigration et immigration pendant les dernieres annes' (1892) e "Aux États Unis du Brésil' (1898).

Faleceu em Paris em 03 de junho de 1901. Seus restos mortais foram transladados para Manaus no vapor italiano Colombo, sendo sepultados no Cemitério de São João Batista em 11 de outubro (Mensagem do Governo do Estado do Amazonas, Estatística Mortuária, 2° semestre do ano de 1901, 10/07/1902). Seu túmulo, bastante simples, uma campa tumular com uma cruz em alto relevo, encontra-se bastante deteriorado, sendo impossível ler o epitáfio.

Frederico José de Sant'Anna Nery (1848-1901). 

Fonte: Le pays des Amazones (1885)/Biblioteca Brasiliana 

Guita e José Mindlin.


terça-feira, junho 29, 2021

VILLEROY - 1º GOVERNADOR DO AMAZONAS

A implantação administrativa do Estado do Amazonas, proclamada a República, foi um tanto esdrúxula. Não faltaram disputas de toda ordem, as políticas e as militares foram as mais destacadas, em algumas ocasiões engajando as duas vertentes. Vou lembrar o primeiro governador e sua excêntrica substituição, porquanto Villeroy “desertou” deste ofício, segundo pode-se inferir dos documentos expostos, encerrados no Arquivo Público local.

Augusto Ximeno de Villeroy

Chamava-se Augusto Ximeno de Villeroy (1862-1942) e foi promovido a capitão da Força Terrestre tão logo assumiu a governança. Possuía 28 anos incompletos. Nomeado pelo general Deodoro da Fonseca, presidente do Brasil, frustrou aos políticos locais que se bateram pela queda imperial e, concomitante, pela primazia deste emprego. Villeroy assumiu nos primeiros dias de janeiro e se retirou do Paço da Intendência Municipal e do encargo no Dia de Finados de 1890. Segundo narravam os bondes da cidade, viajou para a Capital Federal a fim de acudir a esposa que se encontrava em Manaus gravemente enferma. Segundo se pode deduzir a partir do registro em monumento existente no cemitério São João, no Ossuário ali construído encontra-se o nome do filho de Villeroy. Terá a esposa dele desenvolvido alguma enfermidade, decorrente do parto e da morte do rebento, deveras grave que a obrigou a se retirar de Manaus?

Circular de 1º nov. 1890 

Ao se retirar de Manaus, o governador fez circular dois documentos: um endereçado aos Chefes de Repartições em 1º de novembro, “convidando-os e aos demais empregados para assistirem, no dia 2, às 10h, a posse do cidadão Dr. Eduardo Gonçalves Ribeiro para governador deste Estado.”

"Bilhete" de Villeroy para Eduardo 
Ribeiro, em 02 nov. 1890

O segundo, qual um bilhete, escrito de maneira apressada pelo próprio governador, visto as correções ali assacadas, o subscritor assegura que se retira de Manaus “para o Sul da República, com permissão do Governo Central”. Prosseguindo, informa que foi autorizado “em vista de telegrama recebido” daquele Poder. Assim, convida ao Dr. Eduardo Ribeiro para assumir a administração (em seguida, borra esta palavra, e a substitui por “fazenda(?)”) do Estado. Saúda o convidado com S. F. (Saúde e Fraternidade) e rubrica - A. X. de Villeroy.

O desenrolar desta história, já conhecemos.

domingo, janeiro 10, 2021

FOLHINHA DE JANEIRO [2]

Para relembrar o passado, recorro às efemérides manauaras. Que sirvam ao leitor. Morador do bairro de Educandos, utilizei bastante a ponte da “subusina” de eletricidade. E as catraias, idem. E mais, fui aluno do GE (hoje EE) Machado de Assis.


Foto conhecida do extinto cemitério de São José

 10 de janeiro

1888 – Empossado na presidência da Província, o coronel (do Exército) Francisco Antônio Pimenta Bueno, filho do visconde de São Vicente. Na mesma ocasião, assume o Comando das Armas da Província do Amazonas, o coronel Candido José da Costa.

1963 – Falece em Manaus, Abílio Damazo Nery, genitor de Paulo Pinto Nery, que foi prefeito de Manaus e governador do Amazonas.

 

11 de janeiro


1924 – Criado pelo decreto 1472, sancionado pelo governador Rego Monteiro, o Grupo Escolar Machado de Assis, ocupando o restante das instalações do Instituto dos Educandos Artífices, embrião do bairro.

1926 – A prefeitura de Manaus, mediante edital, convoca aos familiares e responsáveis por túmulos ainda existentes no cemitério de São José, a fim de proceder a exumação. Outros editais e convocações foram publicados, até o ano de 1931. No ano seguinte, foi concretizada a transferência, sob as expensas da municipalidade. Os despojos não reclamados, foram locados no Ossuário construído para este fim, localizado na Quadra Cinco.


Edital do cemitério S. João, em 1926

 

12 de janeiro


1929 – Iniciados os serviços de construção da ponte destinada a ligar o Centro, via bairro da Cachoeirinha, ao bairro de Educandos. O encarregado – Antônio Rodrigues Vianna Júnior, engenheiro civil e de minas, era também autor do projeto. Hoje desativada, a construção foi conservada para lembrar-nos do tempo em que o bairro de Educandos era uma “ilha”, socorrida pelas catraias.

1956 – Eleito pela sigla do Partido Social Democrático (PSD), Raimundo Perales assumiu a prefeitura de Itacoatiara.

terça-feira, maio 21, 2019

ÁLVARO MAIA – 50 ANOS DE MORTE (3)


Alvaro Maia

Em duas publicações (28 e 30 de abril passado) lembrei da morte de Álvaro Maia, acontecida há 50 anos. Para completar o serviço, recorro ao jornal A Crítica, do dia imediato, para observar o sepultamento do Tuxaua, que foi realizado no cemitério São João Batista, em 5 de maio de 1969. 

A morte do senador Álvaro Maia comoveu todo o povo amazonense que teve no "Tuxaua" o seu maior líder. O desaparecimento do maior homem público do Estado foi lamentado por todos, sem distinção de classe, credo político ou religioso. Do governador do Estado ao mais simples cidadão, uniram-se os amazonenses para o último adeus.


CHORO DO COVEIRO
O coveiro João Lopes derramou lágrimas de dor sobre a sepultura perpétua n° 34.634, quadra 8, da família Botelho Maia, situada bem atrás do jazigo perpétuo da família Plínio Coelho, ao enfiar a enxada no barro mole juntamente com os coveiros Jardelino Sampaio e Hermeneglido Nazaré Ligeiro.
Todos estavam silenciosos e os instrumentos batiam seca e vagarosamente na terra, numa operação que se iniciou às 8 horas da manhã e terminou às 11 horas. Enquanto cavavam a sepultura, os coveiros comentavam em voz baixa a vida de Álvaro Maia, havendo João declarado: “Era um grande homem. Eu tenho até desgosto em cavar sua sepultura”.
Cliche do Jornal do Commercio, 6 maio 1969
 Presentes, o governador Danilo Matos Areosa, general Edmundo Costa Neves, secretários de Estado, representante da Assembleia Legislativa e o arcebispo de Manaus, Dom João de Sousa Lima, além de alunos fardados do Colégio Estadual do Amazonas e Colégio Dom Bosco.
A Marcha fúnebre número 1, de Orestes Ribeiro foi tocada pela Banda de Música da Polícia Militar, sob o comando do mestre de banda Tenente [Raimundo] Bezerra, ao transpor o carro que conduzia o caixão pela porta do cemitério São João Batista -- lado da rua Belém. A sirene do carro da DET passou a tocar em ritmo compassado.

SEPULTAMENTO E DISCURSOS
O corpo do ex-interventor e ex-governador do Amazonas baixou à sepultura ao som da Marcha Fúnebre n° 2, executada pela Banda da PM. Populares choravam emocionados, e o coveiro João Lopes puxava os cabelos em estado de desespero.

Vários oradores prestaram a última homenagem ao senador. (...) Frisando ser o orador oficial do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), o padre Nonato Pinheiro esclareceu que "a pulcritude crepuscular de Álvaro Botelho Maia sempre o projetou: ele era como o sândalo que perfuma o machado que o fere. Aos seus inimigos, respondia com a bondade, o que marcou trânsito fascinante da sua passagem da vida para a alvorada da História". 
Capela e cruzeiro do cemitério 
Finalmente, o universitário Fábio Lucena Bittencourt, falando em nome do corpo discente da Faculdade de Direito, manifestou a expressão de reconhecimento das gerações do pós-guerra a todos que, como Álvaro Maia, jamais conspurcaram o Direito no exercício do Poder.  O jovem orador pediu a Álvaro Maia que implorasse a Jesus pelos pobres e oprimidos que morrem na sarjeta “assassinados pela fome, pela dor e pelo sofrimento”.
LUTO OFICIAL
Nas primeiras horas da manhã de ontem, o governador Danilo Areosa decretou luto oficial por três dias, determinando que fossem prestadas honras de Chefe de Estado ao falecido senador Álvaro Maia. 

domingo, novembro 04, 2018

CEMITÉRIO SÃO JOÃO: MANAUS


Creio que as fotos aqui postadas, efetuadas pelo drone do Darlan Leite, no Dia de Finados passado, constituem as primeiras tomadas por este dispositivo deste “campo santo” e, ainda, publicadas em uma rede social.