CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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terça-feira, junho 29, 2021

VILLEROY - 1º GOVERNADOR DO AMAZONAS

A implantação administrativa do Estado do Amazonas, proclamada a República, foi um tanto esdrúxula. Não faltaram disputas de toda ordem, as políticas e as militares foram as mais destacadas, em algumas ocasiões engajando as duas vertentes. Vou lembrar o primeiro governador e sua excêntrica substituição, porquanto Villeroy “desertou” deste ofício, segundo pode-se inferir dos documentos expostos, encerrados no Arquivo Público local.

Augusto Ximeno de Villeroy

Chamava-se Augusto Ximeno de Villeroy (1862-1942) e foi promovido a capitão da Força Terrestre tão logo assumiu a governança. Possuía 28 anos incompletos. Nomeado pelo general Deodoro da Fonseca, presidente do Brasil, frustrou aos políticos locais que se bateram pela queda imperial e, concomitante, pela primazia deste emprego. Villeroy assumiu nos primeiros dias de janeiro e se retirou do Paço da Intendência Municipal e do encargo no Dia de Finados de 1890. Segundo narravam os bondes da cidade, viajou para a Capital Federal a fim de acudir a esposa que se encontrava em Manaus gravemente enferma. Segundo se pode deduzir a partir do registro em monumento existente no cemitério São João, no Ossuário ali construído encontra-se o nome do filho de Villeroy. Terá a esposa dele desenvolvido alguma enfermidade, decorrente do parto e da morte do rebento, deveras grave que a obrigou a se retirar de Manaus?

Circular de 1º nov. 1890 

Ao se retirar de Manaus, o governador fez circular dois documentos: um endereçado aos Chefes de Repartições em 1º de novembro, “convidando-os e aos demais empregados para assistirem, no dia 2, às 10h, a posse do cidadão Dr. Eduardo Gonçalves Ribeiro para governador deste Estado.”

"Bilhete" de Villeroy para Eduardo 
Ribeiro, em 02 nov. 1890

O segundo, qual um bilhete, escrito de maneira apressada pelo próprio governador, visto as correções ali assacadas, o subscritor assegura que se retira de Manaus “para o Sul da República, com permissão do Governo Central”. Prosseguindo, informa que foi autorizado “em vista de telegrama recebido” daquele Poder. Assim, convida ao Dr. Eduardo Ribeiro para assumir a administração (em seguida, borra esta palavra, e a substitui por “fazenda(?)”) do Estado. Saúda o convidado com S. F. (Saúde e Fraternidade) e rubrica - A. X. de Villeroy.

O desenrolar desta história, já conhecemos.

terça-feira, junho 15, 2021

PMAM - DOCUMENTO DE SUA HISTÓRIA

 A implantação do Estado Federado do Amazonas ocorreu com a posse do governador nomeado pelo Governo Central: tenente EB Augusto Ximeno de Villeroy. Que, empossado nos primeiros dias de janeiro, deixou o governo em 2 de novembro de 1890.

Formulário do Batalhão de Polícia

Coube-lhe promover a primeira reformulação da atual Polícia Militar do Amazonas (PMAM), ocasião em que nomeou ao tenente EB José Carlos da Silva Telles, como tenente-coronel comandante desta Força (1890-91). Não posso afirmar que Silva Telles já se encontrava servindo em Manaus ou se fez parte do comboio de Villeroy desde a Capital Federal. 

Destinatário e a assinatura do remetente

Contudo, quando Villeroy escapou de Manaus, em novembro, passando o governo ao secretário de governo, Eduardo Gonçalves Ribeiro, outro tenente EB, o mencionado comandante foi mantido. É dele o documento aqui compartilhado, no qual manifesta sua alegria. Mais adiante, quando major, Silva Telles comandou a Polícia Militar de São Paulo (1894-97). 

ESTADO FEDERADO DO AMAZONAS

Secretaria do Batalhão de Polícia, Manaus, 5 de novembro de 1890

Nº 247

Acuso a recepção de vossa circular datada de 2 do corrente mês, na qual me comunicou ter assumido a administração deste Estado. 

Tenho a dizer-vos que fiquei bastante satisfeito em ter tido esta agradável notícia, pelo que vos ofereço os serviços que estiver em meu alcance. 

Saúde e Fraternidade

Cidadão Tenente Doutor Eduardo Gonçalves Ribeiro, Governador deste Estado 

José Carlos da Silva Telles 

tenente-coronel comandante

 

segunda-feira, dezembro 23, 2019

CURSO DE TÉCNICA DE ENSINO: 40 ANOS


Há 40 anos conclui com êxito este curso, realizado no CEP (Centro de Estudos de Pessoal) do Exército, localizado junto ao Forte São João, no Rio Janeiro. A cerimônia de diplomação bem antes do Natal.
Major Roberto, na formatura
Disse-me exitoso, pois fui bem classificado entre os quarenta alunos: das Forças Armadas, de diversas Polícias Militares do país, e dois estrangeiros (Equador e Venezuela). A relação vai abaixo reproduzida, a mesma que orna os pátios daquele estabelecimento de ensino militar.
Intentei, empregando a Internet, alcançar alguns dos diplomados. Alcancei somente dois, um deles o venezuelano. Em janeiro passado, visitei a Escola e tudo quanto consegui foi a foto do painel. Ao tempo do curso, não me interessava com denodo sobre a história do Amazonas, como ora me dedico, de forma que perdi a ocasião de “entrevistar” um descendente de nosso primeiro governador: Augusto Ximeno de Villeroy (1890). Tratava-se do tenente-coronel Ney Correa de Villeroy, o xerife da turma.
Outra feliz lembrança me ocorre: a presença do major Manoel da Penha Alves, que foi comandante do Colégio Militar de Manaus. Outro colega: major Zamir Meis Veloso, que atingiu o generalato, e pode estar comemorando este quadragésimo aniversário. Ainda outro, major PMMT Benedito Ferreira Filho, moreno, bom jogador de futebol, com quem mantive franca amizade. Talvez o primeiro da turma a falecer (não lembro o ano, somente que fui surpreendido por um telefonema da viúva). Mais outra notícia fúnebre: Mardonio morreu, e foi homenageado com a rua Coronel Mardônio Cajuaz, Gurupi - Teresina (PI) - CEP 64091220.
Alguns “solteiros” foram alojados no 2º Batalhão da PMERJ, situado na rua São Clemente, em Botafogo. Além de mim e do mato-grossense citado acima, o major PMMG José de Andrade e o capitão PMESP João de Paula Ferreira Filho.
Não esqueço do mais recruta: o capitão PMRN Cláudio Ferreira da Silva, exímio desenhista, pois, com que capacidade efetuou diversas caricaturas do pessoal, expostas a cada semana em quadro próprio. Em uma delas, fui protagonista. Razão: jogando futebol, acertei com um chute o meio-fio, resultado: o pé direito foi para o estaleiro. Cláudio identificou-me por um jacaré de “pé” engessado.
Enfim, encerrado o curso, dirigi-me a Santos (SP), onde morava a família paterna. Ali tomei uma decisão quase suicida: retornar de carro para Manaus. Havia duas opções, ou em direção a Belém (PA), ou a Cuiabá (MT), pela qual optei, e me dei mal. Pois, a rodovia Cuiabá-Porto Velho estava impraticável. Consegui, ao lado de irmãos, chegar a Manaus, porém, isso é outra “aventura” no ano novo de 1980.

Relação dos alunos, por ordem de antiguidade, iniciando com os oficiais do Exército, passando pelos estrangeiros, e finalizando com os policiais militares: 

Alunos em sala de aula
Tenente-coronel Cav Ney Correa de Villeroy
Major Inf Frederico Guilherme de Senna Santos
Major Inf Wilson Wornicow
Major Art João Belem de Holanda
Major Art Carlos Nelson Sá Pinheiro  
Major Inf Manoel da Penha Alves  
Major Inf Paulo Cesar Silva Resende  
Major Inf José Carlos João  
Major Inf Zamir Meis Veloso  
Major Art Ramón Eduardo Montiel Colina (Venezuela)
Capitão Art Alfredo Segundo Fiallos Gonzalez (Equador)
Capitão Aer José Britto De Souza (Aeronáutica)  
Major PM/PE Carlos Marques de Sá
Major PM/AM Manoel Roberto Lima Mendonça
Major PM/BA Antonio Carlos Bastos Pita
Major PM/MT Benedito Ferreira Filho
Major PM/CE José Lyra Bastos
Major PM/MG José de Andrade

Capitão PM/SP João de Paula Ferreira Filho
Capitão PM/PI José Mardonio Lima Cajuaz
Capitão PM/RN Claudio Ferreira da Silva


quinta-feira, maio 31, 2018

AUGUSTO XIMENO DE VILLEROY

Ximeno de Villeroy
Trata-se do primeiro governador republicano do Amazonas, cujo mandato foi imposto pelo Governo Provisório do marechal Deodoro. Permaneceu onze meses na direção do Estado, apesar da disputa política com os oligarcas provinciais, consolidou algumas iniciativas.
É considerado o fundador do município de Boa Vista, em nossos dias a capital de Roraima. Em sua homenagem, a cidade mantém seu sobrenome em destacada avenida.
Coube a ele destinar o então Palacete da Assembleia à Força Estadual, a qual, em março de 1890 o ocupou e o deixou em 2002. Na atualidade, o Palacete Provincial.

A situação do país me fez resgatar essa anotação, pois me parece bem atualizada. 
É de autoria de Suely Robles (*), que escreveu a respeito deste governador: "O positivista Ximeno de Villeroy encararia o jacobinismo com maior simpatia. Este militar contemporâneo dos acontecimentos do 15 de novembro escreveu nos anos 20 uma biografia sobre Benjamin Constant.(**) Desencantado com a República que ele ajudara a fazer, partilhava com os jacobinos o desdém pelo Legislativo, esse 'trambolho inteiramente inútil e dispendioso', que não passa 'de um quisto enxertado no organismo político; e não tendo função a desempenhar ficou reduzido ao molambo que aí está, exposto ao desprezo público'. Lamentável também que as Forças Armadas fossem obrigadas frequentemente a intervir na política, mas de quem era a culpa? Do 'imoral predomínio dessa casta de politiqueiros profissionais que fez da política a arte de bater moeda..." 
__________
(*) Queiroz, Suely Robles de. Os Radicais da República. Jacobinismo: ideologia e ação - 1893-1897. Rio: Brasiliense, 1986.
(**) Villeroy, A. Ximeno. Benjamin Constant e a política republicana. Rio: s/ed, 1928

quinta-feira, janeiro 27, 2011

POLÍCIA MILITAR DO AMAZONAS: CINQUENTENÁRIO (4)

A quarta parte dessa retrospectiva, de autoria do saudoso J. B. Faria e Souza, publicado no Diário Oficial do Estado, em 3 de maio de 1926, prossegue descrevendo as atividades policiais até o embarque da tropa amazonense contra Canudos, em 1897.

Em 13 de janeiro de 1890, foi nomeado o 1° tenente de artilharia José Carlos da Silva Telles para exercer inteiramente o cargo de comandante do Batalhão de Polícia do Estado com a patente de tenente coronel. É ele hoje oficial superior reformado do nosso Exército. Foi comandante geral da Força Pública do Estado de S. Paulo e, durante muitos anos, dirigiu a Recebedoria de Rendas, em Santos.

A 21 de março, o Batalhão de Polícia mudou-se para o pavimento térreo do próprio do Estado, onde funcionava o Tesouro, sito à Praça 28 de Setembro, hoje da Constituição, [em nossos dias, Heliodoro Balbi] onde ainda se acha [afastado em 2002].
Em 1° de setembro, pelo decreto n° 57, foi aumentado o número de oficiais do Batalhão de Polícia e, pelo decreto n° 58, autorizado o comandante a organizar a 3ª companhia do respectivo batalhão.
Facsimile da assinatura do governador Ximeno de Villeroy
A 24 de outubro foi também autorizado a contratar 15 músicos e um mestre para exclusivamente ensaiar e comparecer completamente fardados em qualquer formatura e tocata que fosse determinado.
O batalhão foi dotado de uma bandeira [nacional ou estadual?] de seda, fornecida a pedido do respectivo comandante, pelos comerciantes M. J. da Costa e Silva & Cia., de Belém, e fabricada na Capital Federal.
Essa bandeira esteve por alguns dias exposta na loja Flora, do Sr. Bernardo Ramos, a rua Municipal, hoje avenida 7 de Setembro, onde está atualmente o belo estabelecimento Au Bon Marché.

A 6 de maio de 1891 foi nomeado o tenente do 36° batalhão de infantaria Raymundo de Amorim Figueira para comandar, em comissão, o Batalhão de Polícia. No mesmo ano, a 10 de setembro, foi dispensado, a pedido, do comandando o tenente Amorim Figueira.
Assumiu o comando o capitão João Francisco do Espírito Santo que, a 18 do mesmo mês, passou ao major Ismael César Paes Barreto.
Por ato de 26 de novembro foi nomeado o alferes do 36° batalhão João de Deus Moreira de Carvalho para servir, em comissão, o cargo de comandante.


Pelo decreto n° 15, de 5 de janeiro de 1892, a força pública do Estado ficou composta:

1. de um batalhão militar de polícia;
2.
de uma companhia de bombeiros;
3. 
de guardas locais nos municípios.
Pelo decreto n° 19, de 31 de maio, foi dado regulamento ao Batalhão Militar de Polícia, que ficou com quatro companhias e um piquete de cavalaria, montado por praças do mesmo batalhão.
Eduardo Ribeiro, governador
1892-1896

A 6 de agosto, foi aprovado o termo de contrato assinado pelo cidadão Cincinato Ferreira de Sousa para dirigir a Banda de Música do batalhão.

A 8 do mesmo mês, o major Raymundo Afonso de Carvalho assumiu o respectivo comando.
Em 1893, a 25 de agosto, a Força Pública do Estado foi fixada em 832 homens, inclusive os oficiais, distribuídos em um batalhão de infantaria, um esquadrão de cavalaria e um corpo de bombeiros. Foi criado o posto de coronel comandante geral.
O major Afonso de Carvalho, promovido a tenente coronel em 13 de outubro, continuou no comando do batalhão.
Por ato de 10 de agosto de 1894 foi exonerado Amorim Figueira do cargo de comandante geral da Força Pública.
Em 23 de julho de 1895, a força pública do Estado foi fixada em 963 homens, inclusive oficiais, distribuídos em um batalhão de infantaria, um esquadrão de cavalaria e um corpo de bombeiros. O comando do batalhão passou a ser dirigido por um coronel.

Para o exercício de 1896-97, a força pública foi fixada em 968 homens, inclusive os oficiais, distribuídos em um Regimento de dois batalhões de infantaria, um Corpo de Bombeiros e um piquete de cavalaria. Na força do Estado foi criado o lugar de médico com a graduação de capitão.

Por ato de 23 de julho, foi nomeado o capitão do Exército Pedro Henrique Cordeiro Junior para, em comissão, exercer o cargo de coronel comandante do Regimento. Assumiu o comando a 1° de agosto quando deixou o comando do batalhão o coronel Raymundo Afonso de Carvalho, que esteve, por mais de quatro anos, a frente das Forças do Estado.

Até essa época os batalhões se achavam armados a Comblain e o corpo de bombeiros à Winchester. A cargo do 1° batalhão de infantaria existia um parque de artilharia, que se compunha de três canhões de tiro rápido e quatro metralhadoras (Maxin).

A 13 de maio de 1897 foi inaugurado o quartel do Corpo de Bombeiros, à rua Joaquim Sarmento.

Quartel dos bombeiros, a rua Joaquim Sarmento (à dir.),
Teatro Amazonas (ao fundo)
Tomada atual, onde se encontra o supermercado DB

Outra visão do quartel dos Bombeiros, na rua Joaquim Sarmento,
ao fundo, a torre da Matriz
A 1° de março, foi novamente nomeado o tenente Raymundo de Amorim Figueira para, em comissão, exercer o cargo de comandante do batalhão.

quarta-feira, janeiro 26, 2011

POLÍCIA MILITAR DO AMAZONAS: CINQUENTENÁRIO (3)

Capitão Ferraz, autor da lei
que instala a PMAM, 1876
Esclareço que a foto postada pertence ao capitão Ferraz. Enquanto a data de 3 de maio de 1876 era festejada na PM do Amazonas, também o capitão recebia as homenagens, por sido o autor da lei que reinstalava a Guarda Policial. A mudança de data cassou-lhe a patente honorária da PM.
  
Pelo Regulamento n° 57, de 26 de agosto de 1887, a Guarda Policial passou a denominar-se Corpo Policial do Amazonas.

A Força Policial para o ano de 1888 foi fixada em 11 oficiais e 187 praças de pré, que formavam um corpo com duas companhias e era comandada por oficial com a graduação de major. Em 1889, ficou a mesma fixada para 1888: 11 oficiais e 187 praças de pré.

Foram comandantes da Polícia de 1876 a 1889:
Nome e data de posse

1. Severino Eusébio Cordeiro (2 maio 1876);
2. José Leonidio Guedes (14 ago. 1877;
3. Silvério José Nery, major ref. (19 fev. 1878);

4. Manoel Geraldo do Carmo Barros, tenente-coronel ref. (2 dez.1878);
5. João José de Aguiar (19 maio 1880);
6. João Manoel Dias (9 mar. 1882);
7.
Francisco Antonio Nepomuceno (19 jul. 1884);
8.
Miguel Victor de Andrade Figueira, capitão ref. (26 set. 1885);
9.
Antonio Tertuliano da Silva Melo, capitão EB (7 set. 1887);
10.
José Pereira da Rocha Filgueiras – (12 set. 1889).
Ao senhor major José Pereira da Rocha Filgueiras, comandante do Corpo Policial. Concedendo o governador deste Estado a exoneração que do cargo de comandante da Guarda Policial pedira o major Rocha Filgueiras, Sua Exa. dirigiu ao demissionário o ofício que transcrevemos a seguir:
Palácio do Governo. Manaus, 13 de janeiro de 1890.
Comunico-vos que, por ato desta data, ficastes exonerado a vosso pedido do cargo de comandante desse corpo, nomeado para substituir-vos o 1° tenente José Carlos da Silva Telles.
Apraz-me nessa ocasião louvar-vos e agradecer-vos o auxílio que prestastes a este Governo no exercício das funções de vosso cargo, apesar do precário estado de saúde.
Saúde e fraternidade

A. Ximeno de Villeroy


NA REPÚBLICA

Com a Proclamação da República o governador do Estado, usando das atribuições que lhe foram conferidas pelo parágrafo 8°, do Decreto n° 7, de 20 de novembro de 1889, em 13 de janeiro de 1890 dissolveu o Corpo Policial deste Estado e criou um Batalhão de Polícia. Os soldados do corpo dissolvido deveriam completar o tempo de serviço a que se obrigaram no Batalhão de Polícia, com direito aos respectivos prêmios.

Relação dos oficiais do Batalhão de Polícia, ago.1890,
assinado pelo tenente-coronel Silva Telles
O Batalhão de Polícia deveria reger-se pelo regulamento em vigor no exército, até que fosse publicado o regulamento próprio do batalhão. O soldo, etapa, gratificação dos oficiais, inferiores e praças do Batalhão de Polícia eram pagos de conformidade com esta tabela:
Categorias Soldo Etapa Gratificação. Total

1 Tenente coronel comando 180$000 120$000 100$00 400$000

1 Major fiscal 130$000 90$000 80$000 300$000

4 Capitães (cada um) 100$000 60$000 40$000 200$000

4 Tenentes (cada um) 70$000 60$000 40$000 170$000

4 Alferes (cada um) 60$000 60$000 30$000 150$000

1 Alferes secretário 60$000 60$000 30$000 150$000

1 Alferes ajudante 60$000 60$000 30$000 150$000

1 Alferes quartel-mestre 60$000 60$000 30$000 150$000

1 Sargento ajudante 55$000 3$000 16$000 100$000

1 Sargento quartel-mestre 55$000 30$000 15$000 190$000

4 1º Sargentos (cada um) 50$000 30$000 10$000 90$000

8 2º Sargentos (cada um) 45$000 30$000 10$000 85$000

4 Furriéis (cada um) 40$000 30$000 10$000 80$000

48 Cabos (cada um) 30$000 30$000 10$000 70$000

292 Soldados (cada um) 30$000 30$000 60$000
1 Mestre de música 45$000 30$000 10$000 85$000
1 Corneta mor 45$000 30$000 10$000 85$000
15 Músicos (cada um) 30$000 30$000 60$000
8 Cornetas (cada um) 30$000 30$000 60$000

Nessa mesma data, foi nomeado o 1° tenente de artilharia José Carlos da Silva Telles para exercer inteiramente o cargo de comandante do Batalhão de Polícia do Estado com a patente de tenente coronel. É ele hoje oficial superior reformado do nosso Exército. Foi comandante geral da Força Pública do Estado de S. Paulo e, durante muitos anos, dirigiu a Recebedoria de Rendas, em Santos.

Rua Lauro Cavalcanti com av. Getúlio Vargas, Manaus,
início do século XIX

quinta-feira, outubro 14, 2010

MORTE DE EDUARDO RIBEIRO

Eduardo Ribeiro
Nessa data, há 110 anos, morria Eduardo Ribeiro, o primeiro governante do Amazonas a alcançar a fama. Cercado de segurança prestada por elementos da Polícia Militar, ele "conseguiu" suicidar-se. A fatalidade convulsionou Manaus, afinal, o morto desfrutava de prestígio e elevado reconhecimento público, quatro anos após deixar o Poder Executivo.

Mulato, nascido no Maranhão, graduou-se engenheiro militar e, nessa condição, desembarcou em Manaus. Registram seus biógrafos que essa transferência funcional ocorreu por "castigo", em virtude a preferência dela pela República. Durante décadas, o pessoal militar sabe bem, a região amazônica serviu de castigo para militares, seja por falta grave seja por péssima classificação escolar.

Grande ventura do tenente Ribeiro: a proclamação da República. O engajamento de militares no governo ensejou a presença de outros colegas no Amazonas. Esteve ao lado do primeiro governador republicano, tenente Ximeno de Villeroy que, ao deixar Manaus, deixou o subalterno na direção do governo.

No Amazonas, a consolidação da nova ordem no País fez-se com lutas. Já governador, Eduardo Ribeiro (alcunhado de O Pensador, em razão do jornal que dirigiu em São Luís) conseguiu sobrepujar os adversários, entre os quais os irmãos Silvério e Constantino Nery. Posteriormente, governadores do Amazonas e tidos como suspeitos pela morte do maranhense.


A morte encontrou Eduardo Ribeiro solteiro, sem família, residindo em sua chácara e, como sabido, cercado por segurança policial. Mas bastante enfermo, tratando-se da saúde mental, daí a explicação para a esdrúxula "causa mortis". Deixou grande fortuna. O inventário realizado pelas autoridades judiciárias contabiliza os valores, distribuídos em terrenos, imóveis, jóias e outros bens de menor peso. Abaixo, cópia da capa do processo.
O Doutor Emilio Bonifácio Ferreira de Almeida, Juiz Municipal de Órfãos, Ausentes e Interditos de Manaus, capital do estado do Amazonas, etc.

Havendo falecido hoje em sua chácara denominada Pensador, no bairro da Cachoeira Grande, desta cidade, o Doutor Eduardo Gonçalves Ribeiro, sem deixar herdeiros presentes, deixando, entretanto bens que devem ser devidamente acautelados, mando que o escrivão Nogueira, autuando este, intime os Doutores Curador Geral de Órfãos, Ausentes e Interditos e o Procurador Seccional da República, para o dia quinze do corrente, às nove horas no referido lugar, proceder-se à arrecadação e arrolamento de ditos bens, dos quais nomeia Curador o Doutor Amaro Carneiro Bezerra Cavalcanti, que também será intimado.


Manaus, 14 de outubro de 1900

Eu, Francisco Nogueira de Souza, escrivão, escrevi
a) Emilio Bonifácio Ferreira de Almeida

A documentação pertinente ainda se encontra nos arquivos do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas. Mas, apesar da abundância de objetos, nenhum subsistiu ao ataque dos “credores”. Em nossos dias, nada existe que tenha passado pelas mãos do “grande morto”.
Eduardo Ribeiro (busto) "admira" a esquina famosa
de Manaus: av Eduardo Ribeiro com Sete de Setembro


A Casa de Eduardo Ribeiro, inaugurada neste ano com belo ornamento, não possui qualquer lembrança do proprietário. Nela existem móveis de época, unicamente, adquiridos em antiquários fora de Manaus.

Não há uma biografia sobre o Pensador. Existem sim trabalhos parciais. O mais relevante – Negritude e Modernidade - pertence ao Governo do Amazonas, com texto do historiador Mário Ypiranga e outros colaboradores. Lembro o Dicionário Amazonense de Biografias, de Agnello Bittencourt. Ainda, preocuparam-se com as obras do morto mais que centenário: os acadêmicos Antonio Loureiro e Moacir Andrade, em texto jornalístico, e a historiadora Etelvina Garcia.

A morte de Eduardo Ribeiro segue envolvida em mistérios, embalada por opiniões disparatadas, e cada vez mais esquecida com o passar do tempo. Seu túmulo em área nobre do cemitério São João deixou de ser referência, no local, político morto mais jovem tomou-lhe o privilégio.

A Crítica. Manaus, março 1975
Tomara que seu nome continue batizando a avenida central de Manaus, a despeito de desprezada pela administração municipal; apesar de ter perdido a primazia para outras artérias, que hoje modernizam a Manaus sonhada, no distante final do século XIX, pelo maranhense Eduardo Ribeiro.


domingo, maio 16, 2010

BOMBEIROS DO AMAZONAS (IV)

NA REPÚBLICA

Dois inusitados episódios singularizam o alvorecer republicano no Amazonas. Um, a notícia da Proclamação da República que, conduzida por uma delegação de entusiastas paraenses, aportou em Manaus na tarde de 21 de novembro – uma semana depois da concretização do evento. Outro, a posse do primeiro Governador, Augusto Ximeno de Villeroy, tenente do Exército.
Ao tempo do movimento republicano, Villeroy servia na Capital Federal, em razão disso teve o privilégio de subscrever listas de solidariedade ao mestre Benjamin Constant. Vitoriosos os militares, seu adesismo foi recompensado com a nomeação para governar o Amazonas.


Empossado em 4 de janeiro de 1890, Villeroy efetua as mudanças possíveis; algumas atabalhoadas, outras em conformidade com o figurino federal. Na Segurança Pública, organiza a Força Policial do Estado, mas nada avança quanto ao serviço de combate ao fogo, que prossegue articulado como na Província.

Para comandar a Força, nomeia o capitão José Carlos Silva Telles, seu colega do Exército. Silva Telles ainda foi nomeado Superintendente (Prefeito) de Manaus. Transferido para São Paulo, passa a comandar o Corpo de Bombeiros e, em 1897, assume a direção da Força Pública comissionado coronel (foto).


Sem o necessário trato político para o cargo, Villeroy acaba por se desentender com os políticos locais. Em novembro, alegando doença da esposa, retorna ao Rio, sem antes armar uma grave questão sucessória.


Por bel-prazer, Villeroy investe Eduardo Gonçalves Ribeiro, o secretário de governo, no cargo de Governador. Em maio seguinte, Ribeiro é substituído pelo barão de Juruá (1835-1899); que, a seguir, passa o governo para Antonio Gomes Pimentel; que, em junho, devolve ao mesmo barão. Como se pode deduzir, era complicado administrar o Estado nos primeiros momentos republicanos. Mas, bem que o barão intentou, ao sancionar lei que organizava a força estadual, delineando a partir do art. 4.º a preocupação com o serviço de Bombeiros.


Lei n.º 4, de 21 de agosto de 1891
Organiza o Batalhão Militar de Polícia do Estado

Art. 1.º - A Força Pública do Amazonas compor-se-á do Batalhão Militar de Polícia, que constará de quatro companhias, contendo cada uma um capitão, um tenente, um alferes e noventa e nove praças de pré, a saber: um primeiro sargento, dois segundos ditos, um furriel, doze cabos, oitenta soldados, dois cornetas e um tambor. (...)

Art. 4.º - A Quarta Companhia denominar-se-á “Companhia de Bombeiros”, anexa ao referido Batalhão, obrigada a serviços policiais, somente nesta capital, enquanto não for desanexada, e aos especiais de extinção de incêndios.

Parágrafo único - Essa companhia compor-se-á de pessoal apto para o serviço a que é destinado, só podendo serem nomeados para ela oficiais convenientemente habilitados, ficando o Presidente do Estado autorizado a contratá-los.

Art. 5.º - Logo que as finanças do Estado comportem a desanexação da Companhia de Bombeiros, será organizada a Quarta Companhia do Batalhão de Polícia, com pessoal propriamente de polícia, regendo-se a de bombeiros pelo seu regulamento especial e assumindo o seu comando o respectivo capitão.

Art. 6.º - Fica o Presidente do Estado autorizado a prover a Companhia de Bombeiros do material indispensável para o serviço de extinção de incêndios, e regulamentar esse serviço, assim como a rever o regulamento do Batalhão de Polícia.

O aristocrático governante ainda persiste. Obtém licença do Congresso para construir “um quartel digno sob todas as formas para a tropa estadual“. E mais. Sem esquecer as acomodações para os Bombeiros e o imprescindível equipamento. Transformada em lei, tudo não passa de apreciável intento, devaneio. Porque, no mês seguinte, se encerrava o baronato de Guilherme José Moreira, seu nome de batismo.


Nos primeiros momentos do Estado, o serviço de extinção de incêndios persistia adotando a rudimentar cartilha provincial. Ou seja, observava as regras ditadas por Nuno Cardoso em 1876. Ainda não se completara o segundo aniversário da República e, talvez por essa tenra idade, os Bombeiros seguiam esquecidos.
O maior interesse dos políticos consistia em consolidar o poder no Estado. O barão de Juruá, embora conhecesse o encerramento de seu mandato-tampão, sanciona, por mera flanagem, a lei seguinte.

Lei n.º 7, de 27 de agosto de 1891.

Autoriza o Presidente do Estado a mandar construir um edifício para quartel do Batalhão de Polícia.

Art. 1.º - Fica o Presidente do Estado autorizado a mandar construir um edifício nas melhores condições higiênicas possíveis, com capacidade necessária para quartel do Batalhão de Polícia e com acomodações para residência do comandante e oficiais de serviço, devendo ser construídas no mesmo quartel, em lugar apropriado, baias para os cavalos do serviço do referido Batalhão, e um compartimento para receber o material da Companhia de Bombeiros, anexa ao mesmo Batalhão, para que esteja pronta e em ordem a sair ao primeiro sinal de incêndio, quando for necessário. (...)

Barão de Juruá - vice-presidente do Estado do Amazonas

Em 1.º de setembro, Gregório Thaumaturgo de Azevedo (1851-1949) assume a presidência do Amazonas. Tenente-coronel do Exército, graduado pela Faculdade de Direito do Recife (1902), é o primeiro governador eleito, em consonância com a renovação constitucional. Apesar dos pré-requisitos, não esquenta, todavia, a cadeira presidencial. Sua deposição ocorre em fevereiro de 1892.
Em resumo, o Corpo de Bombeiros seguia subordinado à Polícia Militar, ambos sem aquartelamento definitivo, ocupando prédios de terceiros. Apenas no governo de Eduardo Ribeiro (1892-96) é que seriam consolidadas. (segue)