CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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domingo, julho 19, 2026

ODE À MÃE FRANCISCA

 

Para recordar a data do falecimento de Mãe Francisca, o filho Renato compôs esta página, a qual me associo.

Em 18.07.2026 s
ão 74 anos de saudades!
 

  

Ó, Francisca, mãe querida,

1917 marcou teu nascer;

O céu te recebeu cedo demais,

Mas na terra ficou teu legado de amor.

 

Tu foste bravura e resignação,

Semeaste vida com gestos simples,

Mostraste caminhos com ternura,

Ensinaste fé com perseverança.

 

Na hora da partida, não houve desespero.

Houve entrega, confiança, esperança.

Partistes, deixando-nos órfãos de afago,

Mas nunca órfãos de amor.

 

Mãe, tu és presença invisível;

A energia que nos guia;

A fé que nos sustenta;

E a luz que não se apaga.

 

Seguiste o exemplo de Jesus,

Deixando-nos símbolos eternos:

Amor, dedicação, perseverança, resignação.

Sob imensa memória, seguimos teu conselho santo:

Fazer tudo quanto Ele ensinou,

Acolher tudo quanto Ele nos prover.

 

Francisca, estrela serena,

Em cada julho, teu nome renasce,

Em cada oração que rezo, tua voz ressoa,

Em cada cotidiano, tua essência permanece.


segunda-feira, junho 29, 2026

DIA DE PEDRO RENATO MENDONÇA

 A festa foi mais que simples, se resumiu ao almoço caseiro. Meu irmão Pedro Renato, que colabora comigo neste espaço, completa hoje, dia de São Pedro, daí seu nome – 75 anos. A data foi marcante, apesar de ter iniciado com a esposa no Hospital Santa Julia, para atendimento ambulatorial; em seguida, o casal subiu a avenida em direção ao cemitério São João Batista. Então, fui ao seu encontro para visitar a sepultura de dona Francisca Pereira Lima, nossa saudosa mãe. Revisamos algumas lembranças, antigas visitas; listamos os mortos ali sepultados; e, após a oração filial e as velas acesas deixadas como registro da nossa presença, chegamos em minha casa para o almoço.

Renato e Roberto, hoje

Estou convicto de que foi um aniversário inesquecível, disse a ele, expressando meus votos de vida longa com saúde e crédito vastos.


domingo, maio 10, 2026

DIA DAS MÃES

 O poema em homenagem ao Dia das Mães é do inesquecível padre Raimundo Nonato Pinheiro, escritor de destaque e dedicado cultivador da língua materna. Nascido nesse mesmo dia, em 1922, completaria agora 104 anos.
Lembro saudoso as Mães da família Mendonça/Mendoza, Francisca Pereira Lima (1917-52) e Doroteia Santos (1936-92), e abraço as Mães que, em nossos dias, impulsionam a nova geração.

Circulado em O Jornal, 29 julho 1962


segunda-feira, abril 27, 2026

EFEMÉRIDES AMAZONENSES

Em tantas iniciativas pessoais, intentei divulgar as efemérides amazonenses, ou seja, a compilação de datas sobre os acontecimentos estaduais que envolvam pessoas e entidades. Andei bastante, mas cansei e parei. Ontem, não sei que razão me levou a buscar os esquecidos apontamentos e me empolguei com o material recolhido. Hoje reproduzo uma parcela arquivada.

                                                    26 de abril

1876 – É sancionada pelo presidente Antônio dos Passos Miranda a lei 339, que cria a Guarda Policial do Amazonas, com efetivo de 73 homens, sendo “um comandante e seu auxiliar, três inferiores, seis cabos de esquadra, dois cornetas e 60 soldados”. O organismo policial destinava-se “a manter a ordem e a segurança pública na Província, e auxiliar a justiça”. Na verdade, era uma (re)criação da Guarda, visto que a primitiva de 1837, com a mesma nomenclatura, já desaparecera. Foi instalada em 4 de maio, sob o comando do tenente reformado do Exército Severino Eusebio Cordeiro, comissionado no posto de major.

1876 – Elevação do termo judiciário de Itacoatiara à denominação de Comarca, por força da lei 341, sancionada pelo presidente Antônio dos Passos Miranda.

1899 – Incorporada à tutela do governo a Academia de Belas Artes até então particular, consoante o decreto 324, sancionado pelo governador Ramalho Júnior. Esteve sob a direção do maestro Joaquim de Carvalho Franco. Extinta, todavia, em julho do ano seguinte. 

1936 – Toma posse no comando da Força Policial do Estado o tenente-coronel PM José Rodrigues Pessoa, na ocasião em que este organismo retorna efetivamente à atividade, após sua desativação em 1930, por decreto do Interventor Álvaro Maia.

27 de abril

1756 – Nasce na Bahia o naturalista Alexandre Rodrigues Ferreira, e falecido em Lisboa em 1815, que empreendeu longa expedição pela região amazônica, após o que escreveu o livro Viagem filosófica pelas Capitanias do Grão-Pará, Rio Negro, Mato Grosso e Cuiabá. Sua importância levou a várias edições, como a da Edições Governo do Amazonas. (foto)

Edição do Governo do Amazonas

1895 – Criado, por disposição da lei 118, sancionada pelo presidente estadual Eduardo Ribeiro, o município de Urucurituba, quando foi elevado à condição de vila, desmembrando-se de Silves e Urucará. Localiza-se no rio Solimões, e tem por padroeiro a São José Operário.

1916 – Faleceu aproximando-se de Lisboa (POR) no transatlântico que viajava à Europa em tratamento de saúde, o Dr. Lauro Batista Bittencourt. Nascido em Manaus, em 1853, logo após instalada a província do Amazonas. A formação superior foi realizada na Escola Politécnica do Rio de Janeiro, colando grau de engenheiro civil. De retorno a Manaus atuou durante o governo de Eduardo Ribeiro, deixando suas marcas em diversos empreendimentos, em especial como Diretor das Obras Públicas do Estado.

1940 – É criada a SNAPP (Serviço de Navegação e Administração do Porto do Pará), por decreto-lei federal 2.154, como sede na cidade de Belém (PA). Apesar de extinta em 21 nov.1966, foi substituída pela ENASA (Empresa de Navegação da Amazônia S/A), estatal criada em 10 fev.1967. 

28 abril

1917 – Nasceu no lago do Anveres, distrito do Careiro, Francisca Pereira Lima Mendonça, a filha mais nova de Vicente e Adelaide Lima. Mudou-se para Manaus para cuidar da mãe viúva acometida de grave doença. Aqui encontrou o marido Manuel Mendonça, com quem gerou três filhos, nesta ordem, Roberto (1946), Antonio (1948) e Renato Lima Mendonça (1951). Contudo, minha genitora faleceu em 1952, aos 35 anos de idade, vítima de tuberculose.    

1957 – Faleceu no Rio de Janeiro, o senador pelo Amazonas, Manuel Severiano Nunes, nascido em 1892. Exerceu diversas atividades administrativas no Amazonas, tendo sido prefeito de Itacoatiara, deputado estadual (135-37), deputado federal (1946-47) e senador. Fez seus estudos primários no Colégio Sete de Setembro e Lauro Cavalcanti; Ginásio amazonense, Faculdade de Medicina da Bahia (incompleto), enfim, a Faculdade de Direito do Amazonas (1913). Seu nome denomina a Escola Estadual situada no bairro de Alvorada 2.

1989 – Assume o comando do VII COMAR, o major-brigadeiro-do-ar Luís Antônio Martins Leomil. Seu comando estendeu-se até 17 dez.1990.

1993 – Inaugurado o busto do empresário Adelino Pereira da Silva no jardim principal da Beneficente Portuguesa. Nascido no distrito de Vizeu, em Portugal, e falecido em Manaus, no mesmo hospital e na mesma data do ano anterior.

segunda-feira, abril 20, 2026

MEUS OITENTANOS (2)

No início dos anos 1950, a travessia entre Manaus e a então Capital Federal, Rio de Janeiro, era uma epopeia de vinte a trinta dias. Aos três anos, o convés imenso do navio Almirante Alexandrino se abria diante de mim como um parque encantado, cheio de redes penduradas, embora sempre vigiado pelo olhar atento de Luzia, nossa babá, já que minha mãe, Francisca, dedicava seus cuidados ao meu irmão mais novo, auxiliada pela sogra, a vovó Victoria. O espaço físico era vasto, mas o que se gravou em minha memória foi o aroma da comida — tão diferente do que se servia em nossa casa — e o espetáculo dos portos em construção no Nordeste. Em alguns trechos, animais marinhos escoltavam o navio, como se fossem guardiões de Netuno, atraídos pelos restos de alimento lançados ao mar.

Foto da família informando 
a viagem ao Rio - 1950 -
Roberto, em pé, diante do genitor

A longa jornada trouxe também o inesperado: Luzia encontrou no navio o seu par. O namoro com um tripulante floresceu durante a viagem e, ao desembarcar, se transformaria em compromisso de casamento. Resolveram fixar residência na então Capital Federal. Porém, deduzo que esse relacionamento contribuiu para melhorar a situação de acomodação da família na embarcação, pois viajávamos em terceira classe.

Em meados de abril de 1950, finalmente desembarcamos. O tio Francisco, irmão de meu pai, nos acolheu em Irajá, num puxadinho contíguo à sua casa na rua Cláudio da Costa. Mas o modelo e a estrutura familiar ali encontrados pouco favoreceram nossa convivência; ao contrário, trouxeram desencontros, como relato em meu livro Entre Duas Viagens, escrito em 2016, para prestar homenagem póstuma ao centenário de meu pai, Manuel “peruano”.

O bairro de Irajá, com suas ruas sem asfalto e esgoto a céu aberto, parecia um “fim de mundo”. O escritor amazonense Hilton Rego descreveu bem essa precariedade em seu livro, Com a Cara e a Coragem: os bondes e lotações circulando, o Maria-Fumaça arrastando-se pela avenida Automóvel Clube, enquanto meninos jogavam bola entre os trilhos. Essas imagens resgatam a memória da inospitalidade que vivemos: a casa improvisada, a ausência de escola, a rotina extenuante de meu pai, que trabalhava nos arredores do Maracanã sem jamais ter tempo de entrar em seu interior.

Cartão Postal do Maracanã - 1950

Em janeiro do ano seguinte, retornamos acompanhados, como na vinda, da avó paterna Victoria Malafaya, de quem o filho era extremamente apegado. Por coincidência, foi no mesmo navio, mas sem Luzia. Na caravana, embarcava uma nova vida: a gestação de Dona Francisca. Voltamos ao bairro dos Educandos, à rua Inácio Guimarães, novamente na esquina com o beco São José, em uma casa de madeira com a frente reservada para uma taberna. Ali, assistimos à construção do Cine Vitória, inaugurado apenas em 1954. Nesse contexto de readaptação nasceu Pedro Renato, batizado pelo santo do dia, São Pedro, em junho de 1951.

Até hoje não sei dizer como a sombra de uma enfermidade tão grave se abateu sobre minha mãe. Apenas guardo na memória sua convalescença, os dias em que a acompanhei ao paraná do Cambixe, no distrito do Careiro — seu berço de nascimento —, onde parentes a acolheram como quem recolhe uma ave ferida. Era uma busca por ar mais puro, remédios fitoterápicos e uma esperança de que o alento da floresta pudesse devolver-lhe o vigor. Para mim, porém, aqueles deslocamentos eram também ensejos para travessuras de infância: corria com os primos pelos quintais das casas suspensas em pilotis, como se fossem píeres habitados à espera da cheia do Solimões.

No nosso bairro, o esteio que sustentava nossa família vinha da solidariedade da tia Raimunda e, em especial, de suas filhas, já quase moças. Meu pai, responsável e firme, dedicava-se ao labor diário, arrancando do seu emprego o “pão nosso de cada dia”.

O ano de 1952 trouxe consigo o agravamento da doença de minha mãe. Entre desvios e incertezas, creio ter iniciado o curso primário, embora a lembrança da primeira escola tenha se dissolvido com o tempo. Restam, contudo, três cenários que ainda se iluminam em minha memória: o Grupo Escolar Machado de Assis, público e resistente — perdura até os dias de hoje —, na rua Amâncio de Miranda; a Escola Paroquial do cônego Antônio Plácido, destinada aos meninos e regida pelo zelo do vigário; e a Escola Particular da dona Ester, discreta e determinada, instalada em sua própria casa na avenida Leopoldo Peres. Cada uma dessas instituições foi como um pequeno aporte para um grande projeto pedagógico que me habilitou, em 1956, ao internato do Seminário São José.

A última lembrança que guardo de minha mãe é a de um corpo exausto, franzino, suspenso na fragilidade de uma rede, como se o próprio tecido fosse o divisor entre a vida frágil e o chão que iria recebê-la. O ar lhe faltava, e ao redor, parentes e vizinhos cumpriam o ritual antigo de “fazer quarto”, velando em silêncio a despedida iminente. Era início da noite de 17 de julho, e eu, menino de seis anos, fui conduzido até ela. Segurei sua mão macilenta, fria como a bruma da madrugada, e beijei-a, pedindo sua bênção. Mas sua voz já não alcançava o sopro divino: o “Deus te abençoe” ficou suspenso no vazio, como uma prece interrompida.

Naquela idade, não havia espaço para compreender a gravidade da doença, nem a dimensão da perda. A morte era apenas um enigma, uma ausência que se instalava sem explicação, inexoravelmente. Por décadas, carreguei esse silêncio, sem buscar respostas, até que, já adulto, censurei minha própria consciência: por que nunca procurei no cartório a certidão de óbito de minha mãe? Talvez porque, em mim, a ferida sempre foi maior do que qualquer documento poderia traduzir. Nem poderia trazê-la de volta. (segue)

 

domingo, maio 18, 2025

DIA DAS MÃES (2ª PARTE)

 Por óbvio, o domingo Dia das Mães foi o domingo passado. Nele publiquei versos sobre a data. Mas por questão de saúde, tanto do corpo como do material de informática, deixei a crônica de Renato Mendonça para depois, e assim a semana passou. Eis a motivação para esta segunda parte dos festejos. Renato recorda com soberbo espírito filial a Mãe-avó Victoria e as Mães Francisca e Doroteia. Que elas - ainda aqui - na nossa lembrança, nos abençoe.  




AINDA ESTÃO AQUI

11.05.2025 

Quando eu a vejo, imolada em um pequeno e belo quadro, fixado na parede azul-claro do meu quarto, e olho em seus olhos, sinto que ela esteve conversando com o Senhor; intuo que ela está aqui entre nós e quer me transmitir seus ensinamentos aprendidos na curta passagem pela vida terrena, com os de agora, na vida espiritual. Não sei como isso pode acontecer, mas tenho certeza de que acontece...

Recebo sua mensagem metafísica mesmo ausente, sem estar ali na sua presença. Às vezes, acredito que o Criador quer me motivar e a usa para isso: abastece-me com a força da sua fé, cumula-me com o discernimento para invocar a sacralidade das coisas, como se fosse um modo de escutá-Lo; faz-me compreender a emblemática da nossa natureza humana, a fim de percorrer o difícil caminho da felicidade. E me envolve numa dinâmica de encontros com Ele.

É místico! É mágico e esplêndido sentir esses fluidos positivos invadindo nossa alma, apesar de parecer estranho para a maioria das pessoas. Porque esse comportamento transcende o entendimento habitual, as pessoas só acreditam em coisas palpáveis e não percebem que o que movimenta o nosso corpo é o espírito. E esse espírito — teologicamente imortal! — não tem idade, não se presta ao descanso físico; quer nos animar sempre, mesmo que as adversidades estejam presentes.

Não desejo individualizar esta homenagem, a despeito de a introdução se referir apenas à minha mãe, Dona Francisca Pereira Lima. Quem me deu à luz, assim como a mãe de Jesus, representa todas as mães com quem pude conviver e me abastecer de seus carinhos e ensinamentos. Reconheço que Deus, na sua incontestável sapiência e sacralidade, quis, na sua forma humanizada, também ter uma mãe aqui na terra — Maria.

E assim, convivi com algumas mães, com os seus diversos carismas, mas com seus encantamentos únicos, sublimes. Mulheres que abraçavam a paixão para enfrentar os desafios do cotidiano; que evocavam a força da fé para obter as armas necessárias ao “bom combate”. Eu sou fã de todas as mães verdadeiras, aquelas que sofrem ou se encantam com seus filhos, aquelas que têm a empatia materna tatuada no coração; há aquelas que, além de cuidar e educar os filhos, ainda têm a vocação de filha dedicada. Nutro por essas espetaculares criaturas humanas um sentimento de admiração, de carinho e, simbolicamente, quero consagrá-las no altar da glória de Deus. 

Neste dia, escolhido em um domingo do calendário exclusivamente para homenagear essas altivas criaturas humanas, desejo me congratular com todas elas, com essa legião de anjos terrestres e celestes.

Além de minha mãe, não posso deixar de recordar minha avó peruana, Dona Victoria Malafaya. Uma mulher iletrada, mas sábia na condução de uma família destroçada; que soube suprir, como uma matriarca, a perda de minha mãe, falecida precocemente. Ensinou-me o caminho do discernimento juvenil e, também, o seu idioma castelhano, que ainda hoje carrego comigo na mente e no coração. Livrou-me muitas vezes dos castigos que meu pai queria me infligir, devido às minhas peraltices. Com sua sabedoria inca, apenas o fazia refletir que eu era um menino ainda, órfão, e necessitava de amor, carinho e compreensão. E ela soube, em raros momentos de sua vida, me doar esses sentimentos.

Dona Doroteia Santos foi uma madrasta revestida com uma auréola de mãe verdadeira. Sofremos juntos as dificuldades de uma família humilde numa cidade sem perspectiva econômica dos anos 1960. Ela ensinou-me como lidar com as adversidades e me mostrou um estoicismo incomum para uma mulher com sua limitação cultural. Com ela, aprendi que o trabalho dignifica qualquer pessoa, em qualquer idade; aprendi como cuidar dos meus irmãos menores, da nova geração, que brotava ano a ano; ao lado dela descobri que para ser feliz não necessariamente precisamos de bens materiais, precisamos ter fé no futuro e se rejubilar com o momento presente. Com aquilo que Deus nos oferece em cada etapa da nossa vida. É fato, elas ainda estão aqui dentro de mim, na minha mente e no meu coração.

A todas as mães, em todas as dimensões, reitero minha congratulação e meu apreço. Fiquem todas com Deus!

domingo, maio 12, 2024

MAIS UMA HOMENAGEM

 

DIA DA MÃE

12.05.2024


Renato Mendonça

 Quando eu a vejo, paralisada dentro do belo quadro, fixado na parede azul claro do meu quarto, e olho em seus olhos, sinto que ela esteve conversando com o Senhor; intuo que ela quer me transmitir seus ensinamentos aprendidos na curta passagem pela vida terrena e os de agora, na vida espiritual. Não sei como isso pode acontecer, mas tenho certeza de que acontece...


Dona Dora

Recebo sua mensagem metafísica mesmo não estando mais ali na sua presença. E, às vezes, acredito que Deus quer me motivar, e a usa para isso: abastece-me com a força da sua fé; cumula-me com o discernimento para invocar a sacralidade das coisas, como se fosse um modo de escutá-Lo; faz-me compreender a emblemática da nossa natureza humana, a fim de percorrer o difícil caminho da felicidade.

Francisca P. Lima

É místico! É mágico e esplêndido sentir esses fluídos positivos invadindo a alma, apesar de parecer estranho para a maioria das pessoas. Porque esse comportamento transcende o entendimento habitual, as pessoas só acreditam em coisas palpáveis, e não percebem que o que movimenta o nosso corpo é o espírito. E esse espírito — imortal! — não tem idade, não se presta ao descanso; quer nos animar sempre, mesmo que as adversidades estejam ali presentes.

Não desejo individualizar esta homenagem, a despeito da introdução se referir apenas à minha mãe. Quem me deu à Luz, assim como a mãe de Jesus, representa todas as mães que pude conviver e me abastecer de seus carinhos, mimos e ensinamentos. E foram algumas, com os seus estereótipos diversos, mas com seus encantamentos únicos, sublimes. Eu sou fã de todas as mães verdadeiras, aquelas que sofrem ou se encantam com seus filhos, as que têm a empatia materna tatuada no coração; há aquelas que, além de cuidar e educar os filhos, ainda têm a sua função de filha dedicada, zelam por seus pais idosos ou doentes. Nutro por essas espetaculares criaturas humanas um sentimento de admiração, de carinho e, simbolicamente, quero consagrá-las no altar da glória de Deus. 

Neste dia, escolhido em um domingo do calendário, exclusivamente para homenagear essas altivas criaturas humanas, desejo me congratular com todas elas, com essa legião de anjos terrestres e celestes.

Além de minha mãe, não posso deixar de lembrar de minha avó, Dona Victoria Malafaya. Uma mulher iletrada, mas sábia na condução de uma família destroçada, que soube suprir como uma matriarca, a perda de minha mãe, falecida precocemente. Ensinou-me o caminho do discernimento juvenil e, também, o seu idioma castelhano, que ainda hoje carrego comigo na mente e no coração. Livrou-me muitas vezes dos castigos que meu pai queria me impor, por minhas peraltices. Com sua sabedoria inca, apenas fazia-o refletir que eu era um menino ainda, órfão, e necessitava de amor, carinho e compreensão. E ela soube, em raros momentos de sua vida, me doar esses sentimentos.

Dona Doroteia Santos, foi uma madrasta revestida com uma auréola de mãe verdadeira. Sofremos juntos as dificuldades de uma família humilde numa cidade sem perspectiva econômica dos anos 1960. Ela ensinou-se como lidar com as adversidades e me mostrou um estoicismo incomum para uma mulher com sua limitação cultural. Junto com ela, aprendi que o trabalho dignifica qualquer pessoa, em qualquer idade; aprendi como cuidar os meus irmãos menores, da nova geração; ao lado dela descobri que para ser feliz não necessariamente precisamos de bens materiais, precisamos ter fé no futuro e se rejubilar com o presente. Com aquilo que Deus nos oferece em cada etapa da nossa vida.

A todas essas mães, e outras que falarei em breve, minha gratidão e meu apreço.

Minha congratulação, Mães, em todas as dimensões! 

DIA DAS MÃES - 2024

Minha saudação às MÃES pelo seu DIA consagrado, às mães que me ajudaram neste caminhar; relembro as esposas e abraço as filhas que completam o bem viver.

Curitiba, 12 de maio


Composição do autor da postagem 

quinta-feira, junho 29, 2023

DIA DO PEDRO RENATO (PARTE 1)

 Nascido no Dia de São Pedro, o primeiro papa da Igreja, meu irmão Renato não poderia ter outro primeiro nome. Aos 72 anos, escreve esta postagem contando este fato, e realizando algumas considerações sobre a Vida. Não esquece nossa mãe, dona Francisca, a Chicuta da família, por isso recorta texto de seu livro-biográfico para recordar sua chegada ao mundo manauara de 1952. Meus cumprimentos pela data e pela sua dedicação à família. Que a existência lhe seja longa.

A BELEZA DA VIDA

29.06.2023

 Renato Mendonça

Nesta data, especificamente neste Dia de São Pedro, gostaria de me identificar como um dedicado aprendiz de todas as coisas belas da vida. Não pretendo ser um presunçoso, apenas um sonhador, e nesse delírio vocacional presumo estar me transformando numa obra de arte de Deus, à custa de muito desbaste, por um cinzel afiado do tempo, esculpindo-me à Sua imagem. Durante e depois de longos anos, confesso estar aquilatando a conduta humana digna; orgulhando-me de ser um homem centrado nos valores teologais e praticante orgulhoso, como se fosse um discípulo que aprendeu o jeito de amar, o amor caritativo, sem limites e incondicional, embasado nos ensinamentos humanísticos de Jesus Cristo.

Pedro Renato

Porém, percebo que está cada vez mais difícil fomentar essa harmonia clássica dentro de uma sociedade plural, e até mesmo no nosso microcosmo familiar. Entretanto, nunca devemos desanimar, precisamos ser perseverantes com atitudes que elevam o nosso nível de consciência; trabalhar sempre em favor da vida — a vitalidade e a beleza da vida; ter a capacidade de estabelecer laços afetuosos sinceros; abrir o coração com uma chave de dentro para fora, para expor sentimentos nobres: amor e perdão; demonstrar cordialidade em nossos atos e disposição constante sem nenhum egoísmo afetivo. Se perder a oportunidade, não desista, basta reencontrá-la...

E nessa busca pelos valores humanos, coloco-me a disposição para respeitar e tratar com carinho e zelo todas as coisas que nos servem, até as pequenas coisas, animadas ou inanimadas. Como se as coisas materiais fossem dotadas de vida. É dar a elas o seu justo valor. Busco também o prazer em servir ao outro; apraz-me a oportunidade em servir e apreciar o deleite do próximo, sem me sentir apenas um serviçal, pois fico feliz quando percebo a elevação da dignidade em ambos. Deixo enfim, que o sentimento de empatia floresça, para conseguir entender o mistério do outro e o segredo de sua consciência. Esses ensinos nos foram transmitidos na célebre imagem do lava-pés, o ato que antecedeu a Santa Ceia. Uma das ações mais pragmáticas de Jesus, que enobrece o sentimento da humildade — Também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Dei-vos o exemplo, para que façais assim como eu fiz para vós”. (João 13:12-14).

Quando nos tornamos idosos, percebemos que há uma necessidade maior de enfrentar o mundo de forma bela; buscarmos, dentro de nós mesmos, atos de integridade e tenacidade, deixando que a altivez cumpra um papel primordial para não esmorecermos jamais. Para não sermos superados precocemente pelo peso dos anos nem pelas circunstâncias cotidianas da vida.

É preciso embelezar nosso dia a dia, sem excessos ou arrogância; aplicar a beleza espiritual com nosso sorriso, para cobrir de leveza o nosso ambiente. É também uma forma de gratidão a Deus que nos quer alegres e solícitos. Ser grato por todas as telas em branco que recebemos a cada dia, para pintarmos com novas cores ou com nossas cores prediletas, e desejar que o resultado seja digno de apreciação do Criador. O avanço da idade biológica não pode blindar a admiração pelas coisas bonitas, pelas esculturas humanas, nem ofuscar a visão da beleza da Natureza. Ainda nos permite comportar-se como um menino olhando as borboletas e seus matizes; admirando as diversas formas e cores das flores; espiando a lua e as estrelas, entorpecido pela dimensão do universo; perguntando curiosamente aos outros, para entender os mistérios e os porquês dessa vida. E, em outro determinado momento com a maturidade de volta, preocupar-se com a humanidade e com os rumos da civilização.

Apesar do otimismo, estamos sujeitos às dificuldades e agruras dessa vida. Há, ao longo de nossa caminhada, fardos indesejáveis que às vezes teimam em se opor ao nosso estado de paz espiritual ou nosso projeto de felicidade. Mas, nada se compara ao sofrimento de Cristo. Por isso, nesses momentos, devemos salientar a sobriedade da alma e a conformidade com os desígnios de Deus.

Nesse dia especial, aproveitando-me desse momento e do hábito de reflexão, quero deixar registrada a minha eterna gratidão pela vida. E quando falo em vida, não posso esquecer o sopro divino e a luz que me iluminou; não posso de maneira alguma deixar de mencionar o ventre que me gerou. Minha eterna gratidão à Dona Francisca Pereira Lima, que está comigo todos os dias, na minha mente, na minha alma, na minha história. Um amor verdadeiro de uma relação vertical, que me dá a satisfação de poder estar amando, e se realiza no próprio ato de amar... Uma gratidão também ao meu pai e a todos os ascendentes que passaram pela minha vida e deixaram suas sementes plantadas e seus dons, para que eu pudesse moldar a beleza do caráter humano.

Pensemos no Cristo Jesus, na sua missão e na sua glória. Viveu seu calvário, mas tinha certeza da sua vitória da vida sobre a morte. De uma maneira bem reduzida, também vivemos nossos calvários e não devemos lamentar. Ao final de cada jornada diária “morremos” para no seguinte “ressuscitar” e reiniciar a missão, que deve ser cumprida com gratidão contínua. Mesmo que a prática das fogueiras juninas tenha ficado no passado, vamos acendê-las simbolicamente em nossos corações; desejando vê-las queimar para alumiar nossa consciência em favor do bem maior; para ver a presença de Deus em qualquer situação, como contraponto a uma cultura ateísta tão presente na nossa sociedade.

domingo, maio 14, 2023

DIA DAS MÃES (2)

A MAR, A MÃE 

Renato Mendonça

 (irmão e incentivador desta página)

Quando se busca adjetivar as mães, encontram-se tantas qualidades que parece impossível caber apenas numa palavrinha, num monossílabo. E todas são adequadas, todas lhe cabem perfeitamente.


Quis compará-las ao mar.  Num primeiro momento, soou-me inadequado. O mar é um termo masculino na língua portuguesa, mas convenhamos, em espanhol e em outras línguas latinas — como por exemplo, em francês e no catalão —, especialmente quando usado em situações poéticas, la mar es femenino!

Assim, pude tranquilamente fazer minha analogia sem criar um conflito de gênero e achar uma forma adequada para sintetizar o papel das mães na nossa geração. Desde a fecundação, quando sabemos que um óvulo nela contido já estava moldado pelo Criador para gerar uma nova vida, até a idade adulta quando abandonamos o lar materno e alçamos um voo para formar nova família. Mesmo assim, não abdicamos de ter em nosso íntimo a proteção materna, feito um incenso que nunca se acaba.

A mãe tem seu papel relevante em todas as etapas de nossa vida. No nascimento, em parto normal, é ela quem fornece a seiva do amor, concebida pela primeira colonização bacteriana que recebemos dos microrganismos vaginais, para herdarmos um primitivo sistema imunológico. E com o gesto de amamentação é liberada espontaneamente a ocitocina, um hormônio necessário para diminuir a angústia provocada pelo parto e potencializar a relação social materna.

Nem é preciso esmiuçar o papel fundamental durante as fases seguintes. Os primeiros passos de uma criança simbolizados pela mão da mãe segurando a do filho nos mostra o futuro; a fase escolar da alfabetização nos apresenta, junto com ela, a melhor escolha; a seguir vem a adolescência e seus dilemas sociais, e lá está ela a nos proteger da enxurrada de alçapões da vida. E quando chega a fase adulta, nos orienta, caminha conosco e nos ensina a voar.

É a Mãe Natureza que congrega tudo isso. Criou todos os espécimes da Terra com o dom da maternidade e da sobrevivência; e os racionais, também com habilidade para catalisar dores e emoções. Por tudo isso, são as fiéis depositárias dos nossos segredos ou de nossas confissões íntimas.

Felizes os que têm a graça de conviver com sua mãe por muitos anos harmonicamente; felizes os que podem no dia de hoje abraçá-la e beijá-la fervorosamente. Felizes os que podem agradecer-lhes, pessoalmente, a luz da vida. Se puderem, façam isso, não se furtem de retribuir todo carinho e afeto recebido ao longo dos anos.

Sem dúvida o ser humano mais importante em nossa vida...

 

Feliz Dia das Mães! 


DIA DAS MÃES (1)

 Minhas flores (ainda que virtuais) para as Mães que tive o prazer de desfrutar. Cabendo a minha Mãe, dona Francisca Pereira Lima a primazia, pois foi a única a não receber uma festa, que ainda não existia quando ela faleceu.

Sem olvidar a DONA Doroteia, mãedrasta



sexta-feira, abril 28, 2023

ANIVERSÁRIO MATERNO

 Dona Francisca, que a família tratava por Chicuta, festejaria hoje 106 anos, porém, ela faleceu aos 35 anos de idade. Renato, o filho caçula, não esquece a data, e para relembrar a efeméride escreveu o texto aqui compartilhado no Blog do Roberto, o filho mais velho. 

"As pedras-ume, o sabão virgem e as plantas medicinais já haviam sido preparadas; os panos alvejados com cândida estavam sempre prontos para uma emergência. A bacia esmaltada, já usada com sucesso, ali mesmo, tantas vezes e outros utensílios, que faziam parte das ferramentas de trabalho, estavam esterilizados. Mesmo sem conferir no calendário, aguardava-se a mudança de lua; sabiam-se de cor que fase se vivia; aquele paraíso ecológico facilitava a leitura, e era sempre um dos fatores da natureza levado em consideração. A lua tinha seu papel, o papel de abrir as entranhas para gerar uma nova vida, iluminando-a com a luz do mundo.
A parteira tinha razão, no dia 28 de abril de 1917, um sábado, no último dia do Quarto-Crescente daquele mês, véspera da Lua Cheia, chegou Francisca sob o signo da Lua. A maioria das apostas acertou o sexo, era só isso que faltava. A escolha do nome havia sido decidida previamente, uma homenagem a São Francisco Canindé, padroeiro dos nordestinos."
Renato Mendonça

Flores de saudade


segunda-feira, julho 18, 2022

MORTE DA MATRIARCA (1952)

 São 70 anos sem ela, aconteceu nessa data o falecimento de nossa Mãe (minha e dos manos Antonio e Renato). Durante anos acreditei e honrei o dia 17, até que o Renato com seu espírito vibrante me convenceu de que fora a 18. Apenas um detalhe, passado tantas décadas, sem importância. Dona Francisca, para o registro civil, a dona Chicuta para os familiares, segue presente. Juro! 

Renato, como realiza anualmente, produziu uma página de recordações, nesta ele abraça o nosso Pai, Manuel Mendonça. E conta algumas desventuras causadas pela partida de Dona Chicuta.



A REVELAÇÃO

28.04.2021

 Renato Mendonça

Após um ano que nasceu, a mãe morreu-lhe, e o deixou órfão com mais dois irmãozinhos. O pai não quis se casar. Ainda jovem, aos 36, deviam ter-lhe aparecido bons partidos, mas não quis compromisso. Ou não soube se casar. Essa é uma dúvida que ficou sem ser revelada. O certo é que não lhe faltaram relacionamentos, como jovem que era; é provável que muitos. E num desses, gerou dois filhos: um menino, Raimundo — muito parecido com o pai —, e uma menina, Sonia, num espaço de dois anos. A jovem Lindalva, muito jovem ainda, não se aceitava como esposa, apenas mãe.

Não há nenhuma crítica a esse tipo de comportamento, são desígnios da vida. O homem é intrinsicamente humano, um ser imperfeito, que mesmo compenetrado da sua doutrina religiosa, é movido também por seu instinto masculino a lhe cobrar a satisfação fisiológica, vicissitudes da vida. O certo é que ele cuidou de todos, à sua maneira, e dedicou-lhes atenção como um verdadeiro pai, quando lhe cabe uma missão acompanhada de uma responsabilidade dupla.

Ele só conseguiu aprender a se casar sete anos depois — veja bem, assim como o bíblico Jacó, que teve que esperar esse mesmo tempo para casar-se com Raquel. Talvez seja um presságio religioso fundamentado na mística do número sete, relatado inúmeras vezes no Antigo e Novo Testamento.

    Quando deu por si, o garoto, que ficou órfão com um ano, pedia a Deus que o fizesse sonhar com sua mãe para ouvir a sua voz. Queria uma revelação dos últimos momentos dela aqui na terra, como se ele tivesse adquirido a aptidão mediúnica, ou alguém que tivesse a capacidade de ver uma bola de cristal nos sonhos.

    Porém o momento sempre lhe foi negado pelo Criador, por uma razão óbvia: há situações em que é melhor ficar na imaginação, pois a sofreguidão é cruel. Contudo ele queria demais, queria obter os pensamentos dela na situação de dor, porque o pai sempre se recusou a lhe contar. E por que será? Será que ele teve esse momento diante dos olhos? Provavelmente a doença, altamente contagiosa, a afastava de todos; talvez por isso o pai não pôde testemunhar o momento fatal. E seu trabalho, longe de casa, também o impedia de ficar ao seu lado. Será?!

        Por tudo isso, havia esse conflito de hipóteses na mente do garoto carente dessas revelações. Mas intuiu, com ajuda divina, que a mãe, na sua solidão, afastada da família, vivendo sua dor do corpo e na alma, deitada na sua cama — ou na rede, como costumavam descansar os amazonenses — renovou o seu pedido aos céus: para que Nosso Senhor Jesus Cristo, na sua santa benevolência olhasse pelos três filhos pequenos, com idade variando entre um e seis anos; que o jovem Manoel soubesse achar, dentro da sua responsabilidade e retidão, forças para cuidar dos três pequenos sem ter que doar algum. E mais, suplicou a Deus que todos fossem irmãos verdadeiros; que se ajudassem entre si, e tivessem uma convivência harmoniosa em seus corações. Que nenhum rancor ou ruído externo pudesse atrapalhar o amor fraternal. Que seus caminhos, embora diferentes, tivessem sempre a Luz Maior a alumiar todos os seus passos. E ainda se lembrou de pedir saúde, muita saúde e muitos anos de vida ao pai.

        Ela foi ouvida, o pai viveu até quase 99 anos, a tempo de tomar coragem e contar a desventura que se abateu sobre a mãe. O garoto ficou incrédulo quando ouviu o pai lhe contar, emocionado e com a voz embargada, que não era exatamente a tuberculose que a consumiu, mas a tão atroz doença infecciosa e ainda hoje temida...

        Agora, que o garoto Renato se encaminha para os setenta anos, sente na alma que a mãe Francisca o quer afagar como antes da doença, para lhe ajudar a extrair do seu íntimo uma intuição pouco comum: a revelação estava no próprio signo em que ele nasceu: signo de Câncer, primeiro decanato.

    Mesmo vivendo à sombra de suas inquietações, não se importou quando a vida teimosamente lhe impunha tantos desafios; para ele eram apenas degraus de uma longa escadaria para se chegar ao topo, ao equilíbrio espiritual, à paz de Deus. Na sua mais salutar inquietação, a partir de então, quis resgatar o conteúdo da história de sua mãe, a simplicidade humana, incluindo seus ancestrais.

 Seja por uma necessidade metafísica, seja pelo simples desejo de experimentar de novo as suas mãos santas, o garoto escreverá um livro para venerá-la; aproveitar-se-á dessa oportunidade de manifestação de mais um ato de amor, para ajudar a nos convencer que a vida absolve as derrotas.

Renato e o pai Manuel, em Barra Mansa/RJ

 

segunda-feira, junho 13, 2022

ANTONIO: O "SANTO" DE CASA

Era inescapável esse privilégio, de relembrar o aniversário do meu primeiro irmão: Antonio, nascido neste dia em 1948, que chegou com o nome de batismo pronto. Nem foi necessário consultar a folhinha, porém, como o casal Mendonça já havia decidido contemplar cada filho com dois nomes próprios, este foi antecedido de Henrique, que homenageia ao avô paterno. 

Antonio Lima Mendonça

No seio familiar sempre foi Antonio e outros apelidos bem peculiares, até que veio o exercício profissional, quando prevaleceu o primeiro nome. Eu e Antonio vivemos a vida que nos permitia aqueles tempos, passando inclusive pela morte de nossa mãe Francisca. Assim prosperou até que a maioridade nos afastou, quando ele enfrentou a grande metrópole paulista e, para nossa fortuna, a conquistou. Desse modo, ele no Sudeste e eu no Norte, nos afastamos pelo aeroporto e pelos mal entendidos da vida.

Roberto e Antonio (sentado)


Que o Santo Padroeiro do dia nos proporcione saúde e créditos, e estes a retomada de nova fase de vida com a satisfação do "dever cumprido". Abraços, meu mano ANTONIO, e suas amadas! 


O texto seguinte saiu da pena do Renato, o segundo irmão, que completa a tríade dos Mendonça.

Como sempre, havia uma esperança no nascimento de mais um integrante, mas dúvida também. Promessas à santa do Bom Parto não faltaram, principalmente porque Maria havia perdido, recentemente, os gêmeos natimortos, Cosme e Damião. Porém, Francisca viu sair de seu ventre, exatamente no dia de Santo Antônio, uma bela criança que chorou, para alegria de todos e para anunciar a chegada ao nosso mundo. Os traços eram os mesmos, feições semelhantes, apenas mais cabeludo e a tez mais clara. Talvez por isso Francisca reclamava de azia, diziam as irmãs, mais experientes em gestações.


Antonio esbanjando alegria

De novo a espera ansiosa para saber o nome. Desta vez, Manoel nem teve necessidade de ir ao calendário, o nome do santo estava mais do que massificado na memória da sociedade cristã. Cabia à Francisca harmonizar os dois nomes escolhidos, o seu que já estava gravado no seu íntimo e o da folhinha, para que soassem como uma melodia. E assim, com sua perspicácia e seu carisma de mãe, plena de felicidade por gerar uma nova vida, escolheu: Henrique Antônio. Discretamente, uma homenagem ao avô, Enrique, pai de Manoel, que ele não conheceu.


domingo, maio 08, 2022

DIA DAS MÃES

 Este Dia Especial neste ano pertence à dona Francisca Pereira Lima, que o filho Renato, imortalizou em “Chicuta”, o livro recém editado. Era nossa mãe, morta aos 35 anos, vítima de doença cancerígena. Foi desse modo que ele encerrou a memória, descrevendo os últimos instantes de vida dela:

Chicuta com o então respeitável
diploma de Corte & Costura 

“Ela levantou a mão direita, praticamente só a mão, enquanto o braço, esquálido, permanecia depositado sobre a cama. Olhou de novo, e fixou o olhar nos três filhos, como se quisesse plasmá-los como os únicos mensageiros, os que receberiam sua mensagem de amor e fé, numa espécie de comunicação metafisica de seus pensamentos, de seus derradeiros sentimentos, naquele momento emblemático e fatal.”

E prosseguiu: “Olhou para sua caderneta de orações, de cânticos e novenas – escrita à tinta, como muito esmero e dedicação, numa perfeita caligrafia – mas não conseguiu alcançá-la. Talvez não quisesse alcançá-la, apenas chamar atenção aos que estavam ali.

Finalizando: “A doença lhe abreviou o tempo na terra; porém, com sua fé em Deus mostrou a todos que seria possível continuar amando, do seu lugar eterno. Parou de bater o seu coração aos dezoito dias do mês de julho de mil novecentos e cinquenta e dois.”  

Estamos próximos dos 70 anos de saudades e veneração!

Flores para a saudosa Dama



Para saber mais: https://catadordepapeis.blogspot.com/search?updated-max=2022-05-03T22:14:00-04:00&max-results=4

sábado, abril 23, 2022

DIA INTERNACIONAL DO LIVRO

A homenagem a esta data saiu de produção doméstica. CHICUTA: breve história de vida, imenso legado de amor. (Niterói: Ed. do Autor, 2022) foi produzida por meu irmão Renato Mendonça. Chicuta era o apelido familiar de nossa mãe Francisca Pereira Lima. 
Capa do livro

A filha de cearenses fugidos da seca e instalados no lago do Anveres, no município do Careiro, constituiu com o peruano Manuel Mendonça, fugido do lago Caballo Cocha, a família da qual muito nos vangloriamos.

Renato caprichou na pesquisa e assim marcou com sua produção este Dia Internacional. Parabéns, meu irmão!

Dois trechos do Posfácio, escrito pelo
primo de 2º grau