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segunda-feira, março 16, 2020

CORPO DE BOMBEIROS/PMAM

Quartel em Petrópolis (1975)
O serviço de extinção de incêndios e outros sinistros afins, estava sob encargo do Corpo de Bombeiros da PMAM, desde 1973. Aquartelado na rua Codajás, no bairro de Petrópolis, cuidava da cidade, embora o centro exigisse mais preocupações.
Há 25 anos, era comandante do Corpo o tenente-coronel Deusamar Assis Nogueira que, em entrevista ao matutino A Crítica (16 março 1995), melhor expressou essa e outras preocupações.
 
Título da reportagem sobre os Bombeiros (A Crítica, 16 mar. 1995)
O comandante do Corpo de Bombeiros, coronel PM Deusamar Assis Nogueira, disse ontem que o centro da cidade de Manaus é um barril de pólvora, com as lojas do centro comercial muito próximas umas das outras, e prédios que não têm condições básicas de segurança, como por exemplo, em áreas destinadas a tubulação e depósito para água, além da utilização de materiais elétricos de 3ª categoria.
De acordo com o coronel, o único edifício que tem heliporto (plataforma apropriada para descida de helicópteros em casos de incêndio) é o Cidade de Manaus, na avenida Eduardo Ribeiro. Apesar da maior escada da corporação ter apenas 37 metros, que corresponde a um prédio de 10 andares, o comandante Deusamar Assis afirma que, em casos de incêndio, os policiais estão equipados para evitar grandes catástrofes. A operação de salvamento aéreo, segundo ele, é umas das técnicas mais utilizadas nestes casos, em parceria com helicópteros da Aeronáutica.
Mas o sucesso da operação depende do tipo de perigo enfrentado. “Em determinados casos de incêndio em prédios altos, o pouso do helicóptero é praticamente impossível, quando o ar se torna rarefeito”, disse o coronel. Ele citou o exemplo do incêndio no Edifício Joelma, em São Paulo, em que o helicóptero não teve acesso ao heliporto do prédio. Desta forma, o salvamento deve ser feito de um prédio para outro, com cabos (cordas), ou do prédio para os carros, quando não existirem outros prédios em volta. “O ideal seria que tivéssemos uma escada maior, com cerca de 44 metros”, disse ele. Esta poderia ser mais uma alternativa.

As edificações da av. Eduardo Ribeiros mostradas na reportagem
(foto de A Crítica, 16 mar. 1995)
Ele também explicou que há situações em que o fogo tem início nos últimos andares do prédio, facilitando a saída das pessoas, que podem descer. Este é mais um dos casos em que o pouso de um helicóptero se torna inviável. As escadas externas, como no Banco Central, em Brasília, as portas corta-fogo muito utilizadas nas modernas construções, e escadas clausuradas, usadas somente por funcionários do prédio e em casos de perigo, são alternativas para maior proteção do usuário. “O proprietário do prédio, com a intenção de tornar a obra mais barata, acaba utilizando muitas vezes materiais de péssima qualidade, colocando em risco a vida dos usuários”, explicou o comandante Deusamar Assis. No edifício da Lobras, por exemplo, as escadas possuem cerca de 80 centímetros, fora de qualquer padrão de engenharia. Para o comandante, o pânico é a principal causa da morte de muitas pessoas em situações de risco.

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