CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

4 de julho de 2012

Do 27º BC ao GEF (1ª parte)


Capa da plaqueta
O governador Arthur Reis elaborou a apresentação e fez publicar na coleção Governo do Estado, entre mais de uma centena de outras edições, em 1966, a plaqueta GEF, fator de interação na Amazônia. Assinado pelo seu comandante, general Lauro Alves Pinto, no ensejo do segundo ano da Revolução de 31 de março.

Convém lembrar que o GEF (Grupamento de Elementos de Fronteira) foi precursor de o atual Comando Militar da Amazônia, transferido de Belém (PA) para Manaus (AM), em julho de 1969.
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Manaus inteira e as populações ribeirinhas da Amazônia, já incorporaram o Grupamento de Elementos de Fronteira – o seu familiar GEF – na sua intimidade, como elemento de ordem, de paz, de ajuda e, que a todos procura servir dentro de o mais alto sentido de compreensão e fraternidade.

Anos atrás, de 1920 a 1942, cabia ao 27º BC remeter, a pontos escolhidos da fronteira, os homens que iriam constituir os então chamados Destacamentos de Fronteira.

Pontilhava-se a imensa linde (sic) brasileira com cinco países amigos, num desenvolvimento de 9.000 km, com um pugilo de heroicos e denodados soldados que seriam, em verdade, aquilo que a História lhes reservara: traço de união entre o português – arguto militar de ontem – e o brasileiro consciente de hoje.

O aumento crescente das populações nas sedes dos Elementos de Segurança, originando problemas de assistência e sobrevivência, de vulto, indicava a criação de um comando para atender especificamente à tropa de fronteira. A 2 de abril de 1949 foi criado o Comando de Elementos de Fronteira (CEF), a cargo de major de infantaria e independente do 27º BC.

Antigas e já confessáveis aspirações de outros povos voltavam-se para o vasto espaço amazônico no sentido de nele abrigar os excedentes demográficos de outras regiões do globo.

Diante dessa realidade, agravada com o fluxo crescente de suprimentos; aumento progressivo de efetivos; surgimento de necessidades novas no campo de assistência medica, educacional e de toda gama de aspecto social; tudo isso impôs e deu nascimento, em Manaus, de um alto escalão de comando, sob a autoridade de general-de-brigada, contando com Estado-Maior e órgãos de serviço, capaz de atender à complexidade e à magnitude dos problemas.

Quartel que abrigou o 27º BC e o GEF, hoje ocupado pelo
Colégio Militar de Manaus

Surgiu assim, em 1960, a estrutura do atual GEF, que hoje está de parabéns ao comemorar 17 anos de existência.

O após Revolução

A Revolução de 31 de março de 1964 ecoou na Amazônia, no setor do Exército, em termos de grandes realizações, com reflexos imediatos na estrutura econômica, politica e social dessa imensa área.

Logo após a implantação do novo estado de coisas no Brasil, lá pelos meses de agosto ou setembro, a nossa fronteira, em Mato Grosso e em Rondônia, sofreu o impacto da onda de fugitivos e mesmo de combatentes que, da Bolívia, demandavam ao nosso território, no fragor da luta fratricida que assolava aquele país amigo. 

O GEF teve ação destacada nessa emergência, cabendo-lhe entrar em ação militar contra bolivianos armados, fazendo-os prisioneiros e internando-os de acordo com as normas do Direito Internacional e dos convênios e tratados firmados. A paz e a ordem foram levadas às regiões do Alto Madeira e Guaporé.    

Sem estar ainda nesta terra, tive oportunidade de, como membro do Gabinete do ministro Costa e Silva, tomar parte, junto do comandante do GEF e do CMA, nessas operações de âmbito nacional, constatando a flexibilidade, a rapidez de ação e o alto espírito militar demonstrado pela tropa na guarda de nossas fronteiras.

Os ensinamentos dessas operações, somados aos anteriormente acumulados, indicaram novos rumos a seguir na Amazônia, tendentes a aumentar a eficiência da tropa aqui destacada. Graças à obra revolucionária, de contenção e de bom emprego dos recursos da Nação, foi possível ao atual Governo da República dedicar maiores meios ao Exército, particularmente na região amazônica, tornando-o mais apto a cumprir sua missão de vigiar e defender essa imensa área que orça por dois milhões de quilômetros quadrados, somente no setor do GEF. (segue)