CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

24 de julho de 2012

Coronel Brandão: setentanos

Coronel Brandão,
na Missa

Ao abrir meu endereço postal, deparei com uma solicitação corriqueira. Dois colegas de farda afastados pelo tempo e distância, o coronel Paranhos, de Belém (PA), solicitava-me o telefone do coronel Brandão, de Manaus (AM). No mesmo texto, lembrou-me que foram companheiros em curso nos Estados Unidos, em 1972.

Esse dado me proporcionou esta postagem, depois que passei pela igreja de São Jorge, paróquia frequentada pelo coronel da reserva Antônio Guedes Brandão, para assistir a missa onde ele foi ressaltado e parabenizado.

Nascido no Curari, distrito do município do Careiro da Várzea (AM), em 24 de julho de 1942, Antônio era filho de seu Agenor e dona Laura Guedes Brandão, uma família simples e de poucas rendas. Um dia, este filho cruzou o rio Negro para buscar na Capital o aprimoramento escolar, que iniciou ao matricular-se no ensino médio da então Escola Técnica Federal.

Entusiasmado, no início de 1966, prestou concurso para o oficialato da Polícia Militar do Amazonas. Aprovado, foi matriculado, em companhia dos colegas Edson Matias e Nazareno Benfica, no Curso de Formação de Oficiais (CFO) da Academia do Barro Branco, da PM de São Paulo.

O curso teve duração de três anos. Ao final, Brandão tornou-se o 8.º/114, ou seja, Brandão (seu nome de guerra) conquistou o 8º lugar na turma de 114 alunos, disputando com colegas que se notabilizariam na política paulista e nacional, como Luís Antônio Fleury Filho (3.º/114), ex-governador de São Paulo e atualmente deputado federal.

Ao retornar à PM do Amazonas, em 1968, vieram as promoções e os encargos correlatos: além do curso mencionado acima, teve o privilégio de instalar, em 1980, o Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (Cfap), onde permaneceu na direção por cinco anos. Sua tenacidade destacada deu-lhe motivação para escrever a letra do hino desse extinto departamento de ensino da PMAM.

Volveu à PMESP em mais duas ocasiões, para os cursos fundamentais: de Aperfeiçoamento de Oficiais (CAO) e Superior de Polícia (CSP). Ao cabo deles, gravou sua “conhecida dedicação às fichas” (cdf), sigla que no jargão militar possui outra versão.

Entre outros encargos, trabalhou no Palácio Rio Negro entre 1972-74; comandou o Corpo de Bombeiros no período de 1984-87; assumiu a Secretaria de Segurança Pública, no biênio 1991-92 e, finalmente, exerceu o comando geral da PM do Amazonas de 1992 a 94. Nessa ocasião, distinguiu os colegas do CFO na chefia do Estado Maior, coronéis Edson Matias e Nazareno Benfica.

Na reserva desde 1994, voltou seus desvelos para o sítio que mantém por diletantismo, e para a comunidade Nossa Senhora das Graças, no distrito de Curari, onde tudo começou.

Coronel Brandão recebe especial benção do vigário de
São Jorge, pelo seu aniversário