CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

7 de julho de 2012

Do 27º BC ao GEF (2ª parte)

O governador Arthur Reis elaborou a apresentação e fez publicar na coleção Governo do Estado, entre mais de uma centena de outras edições, em 1966, a plaqueta GEF, fator de interação na Amazônia. Assinado pelo seu comandante, general Lauro Alves Pinto, no ensejo do segundo ano da Revolução de 31 de março.

O autor resumiu assim os empreendimentos do Exército, instalado o Governo Militar (1964-85):
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1.    No setor da construção:

Estão em andamento obras que atingem 5.000m² de área coberta, das quais mais da metade já terminadas. Em Manaus, vê-se o conjunto residencial de São Jorge com 45 novas residências, além de prédios para estações transmissora e receptora de rádio; posto de captação e distribuição de água potável para todo o conjunto e quarteis. Ainda neste mês, será iniciada a construção dos pavilhões do quartel do Centro de Instrução e Guerra na Selva (Cigs); mais adiante se iniciarão as obras do supermercado militar de São Jorge.

O quartel do antigo 27º BC, na praça General Osório, sofre cabal transformação, vindo a ser a sede nova do quartel general do GEF.
O atual quartel general, em São Vicente, será imediatamente transformado em hotel para os oficiais em trânsito, contando com 14 apartamentos para oficiais e dois, para generais.

Ainda em São Vicente, já está entregue e em funcionamento uma câmara de expurgo para cereais e armazém regulador de mercadorias para a fronteira.  O novo edifício para a 29ª CR [Circunscrição de Recrutamento], na praça da Prefeitura [praça Dom Pedro II], ergue-se para entrega em breve.
O Hospital Militar terá instalada sua lavanderia de alto rendimento. Essas as principais construções em Manaus.
 

Nas Fronteiras: em Boa Vista [RR], Cucui, Japurá, Ipiranga, Tabatinga, Estirão do Equador, Palmeiras, Rio Branco [AC], Porto Velho, Guajará Mirim e Forte Príncipe da Beira [RO], estão sendo construídas 19 casas para oficiais e sargentos, pavilhão para a administração, enfermaria, depósitos etc., além de reformas e recuperações de edifícios.

Arthur Reis, governador do Amazonas,
1964-67

Em 1965, o Plano de Obras orçou em cerca de dois bilhões de cruzeiros, sendo possível realizar-se uma economia da ordem de 60%, graças a aquisição dos principais materiais ter sido feita no Rio e em São Paulo e o seu transporte haver ficado a cargo da [então] Marinha de Guerra. A cooperação do governo Arthur Reis foi também elemento de alta valia e que muito contribuiu para a poupança de verbas. Transportamos 1.300 toneladas de material de toda ordem e distribuímo-las em Manaus e nas fronteiras, após exaustivos trabalhos através dos rios.

Nesse quadro ressalta-se a eficiência e a probidade com que se houve a Comissão de Obras do GEF, fator decisivo para que se pudesse colimar o objetivo fixado pelo Senhor ministro da Guerra.

2.    No setor militar propriamente dito

ü    Graças ao andamento vertiginoso das obras, foi possível fixar-se maiores efetivos na área do GEF, área precária de habitação e de recursos de toda ordem.

Está sendo implantado um Pelotão em Palmeiras, levando àquele sitio inóspito do alto Javari o sossego que mereciam os seringueiros e demais habitantes daquelas paragens.

ü    Incorporamos nova Companhia que irá para Cruzeiro do Sul, no Acre, fechando as cabeceiras dos grandes rios que procuram o Solimões pelo sul.

ü    Organizamos o Centro de Instrução de Guerra na Selva – unidade única na América do Sul – capaz de formar combatente de selva, incluindo os novos ensinamentos de guerrilhas. Essa escola, que será frequentada por oficiais de outros exércitos, já tem prontos os currículos, os equipamentos especiais e conta com seus quadros de instrutores formados em estabelecimento do Panamá.

ü    Cogita-se instalar, em Manaus, uma Companhia de Engenharia, dotada de pessoal especializado e equipamento pesado para atender às construções na fronteira e no restante da área.

Com sede em Porto Velho, o 5º Batalhão de Engenharia de Construções move seu equipamento pesado para concluir o trecho de estrada Brasília-Acre, compreendido entre Vilhena, no estado de Mato Grosso [hoje RO] e Porto Velho. Concomitantemente, prosseguirá nas obras para Rio Branco e Cruzeiro do Sul [AC] e fará, mais tarde, a ligação com Manaus ao sul do rio Amazonas. Futuramente, pensa-se no prolongamento desse eixo rodoviário, de Cruzeiro do Sul a Tabatinga [AM] pelo vale do rio Javari.

Os investimentos em 1966, para essas obras, orçam em dez e meio bilhões de cruzeiros.

No campo das comunicações, os elementos de fronteira, que já são todos ligados ao QG/GEF, por telegrafia, serão também dotados de fonia. Os equipamentos de alto custo, mas de rendimento extraordinário, virão proporcionar ao comando excepcionais condições para agir em qualquer ponto, no mínimo de tempo.

No setor dos transportes fluviais, o GEF teve ampliada sua frota de lanchas e batelões, contando atualmente com cerca de 30 unidades. Dentro de alguns dias, receberá um rebocador de grande capacidade e alvarengas de 100 toneladas de carga cada uma. Contará, também, com uma lancha blindada de alta velocidade para o patrulhamento distante.
Para os transportes aéreos, o GEF possuirá três aviões anfíbios para dez passageiros e duas toneladas de carga, os quais serão tripulados e mantidos pela FAB [Força Aera Brasileira]. (segue)