CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

13 de julho de 2012

Do 27º BC ao GEF (final)

Capa da plaqueta
O governador Arthur Reis elaborou a apresentação e fez publicar na coleção Governo do Estado, entre mais de uma centena de outras edições, em 1966, a plaqueta GEF, fator de interação na Amazônia. Assinado pelo seu comandante, general Lauro Alves Pinto, no ensejo do segundo ano da Revolução de 31 de março.

Finalizando, o autor resumiu dessa maneira os empreendimentos do Exército, instalado o Governo Militar (1964-85):

3. No setor da Educação
Onde quer que se instale um quartel, aí temos criada uma escola de civismo e brasilidade. A par disso, em todos os 12 elementos de fronteira, o GEF mantém o ensino primário para as crianças, filhos ou não de seus soldados. É deveras comovente assistir-se, nas barrancas, apertadamente entre o rio e a selva, aquele aglomerado de crianças sorridentes, ingênuas e felizes, aprendendo as primeiras letras, muitas vezes, com a esposa do tenente ou do sargento.
No momento, o movimento das escolas é o seguinte:
Em Cucui, há uma escola com cinco professores e 160 alunos;
Em Japurá, há uma escola com seis professores e 120 alunos;
Em Ipiranga, há uma escola com cinco professores e 178 alunos;
Em Estirão do Equador, há uma escola com três professores e 98 alunos;
Em Forte Príncipe da Beira, há uma escola com cinco professores e 120 alunos;
Em Tabatinga, há uma escola com doze professores e 337 alunos.
Há, portanto, seis escolas com 36 professores e 1.053 alunos, mantidos pelo GEF.
Nas cidades de Boa Vista [RR], Guajará Mirim, Porto Velho [RO] e Rio Branco [AC], as crianças frequentam as escolas primarias das respectivas cidades. Dos meninos e meninas que concluem o ciclo primário, alguns são trazidos para Manaus e, aqui, mantidos pelo GEF, sob a supervisão direta do capelão militar, matriculados nos ginásios do Estado. Ao término de 1965 tivemos a satisfação de louvar a dois desses meninos, filhos de soldados da fronteira, pelo 1º lugar que alcançaram nas séries ginasiais que frequentaram.
4. No setor da saúde e da alimentação
Cada elemento de fronteira dispõe de enfermaria com médico, dentista, farmacêutico e veterinário. A assistência se estende à comunidade civil circundante, sendo relevante o socorro prestado diariamente. Os doentes graves são, a pedido, transportados em avião da FAB para Manaus.
Os armazéns dos Centros Sociais, abertos nessas paragens, socorrem a todos os moradores, civis e militares, em gêneros de primeira necessidade, incluindo, também, os remédios, a linha, a fazenda, o brinquedo etc., procurando, pelo conforto mínimo, fixar aquelas pobres populações aos núcleos já formados e que serão, amanhã, cidades de acentuado espírito nacional.
Em socorro dessas populações civis, o Ministro da Guerra [hoje do Exército] destinou, no ano findo, duzentos milhões de cruzeiros, como capital de giro, para aquisição de alimento e mais outros milhões destinados a medicamentos e material de saúde. Cumprimos com ufania a missão de levar a termo tal distribuição que vem sendo mantida por meio de reembolso.
Aparelhos de purificação de água, bombas de sucção, geradores de energia para iluminação, gabinetes dentários, estação de rádio, cinema, olaria, serraria etc., constituem outra gama de equipamentos fornecidos pela Diretoria de Material de Engenharia.
5. A missão civilizadora do GEF
Os homens que o GEF emprega nas suas unidades distantes, oriundos dos centros mais civilizados do País e dotados de instrução superior, seja da Academia Militar das Agulhas Negras, seja das escolas de Medicina, Odontologia, Engenharia, Farmácia e Veterinária, levam ao brasileiro escapado da civilização, em sítios distantes e isolados, os seus costumes, os seus hábitos e uma maneira de viver superior. Pelo contato e convivência cerrada, expande-se insensivelmente a cultura dos grandes centros a esses modestos agrupamentos fronteiriços.
Por outro lado, conflitando com esta realidade, o país vizinho e a própria barbárie silvícola, impõem, também, as suas culturas, ficando o brasileiro distante, como ponto de aplicação de forças psico-espirituais diversas. Ressalta aqui o papel do elemento de fronteira, como o fator de integração nacional, fazendo dos nossos habitantes células de um povo e de uma nação espiritualmente digna desse nome.
Praça General Osório, onde esteve instalado o GEF

Piscina ainda existente, construída na praça General Osório
Desejo, nesta oportunidade, lembrar o que no momento ocorre com índios do Brasil, que, já civilizados, falando, lendo e escrevendo a nossa língua, não foram ainda incorporados à cidadania brasileira pelo Registro Civil. Tomamos providências legais para registrá-los e, após exame médico indispensável, vamos incorporá-los no 5º Batalhão de Construção para servirem, como civis, numa companhia de trabalhadores que será incumbida da conservação do trecho Vilhena-Porto Velho, percebendo salário-mínimo. Compreendem bem, os missionários que os acolheram em seus colégios, o que isso representará para esses brasileiros marginalizados pela fronteira, sem mercado de trabalho que absorva a sua capacidade.
O Governo Federal preocupa-se em formar, quanto antes, as colônias militares de fronteira, núcleos populacionais, germens de futuras cidades. A Comissão de Faixa de Fronteiras, elemento do Conselho de Segurança Nacional, conta com os nossos pelotões e companhias para conseguir essa finalidade. Nesse sentido trabalhamos e porfiamos com consciência.
Hoje, dia de festa, dia de vibração cívica em que o coração do soldado do GEF sente mais firme o seu pulsar pela Pátria – já que dissipada está da mácula espúria  que a enxovalhava pela corrupção  e pela subversão – hoje, todos nós, perfilados, e sob o estímulo reconfortante do povo de Manaus e seus dirigentes, lançamos nossa vibrante e calorosa mensagem de fé e de admiração aos companheiros distantes na fronteira, que a ouvirão, estamos certos, no retiro solitário que habitam.