CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

23 de abril de 2011

Quartel dos Bombeiros, 1970

Já relatei essa fase da história dos Bombeiros do Amazonas, mas vou retornar a ela por uma razão singular. Em 1970, os “homens do fogo” estavam subordinados a Prefeitura de Manaus, que era dirigida por Paulo Pinto Nery.

Terreno situado à rua Recife, pertencente aos Bombeiros, c1971

O Prefeito havia tomado algumas providencias para melhorar o serviço: os bombeiros ocupavam o quartel da Sete de Setembro; havia adquirido algumas viaturas; nomeado comandante ao tenente Nicanor Gomes, recém formado oficial de bombeiros; enfim, decidira construir um quartel novo no terreno dos Bombeiros situado na rua Recife, junto ao Acapulco Clube.

Eis a razão singular, a construção desse quartel, intitulado de Quartel Central, conforme a ilustração mostrada. Mais singularidade: o edifício seria elaborado pelo arquiteto Severiano Porto, que se consagrava em Manaus. Uma de suas obras foi o quartel da Polícia Militar do Estado, situado no bairro de Petrópolis, que hoje abriga o comando geral da corporação.
O quartel dos bombeiros não foi construído, ao menos no local indicado – rua Recife, ao lado do desaparecido clube Acapulco. O projeto pode ter saído da prancheta do arquiteto Severiano Porto, mas não executado. Se positivo, pode estar no arquivo central da Prefeitura, onde vou catá-lo. Se não, será apenas lamentável.
Jornal do Commercio. Manaus, 22 jul. 1970. Veja tópico:
Projeto de Severiano
Como disse, o terreno também não foi aproveitado, passando ao usufruto do Estado, quando este encampou o serviço de bombeiros em 1973. Mais de 25 anos depois, os Bombeiros tornaram-se autônomos e, conhecendo o valor do imóvel, foram em busca do terreno para instalar naquela área nobre seu principal quartel.

E aqui respondo à seguidora que me perguntou pelo destino terreno. Os Bombeiros Amazonenses tiveram um grande sobressalto, pois o terreno fora “invadido” por gente grande. E como não teve conversa, as partes foram ao juiz que, ouvindo especialmente a Prefeitura de Manaus, decidiu repô-lo ao legitimo proprietário.
A outra parte - José Artur Pozzetti e outros – não concordou, reingressando na Justiça para manter a posse do terreno dos Bombeiros. No momento, os Bombeiros do comandante Antonio Dias já tem a posse do desventurado bem.