CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

27 de abril de 2011

Amazonenses na Faculdade de Direito do Recife (I)

Primeira parte dos bacharéis amazonenses graduados na Faculdade de Direito do Recife, observando a data de formatura:


Palácio da Justiça, Manaus AM
1. Guilherme Amazonas de Sá,
filho de Ricardo Antônio de Sá, nascido no Lugar da Barra (hoje Manaus), em 10 de fevereiro de 1839, então comarca da Província do Grão Pará. Foi considerado, todavia, oriundo do Amazonas, visto que ao tempo de sua matrícula (1860) e mais especialmente de sua formatura, em 3 de novembro de 1864, já existia esta unidade política. Concluído o curso jurídico, foi nomeado, no ano imediato, Promotor Público da capital amazonense.
 2. Alexandre Herculano de Brito Amorim,
natural de Manaus (AM), filho do comendador Alexandre Paulo de Brito Amorim (patrono da artéria central do bairro de Aparecida) e de Amélia Brandão de Amorim, nascido a 18 de setembro de 1859. Bacharelou-se em 18 de setembro de 1886. Foram seus condiscípulos, entre outros, com passagem pela administração judiciária amazonense, os desembargadores Abel de Souza Garcia e José Alves de Assunção Menezes; os lentes da Faculdade de Direito da Universidade Livre de Manaus, Alcedo Marrocos e Gilberto Ribeiro Saboia, este ainda diretor da mesma (1926-29).

3. Paulino de Almeida Brito,
nasceu em Manaus (AM), em 9 de abril de 1859, quando seu pai, capitão de artilharia de mesmo nome, servia na guarnição da Província do Amazonas, e de Ricarda de Almeida Brito. Seu pai morreu por ocasião da Guerra do Paraguai (1865-70), deixando a família morando em Porto Alegre (RS) em precárias condições financeiras.
Mediante auxílio do governo imperial, a viúva e os dois filhos acabam se radicando em Belém (PA). Ali, Paulino deixou-se aos estudos, mas não dispensou uma aventura financeira pelo rio Juruá. Mas, de regresso à casa materna e à escola, como professor, passou a “sonhar” com a graduação em Direito.
Paulino de Brito

Ao receber ajuda organizada pelos amigos, teve oportunidade de desembarcar no Recife (PE) para enfrentar a Faculdade. Manteve-se naquela cidade “dando aulas”, até  conquistar o bacharelado na Faculdade de Direito do Recife. A solenidade ocorreu em 9 de novembro de 1889, em plena efervescência da Proclamação da República.
Entre os colegas, cabe destacar: Augusto César Lopes Gonçalves, senador pelo Amazonas, e Benjamim de Souza Rubim, desembargador do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJA), ambos maranhenses; o piauiense Gregório Taumaturgo de Azevedo, oficial do Exército, primeiro governador constitucional do Amazonas (retaliado, porém, pelo vice-presidente Floriano Peixoto); o pernambucano Paulino João de Souza e Mello, também desembargador do TJA, e professor do Conservatório de Música (ensinando violino, instrumento de seu desempenho nos concertos locais, registra Márcio Páscoa).

O bacharel Paulino de Brito regressou à capital paraense, onde se consagrou pela dedicação ao magistério e, também, como ardoroso polemista, um dos clássicos recursos culturais da época. Entre suas publicações, reeditado como parte da Coleção Resgate da Editora Valer, em 1998, o livro de poesias – Cantos Amazônicos.

4. Geraldo Matheus Barbosa de Amorim,
nasceu em Manaus, em 5 de dezembro de 1869, filho de Henrique Barboza de Amorim (deputado provincial, homem de notável cultura, falecido prematuramente) e Rosalina Simpson de Amorim. Depois dos estudos básicos no Liceu, Geraldo seguiu para Recife (PE) onde enfrentou o curso de direito. Obteve o bacharelado em 12 de dezembro de 1893. Logo regressou a Manaus, onde passou ao exercício da advocacia.
Ginásio Amazonense D Pedro II
Exerceu também o magistério no Ginásio Amazonense, ensinando Latim e Grego, e onde esteve como diretor do estabelecimento em algumas oportunidades. Casou-se com Eugenia Fleury de Amorim, em 1900.
Notabilizou-se igualmente como músico. Acredita Márcio Páscoa que ele “deve ter aperfeiçoado seus estudos de violino com Adelelmo do Nascimento, pois foi somente nos anos imediatamente a seguir à virada do século”, mormente a partir da inauguração do Teatro Amazonas (1896), “que seu nome começou a aparecer em concertos ao lado de profissionais e amadores”.

Aposentado do magistério, Amorim transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde faleceu aos 66 anos. (segue)