CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

11 de abril de 2011

Convite à Poesia

Roberto Mendonça (ao fundo) fala no
lançamento de Convite à Poesia
Hoje à noite, conforme programado, ocorreu na Livraria Valer o lançamento do livro Convite à Poesia, de Anísio Mello. Trata-se de um livro póstumo deste artista, que faleceu ano passado nessa data. A apresentação da obra foi realizada pelo poeta Zemaria Pinto.
Os amigos abrigados na confraria do Chá do Armando promoveram a edição, e hoje reuniram outros amigos e admiradores do insígne poeta e prosador e artista plástico, entre outras referências, para as homenagens.
A edição trouxe outro ineditismo, a capa e a contracapa foram invertidas. Ainda não se sabe o motivo, pois o livro foi impresso em Fortaleza (CE) e os originais foram transmitidos pela internet. Algum virus preconceituoso interferiu, certamente. 

Desejo salientar que se trata da primeira publicação do Chá do Armando edições. Estamos contentes com o desfecho da iniciativa, esperando repeti-la em junho, quando será aberta a exposição O Legado de Anísio Mello.

Falando na reunião noturna, li o texto que o poeta Jorge Tufic enviou de Fortaleza (CE), lembrando o saudoso amigo Anísio Mello.
Queridos amigos do Chá do Armando: 
 
A memória que tenho de Anísio Mello remonta aos fins dos anos quarenta do século XX, por assim dizer, aos antecedentes do Clube da Madrugada. Sua mãe, dona Esther, era professora de desenho e pintura na própria casa onde moravam, à rua Dr. Moreira, em cujo porão, sempre aberto aos amigos, Anísio, que também desenhava e pintava, mantinha um prelo quase de brinquedo, no qual imprimia seu jornal de estudante do Ginásio D. Pedro II, chamado ¨O Eco¨.

Acadêmico Jorge Tufic
Ali, pois, nos reuníamos: Alencar e Silva, Guimarães de Paula, Farias de Carvalho, eu, além de outros menos frequentes ao papo literário porque mais chegados às serestas das noites amazônicas, esse outro grupo a que Anísio também pertencera. Na verdade, sendo múltiplo em suas atividades artísticas e culturais, esse poeta que hoje se edita com sua obra póstuma, jamais se ausentara dos círculos boêmios e letrados, quer estivesse em São Paulo, quer em Manaus, a partir de 1977, quando lhe dera na telha aventurar-se pela região do Juruá (Eirunepé), fixando-se, após, naquele famoso ateliê da avenida Joaquim Nabuco.

E agora, a revelação: deslumbrou-me a primeira visita que fiz ao Chá do Armando, vendo-me cercado por tantos poetas e intelectuais de nossa terra, e o nosso Anísio Mello no centro dessas movimentadas noites de sexta-feira! Tal qual o víamos no porão da rua Dr. Moreira, há cinquenta anos!

Para finalizar, embora fisicamente distante, considero-me presente a essa festa de lançamento do livro de Anísio Mello, ainda e sempre movido por aquele sentimento poético solidário e fraterno que até hoje nos une.
Parabéns, amigos do Chá do Armando!  
Jorge Tufic