CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

15 de abril de 2011

Destruição da fábrica "Potência"


Major Osório, 1972
Ainda entrevistando os ex-comandantes do Corpo de Bombeiros, enquanto unidade operacional da PM do Amazonas, ouvi um depoimento do coronel Osório Fonseca. Registrando que este oficial dirigiu os bombeiros entre 1978-79.


À pergunta: Lembra algum grande acidente de que, sendo comandante, participou?
Respondeu: O maior acontecimento foi, sem dúvida, o incêndio da fábrica Potência, no Distrito Industrial. Para nós, o incêndio foi classificado de grandes proporções, em razão da perda total da indústria, que operava material sintético. Além deste, armazenava no interior do prédio, lubrificantes e combustíveis; inflamáveis que contribuíram fartamente para o resultado.

Nesse combate, assisti um grave acidente com um soldado e um sargento. Um desses heróis anônimos, tentando remover um tambor de óleo lubrificante, e como a tampa se desprendesse, foi atingido pelo material efervescente. Teve baixa hospitalar, com queimaduras graves. Outros apenas se feriram. Sofri queimaduras leves nos pés, apesar do calçado, porque a fibra sintética derretia-se, espalhando-se pelo solo.

A intensidade do fogo obrigou-nos a usar água de piscinas de clubes ao redor. Enfim, eu olhava para aquelas estruturas de ferro retorcidas, ou que se retorciam ao fogo, pingando como lágrimas altamente incandescentes. Como era assustador sentir as temperaturas elevadíssimas. Confesso, foi uma visão terrível!



A Crítica. Manaus, 27 nov. 1978

O relato jornalístico (A Crítica, 27 nov. 1978) do incêndio da Potência, incluído na galeria dos maiores desastres no Estado, oferece mais detalhes, alguns desprovidos de credibilidade. A fábrica, edificada sobre estrutura metálica, porém, diante da violência das labaredas rigorosamente desmilinguiu-se.

Foi o maior incêndio já registrado no Distrito Industrial e sua causa foi apontada, preliminarmente, como curto-circuito nas instalações elétricas, embora a Delegacia de Ordem Política e Social (DOPS), que instaurou inquérito, não tivesse fornecido o resultado do exame pericial. (...)

Com a chegada do Corpo de Bombeiros, o fogo já havia atingido quase todo o primeiro galpão. Quando o fogo passou ao compartimento das máquinas, os bombeiros tiveram que enfrentar o mais sério perigo. Foi nessa ocasião que o soldado João Stanislau, que carregava uma mangueira, ao tentar se infiltrar numa parte onde melhor pudesse dar combate ao fogo sofreu o acidente. O militar caiu de costas, não tendo condições de se reabilitar. Porém, o seu colega sargento Eunésimo Batista Serra e outros o salvaram, tendo o primeiro recebido queimaduras nas mãos, embora sem maior gravidade.

Apenas João Stanilau foi internado no Hospital Getulio Vargas e terá que ser submetido à intervenção cirúrgica plástica, pois está com as costas, o peito e o rosto marcados por queimaduras de alto grau. O soldado tinha bastante prática. Recentemente havia feito outro curso de treinamento, mas o acidente foi inevitável. Contudo, ao mesmo tempo, o coronel Osório, que comandou as operações, adotou novos sistemas, evitando que ocorressem outros acidentes.
Coronel Osório Fonseca, 2010

O coronel Osório esteve perto durante toda a operação do Corpo de Bombeiros. Abordado pela imprensa, ressaltava a importância da colaboração da Cosama, todas as vezes que o Corpo de Bombeiros atende chamado de urgência. Mencionou um caso recente ocorrido no bairro de São Raimundo, quando mais três soldados saíram feridos, no momento em que evitavam que um incêndio atingisse o quarteirão da Beira Mar. Naquela operação, os homens da Policia Militar não puderam contar com o apoio da COSAMA, pois não havia água no depósito instalado na Estrada da Compensa.
 
Os feridos mais graves no incêndio da Potência foram o soldado 2101, João Istanilau da Silva Pedrosa, recolhido ao Pronto Socorro e Hospital dos Acidentados (av. Joaquim Nabuco) com “queimaduras nos membros inferiores direito e esquerdo de 1º e 2º graus, sobre 15% da superfície corporal”. Recebeu alta hospitalar em 4 de dezembro, e seguiu sob os cuidados do Serviço de Saúde da corporação. Seis meses depois estava de volta ao serviço e, hoje (2011), subtenente PM, aguarda a transferência para a reserva. O outro foi o 3º sargento 0265, Eunesimo Batista Serra, com ferimentos leves, atendido no pronto atendimento. Mas sua sorte tem nome: o soldado Renato José Monteiro Rola que o socorreu, evitando o pior.