CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

9 de março de 2011

CLUBE DOS OFICIAIS DA POLÍCIA E BOMBEIROS (3)

O programa pós-carnaval do Clube dos Oficiais da PM: na quinta-feira 11, forró da ladeira, e, na sexta-feira 12, eleição para a escolha da nova diretoria. A escolha básica está entre a diretoria situacionista, há doze anos no poder, prometendo manter o forró e aumentar o salário policial; e a oposicionista, obviamente, tentando subir a “ladeira”, mas implorando por mais HP.

Vou na sexta-feira para rever os colegas (que um dia eu deixei a...), enquanto isso, sigo relembrando umas “paradas” do Clube.

O comandante geral da Polícia Militar tem competência para resolver este problema. O problema a que me refiro é a utilização pouco recomendável do clube dos oficiais. Uma grita insistente repercute pela corporação. A eleição pode ser uma ocasião propícia para solucionar o impasse, tanto que até as redes sociais estão sendo utilizadas, sem muito sucesso.

Robério Braga (à dir.), governador Vivaldo Frota e coronel Medeiros
e a esposa Olga (à esq.), no Clube dos Oficiais, 1990
Já disse, deixamos de ter um clube. Temos um “sindicato”, com pelegos e seus secundários. Há muito tempo a família policial deixou de se encontrar no seu canto. Houve momentos consagradores. Com a presença do comandante supremo da PM, o governador Vivaldo Frota (sobrinho do major dentista Achilles), quando o coronel Medeiros Filho era o comandante. Hoje, as festas da corporação são realizadas em bufês, obviamente melhor estruturados para acolher os simpatizantes de um “boca livre”.

No entanto, como manter uma instituição se não existem recursos financeiros? Volto aqui a repetir, nos bons tempos o maior sócio era a própria corporação, que subsidiava amplamente o clube.

Mas isso desapareceu por vários motivos. Os três mais visíveis: a fiscalização mais competente das contas da PM; a quantidade e o valor da mensalidade e, principalmente, as costumeiras dissensões. Não se podem esquecer as iniciativas tomadas para suprir a necessidade financeira, são exemplos: associação de civis, a construção de apartamentos, de lojas, aluguel da sede etc.

Antes de prosseguir, vou determinar a data da primeira festa de carnaval do Clube. Ocorreu em 24 de fevereiro de 1974, no parque aquático do Rio Negro Clube. Foi na sexta-feira gorda, presente o coronel Lucy Coutinho e os oficiais e família. Revendo as fotos, vê-se que o jargão – e éramos todos jovens! – é perfeitamente aplicável.

Tenentes Benfica e Matias comandam a festa. Jornal A Crítica
A partir da esq. capitao Fausto, major Osorio, tenentes Vital e
Pereira. Jornal A Crítica
Enfim, se a eleição não possui o condão de solucionar o impasse da “ladeira”, restam duas alternativas: o comando geral da Polícia Militar e a Justiça estadual.
Em diversas oportunidades assisti a intervenção do comando da PMAM em clubes associativos de seu pessoal. O clube dos cabos e soldados pode muito bem confirmar esta história. Repito: o comandante geral possui essa atribuição e, se não a cumpre, resta a terceira via, a Justiça.

Os "adjetivos" da campanha eleitoral de 2009 dirigidos
ao comandante-geral da PMAM
O comando não pode “intervir” como fez na última eleição, quando o coronel Dan Câmara integrou a chapa adversária. Ao concorrer (e ser derrotado), deixou de ser comandante para ser apenas sócio. Nivelou-se na “ladeira”, sofrendo um ataque sórdido nunca visto no clube, que sempre respeitou àquela autoridade. Por isso, estou convicto de que o Clube dos Oficiais (e os demais clubes da PMAM) transmudou-se em “sindicato”. (segue)