CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

25 de fevereiro de 2011

Plínio Coelho e o casal Makk (1958)

Correio do Norte, jul. 1960
Em seu primeiro governo (1955-1959), Plínio Coelho convidou ao casal Makk para visitar o Amazonas. Américo e Eva Makk (acompanhados do filho AB, nascido em São Paulo, SP) estiveram em Manaus em 1958, quando iniciaram com uma exposição de seus quadros no Ideal Clube. Após essa apresentação, foram contratados para decorar alguns pontos da capital.

Três desses trabalhos se destacaram, todavia, apenas um resiste ao desmanche. Creio que foram executados simultaneamente, afinal estiveram apenas esse ano em Manaus.
Pintaram nas paredes do hall do Palácio Rio Negro algumas alegorias, tomando por tema a rebelião do tuxaua Ajuricaba contra os colonizadores, em especial, os portugueses. No governo de Danilo Areosa (1967-1971) o trabalho artístico desapareceu sob tintas comuns aplicadas por pintores de paredes. Apesar do esforço do próprio governador em contratar técnicos capazes de restaurar a obra, nada pode ser feito. A dificuldade deve ser substancial, pois nenhuma outra revisão do Palácio Rio Negro foi capaz de “descobrir” o painel.
Conta uma lenda, no entanto, que o desastre ocorreu por “determinação” do governador Areosa que, filho de portugueses, sentia ofensa com o tema exposto. E mais, que os técnicos consultados desdenharam da qualidade dos painéis, por isso, mais tintas selaram a sorte da obra.

Casal Makk, com o filho AB, em Manaus. 1958
Outras paredes aproveitadas pelo casal ainda perduram no Palacete Provincial, utilizadas ao tempo de quartel da Polícia Militar. Nelas, o casal retratou a presença da tropa expedicionária amazonense contra Canudos. Estão impressas na entrada do edifício e devem permanecer por mais tempo.

A terceira e mais importante obra foi realizada na Catedral de Nossa Senhora da Conceição. Imenso trabalho, esforço enorme, pois, cobriram todo o teto do altar principal e as paredes do altar mor. Nestas, rememoraram o progresso da Igreja em Manaus, desde o forte, passando pelas capelas e a igreja consumida pelo fogo, em 1850. A extensão do painel elaborado no teto permitia inscrevê-lo em livro de recorde, dado sua grandiosidade era “a maior obra de arte sacra do mundo” (O Jornal, 13 set.1958). Quase tudo desapareceu na última reforma, sobretudo a decoração do teto.

Obra do casal idealizando a primeira capela existente na Barra

Igreja matriz de Manaus, local das pinturas
Os Makk tiveram ainda tempo para pintar os retratos de algumas autoridades: de Plínio Coelho, governador do Estado, que os trouxe a Manaus e patrocinou os trabalhos. Outro foi o de Dom João de Souza Lima, então arcebispo do Amazonas, em reverência ao vigário maior. Também confeccionaram o de Dom Alberto Ramos, então arcebispo do Pará, para ser afixado na galeria dos ex-bispos do Amazonas.

O saudoso memorialista Genesino Braga recebeu uma homenagem dos artistas. Em 1960, ao lançar Fastígio e sensibilidade do Amazonas de ontem, o trabalho editorial coube à extinta gráfica Sergio Cardoso, mas a capa foi elaborada com exclusividade pelos pintores Américo e Eva Makk (artistas húngaros, radicados no Brasil).

Alguns cronistas atentaram para o trabalho do casal. Lembro o padre-poeta L. Ruas, que assinala deles a exposição de quadros realizada no Ideal Clube. Também os periódicos se manifestaram, a exemplo do editorial de A Crítica (jun. 1958).
Padre Nonato Pinheiro. O Jornal, 5 out. 1958
Outro padre – Nonato Pinheiro, também se preocupou com os artistas e escreveu sobre a Decoração da Catedral (O Jornal, 5 out. 1958), lembrando o oportunismo da comemoração do centenário da Catedral de Manaus. Acerca da obra dos Makk, afirmou que “é uma orgia harmoniosa de cores, sem exageros e dissonâncias”.
Apesar de que a decoração da Catedral tenha recebido o apoio cultural da empresa de jornais Archer Pinto, onde já operava o jornalista Phelippe Daou, o governador Plínio Coelho contribuiu grandemente para colorir a capital.
O Jornal. Manaus, 13 set. 1958