CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

28 de fevereiro de 2011

Caso Delmo Pereira

Fevereiro 1953


Cruz no local do crime. O Jornal, 6 jul. 1952
Manaus passou todo esse mês de olhos no Tribunal do Júri, que funcionava no prédio do próprio Tribunal, na av. Eduardo Ribeiro (hoje Centro Cultural). Nos grandes julgamentos, o espaço sempre foi pequeno para acolher os assistentes. Tantos os profissionais quanto os curiosos. Naquela ocasião, todo esse interesse se devia ao julgamento dos assassinos do estudante Delmo Pereira.
Delmo, filho do dono da Serraria dos Pereira, na Colônia Oliveira Machado, havia morto um taxista quando investiu contra o próprio estabelecimento do pai. Essa historia é longa e cheia de atropelos. Ocorrera um ano antes, agravando-se quando os choferes (termo de época) o “justiçaram”.

Presos os matadores, passaram pelo processo criminal e, enfim, foram a julgamento. As páginas dos periódicos sempre com as últimas informações. E os melhores advogados da Cidade se enfrentando, os da acusação feita pelo promotor Adriano de Queiroz, depois apoiado pelo criminalista carioca Celso Nascimento. A defesa estava composta dos advogados Nonato de Castro, Manuel Barbuda e Milton Ascensi. Conduziu o julgamento o juiz Ernesto Roessing.

Ainda em julho de 1952, a reportagem de Afonso de Carvalho (O Jornal) revelava a devoção ao “santo” Delmo. Assim como ocorrera com “santa” Etelvina. No local da morte de estudante-mártir (na acepção dos colegas ginasianos) apareceu uma cruz. Teria sido o pagamento de algum milagre, aventa o cronista.
Não devo me aprofundar neste caso por razões óbvias. O tema acaba de ser dissecado pelo ensaísta e cronista Simão Pessoa. Aos seguidores do Blog do Simão Pessoa foi anunciado o lançamento do livro sobre a morte de Delmo Pereira, para após o carnaval. Estou aguardando.
Dr. Celso Nascimento (à dir.). O Jornal, 14 fev. 1953
Ao final do julgamento, alguns acusados foram absolvidos, mas a maioria voltou para a Penitenciária.