CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

14 de fevereiro de 2011

Memórias amazonenses

Fevereiro, 15


1879 – A comissão brasileira encarregada da demarcação da divisa Brasil/Venezuela desembarca em Manaus. Constituída pelo tenente-coronel Francisco Xavier Lopes de Araújo; major Guilherme Carlos Lassance; capitães Joaquim Xavier de Oliveira Pimentel; Dionisio Evangelista de Castro Cerqueira (depois Chanceler brasileiro) e Gregório Thaumaturgo de Azevedo (depois governador do Amazonas); cirurgião Antonio de Souza Dantas; farmacêutico Antonio Ribeiro de Aguiar e o alferes Francisco Xavier Lopes de Araújo Sobrinho. O trabalho técnico começou pelo trecho entre o rio Memachi e o Cerro Cupi.

Arlindo Porto, 2010
1929 – Nasceu em Manaus, Arlindo Augusto dos Santos Porto, o Arlindo Porto de tantos caminhos e gostosos causos. Deve ter começado como jornalista, quando as redações ocupavam a avenida Eduardo Ribeiro e adjacências. Por isso, suas memórias estão recheadas de encontros entre colegas da prensa.
Várias são as colunas que Arlindo assinou. Teve o Arame Farpado, o Cabo C que, como os nomes indicam, esquentavam o verbo. Andou em diversas redações, nelas aprendendo e consolidando sua arte de comunicador. Em uma eleição, fruto dessa atividade, ganhou a vaga de deputado estadual.

Reeleito em duas oportunidades, seguiu crescendo; e, ao evoluir na Assembleia, foi seu presidente. Na ocasião, substituiu o governador Gilberto Mestrinho.
Mas, veio o Governo Militar de 1964 e o deputado Arlindo Porto foi cassado pela própria Assembleia, atitude que o martirizou. Preso no quartel do 27º BC, não se esquece da atitude do arcebispo do Amazonas, Dom João Souza Lima, que ao visitar os reclusos, levou uma carta de Arlindo para a família dele. Escrita ali na hora, no presídio.
A Gazeta. Manaus, 22 fev. 1952
"Sem teto", seguiu para o Rio de Janeiro para enfrentar nova luta. Fez jornalismo como sabia em redações cariocas. Depois, colocou o diploma da Faculdade de Direito do Amazonas, turma 1955, na parede e saiu em busca de clientes e causas. Teve ajuda de seu amigo Bernardo Cabral e de tantos outros engajados na luta pela democracia.
Concedida a anistia, Arlindo Porto voltou a Manaus, para retomar a disputa política e jornalística. Não mais se elegeu, mas colaborou fartamente para o retorno de seu cunhado, Gilberto Mestrinho, ao governo, em 1983. No período, assumiu algumas secretarias.
Arlindo Porto, Delegado de Polícia. A Crítica. 17 fev. 1956
Ao fim, em 1998, foi nomeado conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, onde se aposentou. Pertence a algumas entidades acadêmicas. Ao Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, que já presidiu em duas oportunidades. A Academia Amazonense de Letras, na cadeira 35, de Dom Frederico Costa, empossado em 3 dez. 1993.
É autor de vários títulos: Bernardo Cabral, um paladino da democracia (1988); Nunes Pereira, o cavaleiro de todas as madrugadas do universo (1993); O Regatão da saudade (1984), entre outros.
O Sindicato dos Jornalistas amazonenses deu seu nome ao auditório da sede da entidade.

1949 – Eleito para a Academia Amazonense de Letras, e empossado em 19 de março, o desembargador Leôncio Salignac e Souza, na Poltrona nº 17, de Francisco de Souza. Foi presidente do sodalício. Morreu em 22 de junho de 1988.